segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: Então e a Verdade?

Então e a verdade?
por Pedro Marques Lopes

O homem que inúmeras vezes apareceu perante os portugueses exigindo que se falasse verdade não falou verdade. O homem que afirmou solenemente que quem o acusava de condutas menos próprias na condução de alguns negócios particulares teria de nascer dez vezes para ser mais sério do que ele não foi sério. Deliberadamente, escondeu uma parte do que ganha. E não foi sério quando disse que não sabia quanto seria o valor total das suas pensões.
O homem frontal, que faz gala de que a sua vida seja um livro aberto, omitiu. Omitiu ou disse uma meia-verdade, que como toda a gente sabe é sempre uma redonda mentira, quando, sem um pingo de vergonha, fingiu ter de livre e espontânea vontade prescindido do seu salário como Presidente da República. Todos nós sabemos que lhe estava vedado por lei acumular as suas pensões com esse salário. Decidiu omitir que a escolha que fez foi entre receber cerca de dez mil euros mensais das reformas ou aproximadamente sete mil de salário.
Mas estou disposto a, pelo menos, negar parte do que acabo de escrever e admitir que, de facto, além de tudo isso, Cavaco Silva não consegue pagar as suas despesas, que dez mil euros não chegam para cobrir os seus gastos. Nesse caso tinha-nos enganado quando nos fez crer que era um homem austero e prudente nos seus investimentos, avesso a gastos desnecessários, que utilizava mantinhas em sua casa para não desperdiçar dinheiro em aquecimento central e que tinha um padrão de vida pautado pela contenção e sobriedade. É que, convenhamos, ganhar os tais dez mil euros somados aos oitocentos da sua mulher (será?), não pagar refeições, gasolina, telefones e demais despesas correntes, como é direito de um presidente da República, e, mesmo assim, não lhe sobrar dinheiro, é próprio de um verdadeiro estroina que anda para aí a deitar dinheiro à rua. Temo pelos seus seiscentos e cinquenta e um mil euros que até agora poupou e ainda conserva em vários bancos. Bom, não é que já não tivéssemos indícios de alguma negligência na condição das suas finanças. Como todos nos recordamos, Cavaco Silva comprou e vendeu acções da SLN, mas não sabia como o negócio tinha sido feito nem do que teria auferido em mais-valias.
O homem que se reclama do povo, que veio do povo, que sente que o povo está a escutar a sua mensagem, não tem pejo em dizer que só à custa das suas poupanças consegue sobreviver. Pois, não sei a que povo se está a referir. O povo que eu conheço não se indignará com os rendimentos dele, são fruto do seu trabalho e com certeza fez por os merecer. Não gostará é, estou certo, de que brinquem com ele. Não apreciará que um homem rico, e Cavaco Silva pelos padrões portugueses é um homem rico, insinue que está a fazer os mesmos sacrifícios que o povo a que diz pertencer.
É que esse povo é constituído por mais de seiscentos mil desempregados, por um milhão e meio de pessoas que trazem para casa quinhentos euros por mês, por trabalhadores por conta de outrem que ganham em média oitocentos euros mensais.

Fonte: DN ONLINE

À Volta com a Economia:SÍNTESE ECONÓMICA DE CONJUNTURA-Dezembro de 2011



Consumo


O indicador quantitativo do consumo privado apresentou uma redução mais intensa em Novembro, prolongando a acentuada trajectória descendente observada desde Junho de 2010 e atingindo um novo mínimo histórico para a série iniciada em 1992. Este resultado deveu-se ao contributo negativo de ambas as componentes, consumo corrente e consumo duradouro. O indicador de consumo duradouro registou uma diminuição mais significativa em Novembro, retomando o movimento decrescente iniciado em Junho de 2010. Refira-se que as vendas de automóveis ligeiros de passageiros passaram de uma taxa de variação homóloga de -41,8% em Novembro para -51,9% em Dezembro, mantendo a forte trajectória descendente observada desde Abril de 2010 e fixando a taxa mais baixa da série iniciada em Março de 2003. No conjunto do ano de 2011, estas vendas apresentaram uma variação média de -31,4% (38,8%, em 2010). O indicador de consumo corrente também registou uma redução mais acentuada em Novembro, prolongando o perfil descendente iniciado em Junho em 2010 e atingido o valor mais baixo da série. As duas componentes, não alimentar e alimentar, contribuíram negativamente para a evolução do indicador de consumo corrente em Novembro, de forma mais intensa no primeiro caso. O indicador qualitativo do consumo, baseado nas opiniões dos empresários do comércio a retalho, voltou a diminuir em Dezembro, mantendo o forte movimento descendente registado desde Julho de 2010 e fixando o mínimo da série iniciada em 1989. No mesmo mês, o indicador de confiança dos consumidores registou um agravamento, prolongando a trajectória decrescente observada desde Novembro de 2009 e atingindo um novo mínimo histórico da série.

Fonte: INE

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

À Volta com a Economia:SÍNTESE ECONÓMICA DE CONJUNTURA-Dezembro de 2011




Actividade Económica

O indicador de clima económico voltou a agravar-se significativamente em Dezembro, mantendo o acentuado movimento descendente observado desde Outubro de 2010 e registando um novo mínimo histórico para a série iniciada em 1989. Todos os indicadores de confiança sectoriais diminuíram entre Outubro e Dezembro, atingindo os valores mais baixos das respectivas séries na construção e obras públicas, nos serviços e no comércio. No entanto, considerando valores mensais, sem a utilização de médias móveis de três meses, os indicadores de confiança da construção e obras públicas, dos serviços e do comércio aumentaram em Dezembro. O indicador de actividade económica registou um agravamento em Novembro, prolongando o perfil negativo iniciado em Setembro de 2010. Em Novembro, a informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo (ICP) revelou uma diminuição mais intensa da actividade económica na construção e nos serviços e um abrandamento na indústria transformadora. O índice de volume de negócios nos serviços passou de uma taxa de variação homóloga de -6,2% em Outubro para -8,4% em Novembro, retomando o perfil descendente iniciado em Julho de 2010. O índice de volume de negócios na indústria transformadora tem vindo a desacelerar desde
Março, registando um crescimento homólogo de 2,6% em Novembro, menos 1,6 p.p. que no mês anterior. Em Novembro, os agrupamentos de bens intermédios e de bens de consumo contribuíram negativamente para a evolução do índice total, sobretudo no primeiro caso. O índice de produção na indústria transformadora registou variações homólogas de -1,1% e -1,8% em Outubro e Novembro, respectivamente, retomando a trajectória negativa observada desde Abril de 2010. Em termos de grandes grupos industriais, a variação homóloga dos índices de bens de consumo e de bens intermédios diminuiu em Novembro. Note-se que, o índice relativo ao agrupamento de bens de investimento apresentou um crescimento homólogo de 18,7% em Novembro (mais 8,7 p.p. que no mês anterior), fixando a taxa mais elevada desde Junho de 1996. É ainda de assinalar que o saldo de respostas extremas (SRE) das opiniões dos empresários da indústria transformadora sobre a procura global diminuiu expressivamente entre Outubro e Dezembro, retomando o movimento descendente iniciado em Novembro de 2010. O índice de produção da construção registou uma redução homóloga mais intensa em Novembro, passando de uma taxa de -10,2% em Outubro para-11,6% e fixando a taxa mínima da série iniciada em 2001, na sequência do perfil negativo observado desde Março.

Fonte: INE

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

À Volta com a Economia:SÍNTESE ECONÓMICA DE CONJUNTURA-Dezembro de 2011



Em Dezembro, os indicadores de sentimento económico e de confiança dos consumidores diminuíram na Área Euro (AE) e na União Europeia (UE27). Em Portugal, o indicador de clima económico voltou a agravar-se em Dezembro, mantendo o acentuado movimento descendente iniciado em Outubro de 2010 e atingindo o mínimo da série. O indicador de actividade económica, disponível até Novembro, prolongou o perfil negativo observado desde Setembro de 2010. O indicador de consumo privado apresentou uma redução mais intensa em Novembro, reflectindo os contributos negativos do consumo corrente e do consumo duradouro. No mesmo mês, o indicador de FBCF registou uma diminuição mais expressiva, em resultado do contributo mais negativo de todas as componentes, mais significativa no caso da construção. Relativamente ao comércio internacional de bens, em termos nominais, as exportações e importações registaram variações homólogas de 15,1% e -3,6% em Novembro (15,4% e -0,8% no mês anterior), respectivamente. Em 2011, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma taxa de variação média de 3,7% (1,4% em 2010). Este resultado terá traduzido o aumento bastante acentuado do preço dos produtos energéticos e a alteração da taxa do IVA a partir de Janeiro de 2011. As componentes de bens e de serviços registaram crescimentos respectivamente de 4,4% e 2,5% (1,7% e 1,0% em 2010). A variação média anual do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) passou de 1,4% em 2010 para 3,6% em 2011, registando um diferencial face à AE de 0,9 p.p. (-0,2 p.p. no ano anterior).
Começamos com o enquadramento económico, até à conjuntura de preços, numa análise mais pormenorizada ao longo destes dias.

Enquadramento Externo

A informação qualitativa para a AE(Área Euro) e para a UE27 agravou-se em Dezembro. O indicador de confiança dos consumidores, disponível até Dezembro, tem vindo a diminuir desde Agosto na AE e na UE27, embora menos significativamente no último mês, contrariando o movimento ascendente dos meses anteriores. O indicador de sentimento económico agravou-se entre Abril e Dezembro na AE e na UE27, mas de forma ténue no último mês. O saldo das opiniões dos empresários da indústria transformadora dos principais países clientes da economia portuguesa sobre a evolução da sua carteira de encomendas prolongou em Dezembro o perfil negativo observado desde Maio. Por sua vez, o índice de produção industrial destes países desacelerou em Outubro, passando de um crescimento homólogo de 3,0% em Agosto e Setembro para 1,9%, retomando a trajectória decrescente iniciada em Julho de 2010. O índice cambial efectivo da AE registou uma variação em cadeia de -1,9% em Dezembro (-0,8% em Novembro). Em termos homólogos, este índice apresentou uma depreciação de 1,5% em Dezembro, menos expressiva em 0,6 p.p. que a observada no mês anterior. Em Dezembro, o euro depreciou-se 0,3% em termos homólogos face ao dólar (depreciação de 0,8% em Novembro) e 2,8% em cadeia (depreciação de 1,1% no mês anterior). No mesmo mês, face ao iene, o euro apresentou variações de -6,9% em termos homólogos e de -2,4% em cadeia (-6,8% e 0,0% em Novembro, respectivamente). Em Dezembro, o euro registou ainda uma depreciação face à libra de 0,5% em termos homólogos (apreciação de 0,3% em Novembro) e de 1,6% em cadeia (depreciação de 1,5% no mês anterior). O índice de preços de matérias-primas, denominados em dólares, do The Economist, apresentou uma redução homóloga de 8,2% em Dezembro (variação de 1,8% no mês anterior), prolongando o acentuado perfil descendente observado desde Maio, após registar a taxa máxima da série em Abril (42,9%). A variação em cadeia deste índice passou de -1,2% em Novembro para -3,1% em Dezembro. Em 2011, este índice apresentou uma variação média de 22,5% (24,5% em 2010). O preço do petróleo (Brent), medido em euros, desacelerou em Dezembro, registando uma variação homóloga de 26,4%, menos 6,6 p.p. que em Novembro. No mesmo mês, a respectiva variação em cadeia foi 0,2% (2,2% no mês anterior). No conjunto do ano de 2011, o preço do petróleo registou uma variação média de 32,5%, menos 4,9 p.p. que em 2010. O índice de preços na produção industrial dos principais países fornecedores apresentou um crescimento homólogo de 5,5% em Novembro, menos 0,3 p.p. que o observado no mês anterior, prolongando o perfil de desaceleração iniciado em Maio. Em 2011, a taxa de variação média anual do IHPC na AE foi 2,7% (1,6% em 2010). Mensalmente, a variação homóloga do IHPC passou de 3,0% entre Setembro e Novembro para 2,8% em Dezembro. Nos EUA, o IPC registou uma variação homóloga de 3,4% em Novembro (3,6% em Outubro), mantendo o movimento descendente do mês anterior. No Japão, a taxa de variação homóloga do IPC situou-se em -0,5% em Novembro (-0,2% em Outubro). A taxa de desemprego, ajustada de efeitos sazonais e disponível até Novembro, estabilizou em 10,3% na AE e em 9,8% pelo segundo mês consecutivo na UE27. Na UE27, esta taxa atingiu o máximo da série iniciada em 1998 e na AE o máximo desde Junho de 1998. Nos EUA, a taxa de desemprego fixou-se em 8,5% em Dezembro (8,7% em Novembro), atingindo o valor mais baixo desde Fevereiro de 2009. Em 2011, a taxa de desemprego nos EUA situou-se em 9,0% (9,6% no ano anterior). No Japão, esta taxa passou de 4,1% em Setembro, para 4,5% em Outubro e Novembro.



Fonte: INE

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Livros que merecem ser lidos...


A. Sedas Nunes, foi um dos pais da Sociologia em Portugal, com publicações anteriores ao 25 de Abril de 1974, o que demonstra toda a sua genealidade para escrever sobre temas "proibidos" pelo então governo facista e ditatorial existente em Portugal. A primeira edição do livro Questões Preliminares sobre as Ciências Sociais, data de 1971 e vai em mais de 10 edições, sendo um manual de enorme importância para o estudo da Sociologia em Portugal, e do desenvolvimento dos estudos sociais.
Publicado pela Editorial Presença, tem 135 páginas, e enquadra-se numa colecção denominada Universidade Hoje.
Diz o autor na contracapa, "A Ciência Social só existe por hora em estado fragmentário (em 1971). Perante a unidade da realidade social, existe de facto uma pluralidade de Ciências Sociais, cujas interconexões são fracas e largamente sobrelevadas pela sua disjunção. Por outro lado, estas Ciências são internamente conflituais, aparecendo divididas em «correntes teóricas» acentuadamente divergentes. No presente estudo são debatidos alguns problemas de epistemologia e de pragmática da Ciência, suscitados por estes dois aspectos da situação das Ciências Sociais. Na Conclusão, sublinha-se a necessidade de uma atitude crítica ante o trabalho e o produto dos investigadores sociais:".


QUESTÕES PRELIMINARES SOBRE AS CIÊNCIAS SOCIAIS
A. Sedas Nunes

Í N D I C E

1ª PARTE

A Unidade do Social e a Pluralidade das Ciências Sociais

1. Introdução à Unidade do Social

2. A Pluralidade das Ciências Sociais
    2.1 Princípios lógicos de diferenciação empírica das ciências sociais
    2.2 A diferenciação empírica das ciências sociais, como produto histórico

3. As Ciências Sociais como Conhecimento e como Actividade ou Prática Social
    3.1 A ciência como produto e como sistema de produção
    3.2 Cada ciência social produz o seu próprio objecto científico

4. Nas Ciências Sociais Nomotéticas, todo o Conhecimento é Abstracção e Construção

2ª PARTE

A Conflitualidade Interna das Ciências Sociais

1. Introdução: Um exemplo

2. Algumas Coordenadas do Problema
    2.1 O subdesenvolvimento científico e a pobreza das ciências sociais, como circunstância propiciatória da formação de correntes teóricas discrepantes
    2.2 A diversidade das estruturas sociais nos diferentes países: incidências nas orientações teóricas da produção coentífica
    2.3 A diversidade dos «universos de pensamento» em função dos quais as teorias são elaboradas
     2.4 Limitações teóricas da produção científica resultantes de «à priori» epistemológicos
    2.5 Limitações teóricas da produção científica decorrentes da «consciência possível» de uma classe social

3. As Ciências Sociais e a «Consciência Possível» das Classes Dominantes
    3.1 Fundamentação, relativamente às classes dominantes, do conceito de «máximo de consciência possível»
     3.2 O problemas das relações entre a produção científica nas ciências sociais e a «consciência possível» das classes dominantes
     3.3 Objectividade, enviesamento e desconhecimento na produção científica vinculada à «consciência possível» das classes dominantes

4. Conflitos Científicos e Conflitos Ideológicos
    4.1 A simbiose científico-ideológica nas ciências sociais
    4.2 O fim da identidade «ideologia - falsa consciência»
    4.3 A ideologia na génese do produto científico
    4.4 Conteúdos científicos e conteúdos ideológicos nas ciências sociais

5. Remate Provisório: Um Novo Problema em Aberto

Conclusão

Bibliografia Citada

Índice dos Autores

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: Fidalgos, Queques e Betinhos



Miguel Esteves Cardoso – Fidalgos, queques e betinhos!

Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e o visconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga…



In “Os meus Problemas”
Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: BACK IN TIME: A APP PORTUGUESA QUE LIDEROU VENDAS NO iPOD EM 38 PAÍSES




BACK IN TIME: A APP PORTUGUESA QUE LIDEROU VENDAS NO iPAD EM 38 PAÍSES


Foi considerada pelo The New York Times uma das 10 aplicações do ano para iPad. Desde que foi lançada, em Setembro, esteve na liderança do top de vendas de livros para a plataforma em 38 países e mantém o primeiro lugar de vendas nos Estados Unidos há 6 dias consecutivos. Back in Time é o nome da aplicação que nos últimos meses fez este percurso. O desenvolvimento é português e a empresa que o conduziu é a Landka, do Porto.
Como explica ao TeK Susana Landolt, diretora-geral, as boas notícias relativamente ao acolhimento do primeiro projeto da Landka não ficam por aqui. Logo após o lançamento da aplicação, a Apple deu-lhe lugar na página principal da iTunes App Store em mais de 100 países, uma ajuda importante para divulgar a proposta portuguesa. Na China, a dona do iPad, destinatário da primeira versão de Back in Time, proporcionou outra distinção à empresa portuguesa e considerou a aplicação App of the week, para iPad e iPhone.
Back in Time é um livro interativo, multimédia, que permite viajar no tempo e explorar a história da Terra, do Universo, da Vida e da Civilização, como descreve a empresa no site. A aplicação nasceu para iPad, em setembro, e em dezembro ganhou uma versão para iPhone. Custa 5,99 euros.
Susana Landolt admite que a prazo esta estreia da empresa no mundo das aplicações para dispositivos móveis possa estender-se a outras plataformas.
"Para além do iOS, a equipa tem vindo a observar atentamente o mercado do Android e do Windows mobile e não afasta a possibilidade de vir a desenvolver para estas plataformas, sendo no entanto a Apple a plataforma de eleição", detalha a responsável.
Contudo, e desde que a empresa foi criada em outubro de 2010, os esforços estiveram dirigidos ao desenvolvimento do projeto Back in Time, que demorou 10 meses a ficar pronto e contou com um investimento significativo, que a empresa não revela, adiantando apenas que ainda está por rentabilizar. "Posso adiantar-lhe que o investimento para criar esta aplicação foi considerável e como tal ainda está longe de estar compensado". Quando foi lançado começou o redesenho da aplicação para iPhone, que consumiu mais dois meses.
O desenvolvimento deste primeiro projeto envolveu programadores, engenheiros e designers. A equipa constituída por 5 pessoas já está a trabalhar em novos projetos, que ainda não quer revelar…
Susana Landolt adianta, no entanto, que embora a empresa no futuro possa vir a apostar em outros formatos (para além dos ebooks) "este formato que dominamos e em que queremos trabalhar".
No que se refere às áreas temáticas, o conhecimento/divulgação cientifica, onde se insere o projeto Back in Time, é uma área de referência, mas a empresa admite que gostaria de explorar outras.

Fonte: tek.sapo.pt

O Mundo que nos Rodeia: MANUELA FERREIRA LEITE PROPÔS "O ABANDONO DOS VELHOS À SUA SORTE"


FERREIRA LEITE PROPÔS "O ABANDONO DOS VELHOS À SUA SORTE"

Augusto Santos Silva, o ex-ministro de Sócrates mostrou-se chocado com as declarações da antiga ministra das Finanças e acusa Ferreira Leite de estar a propôr "o abandono dos velhos à sua sorte".

Santos Silva mostra-se incrédulo: "Tive que ouvir com os meus próprios ouvidos. Ouvi, é mesmo isso que a senhora diz: os doentes com mais de 70 anos devem pagar a hemodiálise".

Para o socialista "deve olhar-se para estas declarações como o que elas também são: a expressão, com a crueza, a tacanhez e a incapacidade verbal que caracterizam a Drª Ferreira Leite, de um pensamento político que põe em causa os fundamentos do Estado-Providência e da sua lógica de socialização dos riscos e de atribuição de uma função de cuidado por todos ao Estado democrático".

Manuela Ferreira Leite sugeriu ontem à noite, na Sic Notícias, que os doentes com mais de 70 anos que precisem de hemodiálise devem pagar os tratamentos.

Questionada sobre o tema durante um debate, a social-democrata disse que não é possível continuar com o serviço de saúde universal e gratuito atendendo à situação do país e da Europa.

Fonte: Económico ONLINE

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Mundo que nos Rodeia: O Balanço - Blog Faz um ano ao serviço de todos.


José Alexandre Barata
Blog faz um ano - Balanço

Após um ano ao serviço de todos, não queria deixar passar em claro este momento, sem que fizesse um balanço das publicações e um resumo do que aconteceu ao longo destes 365 dias.
Em termos de publicações, o meu objectivo foi desenvovler com base em crónicas com nomes pré-definidos, algumas temáticas que fazem parte do meu conhecimento, por um lado, e de informação e curiosidades por outro. É evidente que ao longo deste ano, fundamentei e desenvolvi algumas temáticas com mais afinco, até porque fazem parte das minhas paixões. Quis com este Blog, por um lado recordar algumas personagens do passado, já desaparecidas mas sempre recordadas, em áreas como Desporto, Música, Política, Cinema e Poesia. Quis por outro lado, distinguir o "nosso" grande poeta, Fernando Pessoa, falar do Mundo que nos Rodeia e da minha tese de Licenciatura em Sociologia. Nesta mesma área, distingui, alguns dos chamados "pais" da Sociologia, e também dos "nossos" sociólogos, portugueses e investigadores sociais. Também criei uma crónica dos Livros que merecem ser lidos. Em resumo, elaborei 205 postagens, a saber:
  • A Minha Tese:  24 publicações
  • À Volta com a Vida: 4 publicações
  • À Volta com os Pensamentos: 7 publicações
  • Momentos da Vida: 12 publicações
  • Às Voltas com a Memória: 44 publicações
  • O Poeta é um Fingidor: 24 publicações
  • A minha primeira obra: 1 publicação
  • Aos amigos: 1 publicação
  • Como Nasceu a Sociologia em Portugal: 3 publicações
  • O Poeta de todos os tempos: 1 publicação
  • Os "pais" da Sociologia: 18 publicações
  • Livros que merecem ser lidos: 10 publicações
  • O Mundo que nos Rodeia: 41 publicações
  • Os "nossos" Sociólogos: 13 publicações
  • Às voltas com a Sociologia: 3 publicações
  • Às voltas com a Economia: 1 publicação

Objectivos futuros:

Para o próximo ano, irei fazer algumas alterações ao visual do Blog, para o tornar mais atractivo, bem como, "deixar cair" algumas crónicas, que ao longo do ano tiverem menos publicações e como tal não fazem sentido a sua existência. Por outro lado, irei solidificar algumas que considero de grande importância e desenvolver novas crónicas, que me parecem curiosas e informativas para todos os cidadãos.
Penso também desenvolver uma área para Comentários, de forma a receber o feed-back de todos os leitores e interessados, para que o Blog possa ser melhorado ao longo do ano e finalmente é meu desejo ultrapassar o número de publicações, aumentar o número de seguidores e desenvolver um pouco mais as áreas académicas de meu interesse: Sociologia e Economia.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: Ministérios contrataram 14 mil novas pessoas



Ministérios contrataram 14 mil novas pessoas


Nas Administração Central estão proibidas há mais de um ano, mas no primeiro semestre foram assinados mais de 14 mil novos contratos.
Apesar das admissões na Administração Central do Estado estarem proibidas há mais de um ano, os ministérios continuam a contratar. Segundo os resultados de um inquérito adicional para apurar, em concreto, as entradas e saídas da Administração Pública, no primeiro semestre, foram assinados 14.762 novos contratos, mais de metade no Ministério da Educação.

O questionário foi lançado em Setembro, por ordem do secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, com o objectivo de clarificar "as causas de variação do número de trabalhadores na Administração Central, em particular das novas entradas de trabalhadores e saídas definitivas", explica o Ministério das Finanças ao Diário Económico. O questionário, dirigido a todas as entidades da Administração Central, foi lançado "com vista à concretização dos objectivos definidos pelo Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal", adianta a fonte.

Recorde-se que na primeira versão do memorando assinado com a ‘troika' ficou estipulada uma meta de redução de pessoal no Estado de 1% ao ano até 2013. Porém, no Documento do Estratégia Orçamental, o Governo viu-se obrigado a duplicar a meta para os 2% ao ano, reconhecendo que a redução de trabalhadores no primeiro semestre de 2011 estava aquém das expectativas (inferior a 1%).

Fonte: Económico ONLINE

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: O ÓBVIO




O ÓBVIO


"As dívidas dos Estados são, por definição, eternas. As dívidas gerem-se." São eternas porque, ao contrário das pessoas, os Estados não morrem. Nunca nenhum País decidiu ficar com as suas dívidas a zero. A questão é sempre e apenas se pode continuar a pagá-las. Se os juros praticados são suportáveis e o seu crescimento económico permite cobrir os custos da dívida. E por isso são geridas. O que José Sócrates disse, para qualquer pessoa minimamente informada e que esteja de boa-fé nem merece debate. Não é matéria de opinião e ou de confronto ideológico.

No entanto, bastou o ex-primeiro-ministro afirmar uma ululante evidência para que se instalasse a indignação do costume. "Esta declaração do engenheiro José Sócrates explica porque é que afinal a bomba lhe rebentou nas mão e ele nos conduziu para a tragédia em que nos encontramos. Se as dividas não são para pagar e se foi isso que ele entendeu dos estudos que fez de economia e finanças então está explicado porque ele não se preocupou que Portugal tivesse cada vez mais dívidas e não as pagasse." A frase é do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, Freitas do Amaral, que teve simpatia pelo antigo regime antes do 25 de Abril, foi democrata depois dele, de direita quando a direita chegou ao poder, apoiante e governante do PS quando o PS ganhou as eleições e é agora entusiasta apoiante de Passos Coelho. Trata-se de um fenómeno que desafia as leis física: como pode alguém sem espinha dorsal manter-se de pé? Neste caso é fácil explicar a falta de honestidade intelectual. Noutros, é bem mais preocupante.

É fácil acreditar na ideia de que a nossa situação actual se deve a um homem. Mesmo que tudo nos demonstre o absurdo de tese. Sócrates não conseguiu, apesar de tudo, governar Portugal, a Grécia, a Irlanda, Itália e a Espanha em simultâneo. E mesmo os nossos problemas – dívida externa, desigualdade na distribuição de rendimentos, crescimento cronicamente baixo, desequilíbrio da balança de pagamentos, uma moeda demasiado forte, distorções no mercado de arrendamento, falta de competitividade da nossa produção, erros crassos no nosso modelo de desenvolvimento – não têm seis anos. Só que resumir tudo à dívida pública e a um homem dispensam-nos de qualquer reflexão mais profunda. Há um culpado e a coisa está feita. E tem outra utilidade: sendo a culpa do primeiro-ministro anterior só nos resta aceitar tudo o que seja decidido agora. Afinal de contas, Passos Coelho está apenas a resolver os problemas deixados pelo seu antecessor.

Sócrates foi, na minha opinião, logo depois de Cavaco Silva (que desperdiçou uma oportunidade histórica), o pior primeiro-ministro eleito da nossa democracia. Mas nem por isso dispenso a honestidade intelectual e o rigor na análise. Nem por isso aceito a estupidificação colectiva na interpretação de uma frase óbvia. Nem por isso aceito o simplismo político. Nem por isso resumo o debate à demonização de uma só pessoa. Que políticos ressabiados ou gente que se quer pôr em bicos de pés o façam – e não posso deixar de assinalar que Pedro Passos Coelho se recusou a entrar na gritaria e encerrou o assunto com um "acho que ninguém pode discordar" – não me espanta. Já acho mais perturbante que economistas e jornalistas de economia embarquem em tão rasteiro expediente argumentativo. Torna-se difícil dar crédito a qualquer opinião que emitam sobre qualquer outro assunto.

Escrevi-o antes das eleições em que o PS foi julgado pela democracia e escrevo-o de novo: se os problemas portugueses e europeus tivessem começado e acabado em José Sócrates bem mais fácil seria a nossa vida. E nem o confronto político desculpa a desonestidade intelectual da indignação que se instalou com a afirmação do óbvio.



Fonte: Por Daniel Oliveira
Expresso Online

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ANTÓNIO LIVRAMENTO (n. 28 Fev. 1943; m. 07 Jun. de 1999)



António José Parreira do Livramento, nasceu em São Manços, a 28 de Fevereiro de 1943, considerado o melhor jogador do Mundo de todos os tempos.
Começou por jogar futebol, a sua paixão de adolescente, no Venda Nova, perto de Benfica. A certa altura, um técnico do Futebol Benfica, Torcato Ferreira, achou que o "miúdo" teria muito jeito para jogar hóquei em patins, e convidou-o a aparecer no rinque do «Fófó». Livramento recusa, mas perante a insistência de Torcato decide experimentar, e a partir daí o futebol passa para segundo plano.
Em 1959, o Benfica contrata-o, numa operação algo complicada, e aos 16 anos é chamado à selecção de juniores por António Raio. Tem a sua estreia auspiciosa contra a Bélgica, no Campeonato da Europa, marcando três golos na vitória por 5-1. É eleito melhor jogador do torneio, aliado ao troféu de melhor marcador.
Passa para a equipa principal, e em 1961 sagra-se Campeão Europeu, marcando 17 golos, tal como Adrião. No ano seguinte a dupla Livramento/Adrião torna-se imparável e Portugal é Campeão do Mundo.
Um momento ímpar na carreira de António Livramento aconteceu em Maio de 1962. O Mundial de hóquei em patins disputava-se em Santiago do Chile. No jogo entre Portugal e a Argentina, um jogador apanha a bola atrás da baliza, finta toda a equipa adversária e marca golo levando o público ao delírio. Era Livramento, que, emocionado, pede para sair.
Em 1963, torna-se pela segunda vez Campeão da Europa, e em 1965, em mais um triunfo europeu de Portugal, deslumbra, marcando sete dos 17 golos da vitória lusitana sobre a Bélgica. No final dos anos 1960 já não há dúvidas que o futuro do hóquei era ele.
A beleza do seu jogo só é igualada pela eficiência do mesmo. Volta a ser Campeão Nacional e Europeu em 1967, e um ano depois, no Porto, marca 42 golos em nove jogos do Mundial, quase metade dos da selecção das quinas (92). Por três vezes marca dez golos (Japão, Nova Zelândia e Suíça) num só jogo.
As grandes exibições levam-no a sair do Benfica para Itália, para jogar no Hóquei Candi Monza, mas pela primeira vez fica fora da selecção, quando Portugal se sagra novamente, em 1971, Campeão da Europa. Volta a Lisboa no ano seguinte para ser Campeão pelos encarnados, triunfo que repete em 1974, sagrando-se pela segunda vez Campeão Mundial.
Com a sua genialidade e talento junta mais dois títulos europeus ao seu vasto palmarés. Muito supersticioso, quando um jogo lhe corria bem, voltava a equipar-se da mesma maneira, repetindo os mesmos passos no jogo seguinte.
Ingressa depois no clube do Banco Pinto & Sotto Mayor, onde era funcionário, chegando a campeão da II Divisão.
Daí muda-se, em 1977, para o clube do coração, o Sporting, integrando uma equipa de sonho. Conquista tudo o que havia para ganhar, incluindo o título que lhe faltava, a Taça dos Campeões Europeus.
Sob a sua batuta, Portugal volta a sagrar-se Campeão Europeu, num jogo com a Espanha, incendiado nos minutos finais pelas agressões mútuas entre Livramento e um espanhol, que termina com invasão de campo. Após o jogo, declara "é a última vez que jogo pela Selecção. Em tantos anos nunca coisa semelhante me aconteceu. Tive de reagir depois do Ortega me ter agredido, quando vi o osso de fora…a minha saída não afectará Portugal". Fez 209 jogos com a selecção das quinas, marcando 425 golos. Ruma depois ao Amatori Lodi, de Itália, terminando a carreira no Sporting, em 1980.
Depois de abandonar os ringues, inicia o percurso de treinador novamente pleno de êxito, levando em 1981 o Sporting à vitória na Taça das Taças. No ano seguinte conquista o Campeonato Nacional.
Em 1984 conduz o «seu» Sporting a mais dois troféus para as vitrinas de Alvalade (Taça Cers e Taça de Portugal), e ruma de novo a Itália para treinar o Bassano, onde jogam Luís Nunes e Fanã.
Volta a Alvalade, qual pronto-socorro para reanimar uma equipa moribunda, levando-a ao segundo lugar do Campeonato.
Com o rigor, disciplina e a capacidade de motivar os jogadores implanta um jogo agressivo, ao bom estilo italiano, de procura constante da bola, aliada ao tecnicismo português que torna as suas equipas infalíveis. O seu maior vício era o tabaco, a ponto de, nos estágios da Selecção, dividir o quarto com o massagista para não fumar.
Soma mais três títulos, dois Europeus pela selecção, e um Nacional pelos «leões», e já na década de noventa, em 1993, é Campeão Mundial em Itália, 31 anos depois do último troféu conquistado fora de casa.
Não pára por aí, e como seleccionador sagra-se novamente Campeão da Europa no ano seguinte. Em 1998 é convidado para treinar o FC Porto e na mesma temporada vence o Campeonato, mas perde por penaltis a final da Liga dos Campeões.
A 7 de Junho de 1999, o destino coloca-o perante o desafio final, acabando por morrer repentinamente com apenas 55 anos, vítima de uma trombose, em Lisboa.
Cristiano Pereira, colega de selecção e seu substituto no lugar de treinador do FC Porto, define o campeão na hora da despedida final: "Ele era o artista".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ONDE ESTÃO OS SACRIFÍCIOS?




O Governo fez uma média de três nomeações por dia, desde que tomou posse. Foram 610 os novos funcionários que entraram nos gabinetes ministeriais desde 5 de Junho.


O salário médio é de, aproximadamente, 2.300 euros, representando um encargo anual de quase 20 milhões de euros para o Estado.

O Ministério da Agricultura foi o que mais funcionários nomeou - 91 novos colaboradores -, seguindo-se o Ministério da Economia, com 86. São os dois “superministérios” que agregam, no primeiro caso, os anteriores ministérios da Agricultura com o do Ambiente e, no segundo, os antigos Ministérios da Economia, das Obras Públicas e do Trabalho.

Ainda assim, os gabinetes de Assunção Cristas e Álvaro Santos Pereira conseguiram reduzir o seu pessoal em 118 pessoas, poupando 300 mil euros por mês em salários em relação ao Governo de José Sócrates. A redução em comparação com o anterior Governo representa menos quatro milhões de euros por ano gastos em salários nestes gabinetes.

Nos ministérios em que são fornecidos dados que comparam com os gabinetes do anterior Executivo, como é o caso da Defesa, Administração Interna, Assuntos Parlamentares, Economia, Agricultura, Saúde, Educação, Cultura e, também, na Secretaria de Estado do Adjunto do Primeiro-Ministro, foram reduzidos 274 postos de trabalho.

Esta redução, de acordo com os dados do portal do Governo, representa menos cerca de 740 mil euros por mês em encargos com pessoal. Por ano, há uma poupança a rondar os 10 milhões de euros em salários.

O cálculo é realizado a partir dos dados disponíveis no site do Governo que lista as nomeações para cargos na administração central. Em alguns casos, alguns despachos de nomeação estão ainda em fase de elaboração, pelo que podem ainda vir a ser actualizados. A análise contempla as nomeações feitas até ao fim de Novembro.


Fonte: Renascença

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Poeta é um fingidor



Se Eu Morrer Novo


Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.


Análise do poema "se eu morrer novo"

O poema "Se eu morrer novo" é um poema de Alberto Caeiro, incluído nos "Poemas Inconjuntos” do poeta.
Os poemas inconjuntos são aqueles poemas que, não cabendo quer no "Guardador de Rebanhos" ou no "Pastor Amoroso" acabaram por ficar dispersos e reunidos num terceiro conjunto - por exclusão de partes - denominado precisamente poemas inconjuntos (ou seja, poemas não organizados). Estes poemas caracterizam-se por serem ligeiramente diferentes, quer em temática quer em forma, dos poemas "clássicos" de Alberto Caeiro, sobretudo quando comparados com o conjunto principal do “Guardador de Rebanhos”.
Alberto Caeiro foi construído – enquanto personagem heteronímica - como alguém com fraca saúde. Ele viverá pouco tempo e morrerá doente, com a mesma doença que afligiu o pai de Pessoa. Neste poema Caeiro fala-nos da possibilidade de morrer sem publicar os seus versos e não podemos deixar de fazer um paralelo com o próprio Fernando Pessoa, no que toca a esta preocupação. Seria bem possível que Pessoa falasse dele próprio ao escrever estes versos sob o nome de Caeiro. É pois ele que se preocupa em morrer sem publicar.
Caeiro é caracterizado como sendo o heterónimo "natural", que aceita as coisas como elas são, sem as querer compreender.
A sua atitude neste poema é particularmente estóica - e nisso aproxima-se de Ricardo Reis - pois ele parece dar a entender que, se não for publicado, é porque o destino assim o entendeu e nada haverá a lamentar. O que há aqui verdadeiramente de Caeiro é precisamente a referência ao "pensar": "não se ralem", ou seja, não pensem nisso. É a mesma mensagem que por exemplo achamos no "Guardador", quando ele recusa o pensamento das coisas face à aceitação pura delas, assim como elas são. Ele aqui também se refere a uma "coisa", embora seja algo menos concreto, menos natural.
Mesmo sem serem impressos os versos continuarão a ser também eles "naturais", embora seja também natural que eles sejam impressos - a sua natureza, a própria natureza da poesia, é ser lida por outros, como as flores nascem para florescer de cima da terra. Há nesta expressão um claro desvio ao pensamento natural de Caeiro - e nisso os "Poemas inconjuntos" podem ser vistos enquanto uma deturpação desse pensamento original. O Caeiro "original" não se deixaria enredar por este tipo de pensamento – diria apenas que os poemas seriam belos mesmo sem serem publicados, mas Caeiro, neste poema inconjunto não se fica por aí, vai mais longe. Descrevendo quem era a quem o pudesse não conhecer, ele chega mesmo a dizer que "uma vez amei". O Caeiro do "Guardador" nunca diria esta frase, pois para ele o amor era um intruso à visão natural e simples do mundo, que se contempla de longe mas do qual se participa de perto, sem pensar em nada. Amar é pensar e por isso, em lógica, o amor seria recusado enquanto pensamento do outro.
É possível - e muito interessante - contrapor então este poema inconjunto aos poemas do "Guardador" e ver em que medida o "Guardador" é o repositório da heterodoxia de Caeiro, do seu pensamento mais restrito e original, enquanto que os outros poemas denotam já uma certa degenerescência do seu pensamento, uma quebra de convicção, sobretudo por influência de um caso amoroso (cuja influência é por demais evidente no conjunto "Pastor Amoroso").

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: MORREU A ÚNICA FILHA DE STALIN, NO ANONIMATO E NA POBREZA

Josef Stalin com Svetlana nos braços, numa fotografia com data e localização desconhecidas

Morreu a única filha de Stalin, no anonimato e na pobreza

Svetlana Stalina, a eterna prisioneira do nome do seu pai, que renunciou aos seus valores e se entregou ao capitalismo, morreu aos 85 anos, vítima de cancro do cólon, no condado de Richland, no estado norte-americano do Wisconsin.
A informação foi avançada na segunda-feira por Benjamin Southwick, cônsul do condado de Richland, que comunicou que Lana Peters, como era conhecida, morreu no dia 22 de Novembro.
A sua morte, tal como os seus últimos anos de vida, aconteceram longe dos olhares públicos. Svetlana Stalina mudara de nome e de vida. Várias vezes.
A princesa do Kremlin fugiu para a Índia, Inglaterra, França, abraçou os valores capitalistas, refugiou-se nos Estados Unidos, voltou à Rússia e fixou-se, de novo, nos Estados Unidos.
Nasceu Svetlana Stalina, com a morte do pai passou a ser Svetlana Alliluyeva. Nos Estados Unidos adoptou o pseudónimo Lana Peters, renunciou aos valores do pai, renegou as suas raízes, a sua família e morreu longe das câmaras, que a seguiram desde o seu nascimento, em 1926 em Moscovo.
Admitiu ser impossível viver sem "Deus no coração" e pôs em causa as ideologias políticas. Para ela não existiam comunistas ou capitalistas, apenas pessoas boas e más.
Morreu na terça-feira passada, na pobreza e no anonimato, no condado de Richland, no meio do vazio das explorações agrícolas, vítima de cancro do cólon, informa o New York Times.
"Onde quer que eu vá, serei sempre uma prisioneira política do nome do meu pai. Depois da morte do seu pai, em 1953, que governou a Rússia durante 29 anos, foi despojada dos seus direitos, por Nikita Kruschev. Perdeu a sua fortuna e disse, várias vezes, sentir-se escrava do seu passado.  Foi, durante anos, acompanhante do pai em festas e recepções.  
Escreveu duas autobiografias. Teve mais três irmãos rapazes e foi a menina do pai, que a cobriu de atenção. Chegou a oferecer-lhe filmes americanos.
Viveu os primeiros anos da sua vida alheada das circunstâncias em que tinha nascido,  entre as almofadas do Kremlin, afastada da repressão do pai e do holocausto na Ucrânia.  
Svetlana Stalina, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, em 1967
Segundo escreveu em 1992 o Washington Times foi alvo de uma tentativa de homicídio pelo KGB, nos anos 60.



Tinha fama de não estar 2 anos no mesmo sítio

Em 1970, três anos depois de ter chegado a Nova Iorque, conheceu William Wesley Peters, discípulo do arquitecto Frank Lloyd Wright. Casaram-se e mudaram-se para uma casa desenhada pelo arquitecto de Scottsdale, no Arizona.
Tiveram uma filha e divorciaram-se, como era habitual nos casamentos de Svetlana. Foi o quarto divórcio da única filha de Stalin, que já havia contraído matrimónio duas vezes na Rússia e uma terceira com um comunista indiano.
Em 1978, naturalizou-se norte-americana, queimou em público o passaporte russo e mudou de nome.
Mudou-se, entretanto, para Inglaterra e depois regressou à Rússia, onde recuperou o seu passaporte, mas não encontrou o reconhecimento que esperava.
Voltou a refugiar-se nos Estados Unidos, desta vez na Geórgia, em 1986.
Já em Wisconsin, disse-se incompreendida. Afastou-se dos meios de comunicação, passou a viver na pobreza, com a ajuda de uma filha, cientista a trabalhar na Sibéria.
Passou os últimos anos da sua vida numa enfermaria de Richland. Deu a última entrevista em Abril do ano passado ao Wisconsin State Journal. Disse dedicar-se à costura e à leitura, em detrimento da televisão.
Quando ao pai, limitou-se a referir: "Ele destruiu a minha vida." "Onde quer que eu vá", disse, "aqui, na Suíça, Índia, em qualquer lado. Austrália. Em qualquer ilha. Eu serei sempre uma prisioneira política do nome do meu pai."

Fonte: SAPO Notícias

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: DAVID MOURÃO-FERREIRA (n. 24 Fev. 1927; m. 16 Jun. de 1996)


David de Jesus Mourão-Ferreira, nasceu a 24 de Fevereiro de 1927, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1951, onde mais tarde em 1957 foi professor, tendo-se destacado como um dos grandes poetas contemporâneos do Século XX.
Na sua obra, são famosos alguns dos poemas que compôs para a voz de Amália Rodrigues, como Sombra, Maria Lisboa, Nome de Rua, Fado Peniche e sobretudo Barco Negro, entre outros.
Mourão-Ferreira trabalhou para vários periódicos, dos quais se destacam a Seara Nova e o Diário Popular, para além de ter sido um dos fundadores da revista Távola Redonda. Entre 1963 e 1973 foi secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores. No pós-25 de Abril, foi director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia.
No governo, desempenhou o cargo de Secretário de Estado da Cultura (de 1976 a Janeiro de 1978, e em 1979). Foi por ele assinado, em 1977, o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado.
Foi autor de alguns programas de televisão de que se destacam "Imagens da Poesia Europeia", para a RTP.
Em 1981 é condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. Em 1996 recebe o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e, no mesmo ano, recebe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Do primeiro casamento, com Maria Eulália, sobrinha de Valentim de Carvalho, teve dois filhos, David João e Adelaide Constança, que lhe deram 11 netos.
Morreu a 16 de Junho de 1996.

domingo, 27 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: FADO É PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE


Fado é Património Imaterial da Humanidade


O fado é Património Imaterial da Humanidade segundo decisão hoje tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O fado canta a vida e o destino de um povo há cerca de dois séculos, mas agora deixou de ser só nosso para ser de todos. Depois de várias horas de atraso, a candidatura do fado foi aceite pelo comitê de 24 delegados da UNESCO.
O antigo presidente da Câmara de Lisboa Pedro Santana Lopes lançou a ideia de candidatar o fado a Património Imaterial da Humanidade e escolheu os fadistas Mariza e Carlos do Carmo para embaixadores da candidatura.
A candidatura foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Municipal de Lisboa no dia 12 de maio de 2010 e apresentada publicamente na Assembleia Municipal, no dia 01 de junho, tendo sido aclamada por todas as bancadas partidárias.
No dia 28 de junho de 2010, foi apresentada ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e formalizada junto da Comissão Nacional da UNESCO. Em agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.
A candidatura portuguesa foi considerada como exemplar pelos peritos da UNESCO, tal como o Paraguai e Espanha.