quarta-feira, 9 de maio de 2012

Livros que merecem ser lidos...


AS REGRAS DA ARTE
Pierre Bourdieu

Este aprofundado estudo sobre as Regras da Arte representa a irreverente intervenção de um dos mais brilhantes sociólogos de França num já longo debate em torno da «especificidade da obra literária» e da sua suposta «inefabilidade». Sem de modo nenhum anular i papel do «criador», Bourdieu vem no entanto questionar a ilusão da omnipotência do génio, fazendo submeter a produção literária à noção de «campo» trazida da sociologia. Ele parte de uma leitura de L'Éducation Sentimentale para pôr em evidência toda a rede de forças que artícula o espaço social da obra, homólogo de espaço social em que ela foi escrita. Este trabalho prévio é particularmente útil para a compreensão da génese do universo literário, com os seus diversos agentes, tal como hoje conhecemos - e que remonta precisamente ao século XIX -, servindo com grande precisão o objectivo de Bourdieu: compreender o trabalho específico que o artista deve cumprir (e o escritor em particular), tanto contra aquilo que o determina como graças ao que recebe, para se produzir como sujeito da sua própria criação. Ao pôr em evidência as regras da arte, essa lógica a que obedecem tanto os escritores como as instituições literárias, Bourdieu cria assim os fundamentos de uma ciência das obras, cujo objecto é não só a sua produção material mas também a do seu valor.
Livro publicado pela Editorial Presença, em 1996, com 398 páginas.


Í N D I C E

Abertura

Prólogo. Flaubert analista de Flaubert

Lugares, colocações, deslocamentos
A questão da herança
Ps acidentes necessários
O poder da escrita
A fórmula de Flaubert
Anexo 1. Resumo de A Educação Sentimental
Anexo 2. Quatro Leituras de A Educação Sentimental
Anexo 3. A Paris de A Educação Sentimental

Primeira Parte - Três Estados do Campo

1. A Conquista da Autonomia. A fase crítica da emergência do campo
Uma subordinação estrutural
A boémia e a invenção de uma arte de viver
A ruptura com o «burguês»
Baudelaire nomoteta
As primeiras chamadas à ordem
Uma posição a fazer
A dupla ruptura
Uma mundo económico de pernas para o ar
Posições e disposições
O ponto de vista de Flaubert
Flaubert e o «realismo»
«Escrever bem o medíocre»
Regresso à Educação Sentimental
Dar forma
A invençaõ da estética «pura»
As condições éticas da revolução estética

2. A emergência de uma estrutura dualista
As particularidades do género
Diferenciação dos géneros e unificação do campo
A arte e o dinheiro
A dialéctica da distinção
Revoluções específicas e mudanças externas
A invenção do intelectual
Os intercâmbios entre escritores e pintores
Pela forma

3. O Mercado dos bens simbólicos
Duas lógicas económicas
Dois modos de envelhecimento
Fazer época
A lógica da mudança
Homologias e efeito de harmonia preestabelecida
A produção e a crença
 
Segunda Parte - Fundamentos de uma Ciência das Obras
 
1. Questões de Método
Um novo espirito científico
Doxa literária e resistência à objectivação
O «projecto orifinal», mito fundador
O ponto de vista de Tersites e a falsa ruptura
O espaço dos pontos de vista
A separação das alternativas
Objectivar o sujeito da objectivação
Anexo: O intelectual total e a ilusão da omnipotência do pensamento
 
2. O Pontio de vista do autor. Algumas propriedades gerais dos campos de produção cultural
O campo literário dentro do campo do poder
O nomos e a questão dos limites
O illusio e a obra de arte como fetiche
Posição, disposição e tomada de posição
O espaço dos possíveis
Estrutura e transformação; lutas internas e revolção permanente
Reflexividade e «ingenuidade»
A oferta e a procura
Lutas internas e sanções externas
O encontro de duas histórias
O habitus e os possíveis
A dialéctica das posições e das disposições
Formação e dissolução dos grupos
Uma transcendência da instituição
«A desmontagem ímpia da ficção»
Anexo: Efeito de campo e formas de conservadorismo
 
Terceira Parte - Compreender o Compreender
 
1. A Génese histórica da estética pura
A análise de essência e a ilusão do absoluto
A anamnese histórica e o retorno do recalcado
As categorias históricas da percepção artística
As condições de leitura pura
Miséria do a-historismo
A dupla historicização
 
2. A génese-social do olhar
O olhar do quatrocento
O fundamento da ilusão carismática
 
3. Uma teoria em acto da leitura
Um romance reflexivo
Tempo da leitura e leitura do tempo
 
Da Capo
 
A Ilusão e a Illusio
 
Pos-Scriptum
 
Por um corporativismo do universal
 
Índice de Conceitos
Índice Onomástico



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