segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Às Voltas com a Memória: ARY DOS SANTOS (n. 07 Dez. 1937; m. 18 Jan. 1984)


Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937.
Aos catorze anos, a sua família publica-lhe alguns poemas, considerados maus pelo poeta. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se -ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas " A Liturgia do Sangue".
Em 1969, ano que o próprio Ary dos Santos considerava ter marcado decisivamente a sua vida, inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".
Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival da Canção da RTP com os poemas "Desfolhada"e "Tourada", obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo – o da música que o poeta melhor se tornaria conhecido entre o grande público.
Declamador, gravou os discos «Ary Por Si Próprio» (1970), «Poesia Política» (1974), «Bandeira Comunista» (1977) e «Ary por Ary» (1979), entre outros. Publicou ainda os volumes Insofrimento In Sofrimento (1969), Fotos-Grafias (1971), Resumo (1973), As Portas que Abril Abriu (1975), O Sangue das Palavras (1979) e 20 Anos de Poesia (1983). Em 1994, foi editada Obra Poética, uma colectânea das suas obras.
Personalidade entusiasta e irreverente, muitos dos seus textos têm um forte tom satírico e até panfletário, anticonvencional, contribuindo decisivamente para a abertura de novas possibilidades para a música popular portuguesa.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.
À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz – Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.
O poeta deixou-nos a 18 de Janeiro de 1984. Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.

O Mundo que nos Rodeia: A Lenga-lenga da vida


A LENGA-LENGA DA VIDA


Entre sonhos e realidades,
Entre fantasias e desilusões,
Assim, caminho pela estrada da vida!

Paro e penso,
Mas que lenga-lenga,
A vida, o sonho, o mundo.

Talvez um dia pensasse,
Talvez um dia sonhasse,
Que teria o mundo ao meu jeito,
Justo, imparcial, solidário!

Mas que lenga-lenga,
A vida, o sonho, o mundo,

Outrora, os dias acabavam,
Sempre com alegria, esperança,
Dedicação…confiantes!

Agora, mas que lenga-lenga,
O sonho desapareceu,
A alegria morreu,
A esperança escondeu-se.

A vida percorre, solta e sem sentido,
Nesta lenga-lenga da vida,
Longa, desesperante,
cáustica e enervante,
Nesta lenga-lenga da vida.

in, José Alexandre Barata

domingo, 23 de outubro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: Bem-vindos ao país dos Trabalhadores Pobres


Portugal tem 2,5 milhões de trabalhadores que ganham entre 700 e 800 euros. As medidas de austeridade vão transformá-los em novos pobres.
O Portugal pós-Orçamento de Estado para 2012 vai ver reforçada uma das suas singularidades no espaço europeu: os trabalhadores pobres. Descontam, entram e saem do trabalho todos os dias a horas certas e até têm contratos sem termo, mas não ganham o suficiente para cobrir as despesas básicas.
Apesar disso, e porque têm rendimentos mensais superiores aos 434 euros per capita que o Instituto Nacional de Estatística (INE) considera para efeitos de demarcação da linha de pobreza, não são elegíveis em termos de prestações sociais.
Em 2009, os chamados working poor perfaziam 12% dos 1,8 milhões de portugueses em risco de pobreza. A estatística é do INE e é a mais recente disponível. Em 2010, ninguém sabe quantos eram. Quantos serão em 2012? Nenhum dos especialistas ouvidos pelo PÚBLICO arrisca uma previsão, mas todos convergem numa certeza: a pobreza vai agudizar-se nos próximos meses e anos, muito além da sua definição estatística, principalmente à custa dos desempregados de longa duração e das famílias trabalhadoras pobres.
 A estas o mais certo é juntarem-se agora os cerca de 2,5 milhões de trabalhadores cujos salários andam entre os 700 e os 800 euros.
 "O país vai assistir a um crescimento das famílias-sanduíche: os dois membros do casal trabalham a tempo inteiro, e por isso estão fora da malha de protecção do Estado social, mas não ganham que chegue para fazer face às despesas", vaticina Pedro Adão e Silva, professor de Sociologia do ISCTE.
Temos então que as famílias vão recuar "20 ou 30 anos" em termos de rendimentos. Mas vão ficar pior do que nessa altura, segundo Adão e Silva: "Este retrocesso tem contornos novos, porque do ponto de vista da riqueza vamos recuar esses anos, mas mantendo uma estrutura de despesas fixas que não tem nada a ver com a do passado: as pessoas hoje gastam muito mais com a casa, a escolaridade dos filhos, a electricidade, o gás, a água, o carro, a televisão e mesmo a Internet, que se tornou obrigatória até para preencher o IRS."
 Ainda o diagnóstico actual, nas contas de Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN: "Os números de há dois anos diziam-nos que 9% dos trabalhadores recebiam o salário mínimo nacional ou menos. Mas a tendência era para uma aceleração muito grande e, neste momento, creio que serão muitos mais. Depois, nos sectores da têxtil, vestuário e calçado, a maior parte das pessoas ganha três, quatro ou dez euros acima do salário mínimo, uma ninharia." "Na maior parte dos países europeus, quem tem um trabalho está imune à pobreza, porque o salário liberta e autonomiza. Em Portugal, não", reforça ainda Pedro Adão e Silva.
 O Governo poupou estes working poor a boa parte das medidas de austeridade. Mas, como lembra Sérgio Aires, da Rede Europeia Antipobreza, isto não faz com que consigam fugir ao aumento do custo de vida. "Não lhes é possível chegar a um supermercado e apresentar a declaração de IRS para obter desconto no arroz." Mas estes até são os que estarão mais bem preparados para lidar com o que aí vem, diz Aires: "São os remediados crónicos. Estão habituados."
Em piores lençóis ficará a fasquia acima. "A mediana salarial em Portugal está entre os 700 e os 800 euros, ou seja, metade dos trabalhadores ganha no máximo isso", diz Pedro Adão e Silva. Estes, sim, serão os mais fustigados pelos ventos de austeridade. Aumenta o IVA, os transportes, a electricidade, as taxas moderadoras, o IMI das casas. Reduzem-se as deduções fiscais, os subsídios de Natal e, em muitos casos, o que seja retribuição além do salário base. "No sector privado, estas retribuições representam 25% da remuneração. Ora, tudo isso está a desaparecer das folhas de pagamento de forma muito acelerada", enfatiza o secretário-geral da CGTP-IN.

Pagar as facturas

Num país com 4,9 milhões de empregados, temos quase 2,5 milhões de trabalhadores encaixados nesta categoria da mediana salarial. "Se o emprego de um deles falha, a situação entra em colapso", diz Sérgio Aires. Às portas da Deco bateram, entre Janeiro e Setembro, 17 mil novas famílias. Aos habituais pedidos de ajuda para reestruturação dos créditos somam-se novas situações. "Já há muita gente nesta faixa de rendimentos com dificuldade em pagar as facturas da água, da luz, da televisão por cabo...", conta Natália Nunes, desta associação de defesa dos consumidores.
 Muitos dos que recorrem à Deco estão também a iniciar a via-sacra dos centros de emprego para se juntarem aos 554 mil desempregados que aparecem no boletim de Setembro do IEFP (675 mil, na estimativa do INE). Dá uma taxa de 12,1%. Pior: dos mais de 550 mil desempregados, 46% não tinham direito a subsídio. Acresce que no Orçamento do Estado para 2012, o Governo admite que o desemprego possa atingir os 13,4%. Isso dá entre 60 e 70 mil novos desempregados. A partir de 2012, a cumprir-se o memorando da troika, o valor do subsídio não poderá exceder 1050 euros. Ao fim de 18 meses acaba-se, e, após o primeiro ano, as prestações sofrem um corte de 10%. Para Adão e Silva, a conjugação destes factores trará uma realidade nova ao país. "Ter muitos desempregados sem protecção é uma novidade relativa para o país e vai criar um enorme grupo de novos pobres."
O facto de ser desempregado vai transformar-se em sinónimo de ser pobre para milhares de portugueses, concorda Bruto da Costa, coordenador do estudo Um Olhar sobre a Pobreza. "Entre os pobres, a percentagem de desempregados não era muito elevada." Doravante, "vai haver gente que nunca foi pobre e que, ao cair no desemprego, passará a integrar esse grupo, porque não cumprirá os requisitos para ter direito ao subsídio, porque o subsídio é insuficiente para se sustentar e à sua família ou porque o prazo do subsídio expirou".

"A comer pior..."

Nesta descida da escala social, há outros dois grupos a considerar: a classe média alta e os pensionistas. Estes porque, "não sendo os mais afectados por estas medidas", como lembra Adão e Silva, verão congelada a sua trajectória de afastamento da pobreza. Não é pouco se nos lembrarmos que a diminuição da pobreza no país se tem alcandorado na melhoria da situação dos idosos. Quanto à classe média ou média alta, o puzzle é mais complexo. "São pessoas que, apesar de terem salários elevados, acima e muito acima dos 1500 euros, tinham o seu orçamento todo organizado em função do rendimento e que agora se vêem com cortes no salário, comissões, horas extraordinárias que deixaram de ser pagas", observa Natália Nunes, habituada a refazer as contas de "professores, médicos, advogados e até juízes". É o resultado do fortíssimo endividamento das famílias. "Mesmo aqui, já há muitas pessoas a comer pior para não ter de entregar a casa ao banco", reforça Bruto da Costa.
Entre habitação e créditos ao consumo, as famílias portuguesas deviam à banca cerca de 129 mil milhões de euros, dados do Banco de Portugal referentes a Agosto. Nesse mês, o crédito malparado ascendia aos 3,3 mil milhões. Com o aumento do desemprego, não é preciso nenhuma bola de cristal para perceber que a cobrança duvidosa vai agravar-se.
"Estas famílias não caem na pobreza em sentido absoluto, mas perdem a possibilidade de manter o nível de vida que tinham e isso é um problema real para muitas famílias", diz ainda Bruto da Costa, acusando o Estado de se ter demitido da sua função reguladora, quando optou por ignorar o problema do sobreendividamento das famílias. "O Governo podia ter impedido isso e nada fez."
Bruto da Costa acha que a discussão sobre o novo Orçamento está a passar ao lado do essencial. "É um documento que aponta para outro modelo de sociedade, com menos Estado, e isso não está a ser discutido."
Adão e Silva não se importa de lançar o mote. "A nossa democracia, como todas as europeias do pós-guerra, assentou na integração social das classes médias. Pensar que é possível desmantelar as condições económicas e sociais que estiveram na génese da legitimação política do regime sem que isso tenha consequências é um erro de enormes proporções", atira. E conclui: "Ao cortar as aspirações sociais ascendentes da classe média, que são um factor de legitimidade da democracia, o próprio Governo está a criar uma outra crise além da social: a crise da legitimidade política."

In, PUBLICO, 23.10.2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Às Voltas com a Memória: MOTA PINTO (n. 25 Jul. 1936; m. 07 Mai. 1985)


Carlos Alberto da Mota Pinto, nasceu no Pombal, a 25 de Julho de 1936. Foi jurista e político português.
Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou e obteve o grau de doutor em Ciências Jurídicas, foi um teórico influente no campo do Direito Civil. Nessa área, a sua obra mais conhecida é o manual Teoria Geral do Direito Civil. Leccionou também na Universidade Católica Portuguesa, bem como em algumas universidades estrangeiras.
Após o 25 de Abril ajudou a fundar, juntamente com Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (actual PSD).
Pelo mesmo partido, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República (cujo nome é, aliás, devido a uma proposta legislativa por si apresentada, durante os trabalhos da Constituinte). Foi igualmente presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Ao partido deu também o slogan «Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões», incluído no seu discurso no 1º comício do PSD, realizado no Pavilhão dos Desportos de Lisboa, em 1974. Entrou em ruptura com Sá Carneiro no Congresso de Aveiro, em Dezembro de 1975, tendo-se posteriormente reconciliado com ele e com o partido. À data da morte de Sá Carneiro era mandatário nacional da candidatura presidencial do General Soares Carneiro.
Foi igualmente ministro do Comércio e Turismo no I Governo Constitucional (1976-1977), 152º primeiro-ministro do IV Governo Constitucional (1978-1979), nomeado por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes, e ainda vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa do IX Governo Constitucional (1983-1985).
Liderou a Comissão Política Nacional do PSD, entre 1984 e 1985. Faleceu subitamente nesse mesmo ano, em Coimbra, a 07 de Maio de 1985, dias antes da realização do congresso, na Figueira da Foz, que daria a chefia do partido a Cavaco Silva.
Casou com Maria Fernanda Cardoso Correia, de quem teve três filhos, Paulo Cardoso Correia da Mota Pinto, Nuno Cardoso Correia da Mota Pinto (1970) e Alexandre Cardoso Correia da Mota Pinto (1971), casado com Joana Ferraz.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Às Voltas com a Memória: VASCO GONÇALVES (n. 03 Mai. 1922; m. 11 Jun. 2005)



Vasco dos Santos Gonçalves, nasceu a 3 de Maio de 1922, em Lisboa, foi um militar (General) e um político da segunda metade do século XX.
Ao tempo coronel, surgiu no Movimento dos Capitães em Dezembro de 1973, numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efectuada na Costa da Caparica. Coronel de engenharia, viria a integrar a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes.
Membro da Comissão Coordenadora do MFA, foi, mais tarde, primeiro-ministro de sucessivos governos provisórios (II a V). Tido geralmente como pertencente ao grupo dos militares próximos do PCP, perdeu toda a sua influência na sequência dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975.
Como primeiro-ministro, foi o mentor da reforma agrária, das nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos, Siderurgia, etc.), do salário mínimo para os funcionários públicos, do subsídio de férias (13º mês) e subsídio de Natal.
O seu protagonismo durante os acontecimentos do Verão Quente de 1975 levou os apoiantes do gonçalvismo, na pessoa de Carlos Alberto Moniz, a inclusive comporem uma cantiga em que figurava o seu nome: «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!».
Morreu a 11 de Junho de 2005, aos 84 anos, quando nadava numa piscina, em casa de um irmão em Almancil, aparentemente devido a uma síncope cardíaca.

sábado, 15 de outubro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


A Sociedade da Exclusão
Compreendê-la para dela sair

A profusão dos discursos sobre a exclusão não seria o reconhecimento de uma impotência intelectual e política que tenta compreender e dominar um fenómeno dramático para muitos dos nossos concidadãos? A partir da crítica destes discursos, e apoiando-se na análise de factos sociais, esta obra tenta clarificar o debate e construir uma problemática da exclusão. O autor põe em evidência a linha divisória que atravessa o campo social, histórico, económico, jurídico, escolar, familiar, o dos rendimentos, o da urbanização e o do alojamento, o da saúde, mas também o das ideologias e o das práticas. O processo de exclusão é sustentado por uma vaga de fundo que abana todo o edifício social. Desta forma criam-se espaços de precaridade, de pobreza e de exclusão que representam graus de fragilização social - económica e material - e perda do laço social e simbólico. Uma tipologia de indicadores permite medir estes espaços.
O excluído não está fora da sociedade. É parte integrante de uma relação social na qual ocupa uma posição específica. Ao multiplicarem os dispositivos, as políticas contribuem para este posicionamento fabricando circuitos de exclusão. A passagem de uma sociedade que exclui a uma sociedade solidária pressupõe que se questionem aspectos políticos, culturais, ideológicos e organizacionais. Livro publicado em 1998, pela Porto Editora, da autoria de Gilbert Clavel, tem 189 páginas, e pertence à "Colecção Educação e Trabalho Social".


Í N D I C E

I Parte

A Exclusão Social
(Posicionamento da Questão)

Os Discursos sobre a exclusão

1. O Debate sobre a exclusão social: identificação da questão
    1.1. Génese do debate: o deslocamento do objecto
    1.2. O discurso liberal sobre a exclusão como inadaptação
    1.3. O discurso promotor: a exclusão social do Quarto Mundo
    1.4. O discurso político desde 1981: da nova pobreza à fractura social

2. Exclusão social, ideologias e políticas
    2.1. A ideologia da inadaptação como política
    2.2. As ideologias críticas como política

3. Esboço de uma problemática

As comunidades de passagem como chave de leitura

1. A formação das comunidades de passagem
    1.1. Primeira fase: as comunidades de urgência (1954)
    1.2. Segunda fase: definição prática e teórica de um habitat social (1960)
    1.3. Terceira fase: o enquadramento jurídico das comunidades de passagem (1971-72)
    1.4. Quarta fase: em direcção à supressão das comunidades de passagem (1982)

2. Os sinais físicos da exclusão: o espaço/alojamento
    2.1. Um espaço económico desvalorizado
    2.2. Uma construção fisicamente estigmatizada e que desvaloriza

3. Um debate e escolhas contraditórias
    3.1. Disseminação ou agrupamento?
    3.2. Habitat sanção ou habitat terapêutico?

4. A população das comunidades de passagem

5. A instalação no provisório: uma carreira

6. A função simbólica da comunidade de passagem

7. Da comunidade de passagem a uma problemática geral da exclusão

II Parte

A Economia da Exclusão
(Sinais e Processos)

Introdução

A Exclusão urbana

1.A produção diferenciada do espaço
   1.1. O jogo do mercado fundiário
   1.2. O mercado fundiário gerador de exclusão social

2. A produção diferenciada do alojamento
    2.1. O sistema de financiamento
    2.2. A lógica do capitl promocional privado
    2.3. O sistema do alojamento social

3. Simbólica da cidade e diferenciações sociais

4. Exclusão e alojamento

5. As apostas da descentralização

O estilhaçar do trabalho

1. A precarizção dos empregos

2. O desemprego de exclusão
    2.1. Uma progressão contínua do desemprego
    2.2. Um desemprego à francesa
    2.3. Um desemprego a duas velocidades: desemprego de transição e desemprego de exclusão
    2.4. Os efeitos desestruturantes do desemprego
   

3. As medidas em favor do emprego ou a precaridade "comparticipada"
    3.1. Uma sucessão e uma justaposição de medidas em prol do emprego
    3.2. Uma multiplicação de novos espaços da precaridade
    3.3. Em direcção a uma carreira nos circuitos de exclusão?

4. A exclusão como efeito da modernização económica
    4.1. As novas formas de gestão das empresas
    4.2. Mundialização: o retorno do ultraliberalismo
    4.3. Em direcção a uma sociedade de supranumerários

Conclusão

Saúde e exclusão

1. O estado de saúde dos excluídos
    1.1. A frequência de algumas doenças
    1.2. As causas: quatro factores essenciais

2. As desigualdades no acesso aos cuidados de saúde
    2.1. Um consumo médico socialmente diferenciado
    2.2. A exclusão médica: especialidades para cuidados específicos

3. Uma protecção socialmente diferenciada

Conclusão: o processo da exclusão médica

A exclusão escolar

1. A exclusão escolar: um ponto da situação
    1.1. O nível aumenta
    1.2. A escola divide socialmente

2. A dinâmica da exclusão escolar
    2.1. A exclusão como dramatização social do insucesso escolar
    2.2. Um sistema de ramos
    2.3. O mercado dos diplomas
    2.4. Orientação negativa e estratégias socioculturais

3. A escola como aparelho ideológico da exclusão
    3.1. O discurso acerca da unidade da escola
    3.2. Uma performance ideológica: a interiorização da exclusão

Conclusão: a reprodução social

A família desestruturada

1. Um laço familiar fragilizado

2. Famílias e lares isolados

3. Infâncias em risco

4. O acesso dos jovens à autonomia retardada

5. Famílias imigradas

Conclusão

Direito, práticas e ideologias

1. Uma produção desigual dos equipamentos e dos serviços

2. Direito de exclusão
    2.1. A lei, factor de exclusão: o caso da imigração
    2.2. O difícil acesso aos direitos

3. Práticas sociais e ideologias da exclusão
    3.1. Práticas burocráticas de exclusão
    3.2. Relativamente a algumas práticas fundadas ideologicamente

4. O isolamento controlado dos excluídos
    4.1. Uma cultura da suspeição e da negatividade
    4.2. A multiplicação das categorias administrativas
    4.3. I paradoxo do fechamento administrativo: ajudar, controlar e punir

Conclusão

III Parte

Excluídos e Exclusão
(Panorama Geral)

A população excluída

1. Os circuitos da pobreza, da precaridade e da exclusão: esboços de um modelo
    1.1. Crítica das abordagens clássicas
    1.2. Da pobreza à exclusão: uma abordagem por níveis

2. A medida da precaridade

3. A medida da pobreza
    3.1. Pobreza absoluta, pobreza relativa
    3.2. a dinâmica da pobreza

4. A medida da exclusão
    4.1. Três conjuntos de indicadores: tentativas de tipologia
    4.2. Observações relativamente aos números da exclusão
    4.3. Trajectórias individuais e colectivas

Para uma teoria da exclusão

1. A exclusão num pano de fundo de desestabilização económica e social
    1.1. A exclusão no coração das transformações do processo de trabalho
    1.2. A exclusão como questão da integração social

2. A exclusão como relação social histórica e contraditória
    2.1. A questão das classes sociais nos dias de hoje
    2.2. A exclusão como posição social específica

3. Exclusão e sociedade
    3.1. Da sociedade integrada à sociedade de exclusão
    3.2. Para que modelo alternativo se deve caminhar?

Conclusão
(Da sociedade de Exclusão a uma Sociedade Solidária)

1. As políticas de luta contra a exclusão

2. Algumas condições na luta contra a exclusão

3. Algumas evoluções culturais indispensáveis

Bibliografia

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



Teresa Costa Pinto, Professora Auxiliar do Departamento de Sociologia do ISCTE-IUL, investigadora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, DINÂMIA-CET. Doutora em Sociologia, na especialidade de Sociologia do Território e do Ambiente pelo ISCTE-IUL (2006). Investigação e publicações nas áreas da Sociologia Urbana, Sociologia do Habitat, Exclusão Social e Territorial e Qualidade de Vida Urbana. Nesta última, desenvolveu a Tese de Doutoramento com o título: "Percepção e Avaliação da Qualidade de Vida na AML: recursos, aspirações e necessidades na construção da noção de qualidade de vida". Publicou 9 artigos em revistas especializadas, possui um livro publicado. Possui 14 itens de produção técnica. Nas suas actividades profissionais interagiu com 2 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.

Actividades de Investigação e Desenvolvimento

1991-Actual

Sociologia do Território

Qualidade de Vida Urbana


Actividades de Ensino

2004-Actual

Teorias Sociológicas I

Teorias Sociológicas II

Livros publicados/organizados ou edições

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 1999. A Baixa Pombalina: Diagnóstico, Prospectiva e Estratégia de Actores. Lisboa: Celta Editora. Obra publicada em co-autoria.

Capítulos de livros publicados

Pinto, Maria T. E. C. 2002. Qualidade de Vida Urbana, um conceito de difícil gestão sociológica. In A Qualidade de Vida Urbana, Perspectivas e Práticas de Intervenção. Porto: Câmara Municipal do Porto. Pelouro da Qualidade de Vida Urbana.


Artigos em Revistas sem arbitragem científica


Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2001. "Políticas de habitação, à procura de novas problemáticas", Cidades Comunidades e Territórios, 3. Edição: CET/ISCTE Artigo em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2001. "Os Bairros Sociais vistos por si mesmos: Actores, Imagens Públicas e Identidades", Cidades Comunidades e Territórios, 3. Edição: CET/ISCTE Artigo escrito em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2000. "Os Bairros Sociais vistos por si mesmos: Imagens, Conflitualidades e Insegurança", Cidades Comunidades e Territórios, 1. Edição: CET/ISCTE Artigo escrito em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C. 2000. "Residential Social Exclusion: Images and Identities", Enhr. Editora: Gavle.

Pinto, Maria T. E. C. 1998. "Modelos de habitat, modos de habitar: O caso da produção clandestina do habitat", Sociedade e território, 25.

Pinto, Maria T. E. C. 1995. "Appropriation du lojement et des modes de vie: 'clandestins'et 'legaux'", Espaces Et Sociétés, 79. Modes de Vie et Société Portugaise.

Pinto, Maria T. E. C. 1994. "Apropriação do Espaço em Bairros Sociais: o Gosto pela Casa e o Desgosto pelo Bairro", Sociedade e território, 20.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 1990. "L'Usage et l'Appropriation du Lojement à Telheiras", Sociedade e território. Revista nº especial, Setembro.

Pinto, Maria T. E. C. 1989. "Emigração e Retorno", Sociedade e território, 8. Levantamento Bibliográfico

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Poeta é um fingidor




Quero Acabar

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!


Análise do poema "quero acabar entre rosas"

Campos foi o único dos heterónimos de Pessoa que teve o que se pode chamar de períodos evolutivos na sua poesia. Ou seja, em Campos podemos ver claramente fases diferentes, ao longo da sua existência, fases marcadas por diferentes aproximações à linguagem utilizada e, em última instância, à maneira como o poeta encarava a sua vida.
1Começando por uma fase decadente, de cujo exemplo máximo é o poema “Opiário”, Campos debruça-se sobre a vida em busca de novas sensações e num abulismo embrionário do que seria uma verdadeira e própria explosão dos sentidos.
Essa segunda fase será a mais conhecida de Campos – a que marcará a sua personalidade: é o futurismo. Um período onde o “engenheiro” rebenta, elogiando as máquinas e a tecnologia, de uma maneira escandalosa e gritante – rompendo com standards poéticos em forma e conteúdo. Nem mesmo a tipografia escapa à revolução do modernismo, que canta o mundo moderno, em que reina um homem deitado à confusão de querer “sentir tudo de todas as maneiras”. É afinal um homem indefinido, à procura de uma nova natureza.
No final das contas, um homem que acaba por se desiludir. A terceira fase de Campos reflecte isso mesmo – que a tecnologia desilude as expectativas humanas e deixa cair o homem numa triste solidão. Há uma espécie de regresso a uma infância (1.ª fase), mas já desiludida, sem esperança. É por isso aqui a abulia de maior magnitude, já mais depurada, destilada – venenosa. O poeta perde a identidade e senti em si mesmo a dissolução do seu eu. Uma angústia domina-o, ao saber impossível o regresso àquela primeira fase inocente (pois já nada nele é inocente).

O presente poema inscreve-se nesta 3.ª fase – a fase pessimista.

“Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância. / Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.” – Campos recorda a infância, uma coisa marcante da sua 3.ª fase. A referência aos crisântemos parece-nos directamente relacionada com o decorrer da vida de Campos (as rosas são a infância, os crisântemos representam o amor acabado, as desilusões).
“Falem pouco, devagar. / Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.” – o poeta sobretudo está cansado de pensar. A ausência do pensamento está marcadamente associada à paz, porque antes o pensamento, que deveria libertar, teve precisamente o efeito contrário. Por isso Campos não quer ouvir, muito menos pensar. Quer apenas a paz do silêncio.
“O que quis? Tenho as mãos vazias, / Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.”. Campo em três frases seguidas, recorrendo a aliteração e interrogações, reflecte sobre o que quis, o que pensou e o que viveu. E as suas conclusões não podiam ser piores. Do que quis, nada tem (“tenho as mãos vazias”). E pior que isso, mais que nada ter, as suas mãos vazias lembram-lhe o passado mais feliz.
“O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.” – ou seja, do raciocínio nada restou de precioso, o seu intelecto nada resolveu. A boca está seca e abstracta, ou seja, nada tem a dizer de conclusivo: a boca está vazia, como as mãos.
“O que vivi? Era tão bom dormir!” – como conclusão Campos nem sequer nos diz directamente o que pensa ter vivido. Porque adivinhamos certamente a sua resposta: ele nada viveu. Apenas deseja o sono, a tranquilidade máxima, do não pensar, do não sofrer.
O sono enquanto solução para a dor de viver resume na perfeição esta terceira e final fase de Campos, uma fase de grande desilusão e abulia depurada, onde o poeta resume a sua vida até então e vê, com grande tristeza, que nada conseguiu atingir.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Às Voltas com a Memória: JOSÉ ANTÓNIO (n. 29 Out. 1957; m. 02 Jun. 2005)




José António Prudêncio Conde Bargiela, nasceu a 29 de Outubro de 1957, em Carcavelos.
Foi a jogar – afinal o que mais gostava – que José António, um dos melhores centrais portugueses da década de 80, se despediu (tragicamente) para sempre do futebol.
O antigo capitão do Belenenses faleceu, aos 47 anos, enquanto jogava futebol, com um habitual grupo de amigos, num campo em Carcavelos. José António jogou durante cerca de 40 minutos depois sentiu-se indisposto e pediu para sair, caindo de seguida, numa morte fulminante.
José António foi um dos maiores símbolos do Belenenses, tendo iniciado a carreira futebolística no Grupo Desportivo de Carcavelos, passando depois pelo Estoril Praia e Benfica, para terminar o percurso como jogador no clube do Restelo, onde permaneceu depois como secretário técnico, tendo representado a nossa selecção no Mundial de 1986 onde foi titular no jogo inaugural frente à Inglaterra na única vitoria da selecção nessa competição, tendo tido a 1ª internacionalização no jogo de Estugarda que nos deu o apuramento histórico com a vitória nesse jogo.
No Belenenses envergou a braçadeira de capitão no jogo em que a equipa do Restelo venceu a Taça de Portugal, em 1989, frente ao Benfica (2-1).
Chegou a ser treinador principal durante alguns jogos e também adjunto.
Faleceu a 2 de Junho de 2005.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA ECONOMIA - 2011

Christopher Sims e Thomas Sargent


Nobel da Economia para Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído aos americanos Thomas Sargent e Christopher Sims. Os dois são professores na Universidade de Princeton, Estados Unidos, e foram premiados pela sua "investigação empírica sobre as causas e efeitos na macroeconomia".

Os laureados "desenvolveram métodos para as numerosas perguntas sobre as relações de causalidade entre a política económica e as diferentes variáveis macroeconómicas como o PIB, a inflação, o emprego e os investidores", afirmou a Academia Sueca das Ciências.

Thomas Sargent mostrou como a macroeconometria pode ser usada para analisar mudanças permanentes na política económica. Christopher Sims, por seu lado, desenvolveu um método de análise de como a economia é afectada por mudanças temporárias na política económica (por exemplo, mudanças na taxa de juro por um Banco Central).

O estudo dos dois académicos é particularmente relevante para as ciências económicas, explicaram os membros do comité para a atribuição do prémio em Memória do Alfred Nobel.

Thomas J. Sargent, nascido em 1943, em Pasadena, Califórnia, é professor na Universidade de Nova Iorque. Christopher A. Sims nasceu em 1942 em Washington e é professor na Universidade de Princeton.


Mais sobre o prémio


O nome oficial do Nobel da Economia é na verdade o "Prémio Sveriges Riksbank de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel" e não é concedido pela Fundação Nobel, mas sim pago com dinheiro público. Foi instituído em 1968 pelo Sveriges Riksbank, o Banco Central da Suécia, e atribuído pela primeira vez em 1969.
Os vencedores irão receber cerca de um milhão de euros, uma medalha de ouro e um diploma. Os prémios serão entregues em Estocolmo, a 10 de Dezembro.


Retirado de:
@SAPO

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA PAZ - 2011

Ellen Johnson-Sirleaf; Leymah Gbowee e Tawakkul Karman



Nobel da Paz atribuído a duas africanas e uma iemenita


A Presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a activista liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman ganharam o prémio Nobel da Paz 2011, anunciado esta sexta-feira.


A Presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a activista liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman ganharam o prémio Nobel da Paz 2011, foi hoje anunciado.
O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».
Tawakkul Karman, que a agência noticiosa francesa AFP inicialmente identificou como liberiana, é de nacionalidade iemenita.
Johnson Sirleaf, de 72 anos, economista formada em Harvard, é a primeira mulher presidente de África eleita democraticamente em 2005.
Vista como reformista e pacifista quando assumiu o poder, Sirleaf apresenta-se novamente às eleições presidenciais, que decorrem este mês. Recentemente, opositores acusaram Sirleaf de comprar botos e usar fundos governamentais na campanha eleitoral. O seu campo negou as acusações.
Até 2003, a Libéria foi palco de uma guerra civil. Actualmente, o país luta pela manutenção da paz com a ajuda de missões das Nações Unidas.
A activista liberiana Leymah Gbowee organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os senhores da guerra na Libéria.
Tawakul Karman, de 32 anos, tem três filhos e liderou a organização Mulheres Jornalistas sem Correntes, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh, que se iniciaram no final de Janeiro.
O pai de Karman foi ministro dos assuntos legais no governo de Saleh. Karman é jornalista e membro do partido islâmico Islah.
«Não podemos alcançar a democracia e paz duradoura no mundo sem que as mulheres consigam as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade», acrescentou o comité norueguês.


Retirado de:
@SAPO