quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: FRANÇOIS MITERRAND (n. 26 Out. 1916; m. 08 Jan. de 1996)


François Maurice Adrien Marie Mitterrand, nasceu em Jarnac, Charente, a 26 de Outubro de 1916.
Detém actualmente o recorde de longevidade (14 anos) na presidência da República Francesa. Foi o primeiro e (até hoje) único presidente da república oriundo do partido Socialista. Foi sob sua presidência que foi abolida a pena de morte na França, em 1981.
O seu mandato presidencial encerrou-se em Maio de 1995, quando foi sucedido por Jacques Chirac. Morreu de cancro seis meses depois.
François Mitterrand nasceu no seio de uma família católica e conservadora da província. O seu pai, Joseph, era agente de uma companhia ferroviária, e também fabricante de vinagre, e chegou a ser presidente da federação de sindicatos de fabricantes de vinagre. Teve três irmãos e quatro irmãs.
Entre 1925 e 1934 fez os estudos secundários no colégio Saint-Paul de Angulême. Aí Mitterrand integrou-se na Juventude Estudiantil Cristã, ramo estudantil da Acção Católica. Até 1937 estudou na Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se em Julho de 1937.
Nessa época (entre 1935 e 1936) militou durante cerca de um ano nos Volontaires nationaux (voluntários nacionais) do coronel de La Rocque. Participou nas manifestações contra "a invasão de vagabundos" em Fevereiro de 1935 e mais tarde nas que se fizeram contra o professor de Direito Gaston Jèze, quando este foi nomeado conselheiro jurídico do Negus da Etiópia, em Janeiro de 1936. Relaciona-se, por amizade ou família com membros da Cagoule. Escreveu artigos em jornais de direita como L'Écho de Paris de Henri de Kerillis, próximo do Partido Social Francês, de carácter fascista. São artigos de literatura, mas também sobre a sociedade contemporânea e a política. Em 1938 conhece Georges Dayan (judeu e socialista) a quem salva de agressões anti-semitas da Acção Francesa. Passam a ser grandes amigos.
Entre 1937 e 1939 fez serviço militar na infantaria colonial.
Morreu em Paris a 8 de Janeiro de 1996.

O Mundo que nos Rodeia: MANIFESTO ENCABEÇADO POR SOARES APELA À MOBILIZAÇÃO CONTRA A AUSTERIDADE



Manifesto encabeçado por Soares apela à mobilização contra austeridade

Um manifesto encabeçado pelo ex-Presidente da República Mário Soares apela à mobilização política e cívica de quem se opõe às actuais políticas de austeridade, dizendo que acrescentam apenas desemprego e recessão e sufocam a recuperação económica.

Além de Mário Soares, assinam este manifesto - tornado público na véspera da greve geral convocada pela CGTP-IN e UGT - Isabel Moreira (deputada independente do PS), Joana Amaral Dias (ex-dirigente do Bloco de Esquerda), José Medeiros Ferreira (ex-ministro dos Negócios Estrangeiros), Mário Ruivo (professor universitário), Pedro Adão e Silva (ex-dirigente do PS), Pedro Alves (líder da JS), Vasco Vieira de Almeida (advogado, ex-ministro socialista) e Vítor Ramalho (líder do PS/Setúbal).

«Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia. Nesse sentido, apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma», refere o manifesto ao qual a agência Lusa teve acesso.

Segundo os subscritores do texto, intitulado 'Um novo rumo', este «é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise».

«Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia (UE). A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada», criticam estes representantes do espaço socialista, antes de defenderem que a solução para a crise nacional passa em primeiro lugar pela Europa e de manifestarem apreensão face à real democraticidade dos processos que levaram ao poder os actuais executivos italiano e grego.

«Sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE», defendem os subscritores do manifesto.

Para este grupo, encabeçado por Mário Soares, «o recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência».

«Ora a UE só se pode fazer e refazer assente na legitimidade e na força da soberania popular e do regular funcionamento das instituições democráticas. Não podemos saudar democraticamente a chamada rua árabe e temer as nossas próprias ruas e praças», apontam os subscritores do documento.

O ex-Presidente da República e os restantes signatários do documento mostram-se também preocupados com algumas soluções políticas que poderão ser adoptadas em Portugal a curto prazo.

«Temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável», denunciam.


Lusa/SOL

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: NÚMERO DE EMIGRANTES ESTÁ A AUMENTAR COM A CRISE



Número de Emigrantes esta a Aumentar com a Crise

Suíça, França e Angola são os principais destinos dos novos emigrantes, cujo número está a crescer devido às dificuldades económicas e inclui já pessoas de 40 e 50 anos, disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

Apesar de ser impossível obter dados específicos sobre o número de emigrantes – já que a circulação de pessoas é livre na União Europeia -, o secretário de Estado José Cesário admite que o número tem aumentado com o crescimento das dificuldades económicas em Portugal.

«Nós sabemos, nomeadamente pelo reflexo que temos a nível da administração dos consulados e da abertura de novas contas, que há um aumento muito grande» da emigração, disse à Lusa.

Os novos emigrantes têm algumas diferenças em relação às chamadas vagas convencionais. A começar pelos destinos, que agora incluem Angola como um dos principais países para onde os emigrantes portugueses se dirigem e passando pela idade de quem vai para fora, já que a geração que tem 40 e 50 anos também passou a arriscar.

Os principais destinos são Suíça, França e Angola, locais procurados por oferecerem oportunidades de emprego, explica o secretário de Estado, acrescentando que também começa a haver procura para o Brasil.

«A grande diferença é que, até há meia dúzia de anos, não havia uma pessoa de 40 ou 50 anos a emigrar e hoje vêem-se várias. Como se vê pessoas que partem com a família toda atrás e como se vê muita gente qualificada, muita gente com cursos superiores que vai procurar oportunidades lá fora», explicou José Cesário.

Ainda assim, admitiu, a maior parte do emprego é conseguido nas actividades tradicionais: hotelaria, construção civil e limpezas.

«Pontualmente há emigração mais qualificada. O Canadá e a Austrália têm fluxos migratórios periódicos para gente muito qualificada, mas não é fácil entrar», disse.

A crise económica e consequente aumento do desemprego também se faz notar na imigração.

«Hoje não há praticamente pessoas a entrar em Portugal vindas do exterior», afirmou o secretário de Estado das Comunidades, adiantando que «pode haver um caso ou outro, mas o que há é pessoas a sair. O que é evidente porque não há empregos».


Lusa/SOL

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: CORTE DE REMUNERAÇÕES E AUMENTO DE TRABALHO, SÃO "INCONSTITUCIONAIS E TERRORISTAS"



O advogado especializado em questões laborais, Garcia Pereira, considerou hoje que os cortes das remunerações do sector público e o aumento do tempo de trabalho são "inconstitucionais e terroristas".

"As medidas anunciadas pelo Governo, como o corte dos salários e os subsídios de férias e de Natal e o aumento forçado da jornada de trabalho são inconstitucionais e terroristas e visam causar nos trabalhadores o terror de si próprios", disse António Garcia Pereira no XV Congresso de Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa.

O professor universitário especificou que são inconstitucionais os cortes salariais médios de cinco por cento aplicados ao sector público desde o início deste ano, assim como o corte dos subsídios de Férias e de Natal, o aumento do horário de trabalho diário em meia hora, a retirada de feriados, um eventual corte salarial no sector privado e a "abertura de despedimentos a situações arbitrárias".

"Tudo isto viola princípios constitucionais como o da certeza jurídica e do igualdade e leva ao trabalho forçado, que nos devia envergonhar", disse.

O jurista deu exemplos do que considera ser actualmente trabalho forçado, referindo casos de jovens que trabalham 14 e 16 horas por dia, em regime de subcontratação, em 'call centers' de grandes empresas, sem terem sequer intervalos para refeição.

Garcia Pereira aproveitou ainda a oportunidade para criticar os juízes do Tribunal Constitucional que considerou como "um conjunto de comissários políticos que abandonaram a argumentação jurídica para se limitarem a apreciações políticas".

"O Tribunal Constitucional tem consagrado decisões políticas que desrespeitam a constituição da República. É o vale tudo, é a suspensão do que está na constituição sem que tenham sido usados os meios nela previstos", disse.

Garcia Pereira desafiou ainda os constitucionalistas a explicarem o que é o memorando acordado pela 'troika' e que o documento também tem que estar sujeito "ao nosso texto fundamental". "O combate ao défice e à divida não justificam tudo. Os fins não justificam os meios, só nos regimes fascistas", afirmou o advogado.


Fonte: LUSA

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


WALTER RODRIGUES

Walter José dos Santos Rodrigues. É Professor Auxiliar – ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Publicou 9 artigos em revistas especializadas e 4 trabalhos em actas de eventos, possui 2 capítulos de livros e 4 livros publicados. Possui 28 itens de produção técnica. Participou em 12 eventos em Portugal. Actua na área de Sociologia. Nas suas actividades profissionais interagiu com 39 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.

GRAUS ACADÉMICOS

2009
Doutoramento em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa

1992
Provas de Aptidão Pedagógica / Capacidade Científica em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa


1982 – 1987
Licenciatura em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa


PRODUÇÃO CIENTÍFICA

1.      Rodrigues, Walter. 2010. Cidade em Transição. Nobilitação Urbana, Estilos de Vida e Reurbanização em Lisboa. ed. 1, ISBN: 978-972-774-270-7. Lisboa: Celta Editora

2.      Lança, Isabel S; Rodrigues, Walter; Mendonça, Sandro. eds. 2007. Inovação e Globalização – Estratégias para o desenvolvimento económico e territorial ed. 1, ISBN: 978-989-625-261-8. Porto: Campo das Letras.

3.      Ferreira, Vítor M; Rodrigues, Walter; Casanova, José L; Castro, Alexandra; Wemans, Luís; Amor, Teresa. 1997. Lisboa, a metrópole e o rio. ed. 1, ISBN: 972-53-0004-1. Lisboa: Bizâncio.

4.      Paiva, Flávio; Rodrigues, Walter; outros. 1996. Dicionário do Imobiliário - Habitação, Construção, Urbanismo. ed. 1, ISBN: 972-8327-01-3. Lisboa: Civis.
(Responsável pela definição dos conceitos de sociologia e sociologia urbana).

CAPÍTULOS DE LIVROS

1.      Rodrigues, Walter. 2007. A cidade-região em tempo de transição: uma discussão da actual globalização e governança urbana.  In Inovação e Globalização – Estratégias para o desenvolvimento económico e territorial, ed. Isabel Salavisa Lança, Walter Rodrigues e Sandro Mendonça, 219 - 247. . Porto: Campo das Letras.

2.      Ferreira, Vítor M; Rodrigues, Walter; Casanova, José L; Castro, Alexandra; Amor, Teresa. 1997. The Lisbon waterfront centrality in a context of international competitiveness.  In Environmental Challenges in an Expanding Urban World and the Role of Emerging Information Technologies, ed. João Reis Machado e Jack Ahern, 17 - 27. . Lisboa: CNIG.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ISCAL, ensino de excelência?




Em todas as universidades onde se pode encontrar o curso de Gestão, os alunos entram (logicamente) com a nota de Matemática do 12º ano. No ISCAL não. Pode ser Português ou Economia.
Assim, quando se comparam médias de entrada entre o mesmo curso em diferentes universidades, estão a ser comparados alhos com bugalhos.
E o mais grave é que é isso que torna o curso atractivo. Se formos ver aos fóruns, quem vai para esse curso são precisamente aqueles que não tiveram Matemática no 12º ano. Porque quem teve prefere ir para universidades de Gestão e com renome nessa área científica (leia-se Católica, ISCTE, ISEG, NOVA, etc.)
A questão é, então, tentar perceber o que leva uma instituição a criar um curso nessas condições. Para isso, é necessário recuar alguns anos para perceber o que se passou no ISCAL até à criação deste curso (ano de 2006).


- Nos anos de 2002 a 2005, o número de alunos que entravam no curso de Contabilidade (especialidade do ISCAL, e é de onde vem o nome do instituto) sofria quedas na ordem dos 80%. Na altura havia cento e tal vagas e só conseguiam preencher 30 vagas (no máximo) e nas duas fases.



- Na altura, cerca de 2/3 dos professores do ISCAL vivia à custa de contratos a termo, renovamos anualmente ou de 2 em 2 anos, sem fazerem parte dos quadros e, portanto, sem vínculo efectivo à instituição. Isto significava que a redução do número de alunos estava a por em risco 67% dos professores, que, por não terem contrato a tempo indeterminado, seriam despedidos sem direito ao fundo de desemprego.



A solução seria criar um curso que fosse apelativo com os recursos que se encontravam disponíveis, ou seja, criar um curso que chamasse a atenção dos candidatos e, se possível, que os retivesse o maior número de anos possível. O curso criado era em tudo o curso de Contabilidade já leccionado, mas agora com o nome de Gestão. E falta acrescentar que o plano curricular apresentado ao Ministério do Ensino Superior foi chumbado 2 vezes por se encontrar desajustado aos restantes cursos de Gestão do país. A aprovação foi conseguida com o argumento de que este curso não traria as mesmas valências e que seria ministrado a alunos mais fracos, que só queriam ter o curso como complemento profissional (por essa razão é que é dos poucos que é leccionado em horário pós-laboral).
Portanto, a ideia seria receber o maior número de alunos possível e depois chutar-lhes com o máximo de Matemática e Contabilidade possível de modo a que tivessem garantidas as necessidades de professores e ainda lhes desse um grande volume de receitas resultantes do pagamento de propinas. (Outra curiosidade é que as propinas do curso de Gestão, no ano de criação do curso, estavam quase a preço de saldo, nada comparáveis com o resto do ensino superior. Uma vez mais para se tornar apelativo. Só depois começaram a subir. Cliente conquistado, deixa de ter interesse).
Nestas situações, são muito hábeis a manipular o sistema e a enganar quem se quiser deixar enganar.
Em 2010 saiu uma nova lei para regulamentar a carreira docente no Ensino Superior. Como resultado dessa lei, os professores que ainda não têm doutoramento têm um prazo máximo de 6 anos para tirar o doutoramento e poder continuar a dar aulas. Caso contrário, são despedidos.
A realidade do ISCAL é que apenas 11% dos professores têm doutoramento, enquanto que nas universidades TEM DE SER de 100% (caso contrário, são professores do secundário e não do superior). Só por aqui se vê o nível de excelência.
Neste momento, como os professores do ISCAL estão cheios de alunos (devido às medidas que já referi em cima), os 6 anos para fazer o doutoramento começam a parecer reduzidos. Lembraram-se, então, de recrutar professores para assegurar as aulas daqueles que se teriam de focar em fazer o doutoramento. E o mais engraçado é que estão a exigir que essas pessoas já tenham doutoramento e dizem-lhes que ao fim de 2-3 anos já não precisam dos seus serviços. Quer isto dizer, que toda a vida houve uma maioria de licenciados a ensinar licenciados e agora só admitem “estagiários” altamente qualificados (com doutoramento ou pós-doutoramento).
É ridículo…

É este um ensino de excelência?



Artigo retirado de um fórum da Internet em 13 de Setembro de 2010, em cumprimento da  Lei de Defesa de dados, não divulgo o nome da pessoa, mas muito
mais comentários existem sobre este Instituto, nada abonatórios.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ADELINO AMARO DA COSTA (n. 18 Abr. 1943; m. 04 Dez. de 1980)


Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa, nasceu em Algés, a 18 de Abril de 1943, engenheiro civil, licenciado em 1966, foi assistente do Instituto Superior Técnico e director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação Nacional, sob a chefia de José Veiga Simão. Durante o período académico, dirigiu o jornal O Tempo. Cumpriu o serviço militar na Marinha de Guerra. Após a Revolução dos Cravos, influenciado pela Democracia Cristã, foi um dos fundadores do então Centro Democrático Social, hoje CDS - Partido Popular. Foi um dirigente destacado, ao lado de Diogo Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires e Luís Beiroco. Exerceu os cargos de primeiro secretário-geral do CDS, em 1974, deputado à Assembleia Constituinte, entre 1975 e 1976, e deputado à Assembleia da República, até 1980, onde presidiu ao Grupo Parlamentar do CDS. Colaborou nos jornais Expresso e O Século. Após a vitória da Aliança Democrática, nas eleições legislativas de 1980, foi-lhe atribuída a pasta da Defesa Nacional do VI Governo Constitucional, tornando-se assim o primeiro civil a assumir o cargo de ministro da Defesa, depois do 25 de Abril.
Na noite de 4 de Dezembro de 1980, é vítima do despenho de um avião em Camarate, onde viajava em direcção ao Porto, em conjunto com a sua esposa, o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e a companheira deste, Snu Abecassis. Sá Carneiro e Amaro da Costa iriam participar num comício de apoio a Soares Carneiro, o candidato da AD nas eleições presidenciais de 1980.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ÁLVARO CUNHAL (n. 10 Nov. 1913; m. 13 Jun. de 2005)


Álvaro Barreirinhas Cunhal, nasceu em Coimbra, na freguesia de Sé Nova, a 10 de Novembro de 1913. Filho de Avelino Henriques da Costa Cunhal, advogado de profissão, republicano e liberal, e de Mercedes Simões Ferreira Barreirinhas Cunhal, católica fervorosa.
Passou a infância em Seia, de onde o pai era natural. O pai retirou-o da escola primária porque não queria que o filho «aprendesse com uma professora primária autoritária e a menina-de-cinco-olhos».
Aos onze anos, mudou-se com a família para Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões. Daí seguiu para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua actividade revolucionária.
Em 1931, com dezassete anos, filia-se no Partido Comunista Português e integra a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa. Em 1935 chega a secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Em 1936, após uma visita à URSS, é cooptado para o Comité Central do PCP. Ao longo da década de 1930, colaborou com vários jornais e revistas como a “Seara Nova” e o “O Diabo”, e nas publicações clandestinas do PCP, o Avante e O Militante, com vários artigos de intervenção.
Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com dezasseis valores. Do júri fazia parte Marcelo Caetano.
Devido aos seus ideais comunistas e à sua assumida e militante oposição ao Estado Novo, esteve preso em 1937, 1940 e 1949-1960, num total de 13 anos, 8 dos quais em completo isolamento sem nunca, incrivelmente, ter perdido a noção do tempo. Mesmo sob violenta tortura, nunca falou. Na prisão, como forma de passar o tempo, dedicou-se à pintura e à escrita. Uma das suas produções mais notáveis aquando da sua prisão, foi a tradução e ilustração da obra Rei Lear, de William Shakespeare. A 3 de Janeiro de 1960, Cunhal, juntamente com outros camaradas, todos quadros destacados do PCP, protagonizaram a célebre "fuga de Peniche", possível graças a um planeamento muito rigoroso e a uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris.
Ocupou o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português, sucedendo a Bento Gonçalves, entre 1961 e 1992, tendo sido substituído por Carlos Carvalhas.
Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. Neste encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974. Nesse mesmo dia, passeou de braço dado com Mário Soares, por Lisboa, como forma de ambos comemorarem o início da Democracia em Portugal, pois mesmo que divergissem ideologicamente, apoiavam um Portugal livre e democrático.
Foi ministro sem pasta no I, II, III e IV governos provisórios e também deputado à Assembleia da República entre 1975 e 1992.
Em 1982, tornou-se membro do Conselho de Estado, abandonando estas funções dez anos depois, quando saiu da liderança do PCP.
Além das suas funções na direcção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
Nos últimos anos da sua vida sofreu de glaucoma, acabando por cegar.
Faleceu em 13 de Junho de 2005, em Lisboa, e no seu funeral (a 15 de Junho), estiveram presentes milhares de pessoas, há quem afirme mais de 250.000. Por sua vontade, o corpo foi cremado.
Da sua relação com Isaura Maria Moreira, teve uma filha, Ana Maria Moreira Cunhal, nascida a 25 de Dezembro de 1960.
Álvaro Cunhal ficou na memória como um comunista que nunca abdicou do seu ideal.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


ANÁLIA TORRES


Presidente da European Sociological Association Anália Torres é doutorada em Sociologia, professora catedrática de Sociologia no ISCSP, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, Investigadora no Centro de Investigação e Estudo de Sociologia (CIES-ISCTE-IUL) e investigadora colaboradora no CAPP (Centro de Administração e Políticas Públicas) do ISCSP.
Coordena, desde 1985, unidades curriculares do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino superior nas temáticas da família, género, metodologia e desenho da pesquisa. Orienta no momento dez teses de douramento e supervisiona três pós-doutoramentos.
Propôs, criou e coordena, entre outros cursos de pós-graduação, o mestrado em Família e Sociedade. Tem dirigido várias equipas de investigação pertencentes a redes de pesquisa a nível nacional e internacional, sob os temas: família, género, casamento, divórcio, trabalho e família, pobreza, toxicodependência, juventude e sistema de protecção de crianças.
Desde 1995, participa activamente em várias redes de pesquisa Europeias. É convidada frequentemente como oradora em Portugal, França e Brasil. Tem 16 livros publicados (e mais dois no prelo) sendo autora individual de quatro, primeira autora de seis – dois dos quais em inglês – e co-autora de seis. Tem mais de cinquenta capítulos de livros e artigos publicados em revistas nacionais e internacionais.
Foi presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS) entre 2002 e 2006 e foi Chair do Conference Committee e Vice-presidente da European Sociological Association (ESA) (2007-2009).

HABILITAÇÕES ACADÉMICAS

2001

Doutoramento em Sociologia no ISCTE com a classificação de distinção e louvor por unanimidade. (6 de Janeiro)

1990

Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica em Sociologia com a classificação de Muito Bom realizadas no ISCTE.


1985

Licenciatura em Sociologia no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, completada no ano lectivo de 1984/1985, com média final de 17 valores.

1972/73

Frequência da licenciatura em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG), em Lisboa, sem ter concluído essa licenciatura.


CARREIRA ACADÉMICA

2006

Provimento definitivo.

2001

Professora auxiliar no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

1990/2000

Assistente no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

1990/1991 a 1994/1995

Situação de equiparada a bolseira para realização de Provas de Doutoramento no ISCTE.

1985/1990

Assistente estagiária no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), admitida por concurso público.


LIVROS PUBLICADOS

Autoria Indivdual

2004

Vida Conjugal e Trabalho, Oeiras, Celta Editora.

2002
Casamento em Portugal. Uma Análise Sociológica, Oeiras, Celta Editora.

2001

Sociologia do Casamento. A Família e a Questão Feminina, Oeiras, Celta Editora.


1996

Divórcio em Portugal, Ditos e Interditos – uma análise sociológica, Oeiras, Celta Editora.


Coordenação e Co-Autoria

2009

com Diana Maciel, Isabel Sousa, Raquel Cruz (2009), Drogas e Prisões II (2001- 2007), Lisboa, Instituto da Droga e Toxicodependência.

2009

com Maria das Dores Guerreiro e Luís Capucha (orgs.), Welfare and Everyday Life, (Portugal in the European Context, vol. III), CIES, ISCTE-IUL, Lisboa, Celta Editora, 264 p.

2009

(org.) Família, Género e Sexualidade nas Sociedades Contemporâneas, Associação Portuguesa de Sociologia, online.)


2008

com Ana Marques Lito (org.) Consumos de Drogas. Dor, Prazer e Dependências. Lisboa: Fim de Século.


2008

com Luís Baptista (org.) Sociedades Contemporâneas, Reflexividade e Acção Lisboa: Edições Afrontamento.


2007

Org. com Maria das Dores Guerreiro e Luís Capucha Quotidiano e Qualidade de Vida, CIES, Oeiras, Celta Editora.

2007

1ª autora, com B. Haas, N. Steiber and R. Brites, Time Use and Work Life Options Over the Life Course, editado por Foundation for the Improvement of the Working and Living Conditions, Dublin, Luxembourg, Office for Official Publications of the European Communities.

2006

Com Jorge Vala (orgs.), Contextos e Atitudes e Sociais na Europa, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.


2004

Homens e Mulheres entre Família e Trabalho (1ª autora com F.Vieira da Silva, Teresa L. Monteiro, e M. Cabrita, Lisboa, Comissão para Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).


2002

Drogas e Prisões em Portugal (1ª autora com Maria do Carmo Gomes), Lisboa, Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).


2001

Men and Women between Family and Work in Portugal, (1ª autora com Francisco
Vieira da Silva, Teresa Líbano Monteiro, e Miguel Cabrita), Tilburg University, WORK, Work and Organisation Research Centre, Tilburg


1996

Jovens de Hoje e de Aqui (em colaboração com J. F. Almeida, J. Machado de Pais, F. L. Machado, Paulo Antunes), Loures, Câmara Municipal de Loures.


1995

Introdução à Sociologia (em colaboração com J. de Almeida, F.L. Machado, L. Capucha), Lisboa, Universidade Aberta.

Para visualizar CURRICULUM COMPLETO: http://analiatorres.net/CV%20Analia%20Torres20100830.pdf

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: "NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA IDEIAS ESTÚPIDAS"





Jean-Claude Juncker desvalorizou hoje por completo a ideia de dividir a zona euro.

 
Perante a possibilidade de passar a existir uma zona euro só para países ricos, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker afirmou: Não tenho paciência para ideias estúpidas".

Alemanha e França terão discutido a possibilidade de fazer uma reforma radical na zona euro, com um menor número de países-membros.

De acordo com a Reuters, Merkel e Sarkozy terão admitido a hipótese de passar a existir uma zona euro restrita aos países "core", ou seja, exclusiva para os mais ricos.

À saída de uma reunião com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou tratarem-se de "ideias estúpidas" e garantiu que a zona euro vai continuar a ser "uma união".

Questionado sobre a autoria da ideia, alegadamente de Merkel e Sarkozy, Juncker rematou: "Há sempre quem faça declarações estúpidas".


In, ECONÓMICO Online


Pergunto: SERÁ?

O Poeta é um fingidor


SOU UM EVADIDO

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu não é ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.


Análise do poema "sou um evadido”


O poema "Sou um evadido" é um poema ortónimo tardio de Fernando Pessoa, datado de 5/4/1931. Este poema parece tratar do tema da heteronímia, mas veremos mais em particular analisando cada uma das suas estrofes.


Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Pessoa parece referir-se na primeira estrofe à sua infância. "Logo que nasci / Fecharam-me em mim". Poderá ter a ver com a sua maneira de ser enquanto criança, fechado dentro de si próprio, limitado pelas suas próprias circunstâncias, nomeadamente a necessidade de se proteger emocionalmente face às mudanças que ocorreram na família depois da morte do seu pai e da mudança de todos para a África do Sul, tinha o poeta apenas 7 anos. Mas ele disse que fugiu dessa prisão, Veremos como.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Na segunda estrofe ele começa um pouco a falar da maneira como fugiu. Equipara o cansaço de estar sempre no mesmo lugar ao cansaço de ser sempre a mesma pessoa.  
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Esse cansaço de ser sempre o mesmo, ele curou-o sendo várias pessoas diferentes dentro de si. Isso fez com que se perdesse da sua própria alma. Esta estrofe é de enorme importância, porque nos revela que ele tinha plena consciência de que a sua multiplicação em várias personalidades levaria a uma inevitável "morte psicológica" do seu ser. Ele morreu para muitos nascessem dentro dele próprio. Como consequência, ele nunca mais se conseguiria achar a si mesmo, unitário. Seria para sempre partido em muitos seres - os seus heterónimos, as suas múltiplas personalidades.

Ser um é cadeia,
Ser eu não é ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Como confirmação do que dizíamos, vemos que na última estrofe o poeta nos diz que "Ser um é cadeia / Ser eu não é ser". "Viverei fugindo" é uma referência absolutamente notável à multiplicação das personalidades e a fuga tem a ver com fugir de si próprio. Ele renega a sua própria identidade em favor de identidades imaginadas, porque acha que é a única forma de sair da prisão em que foi colocado.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: JOE FRAZIER (n. 11 Jan. 1944; m. 07 Nov. de 2011)


Joseph William Frazier, conhecido como Smokin' Joe, nasceu em Beaufort, Carolina do Sul, 12 de Janeiro de 1944, foi um campeão mundial de boxe na categoria de pesos-pesados norte-americano.
A Sua carreira estendeu-se pelas décadas de 1960 e 1970, ficando famosos os três combates que disputou com Muhammad Ali pelo título de campeão de pesos pesados.
Ficou conhecido como “Smokin’ Joe” por causa do seu primeiro treinador, Yank Durham. “Vai para o ringue e faz essas luvas fumegar”, pedia-lhe Durham. Um conselho que definiu o seu estilo de combate: perseguia os adversários pelo ringue, com ataques implacáveis. Cabeça baixa e ombros curvados, abatia-se sobre o oponente com uma série de golpes que terminava com o seu devastador gancho esquerdo, recorda o “The New York Times” no obituário de Joe Frazier.
Nasceu na segregada Carolina do Sul em 1944, sendo o mais novo de 12 irmãos. Costumava recordar que um tio lhe tinha dito quando era novo que ele seria o próximo Joe Louis, o campeão de pesos-pesados dos anos 1930 e 1940. Quando se mudou para Filadélfia o objectivo era tornar essa previsão real. Ganhou a medalha de ouro olímpica para os EUA em 1964, em Tóquio, e deteve o título mundial de pesos-pesados entre 1970 e 1973. Morreu na noite de segunda-feira, de cancro do fígado que lhe tinha sido diagnosticado há um mês.
Ele foi o primeiro pugilista a derrotar Muhammad Ali, com quem viveu uma rivalidade intensa. Juntos, protagonizaram vários combates épicos: em 1971 enfrentaram-se no que ficou conhecido como “O combate do século”. No Madison Square Garden, em Nova Iorque, Frazier impôs a primeira derrota da carreira a Ali, num combate em 15 assaltos que ficou decidido a favor de “Smokin’ Joe” por decisão dos juízes. Os dois foram hospitalizados após o combate.
Em 1974 Ali obteve a desforra, repetindo o triunfo em 1975, num combate conhecido como “Thrilla in Manila”, um dos mais famosos da história do boxe.
A rivalidade entre os dois pugilistas tinha também muito de política, sendo encarada como um retrato das lutas sociais dos anos 1960. Apesar de convertido ao islamismo e de ter mudado o nome para Muhammad Ali, Frazier insistia em tratar o seu adversário por Cassius Clay, o seu nome de baptismo. Ali representava a tomada de consciência da população negra e a oposição à Guerra do Vietname. Frazier nunca fez declarações políticas, mas era visto como o favorito do sistema.
“Sou quem sou, e sim, derrotei Ali três vezes”, dizia Frazier ao “The New York Times” em 2006. “Ali sempre disse que eu não seria nada sem ele. Mas o que teria sido dele sem mim?”, acrescentava.
“O mundo perdeu um grande campeão. Irei sempre recordar Joe com respeito e admiração”, disse Ali através de um comunicado.
Frazier venceu um total de 32 combates ao longo da carreira, 27 deles por KO. Sofreu quadro derrotas – duas contra Ali e outras duas contra George Foreman. Aos 67 anos, perdeu o derradeiro combate, contra o cancro, no dia 07 de Novembro de 2011, em Philadelphia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: NATÁLIA CORREIA (n. 13 Set. 1923; m. 16 Mar. de 1993)


Natália de Oliveira Correia, nasceu em Fajã de Baixo, São Miguel, a 13 de Setembro de 1923, foi uma intelectual, poetisa e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC).
Quando tinha apenas onze anos o pai emigra para o Brasil, fixando-se Natália com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde faz estudos liceais no Liceu D. Filipa de Lencastre. Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infanto-juvenil mas rapidamente se afirmou como poetisa.
Notabilizada através de diversas vertentes da escrita, já que foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, com o programa Mátria, onde advogou uma forma especial de feminismo (afastado do conceito politicamente correcto do movimento), o matricismo, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.
Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969). Foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia, uma das grandes editoras portuguesas do tempo.
A sua intervenção política pública levou-a ao parlamento, para onde foi eleita em 1980, nas listas do PPD (Partido Popular Democrático), passando a independente. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares, das quais ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a réplica satírica que fez a um deputado do CDS sobre a fertilidade do mesmo.
Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira ("a irmã que nunca tive"), José-Augusto França ("a mais linda mulher de Lisboa"), Luiz Pacheco ("esta hierofântide do século XX"), Almada Negreiros, Mário Cesariny ("era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo"), Ary dos Santos ("beleza sem costura"), Amália Rodrigues, Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento do espectáculo de café-concerto em Portugal, na figura do polémico travesti Guida Scarllaty, o actor Carlos Ferreira, na época um jovem arquitecto de quem era grande amiga. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.
Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade; era já detentora da Ordem de Santiago.
Natália Correia casou quatro vezes. Após dois primeiros curtos casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luiz Machado (1904-1989), a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já viúvo, casamento este que durou até à morte deste, a 17 de Fevereiro de 1989. (São já notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo Luiz Machado.) Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, celebrou um casamento de conveniência com o seu colaborador e amigo Dórdio Guimarães.
Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu em Lisboa, subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

domingo, 30 de outubro de 2011

Livros que merecem ser lidos...




A análise da sociedade portuguesa não pode dispensar nem a imaginação teórica contextualizada pela nossa história, nem a actualização científica à luz dos critérios internacionais. A perspectiva transdisciplinar, sempre difícil, é privilegiada.
Poder-se-ía dizer das classes o que alguém disse das bruxas:" Nunca vi nenhuma, mas que as há, há..." Efectivamente, o que é observável no terreno da acção social são processos de luta envolvendo actores concretos, como sindicatos, movimentos sociais, greves, protestos populares, etc., os quais, de um modo geral, não coincidem com a classe social. Elísio Estanque apresenta-nos um trabalho dividido em oito capítulos de grande importância, que começa com a síntese do modelo teórico utilizado e a apresentação das hipóteses e procedimentos metodológicos e conclui com os resultados sobre as práticas, atitudes e representações de classe.
Livro publicado em 1997, pela Edições Afrontamento, da autoria de Elísio Estanque e José Manuel Mendes, tem 265 páginas, e pertence ao "Centro de Estudos Sociais".



Classes e Desigualdades Sociais em Portugal
Um Estudo Comparativo


Í N D I C E

Prefácio

Agardecimentos

Introdução

Capítulo 1
O Modelo Teórico de Erik Olin Wright
1. Os antecedentes e a evolução teórica
2. Reactualização e síntese conceptual
3. As articulações micro/macro
4. Breve apresentação do Projecto Internacional

Capítulo 2
Hipóteses de Trabalho e Metodologia
1. A análise das classes sociais em Portugal
2. Hipóteses de partida sobre a sociedade portuguesa
3. Vantagens e limites da metodologia quantitativa
4. Critérios gerais de construção das variáveis
5. Critérios de elaboração da amostra nacional
6. Aplicação do questionário

Capítulo 3
Breve Caracterização da Amostra
1. Níveis etários e distribuição por sexo
2. Níveis de instrução e distribuição por sexo
3. Sectores da actividade

Capítulo 4
A Estrutura das Localizações de Classe em Portugal
1. Construção dos indicadores
2. Distribuição geral das localizações de classe
3. Nota sobre a estrutura regional das classes
4. A estrutura das localizações segundo o sexo, a idade e níveis de instrução
5. Composição e grau de homogeneidade de classe das famílias
6. Estado e dimensão das empresas
7. Vínculos com a pequena burguesia
8. Níveis de rendimento
Conclusão

Capítulo 5
Mobilidade Social e Permeabilidade das Fronteiras de Classe
1. Breve contextualização
2. Mobilidade social e modelos de análise
3. A mobilidade estrutural
4. A mobilidade intergeracional
5. Permeabilidade das fronteiras de classe no agregado familiar
6. Permeabilidade das fronteiras de classe nas redes de amizade
Conclusão

Capítulo 6
Desigualdade Sexual no Local de Trabalho
1. Modelo de análise
2. Análise comparativa da autoridade segundo o sexo
3. Discussão dos resultados
Conclusão

Capítulo 7
Estruturas de Classe e Consciência de Classe
1. Sobre o conceito de consciência de classe
2. A operacionalização dos indicadores da consciência de classe
3. Grau de identificação com as posições pró-classe operária
4. A tipologia da consciência de classe
5. Análise da determinação da consciência de classe
6. Temporalidades, consciência de classe e identificação de classe
7. Consciência e interesses de classe
Conclusão

Capítulo 8
Práticas e Representações de Classe
1. Classe subjectiva e atitudes políticas
2. Atitudes face ao Estado, problemas sociais e desigualdades sociais
3. Experiências de associativismo e participação em protestos
4. Consumos e práticas de lazer
Conclusão

Conclusão Geral

Bibliografia

Anexo - Questionário