quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: Um Dia Isto Tinha Que Acontecer


Um Dia Isto Tinha Que Acontecer


Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?


Por: Mia Couto

À Volta com a Vida: Descoberto camaleão minúsculo em Madagáscar



Descoberto camaleão minúsculo em Madagáscar


Um dos mais pequenos camaleões do mundo foi descoberto em Madagáscar. Mede cerca de 29 mm de comprimento e foi denominado Brookesia micra. Para além deste camaleão, a equipa de investigação descobriu mais três novas espécies no norte da ilha.



Uma equipa de investigação liderada por Frank Glaw do Zoologische Staatssammlung em Munique realizou várias saídas de campo em Madagáscar à noite na estação húmida. Os cientistas examinaram cuidadosamente os habitats mais prováveis com tochas e lanternas para encontrar os locais de descanso. Esta equipa já descreveu várias espécies de camaleões anões no passado.

“Vivem principalmente nas folhas caídas durante o dia…mas à noite sobem [para os ramos para dormir] o que torna mais fácil a sua identificação”, explicou Glaw.

O Brookesia micra foi descoberto na ilha Nosy Hara, uma ilha de calcário remota. Os cientistas acreditam que se pode tratar de um caso extremo de nanismo insular. Este fenómeno é um processo evolutivo que ocorre quando uma espécie se torna mais pequena de forma a adaptar-se a um habitat restrito como uma ilha.

De acordo com Glaw poderá ter existido um “efeito de duas ilhas” no caso do B. micra. “É possível que a ilha de Madagáscar produziu um grupo geral de camaleões anões e que as ilhas mais pequenas produziram as espécies mais pequenas.”

Para além do B. micra foi também descoberto a Brookesia confidens em Ankarana, o B. desperata em Forêt d'Ambre e o B. tristes em Montagne des Français. A equipa escolheu nomes que expressassem a sua preocupação com o futuro das espécies endémicas da ilha.

Como os camaleões são semelhantes, pelo menos em aparência, os investigadores realizaram uma análise genética para confirmar se realmente se tratavam de diferentes espécies. De acordo com Miguel Vences, um outro membro da equipa, as diferenças entre as espécies são “notáveis” o que significa que se “separaram há milhões de anos atrás, provavelmente mais cedo do que outras espécies de camaleão.”

Cada uma das novas espécies descobertas estava restrita a um território muito pequeno igual ou inferior a um quilómetro quadrado. “Em Madagáscar muitas espécies estão restritas a pequenos habitats, o que torna importante a sua conservação”, alertou Glaw.


Fonte:
bbc.uk/

À Volta com a Economia: Portugal tem a quarta maior taxa de desemprego da Europa



Portugal tem a quarta maior taxa de desemprego da Europa

A taxa de desemprego em Portugal é a quarta mais elevada da União Europeia (UE), só melhor que Espanha, Irlanda e Grécia, indicam os dados mais recentes do Eurostat.


De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu em dezembro 13,6 por cento, mais quatro décimas que no mês anterior.

Do total dos países dos quais o Eurostat disponibiliza números para dezembro, a taxa de desemprego em Portugal situa-se apenas abaixo da registada em Espanha (22,9 por cento) e Irlanda (14,5 por cento).

No entanto, e apesar dos números não serem atualizados desde outubro, o número de desempregados em Portugal é também inferior ao verificado na Grécia, já que os dados mais recentes para o país divulgados pelo Eurostat apontam para valores perto dos 20 por cento de desempregados.

No conjunto da União Europeia (UE) e na zona euro os valores registados em dezembro estabilizaram quando comparados com novembro: 9,9 por cento nos 27 e 10,4 entre os países que partilham a moeda única.

O Eurostat calcula mensalmente uma taxa harmonizada de desemprego para todos os países da UE. Esta taxa utiliza uma metodologia comum a todos os 27 para permitir comparações. Os resultados do Eurostat não são necessariamente iguais aos obtidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).



Fonte: SIC NOTÍCIAS

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

À Volta com a Economia: Descontos para o IRS vão subir 10% nos salários mais baixos



Descontos para o IRS vão subir 10% nos salários mais baixos


Trabalhadores que ganhem mais de 726 euros por mês e 14 salários por ano, vão descontar mais 10%.


As Finanças publicaram ontem as novas tabelas de retenção de IRS que vão vigorar este ano e que se aplicam já aos salários deste mês. Os trabalhadores por conta de outrem, a quem não tenha sido cortado o subsídio de férias e Natal, são os mais penalizados, com um agravamento médio da ordem dos 10% nos salários mais baixos. O aumento das retenções reflecte o efeito conjunto da redução nas deduções fiscais e da subida da taxa de inflação.
Com a nova tabela de retenção, um contribuinte solteiro que ganhe 726 euros vai ver descontados pela entidade patronal 39,93 euros - em vez de 36,3 euros - o que significa um aumento da taxa em 0,5 pontos percentuais para 5,5%, o que se traduz no total num agravamento do desconto de IRS de 10%. Já nos salários mais elevados (para um contribuinte também solteiro), superiores a 6.000 euros, as retenções sobem dois pontos percentuais para 32,5% (uma retenção de 132 euros).

As novas tabelas de retenção de IRS, ontem publicadas pelo Ministério das Finanças, prevêem ainda que contribuintes que perdem subsídio de férias e de Natal (Função Pública) vão descontar menos IRS mensalmente durante este ano. Segundo as Finanças, foram "aprovadas tabelas específicas para os trabalhadores dependentes abrangidos pela suspensão do pagamento de subsídio de férias e de Natal (...) garantindo, assim, a aplicação aos rendimentos auferidos por estes trabalhadores das taxas de retenção que correspondem ao respectivo rendimento médio mensal", lê-se na Circular emitida pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).


Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Notícia(s) do Dia: Novo exame da troika a Portugal começa na quarta




Novo exame da troika a Portugal começa na quarta

Reformas estruturais vão estar no centro da avaliação.



 
A terceira avaliação da ‘troika' começa já depois de amanhã e, se tudo correr bem, deverá demorar cerca de 15 dias. Ainda com pouco tempo de execução do orçamento deste ano, as reformas estruturais deverão estar no centro da agenda, com especial destaque para o sector empresarial do Estado.

Os peritos internacionais do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE) vão estar de olhos postos nas empresas públicas. É que a reestruturação deste sector está no centro do programa de ajustamento português.

Desde logo, parte da reestruturação que é preciso fazer na economia depende da reorganização do sector empresarial do Estado, já que há muitas empresas dependentes da ajuda pública que estão a retirar potencial de negócio às empresas privadas. Por exemplo, o Diário Económico sabe que em relação ao sector dos transportes a ‘troika' defende que será possível melhorar a oferta com mais liberalização. A reforma do sector da energia também pode ser melhorada. Já no que toca ao arrendamento, mercado laboral e justiça, a ‘troika' estará satisfeita com as reformas delineadas, mas quer agora ver a implementação.



Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Poeta é um fingidor



Arre, que tanto é muito pouco!

Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!



análise do poema "arre, que tanto é muito pouco"

Onde muitos vêem apenas um Campos existem, na realidade, uma variedade de Campos. Isto porque Álvaro de Campos evolui como poeta, mais ou menos ao lado de Fernando Pessoa-ele mesmo.

Marcam-se três fases distintas na escrita de Campos. Uma que se inicia com o Opiário, outra a das grandes Odes, e finalmente uma fase terminal, pessoal e abúlica. Vê-se então que Campos passa de um sensacionismo fantástico, um modernismo explosivo, de exaltação da indústria e das máquinas, para um Campos vencido na vida, rendido a um tédio imenso que o afoga em mágoa.

Este poema que me refere é curioso porque entremeado nas duas últimas fases. Observamos que Campos, se parece revoltar-se, parece usar o tom heróico de Whitman que usara nas grandes Odes - a Triunfal e a Maritima - aqui decai já ligeiramente para a análise pessoal. Ele fala já de si mesmo e não do mundo exterior e o seu tom, embora exaltado, é de uma grande mágoa pessoa, é um tom de desilusão e ele apenas se serve da voz alta para reforçar a realidade de uma dor interior.

Tocante é a maneira como o poema, que começa por invocar a impessoalidade do Portugal deixado às bestas, se transforma num relato poético do interior daquele que acusa. Se Portugal está mal, pior ainda está o poeta - a sua situação transfigura-se na massa maior do país, mas, na sua pessoalidade, assume um grau horrivelmente mais poderoso.

"Amor, glória, dinheiro são prisões", diz Campos.

Mas esta frase não pode ser de alguém que exalta o poder e a nobreza de se alcançar alguma coisa na vida. Afinal o que é a liberdade que Campos tanto quer?

A sua liberdade é já uma liberdade na loucura, na solidão extrema que partilha com o seu irmão Fernando Pessoa. A realidade é que Campos se deixou das ilusões da juventude modernista - Campos é neste poema Campos desiludido, rendido às evidências de uma vida que o prende e o oprime com as suas regras - o amor, a glória e o dinheiro.

Campos quer antes a loucura, a grande liberdade: "Nada de paredes - ser o grande entendimento - Eu e o universo". Então ser como os gnósticos que procuravam a verdade no contacto directo com Deus, mesmo correndo o risco da loucura imediata. Ao menos é um risco pela liberdade total, pela redenção.

Deixar o espectro do guarda-fato pelo esplendor do infinito - eis o objectivo astral de Campos. Ou seja, deixar a vida pela loucura, o quotidiano sem sabor pelo risco enorme do Universo vazio.

É triste o seu desespero, que nos toca ao coração. É um homem perdido: "Graças a Deus que estou doido! Que tudo quanto dei me voltou em lixo". Mas é um homem perdido que se acha. Porque na loucura, para ele, "como na bebedeira, Isto é uma solução". Uma solução.

Quando ficar louco é ter uma solução para o desespero, nada mais se pode oferecer em comparação. E é uma solução gutural, de intestinos, como ele próprio diz, é uma solução extrema, de instinto, sem regresso possível.

Campos que fizera poesia transcendental e lírica e nada nelas achou de solução parecida a esta. Agora sente que a náusea a tudo é a resposta a tudo. Comer o Universo e vomitá-lo, como quem recusa a própria existência, como quem recusa a própria vida como coisa real. Uma atitude horrivel, mas com um fim, "E assim como sou não tenho nem fim nem vida...".

"Ser indiferente!", "Ser alheio até a si mesmo!", "Ser esquecido de que se existe!".

Numa linha e sem que Campos o ouse pensar: ser imune à dor da vida.

Notícia(s) do Dia: Casa Pia tem primeira sessão na Relação



Casa Pia tem primeira sessão na Relação


O processo Casa Pia volta esta quinta-feira à barra do tribunal, desta vez no Tribunal da Relação de Lisboa.

Em cima da mesa estão os recursos das condenações que foram apresentados por seis dos sete arguidos e também pelo Ministério Público.

O novo colectivo de juízes liderado por Rui Rangel e composto ainda por Guilhermina Freitas e Calheiros da Gama ouve esta quinta-feira os vários advogados que vão desenvolver oralmente aquilo que já fizeram por escrito, ou seja, explicar porque consideraram injustas as penas de prisão aplicadas a seis dos sete arguidos a 3 de Setembro de 2010.

Não se trata de um novo julgamento e não deverão ser chamadas novas testemunhas, até porque os juízes desembargadores já rejeitaram toda a documentação que chegou entretanto a este tribunal relativa a novas entrevistas de algumas das vitimas de abuso sexual e de Carlos Silvino, onde contradiziam as acusações que fizeram ao longo de anos em tribunal.

Depois de ouvir advogados e Ministério Público, os juízes desembargadores vão decidir se mantêm, agravam ou diminuem as penas de prisão a que foram condenados os arguidos.

Carlos Silvino foi condenado a 18 anos de prisão, Carlos Cruz e o médico Ferreira Dinis a 7 anos, o embaixador Jorge Ritto e Hugo Marçal 6 anos e alguns meses de prisão e o ex-provedor Manuel Abrantes a 5 anos e 9 meses. Só Gertrudes Nunes, conhecida como dona da casa de Elvas, foi absolvida.

 

Fonte: RENASCENÇA ONLINE

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Notícia(s) do Dia: Leonor Beleza integra novo Conselho Estratégico do BCP (Pois!!!!)



Leonor Beleza integra novo Conselho Estratégico do BCP


A presidente da Fundação Champalimaud será um dos membros do novo Conselho Estratégico Internacional do banco.


Leonor Beleza, Manuel Alfredo de Mello e Pansy Ho (filha de Stanley Ho) vão ser membros do novo Conselho Estratégico Internacional do BCP, por designação da Administração, soube o Diário Económico. Estes três ex-membros do actual Conselho Geral e de Supervisão (CGS) vão integrar o corpo social liderado por Carlos Santos Ferreira, que terá a vice-presidentes Francisco de Lemos (presidente da Sonangol) e Josep Oliu, do Banco Sabadell, e que serão eleitos na próxima Assembleia-geral.

Este Conselho Estratégico é uma das novidades dos estatutos e revela a importância que a internacionalização tem para o futuro do BCP. Na proposta que será levada aos accionistas no próximo dia 28 de Fevereiro, está definido que este órgão consultivo tem como funções "analisar e reflectir sobre estratégia global do grupo e a estratégia para cada geografia" e "acompanhar a evolução da implementação da estratégia de internacionalização e investimento do Grupo". Todas estas funções se traduzem em recomendações ao Conselho de Administração.

Na prática este Conselho é equiparável ao velho Conselho Superior que existia no tempo de Jardim Gonçalves. Embora o actual seja exclusivamente dedicado à internacionalização. Aliás a composição deste corpo social não está totalmente definida nos estatutos, precisamente para poder ser alargado à medida da estratégia do BCP. Nos novos estatutos está definido que este órgão consultivo "é composto por personalidades de reconhecido mérito com ligação às geografias onde o banco esteja presente ou pretenda investir, designadas pelo Conselho de Administração." Os presidente e vice-presidentes do BCP fazem parte deste órgão. Neste caso António Monteiro (presidente); Carlos Silva (BPA/Sonangol); Pedro Maria Teixeira Duarte e Nuno Amado (vice-presidente e presidente da Comissão Executiva).


Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE

Notícia(s) do Dia: Juros dos novos créditos descem pela primeira vez em três anos



Juros dos novos créditos descem pela primeira vez em três anos


Os bancos continuam a restringir o acesso ao crédito mas o custo de contratar um empréstimo desceu em Dezembro, quer para o crédito à habitação, quer para o crédito ao consumo, a empresas e outro tipo de crédito, de acordo com dados do BCE divulgados ontem. É a primeira vez que ocorre uma descida simultânea das taxas cobradas em todas as tipologias de crédito desde Abril de 2009, apesar da tendência de descida das Euribor já se verificar desde Agosto do ano passado.

O processo de desalavancagem da banca portuguesa tem levado a um aumento dos ‘spreads' o que, até agora, tem impedido que as descidas das taxas interbancárias se reflictam no custo final dos novos empréstimos. Ao conceder um crédito, os bancos têm em conta dois factores que determinam o custo do crédito: a taxa interbancária e o prémio de risco (‘spread'). Segundo os economistas contactados pelo Diário Económico, a redução verificada em Dezembro deveu-se, sobretudo, à queda das taxas Euribor. "A principal razão será a descida das Euribor e não dos ‘spreads", referiu a economista do BPI, Teresa Gil Pinheiro, ao Diário Económico.

A Taxa Anual Nominal dos novos créditos à habitação teve uma descida mensal de 0,09 pontos percentuais para 4,28%. Já a média mensal da Euribor a três meses desceu de 1,48% em Novembro para 1,43% em Dezembro. Neste tipo de créditos foi a primeira vez em 12 meses que os juros praticados pelos bancos desceram, apesar das taxas Euribor apresentarem uma tendência de queda desde Agosto.


Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Notícia(s) do Dia: TMN, Vodafone e Optimus só recebem licenças do 4G em Março



TMN, Vodafone e Optimus só recebem licenças do 4G em Março


Anacom prolongou consulta pública até 2 de Março. Operadores preparados para lançar oferta.

A TMN, a Vodafone e a Optimus terão de esperar mais um mês para receber as licenças da quarta geração móvel (4G) - o chamado LTE -, que permitem disponibilizar Internet móvel de alta velocidade.

A previsão era de que as licenças fossem entregues a 9 de Fevereiro, como avançou presidente executivo da Vodafone, António Coimbra, na apresentação da estratégia do 4G na passada semana. Contudo, o regulador do sector as telecomunicações, a Anacom, decidiu dar 20 dias úteis de consulta pública para que os operadores apresentem os seus comentários à atribuição das frequências, segundo a informação publicada no ‘site' da Anacom.

O prazo da consulta termina, assim, no próximo dia 2 de Março, pelo que a Anacom deverá notificar os operadores na semana de 12 de Março. Esta data arrasta para meados do próximo mês a atribuição das licenças de LTE. No entanto, os direitos de utilização de algumas faixas - nomeadamente a dos 800 megahertz (Mhz) - só serão atribuídos no final de Abril, quando o sinal analógico de televisão for desligado e se der a passagem definitiva para a Televisão Digital Terrestre (TDT).


Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: Perspectiva Interessante


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


Fonte: Fernanda Braga da Cruz

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

À Volta com a Economia: Fisco vai vigiar compras com cartões de empresários individuais



Fisco vai vigiar compras com cartões de empresários individuais


Bancos vão ser obrigados a entregarem os registos de todas as operações: em restaurantes, lojas e hotéis.
O fisco vai ter acesso aos dados de todas as compras feitas através de cartões de crédito ou débito, independentemente do valor, segundo um diploma publicado ontem em "Diário da República".
A medida destina-se apenas a empresas ou empresários individuais e já se encontra em vigor por via de uma portaria do Ministério das Finanças.
Segundo o diploma, os bancos vão ter de enviar até ao final de Julho, de cada ano, uma lista dos pagamentos feitos com cartões de crédito e de débito sem que os titulares dos cartões sejam identificados.
Os bancos vão ser obrigados a entregarem os registos de todas as operações: em restaurantes, lojas e hotéis.
Na portaria, o ministério diz que a medida vai agilizar o cruzamento de informação e reforçar o combate à fraude e evasão fiscais.



Fonte: Renascença ONLINE

O Mundo que nos Rodeia: Qual é o teu valor de mercado?



Qual é o teu valor de mercado?



“Qual é o teu valor de mercado, mãe? Desculpa escrever-te uma pequena carta, mas estou tão confuso que pensei que escrevendo me explicava melhor.
Vi ontem na televisão um senhor de cabelos brancos, julgo que se chama Catroga, a explicar que vai ter um ordenado de 639 mil euros por ano na EDP, aquela empresa que dava muito dinheiro ao Estado e que o governo ofereceu aos chineses.
Pus-me a fazer contas e percebi que o senhor vai ganhar 1750 euros por dia. E depois ouvi o que ele disse na televisão. Vai ganhar muito dinheiro porque tem o seu valor de mercado, tal como o Cristiano Ronaldo. Foi então que fiquei a pensar. Qual é o teu valor de mercado, mãe?

Tu acordas todos os dias por volta das seis e meia da manhã, antes de saíres de casa ainda preparas os nossos almoços, passas a ferro, arrumas a casa, depois sais para o trabalho e demoras uma hora em transportes, entra e sai do comboio, entra e sai do autocarro, por fim lá chegas e trabalhas 8 horas, com mais meia hora agora, já é noite quando regressas a casa e fazes o jantar, arrumas a casa e ainda fazes mil e uma coisas até te deitares quando já eu estou há muito tempo a dormir. O teu ordenado mensal, contaste-me tu, é pouco mais de metade do que aquele senhor de cabelos brancos ganha num só dia. Afinal mãe qual é o teu valor de mercado? E qual é o valor de mercado do avozinho? Começou a trabalhar com catorze anos, trabalhou quase sessenta anos e tem uma reforma de quinhentos euros, muito boa, diz ele, se comparada com a da maioria dos portugueses. Qual é o valor de mercado do avô, mãe? E qual é o valor de mercado desses portugueses todos que ainda recebem menos que o avô? Qual é o valor de mercado da vizinha do andar de cima que trabalha numa empresa de limpezas?

Ontem à tardinha ela estava a conversar com a vizinha do terceiro esquerdo e dizia que tem dias de trabalhar catorze horas, que não almoça por falta de tempo, que costumava comer um iogurte no autocarro mas que desde que o motorista lhe disse que era proibido comer nos transportes públicos se habituou a deixar de almoçar. Hábitos! Qual é o valor de mercado da vizinha, mãe? E a minha prima Ana que depois de ter feito o mestrado trabalha naquilo dos telefones, o “call center”, enquanto vai preparando o doutoramento? Ela deve ter um enorme valor de mercado! E o senhor Luís da mercearia que abre a loja muito cedo e está lá o dia todo até ser bem de noite, trabalha aos fins de semana e diz ele que paga mais impostos que os bancos? Que enorme valor de mercado deve ter! O primo Zé que está desempregado, depois da empresa onde trabalhava há muitos anos ter encerrado, deve ter um valor de mercado enorme! Só não percebo como é que com tanto valor de mercado vocês todos trabalham tanto e recebem tão pouco! Também não entendo lá muito bem – mas é normal, sou criança – o que é isso do valor de mercado que dá milhões ao senhor de cabelos brancos e dá miséria, muito trabalho e sofrimento a quase todas as pessoas que eu conheço! Foi por isso que te escrevi, mãe. Assim, a pôr as letrinhas num papel, pensava eu que me entendia melhor, mas até agora ainda estou cheio de dúvidas. Afinal, mãe, qual o teu valor de mercado? E o meu?”

Fonte: Francisco Queirós

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Notícia(s) do Dia: Prisão de Isaltino volta a ser adiada




Prisão de Isaltino volta a ser adiada

O Tribunal Judicial de Oeiras defende que Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, devia estar preso desde 19 de Setembro pelo facto de a decisão condenatória de dois anos de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais ter transitado em julgado naquela data. Este entendimento da juíza Carla Cardador, titular do processo, devia levar à emissão de novo mandado de captura do autarca requerido por duas vezes pelo Ministério Público, mas a magistrada foi obrigada a seguir leitura oposta do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL).


Este novo despacho da juíza Cardador, consultado pelo SOL, foi proferido esta segunda-feira no âmbito de um requerimento da defesa do autarca onde era solicitada a declaração de prescrição de dois dos três crimes de fraude fiscal praticados por Isaltino entre 2001 e 2003. Isaltino entendia que os crimes de 2001 e de 2002 já tinham prescrito, mas o Tribunal de Oeiras indeferiu tal pretensão.

A juíza Carla Cardador, que mandou prender o edil oeirense em Setembro para libertá-lo 24 horas depois devido a uma falha de informação com origem na Relação de Lisboa, considera que o crime praticado a 4 de Maio de 2001 prescreveria 10 anos e seis meses a contar dessa data. Isto é, a 4 de Novembro último. Contudo, a magistrada entende que a decisão condenatória de dois anos de prisão aplicada pelo Tribunal da Relação de Lisboa em Junho de 2010 transitou em julgado a 19 de Setembro de 2011, tendo estabilizado definitivamente a 31 de Outubro seguinte. Ou seja, a condenação de Isaltino Morais é definitiva, tendo ocorrido antes da data da prescrição do crime de fraude fiscal praticado em 2001. Já o crime de 2002, a prescrição só aconteceria em Novembro de 2012.

O TRL, contudo, tem um entendimento contrário quanto ao trânsito em julgado do processo das contas da Suíça – facto que pesou decisivamente na decisão da juíza de não emitir os mandados de captura solicitados por duas vezes pelo procurador Luís Elói.

Em Dezembro, no âmbito de uma decisão que obrigou o Tribunal de Oeiras a apreciar precisamente o pedido de prescrição do autarca, a Relação de Lisboa considerou que «a decisão condenatória não transitará enquanto estiverem pendentes recursos ordinários que possam contender com a subsistência dessa decisão», escreveu o desembargador Rui Gonçalves no acórdão datado de 14 de Dezembro.

Esta leitura é contraditória com outra decisão também da Relação de Lisboa datada de 8 de Novembro de 2011. No contexto do incidente de recusa da juíza Cardador interposto por Isaltino Morais, o desembargador José Simões Carvalho considerou então que, de facto, a decisão condenatória tinha transitado em julgado a 19 de Setembro.

A magistrada judicial de Oeiras constatou no seu despacho da última segunda-feira estas leituras contraditórias de dois colectivos diferentes do TRL, mas viu-se obrigada a não contrariar a última leitura subscrita pelo desembargador Rui Gonçalves, pois o entendimento de um tribunal superior sobrepõe-se ao seu. «Pese embora não partilhemos do entendimento do TRL [defendido pelo desembargador Rui Gonçalves]», lê-se no despacho consultado pelo SOL.

Assim, Cardador decidiu «não ordenar, por ora, a emissão dos mandados de captura», indeferindo o requerimento nesse sentido do Ministério Público (MP) de Oeiras.

O MP deverá recorrer agora para a Relação de Lisboa, de forma a que um terceiro colectivo de desembargadores analise novamente sobre a questão do trânsito em julgado. A defesa de Isaltino poderá recorrer igualmente da decisão da juíza de não reconhecer a prescrição dos dois crimes de fraude fiscal.

Porém, a nova decisão da Relação de Lisboa será passível de recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. Eis uma novela judiciária que ainda está longe do fim.


Fonte: Luís Rosa SOL

Notícia(s) do Dia: Governo vai injectar 600 milhões no BPN




Governo vai injectar 600 milhões no BPN

 
Governo pretende realizar, já nas próximas semanas, um aumento de capital no Banco Português de Negócios (BPN) de 600 milhões de euros.

Trata-se de um valor acima da última estimativa feita pelas autoridades, no final do ano passado, de 500 milhões de euros.

Para se libertar do BPN, o Estado português terá ainda de gastar mais 600 milhões de euros, uma despesa que já foi registada em Dezembro.

A informação foi avançada pelo Governo na sequência de um pedido de informações do Bloco de Esquerda (BE).

Em declarações à Renascença, o deputado “bloquista” Pedro Filipe Soares lamenta o que diz ser a falta de transparência num processo cada vez mais oneroso para os contribuintes.

“A 20 de Dezembro do ano passado, o Governo dizia-nos que os 350 milhões de euros passariam a ser 500 milhões de euros antes de proceder à venda. Hoje vem-nos dizer que, afinal, vai injectar 600 milhões de euros do dinheiro de todos os contribuintes, para depois vender por apenas 40 milhões.”

Para Pedro Filipe Soares, este é um “negócio que ninguém compreende e são dados que estão a dever muito à transparência”.

“Tudo isto indica que podemos estar perante uma venda de favor, que cada vez é mais danosa para os dinheiros de todos nós”, alerta o deputado.

O Bloco de Esquerda já solicitou a presença do ministro das Finanças,Vítor Gaspar, no Parlamento, para esclarecimentos sobre o processo de venda do BPN.



Fonte: Renascença ONLINE

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Notícia(s) do Dia: Universidade de Coimbra lança primeiro radiofármaco português



Universidade de Coimbra lança primeiro radiofármaco português


A Universidade de Coimbra lança esta semana o primeiro radiofármaco português. Trata-se de um medicamento para o diagnóstico do cancro que já foi autorizado pelo Infarmed.

O radiofármaco vai chegar ao mercado depois de uma investigação clínica que envolveu mais 1.500 doentes. A sessão de lançamento está marcada para a próxima sexta feira, em Coimbra.

O radiofármaco português surge no mercado depois de uma década de investigação. É desenvolvido no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra e a produção atingida chega já para cobrir as necessidades do mercado nacional.

O medicamento é injectado nos doentes e permite perceber a evolução da doença oncológica. Uma das grandes vantagens do radiofármaco português é a sua grande estabilidade, explica o vice-reitor para a investigação e director técnico para a produção do ICNAS, Amílcar Falcão, em declarações à Renascença.

“A radioactividade perde-se à medida que o tempo passa e nós, ao estarmos a produzir em Coimbra e ao podermos distribuir para Lisboa e Porto, que ficam a duas horas de caminho, nós conseguimos fazer chegar o radiofármaco com um maior grau de radioactividade, portanto, mais interessante do que quando ele vem de Madrid ou Sevilha, que demora o triplo do tempo em cá chegar.”

Outra vantagem é produzir a molécula em metade do tempo em relação à concorrência e ter uma estabilidade maior.

A partir de agora, Portugal deixa de depender da produção espanhola de radiofármacos. A proximidade na distribuição torna-se assim num grande trunfo, sublinha Amílcar Falcão.

“Por exemplo, um médico e os doentes que estejam preparados para fazer um exame às 8h00, nós colocamos o radiofármaco às 8h00, 8h05 no máximo, ao passo que já tem acontecido muitas vezes esses exames terem de ser desmarcados e serem marcados para outro dia, dado o atraso”, explica o vice-reitor para a investigação e director técnico para a produção do ICNAS.

O radiofármaco que chega agora ao mercado farmacêutico português é uma das muitas moléculas em desenvolvimento no ciclotrão da Universidade de Coimbra, que prevê "lançar nos próximos três a quatro anos seis novos medicamentos.


Fonte: RENASCENÇA ONLINE

Notícia(s) do Dia: Governo aproxima regras laborais da Função Pública e dos privados




Governo aproxima regras laborais da Função Pública e dos privados


O Governo prepara-se para apresentar, em Fevereiro, aos sindicatos da função pública uma proposta para aproximar as regras laborais dos trabalhadores do Estado às do sector privado, apurou o Diário Económico. Um dos pontos será a redução dos quatro feriados nacionais, acordada na concertação social, mas as alterações não ficam por aqui.

"Um dos pontos que irá estar em cima da mesa é a possibilidade de revisão do Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RCTFP), por causa da questão dos feriados", revelou ao Diário Económico o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino. Isto porque o fim dos quatro feriados - Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro e 1 de Dezembro - foi uma medida acordada na concertação social e, para ser válida também para a função pública terá de ser integrada no RCTFP.

Aliás, a proposta que altera os feriados e outras matérias laborais que neste momento está em cima da mesa apenas diz respeito ao Código do Trabalho (sector privado). A versão preliminar, saída do acordo da concertação social esteve ontem a ser discutida numa reunião informal entre parceiros sociais e volta amanhã à concertação social.


Fonte: Diário ECONÒMICO ONLINE

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Notícia(s) do Dia: CGTP: sai Carvalho da Silva, entra Arménio Carlos



CGTP: sai Carvalho da Silva, entra Arménio Carlos

A CGTP viveu hoje um marco da sua história, no encerramento do XII Congresso da Intersindical, com Manuel Carvalho da Silva a dar lugar a Arménio Carlos no cargo de secretário-geral.

A reunião magna decorreu durante dois dias em Lisboa sob o lema 'Portugal Desenvolvido e Soberano, Trabalho com Direitos', tema que reflecte a conjuntura actual, mas que poderia ser substituído pela 'renovação e rejuvenescimento'.

No dia em que se completam 35 anos sobre a realização do II Congresso da CGTP, o emblemático congresso de todos os sindicatos, saíram os últimos históricos que entraram nessa data: Manuel Carvalho da Silva, Maria do Carmo Tavares e Manuel Freitas.

O discurso de Carvalho da Silva, que sai após 35 anos de direcção e 25 de liderança, marcou a abertura dos trabalhos pela exaustividade da análise conjuntural feita.

Com a saída dos mais velhos, a média etária do Conselho Nacional da CGTP, composto por 147 elementos, passou para os 48 anos.

Ao longo dos dois dias de trabalho, as críticas ao recente acordo de concertação social foram uma constante, bem como às políticas do Governo PSD/CDS, denunciadas como a imposição de sucessivos sacrifícios aos trabalhadores.

No congresso foram aprovados uma Carta Reivindicativa para apresentar ao Governo e ao patronato e o programa de acção da CGTP para os próximos quatro anos, que define detalhadamente todas as áreas de intervenções da central sindical.

O discurso de encerramento ficou a cargo do novo secretário-geral, Arménio Carlos, que se alongou nas críticas à política do Governo e nas apostas para o futuro sindical.

Arménio Carlos acusou o Governo de estar a destruir a economia e a promover «perigosas rupturas na sociedade» e a destruição do Estado Social.

O novo secretário-geral da CGTP apelou para a unidade na acção a partir dos locais de trabalho, contra a retirada de direitos laborais e sociais.

O congresso foi encerrado com alguma emoção, com fortes aplausos dos congressistas aos sindicalistas que saem, mas também aos que agora entram.



Fonte: LUSA/SOL

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

À Volta com a Economia:SÍNTESE ECONÓMICA DE CONJUNTURA-Dezembro de 2011


Preços

Em 2011, a taxa de variação média do IPC foi de 3,7% (1,4% em 2010). Este resultado terá traduzido o crescimento bastante acentuado do preço dos produtos energéticos e o aumento da taxa de normal do IVA a partir de Janeiro de 2011. Destacam-se ainda, de entre as medidas com impacto no IPC, o aumento dos preços dos transportes, a partir de Agosto de 2011, e o agravamento da taxa do IVA que incide sobre os preços da electricidade e do gás natural, de 6% para 23%, no mês de Outubro. Mensalmente, a variação homóloga do IPC situou-se em 3,6% em Dezembro, menos 0,4 p.p. que no mês anterior. O indicador de inflação subjacente (IPC total excluindo bens energéticos e alimentares não transformados) situou-se em 2,3% em Dezembro, mais 0,2 p.p. que no mês anterior. No conjunto do ano de 2011, a taxa de variação média deste indicador foi de 2,3% (0,3% em 2010). Analisando a desagregação do IPC entre bens e serviços, a desaceleração do índice total em Dezembro deveu-se à componente de bens, que passou de uma variação homóloga de 5,0% em Novembro para 4,4%. Por sua vez, a componente de serviços registou crescimentos homólogos de 2,3% e 2,5% em Novembro e Dezembro, respectivamente. Note-se que, em 2011 a componente de bens registou uma variação média anual superior à da componente de serviços (ver caixa). O IHPC, cuja estrutura de ponderação difere da do IPC por incluir a despesa de não residentes no país e excluir a despesa de residentes no exterior, apresentou uma variação homóloga de 3,5% em Dezembro (3,8% no mês anterior). Em Portugal, o IHPC tem vindo a apresentar um crescimento homólogo superior ao da AE desde Julho de 2010. Nos últimos dois meses esta diferença situou-se em 0,8 p.p. (1,0 p.p. em Outubro). Em termos
 anuais, a variação média do IHPC passou de 1,4% em 2010 para 3,6% em 2011, registando-se um diferencial face à AE de 0,9 p.p. (-0,2 p.p. no ano anterior). Os saldos das apreciações dos consumidores sobre a evolução passada e futura dos preços diminuíram em Dezembro, de forma mais expressiva no segundo caso, interrompendo os respectivos movimentos crescentes anteriores. No mesmo mês, o SRE das expectativas de evolução dos preços praticados pelas empresas diminuiu na indústria transformadora, nos serviços, no comércio e na construção e obras públicas, atingindo no último caso o mínimo da série. O índice de preços na produção da indústria transformadora desacelerou, passando de uma taxa de variação homóloga de 5,4% em Outubro para 5,3% em Novembro. Excluindo as componentes energética e de alimentares não transformados, este índice apresentou um crescimento homólogo de 1,8% em Novembro (2,1% no mês anterior). A taxa de variação homóloga do índice cambial efectivo nominal para Portugal passou de -0,5% em Outubro para -0,3% em Novembro, enquanto a taxa de variação em cadeia situou-se em -0,1% (variação nula no mês anterior).

Fonte: INE

Notícia(s) do Dia: Não faz sentido nenhum acabar com os feriados




Não faz sentido" acabar com os feriados

O antigo presidente da República considera que não faz "sentido nenhum" acabar com o feriado do 5 de Outubro e 1º de Dezembro.


"Como socialista, laico e republicano dos sete costados, custa-me um bocado a engolir", sublinhou Mário Soares, à entrada para uma conferência sobre "A crise europeia e Portugal", promovida pela Fundação Inês de Castro.

Apesar de admitir que pode haver muitos feriados e pontes, o fundador do Partido Socialista acha que "não é por aí [extinção dos feriados] que se vai resolver os problemas do País".

O Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 05 de Outubro e do 1.º de Dezembro, da lista de feriados obrigatórios, anunciou hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Álvaro

Santos Pereira adiantou que o Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação de igual número de feriados religiosos.

No 5 de Outubro celebra-se a Implantação da República e no 1.º de Dezembro a Restauração da Independência.

Fonte: Diário ECONÓMICO ONLINE