sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Poeta é um fingidor... BIOGRAFIA - PARTE III ( 1921 a 1935)



BIOGRAFIA
( De 1921 a 1935)
PARTE III


[1921]

Funda a Editora «Olisipo», com sede na Rua da Assunção, 58, 2.º. No mesmo ano surge em Lisboa a «Seara Nova», que tem em António Sérgio, Raul Proença, Aquilino Ribeiro e Jaime Cortesão os seus elementos fundadores.
Outubro - Dia 19 é a "noite sangrenta", ocorrendo o assassinato de diversos republicanos.
Dezembro - Publica, na Olisipo, os seus English Poems I e II eEnglish Poems III e a Invenção do Dia Claro de Almada Negreiros.

[1922]

Maio - Pessoa colabora com assiduidade na revista «Contemporânea», de José Pacheco até Outubro. A Editora Olisipo publica a 2ª edição das Canções de António Botto.
Novembro - É fundada a firma F.N. Pessoa com sede na Rua de S. Julião, 52, 1.º. Os sócios prováveis são Augusto Franco, Albano da Silva e Júlio Moura.

[1923]

Fevereiro - A obra Sodoma Divinizada de Raul Leal (Henoch) é publicada pela Olisipo. Logo de seguida (dia 19) é alvo de um ataque cerrado da Liga dos Estudantes de Lisboa.
Março - A obra é apreendida, assim como as Canções de António Botto. Álvaro de Campos reage, publicando Sobre um Manifesto de Estudantes.
Abril - Álvaro de Campos reage, publicando Aviso por Causa da Moral.
Julho - Assina o protesto de intelectuais portugueses contra a proibição censória do Mar Alto de António Ferro. António Botto publica Motivos de Beleza, com uma nota de Pessoa. Dia 21 a mãe e a irmã de Pessoa Henriqueta, vão viver para a Quinta dos Marechais, Alto da Boa Vista em Benfica, deixando Pessoa a viver sozinho. Henrique Rosa vai também viver para a Quinta dos Marechais, por se encontrar doente.

[1924]

Outubro - Sai o primeiro número da revista «Athena», que Pessoa dirige com o pintor Ruy Vaz e para a qual colabora com  vinte odes de Ricardo Reis.

[1925]

Fevereiro - A «Athena» cessa a publicação com o seu número de Fevereiro. Dia 8 falece o General Henrique Rosa.
Março - No dia 17, morre a mãe de Fernando Pessoa. Mário de Saa publica o volume A Invasão dos Judeus, no qual Pessoa é uma das figuras analisadas.
Outubro - A irmã Henriqueta (Teca) e o marido regressam à Rua Coelho da Rocha, depois a filha de ambos ter morrido no Verão deste ano. A razão do regresso à Coelho da Rocha deve ter estado ligada às mortes sucessivas da mãe e do padrasto de Pessoa e da pequena bebé, todas ocorridas na mesma casa.

[1926]

Janeiro - Dia 1 é publicado, em serial, a tradução de Pessoa de A Letra Encarnada. Dia 25 inicia-se a publicação da «Revista de Comércio e Contabilidade», que Pessoa dirige com o seu cunhado, o Coronel Francisco Caetano Dias e para a qual colaborará com diversos artigos.
Abril - Morre a tia-avó Carolina.
Maio - No dia 28 há um golpe militar que põe fim à Primeira República, instaurando a ditadura com Gomes da Costa.
Julho - Novo golpe, por Sinel de Cordes e Óscar Carmona.
Agosto - Pessoa regista a patente para um «Anuário indicador sintético, por nomes e outras quaisquer classificações, consultável em qualquer língua».
Outubro - O diário Sol publica, em serial, a tradução de Pessoa do romance policial O Caso da 5.ª Avenida.

[1927]

Março - Sai o primeiro número da revista «Presença».
Abril - No terceiro número da «Presença», José Régio reconhece em Pessoa o Mestre da nova geração.
Junho - Primeira colaboração de Pessoa na «Presença».
Novembro - A irmã de Pessoa, o cunhado e a sobrinha mudam-se para Évora.

[1928]

Abril - Publica o texto Interregno. António de Oliveira Salazar é nomeado Ministro das Finanças. Pessoa colabora em diversas publicações. Em conjunto com José Pacheco, Mário Saa, António Botto e outros, funda a «Solução Editora».
Maio - Inicia a sua colaboração com O Notícias Ilustrado.
Agosto - Cria o último heterónimo, o Barão de Teive, um fidalgo que cultivava ideias suicidas.

[1929]

Abril-Junho - Publica textos do Livro do Desassossego.
Junho
 - O crítico e amigo de Pessoa, João Gaspar Simões, dedica 20 página do seu livro Temas ao estudo da obra do poeta. É o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Pessoa. 
Setembro -
 No dia 2, Fernando Pessoa oferece a Carlos Queiroz, seu amigo e sobrinho de Ophélia, uma fotografia sua que o retratava bebendo um copo de vinho no Abel Pereira da Fonseca. Ophélia acha graça à fotografia e pede uma cópia para si. Fernando Pessoa manda-lhe uma com a dedicatória: "Fernando Pessoa. Em flagrante delitro". Assim se reacende a relação sentimental entre os dois. Data de 11 deste mês, a primeira carta de Pessoa a Ophélia, nesta segunda fase do namoro. É uma carta de resposta à que Ophélia lhe mandara em agradecimento do envio da cópia pedida.
Outubro - Morre, em Tavira, a sua "tia" Lisbela.
Dezembro - Dia 4 envia uma correcção do horóscopo de Aleister Crowley em carta à editora deste, na qual encomenda livros.

[1930]

Janeiro - Dia 11 é a data da última carta a Ophélia.
Setembro -
 No dia 2 chega a Lisboa o Mago Aleister Crowley. Por se ter atrasado por causa do nevoeiro, dispara a Pessoa, que nunca tinha visto antes: "Por que diabo me mandou você um nevoeiro?". A estadia de Crowley é aproveitada para encenar o desaparecimento deste na Boca do Inferno, em Cascais, dia 23.
É um intenso período de criação heterónimica.
Outubro - Dia 5 O Notícias Ilustrado publica um testemunho de Pessoa sobre o "caso Crowley".
Novembro - A irmã de Pessoa, que estava em Évora, regressa a Lisboa.


[1931]

Fevereiro - 
Publica na Presença o VIII poema do "Guardador de Rebanhos".
Março - Data de 21 deste mês a última carta de Ophélia a Pessoa. Dá-se por isso nos primeiros meses de 1931 a efectiva e terminal interrupção da relação sentimental entre os dois.

[1932]

Julho - Dia 5 Salazar é eleito presidente do conselho.
Setembro - 
Dia 16 apresenta uma candidatura ao lugar de conservador-bibliotecário do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, em Cascais, motivado por dificuldades económicas. No entanto não seria ele o escolhido pelo Presidente da Câmara, mas sim o pintor Carlos Bonvalot.
É publicada a obra Alma Errante, com prefácio de Pessoa. A irmã de Pessoa e o marido constroem uma moradia em São João do Estoril, que mais tarde Pessoa visita amiúde.

[1933]

Janeiro - Pierre Hourcade publica traduções de poemas de Pessoa em francês, nos Cahiers du Sud, com uma introdução.
Março-Abril - Prepara o livro de Sá-Carneiro, Indícios de Ouro.Julho - Publica o poema A Tabacaria, na Presença.
Atravessa nova crise psíquica. No entanto, é um período de grande criatividade crítica e ortónima.
Outubro - António Ferro é nomeado director do Secretariado de Propaganda Nacional, que foi criado em Setembro.

[1934]

Maio - Última colaboração com a Presença. Julho - Inicia o projecto de escrever quadras "populares". Até Agosto de 1935 escreve 350.
Outubro - Saem alguns exemplares de Mensagem, de modo a permitir que a obra concorra ao prémio do SPN. No dia 10, Fernando Pessoa deixa um exemplar autografado da Mensagem no hotel onde estava hospedada a poeta Brasileira Cecília Meireles. Pessoa tinha marcado um encontro com ela, mas falhou justificando-se com um horóscopo desfavorável. 
Dezembro - Dia 1 (dia da Restauração) é o dia escolhido para o lançamento oficial de a Mensagem.
Faz o prefácio ao livro Quinto Império, de Augusto Ferreira Gomes.

[1935]

Janeiro - Dia 13 escreve uma carta extensa a Adolfo Casais Monteiro onde explica a génese dos heterónimos.
Fevereiro - Dia 4 defende as associações secretas num artigo publicado no «Diário de Lisboa».
Na Primavera vem a Portugal, em viagem de núpcias, depois de quinze anos de ausência, o irmão Luís Miguel. Pessoa deixa-se fotografar com a família em diversas ocasiões, nomeadamente diante do Mosteiro dos Jerónimos em Belém.
Outubro - Dia 21 Pessoa escreve o último poema de Álvaro de Campos: "Todas as cartas de amor são ridículas".
Novembro - Dia 13 escreve o último poema de Ricardo Reis ("Vivem em nós inúmeros"). Dia 19 escreve o último poema datado em português: "Há doenças piores que as doenças". Dia 22 escreve os últimos poemas datados em inglês ("The happy sun is shinning") e francês ("Le sourire de tes yeux bleus"). Por volta do dia 27 ou 28, Pessoa encontra-se pela última vez com João Gaspar Simões e Almada Negreiros. Dias antes, Pessoa tinha tido uma grave crise hepática que o fizera perder os sentidos na casa de banho da casa da Rua Coelho da Rocha, tendo o médico avisado que mais um cálice de aguardente seria fatal. No dia 28 é internado no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde lhe é diagnosticada uma cólica hepática. Ao morrer pede os óculos. Morre no dia 30, ás 20 horas e trinta minutos, estando presentes o Dr. Jaime Neves e os amigos Francisco Gouveia e Vítor da Silva Carvalho.
Dezembro - No dia 2 é levado a enterrar o seu corpo. Ás onze horas o caixão saiu da capela do Cemitério dos Prazeres. Repousará no jazigo da sua avó (Rua 1, Direita, n.º 4371). Acompanhavam a procissão fúnebre amigos do poeta, entre os quais: Luís de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guisado, Almada Negreiros, João Gaspar Simões, António Botto e Carlos Queiroz. Representava a família o Capitão Caetano Dias. Junto do jazigo, Luís de Montalvor proferiu um breve elogio fúnebre, improvisado e sentido. A noticia necrológica da morte de Fernando Pessoa foi publicada no «Diário de Notícias» de 3/12/1935.

Na ocasião dos cinquenta anos da sua morte (1985), e no dia do seu aniversário, 13 de Junho, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos.

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