sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



Teresa Costa Pinto, Professora Auxiliar do Departamento de Sociologia do ISCTE-IUL, investigadora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, DINÂMIA-CET. Doutora em Sociologia, na especialidade de Sociologia do Território e do Ambiente pelo ISCTE-IUL (2006). Investigação e publicações nas áreas da Sociologia Urbana, Sociologia do Habitat, Exclusão Social e Territorial e Qualidade de Vida Urbana. Nesta última, desenvolveu a Tese de Doutoramento com o título: "Percepção e Avaliação da Qualidade de Vida na AML: recursos, aspirações e necessidades na construção da noção de qualidade de vida". Publicou 9 artigos em revistas especializadas, possui um livro publicado. Possui 14 itens de produção técnica. Nas suas actividades profissionais interagiu com 2 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.

Actividades de Investigação e Desenvolvimento

1991-Actual

Sociologia do Território

Qualidade de Vida Urbana


Actividades de Ensino

2004-Actual

Teorias Sociológicas I

Teorias Sociológicas II

Livros publicados/organizados ou edições

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 1999. A Baixa Pombalina: Diagnóstico, Prospectiva e Estratégia de Actores. Lisboa: Celta Editora. Obra publicada em co-autoria.

Capítulos de livros publicados

Pinto, Maria T. E. C. 2002. Qualidade de Vida Urbana, um conceito de difícil gestão sociológica. In A Qualidade de Vida Urbana, Perspectivas e Práticas de Intervenção. Porto: Câmara Municipal do Porto. Pelouro da Qualidade de Vida Urbana.


Artigos em Revistas sem arbitragem científica


Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2001. "Políticas de habitação, à procura de novas problemáticas", Cidades Comunidades e Territórios, 3. Edição: CET/ISCTE Artigo em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2001. "Os Bairros Sociais vistos por si mesmos: Actores, Imagens Públicas e Identidades", Cidades Comunidades e Territórios, 3. Edição: CET/ISCTE Artigo escrito em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 2000. "Os Bairros Sociais vistos por si mesmos: Imagens, Conflitualidades e Insegurança", Cidades Comunidades e Territórios, 1. Edição: CET/ISCTE Artigo escrito em co-autoria, mas não diz o nome dos outros autores.

Pinto, Maria T. E. C. 2000. "Residential Social Exclusion: Images and Identities", Enhr. Editora: Gavle.

Pinto, Maria T. E. C. 1998. "Modelos de habitat, modos de habitar: O caso da produção clandestina do habitat", Sociedade e território, 25.

Pinto, Maria T. E. C. 1995. "Appropriation du lojement et des modes de vie: 'clandestins'et 'legaux'", Espaces Et Sociétés, 79. Modes de Vie et Société Portugaise.

Pinto, Maria T. E. C. 1994. "Apropriação do Espaço em Bairros Sociais: o Gosto pela Casa e o Desgosto pelo Bairro", Sociedade e território, 20.

Pinto, Maria T. E. C; Outros. 1990. "L'Usage et l'Appropriation du Lojement à Telheiras", Sociedade e território. Revista nº especial, Setembro.

Pinto, Maria T. E. C. 1989. "Emigração e Retorno", Sociedade e território, 8. Levantamento Bibliográfico

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Poeta é um fingidor




Quero Acabar

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!


Análise do poema "quero acabar entre rosas"

Campos foi o único dos heterónimos de Pessoa que teve o que se pode chamar de períodos evolutivos na sua poesia. Ou seja, em Campos podemos ver claramente fases diferentes, ao longo da sua existência, fases marcadas por diferentes aproximações à linguagem utilizada e, em última instância, à maneira como o poeta encarava a sua vida.
1Começando por uma fase decadente, de cujo exemplo máximo é o poema “Opiário”, Campos debruça-se sobre a vida em busca de novas sensações e num abulismo embrionário do que seria uma verdadeira e própria explosão dos sentidos.
Essa segunda fase será a mais conhecida de Campos – a que marcará a sua personalidade: é o futurismo. Um período onde o “engenheiro” rebenta, elogiando as máquinas e a tecnologia, de uma maneira escandalosa e gritante – rompendo com standards poéticos em forma e conteúdo. Nem mesmo a tipografia escapa à revolução do modernismo, que canta o mundo moderno, em que reina um homem deitado à confusão de querer “sentir tudo de todas as maneiras”. É afinal um homem indefinido, à procura de uma nova natureza.
No final das contas, um homem que acaba por se desiludir. A terceira fase de Campos reflecte isso mesmo – que a tecnologia desilude as expectativas humanas e deixa cair o homem numa triste solidão. Há uma espécie de regresso a uma infância (1.ª fase), mas já desiludida, sem esperança. É por isso aqui a abulia de maior magnitude, já mais depurada, destilada – venenosa. O poeta perde a identidade e senti em si mesmo a dissolução do seu eu. Uma angústia domina-o, ao saber impossível o regresso àquela primeira fase inocente (pois já nada nele é inocente).

O presente poema inscreve-se nesta 3.ª fase – a fase pessimista.

“Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância. / Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.” – Campos recorda a infância, uma coisa marcante da sua 3.ª fase. A referência aos crisântemos parece-nos directamente relacionada com o decorrer da vida de Campos (as rosas são a infância, os crisântemos representam o amor acabado, as desilusões).
“Falem pouco, devagar. / Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.” – o poeta sobretudo está cansado de pensar. A ausência do pensamento está marcadamente associada à paz, porque antes o pensamento, que deveria libertar, teve precisamente o efeito contrário. Por isso Campos não quer ouvir, muito menos pensar. Quer apenas a paz do silêncio.
“O que quis? Tenho as mãos vazias, / Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.”. Campo em três frases seguidas, recorrendo a aliteração e interrogações, reflecte sobre o que quis, o que pensou e o que viveu. E as suas conclusões não podiam ser piores. Do que quis, nada tem (“tenho as mãos vazias”). E pior que isso, mais que nada ter, as suas mãos vazias lembram-lhe o passado mais feliz.
“O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.” – ou seja, do raciocínio nada restou de precioso, o seu intelecto nada resolveu. A boca está seca e abstracta, ou seja, nada tem a dizer de conclusivo: a boca está vazia, como as mãos.
“O que vivi? Era tão bom dormir!” – como conclusão Campos nem sequer nos diz directamente o que pensa ter vivido. Porque adivinhamos certamente a sua resposta: ele nada viveu. Apenas deseja o sono, a tranquilidade máxima, do não pensar, do não sofrer.
O sono enquanto solução para a dor de viver resume na perfeição esta terceira e final fase de Campos, uma fase de grande desilusão e abulia depurada, onde o poeta resume a sua vida até então e vê, com grande tristeza, que nada conseguiu atingir.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Às Voltas com a Memória: JOSÉ ANTÓNIO (n. 29 Out. 1957; m. 02 Jun. 2005)




José António Prudêncio Conde Bargiela, nasceu a 29 de Outubro de 1957, em Carcavelos.
Foi a jogar – afinal o que mais gostava – que José António, um dos melhores centrais portugueses da década de 80, se despediu (tragicamente) para sempre do futebol.
O antigo capitão do Belenenses faleceu, aos 47 anos, enquanto jogava futebol, com um habitual grupo de amigos, num campo em Carcavelos. José António jogou durante cerca de 40 minutos depois sentiu-se indisposto e pediu para sair, caindo de seguida, numa morte fulminante.
José António foi um dos maiores símbolos do Belenenses, tendo iniciado a carreira futebolística no Grupo Desportivo de Carcavelos, passando depois pelo Estoril Praia e Benfica, para terminar o percurso como jogador no clube do Restelo, onde permaneceu depois como secretário técnico, tendo representado a nossa selecção no Mundial de 1986 onde foi titular no jogo inaugural frente à Inglaterra na única vitoria da selecção nessa competição, tendo tido a 1ª internacionalização no jogo de Estugarda que nos deu o apuramento histórico com a vitória nesse jogo.
No Belenenses envergou a braçadeira de capitão no jogo em que a equipa do Restelo venceu a Taça de Portugal, em 1989, frente ao Benfica (2-1).
Chegou a ser treinador principal durante alguns jogos e também adjunto.
Faleceu a 2 de Junho de 2005.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA ECONOMIA - 2011

Christopher Sims e Thomas Sargent


Nobel da Economia para Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído aos americanos Thomas Sargent e Christopher Sims. Os dois são professores na Universidade de Princeton, Estados Unidos, e foram premiados pela sua "investigação empírica sobre as causas e efeitos na macroeconomia".

Os laureados "desenvolveram métodos para as numerosas perguntas sobre as relações de causalidade entre a política económica e as diferentes variáveis macroeconómicas como o PIB, a inflação, o emprego e os investidores", afirmou a Academia Sueca das Ciências.

Thomas Sargent mostrou como a macroeconometria pode ser usada para analisar mudanças permanentes na política económica. Christopher Sims, por seu lado, desenvolveu um método de análise de como a economia é afectada por mudanças temporárias na política económica (por exemplo, mudanças na taxa de juro por um Banco Central).

O estudo dos dois académicos é particularmente relevante para as ciências económicas, explicaram os membros do comité para a atribuição do prémio em Memória do Alfred Nobel.

Thomas J. Sargent, nascido em 1943, em Pasadena, Califórnia, é professor na Universidade de Nova Iorque. Christopher A. Sims nasceu em 1942 em Washington e é professor na Universidade de Princeton.


Mais sobre o prémio


O nome oficial do Nobel da Economia é na verdade o "Prémio Sveriges Riksbank de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel" e não é concedido pela Fundação Nobel, mas sim pago com dinheiro público. Foi instituído em 1968 pelo Sveriges Riksbank, o Banco Central da Suécia, e atribuído pela primeira vez em 1969.
Os vencedores irão receber cerca de um milhão de euros, uma medalha de ouro e um diploma. Os prémios serão entregues em Estocolmo, a 10 de Dezembro.


Retirado de:
@SAPO

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA PAZ - 2011

Ellen Johnson-Sirleaf; Leymah Gbowee e Tawakkul Karman



Nobel da Paz atribuído a duas africanas e uma iemenita


A Presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a activista liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman ganharam o prémio Nobel da Paz 2011, anunciado esta sexta-feira.


A Presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a activista liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman ganharam o prémio Nobel da Paz 2011, foi hoje anunciado.
O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».
Tawakkul Karman, que a agência noticiosa francesa AFP inicialmente identificou como liberiana, é de nacionalidade iemenita.
Johnson Sirleaf, de 72 anos, economista formada em Harvard, é a primeira mulher presidente de África eleita democraticamente em 2005.
Vista como reformista e pacifista quando assumiu o poder, Sirleaf apresenta-se novamente às eleições presidenciais, que decorrem este mês. Recentemente, opositores acusaram Sirleaf de comprar botos e usar fundos governamentais na campanha eleitoral. O seu campo negou as acusações.
Até 2003, a Libéria foi palco de uma guerra civil. Actualmente, o país luta pela manutenção da paz com a ajuda de missões das Nações Unidas.
A activista liberiana Leymah Gbowee organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os senhores da guerra na Libéria.
Tawakul Karman, de 32 anos, tem três filhos e liderou a organização Mulheres Jornalistas sem Correntes, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh, que se iniciaram no final de Janeiro.
O pai de Karman foi ministro dos assuntos legais no governo de Saleh. Karman é jornalista e membro do partido islâmico Islah.
«Não podemos alcançar a democracia e paz duradoura no mundo sem que as mulheres consigam as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade», acrescentou o comité norueguês.


Retirado de:
@SAPO

Às Voltas com a Memória: JIM MORRISON (n. 08 Out. 1943; m. 03 Jul. 1971)


James "Jim" Douglas Morrison, nasceu em Melbourne, a 8 de Dezembro de 1943, foi um cantor, compositor e poeta norte-americano, vocalista da banda de rock The Doors. Foi o autor da maior parte das letras da banda.
Jim Morrison era filho do almirante George Stephen Morrison e sua mulher Clara Clark Morrison, ambos funcionários da marinha americana. Seus pais eram conservadores e rigorosos, todavia Jim acabou por tomar para si pontos de vista completamente antagónicos aos que lhe foram ensinados. Ainda jovem, foi escoteiro.
Com seu pai servindo à marinha, sua família se mudava constantemente. Passou a maior parte da infância em San Diego, Califórnia, e, em 1958, entrou para a Alameda High School, em Alameda, embora tenha se formado na George Washington High School, em Alexandria, Virgínia, em Junho de 1961. Foi morar com os avós em Clearwater, na Florida, onde teve aulas no St. Petersburg Junior College. Em 1962, transferiu-se para a Florida State University.
Morrison tornou-se um descobridor, interessado em explorar novos caminhos e sensações diferentes, e seguiu uma vida boémia na Califórnia, frequentou a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), formando-se no curso de cinema, deambulando por lá, dormindo em sofás telhados, andou por Veneza, Los Angeles, devorando livros. Após a graduação pela UCLA, Morrison, após um encontro casual com o seu antigo colega Ray Manzarek, leu-lhe alguns poemas (entre os quais o famoso "Moonlight Drive"), e ambos decidiram na hora fazer uma banda de rock. Para completar a banda vieram mais dois membros juntar-se a eles, Robby Krieger e John Densmore, que Ray conhecia das suas aulas de meditação. O nome da banda – The Doors - foi inspirado no livro The Doors of Perception de Aldous Huxley, que o tinha ido buscar a um verso de um poema de William Blake, que dizia: If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite. (Se as portas da percepção estiverem limpas/ Todas as coisas se apresentarão ao homem como são, infinitas) – The Marriage of Heaven and Hell. Morrison desenvolveu um estilo de cantar único e um estilo de poesia a tocar fortemente no misticismo.
Morrison adoptou a alcunha de "Mr. Mojo Risin'", um anagrama de "Jim Morrison" e que ele usou como refrão na música "LA Woman" no álbum com o mesmo nome e o último que gravou. Era também chamado de Lizard King retirado de um verso do seu famoso épico "The celebration of the Lizard", parte do qual foi gravado no álbum Waiting for the Sun, adaptado a musical nos anos 1990.
Ainda antes da formação dos Doors, Morrison começou a consumir várias drogas, a beber álcool em grandes quantidades e a entregar-se a diversos prazeres, aparecendo embriagado para as sessões de gravação (podendo ouvir-se soluços em "Five to one").
Apesar de nunca se ter sentido próximo da sua família, Morrison protegia os seus companheiros de banda. Aparentemente, uma vez disse a Ray Manzarek que nunca se sentia confortável num encontro social a não ser que ele ou outro membro do grupo estivesse com ele. Morrison recusou algumas oportunidades de carreira a solo.
Em Março de 1971, após todos os membros da banda terem decidido parar por algum tempo, Morrison mudou-se para Paris na companhia da sua namorada de sempre, Pamela Courson, com o propósito de se concentrar na escrita.
Jim Morrison era um barítono e tinha um timbre de voz bonito e encorpado. Ele tinha bons graves e chegava a altos agudos. Sua extensão em estúdio é G2-B4.


Em Paris, morreu em 3 de Julho de 1971, na banheira, aos 27 anos de idade. Muitos fãs e biógrafos especularam sobre a causa da morte, se teria sido por overdose, pois embora Jim não fosse conhecido por consumir heroína, Pam fazia-o (morreu de overdose em 1973) e é sabido que nesse Verão correu Paris à procura de heroína de uma pureza invulgar. Outra hipótese seria um assassinato planejado pelas próprias autoridades do governo americano. Morrison foi referido como sendo o nº 4 a morrer misteriosamente, tendo sido os três primeiros Jimi Hendrix, Janis Joplin e Brian Jones (todos mortos com 27 anos). O relatório oficial diz que foi "ataque de coração" a causa da sua morte. Está sepultado no famoso cemitério do Père-Lachaise em Paris. Devido a actos de vandalismo de alguns fãs, por diversas vezes a associação de amigos do cemitério sugeriu que o corpo fosse transferido para outro lado.
Em Abril de 2010, foi lançado o documentário When You're Strange de Tom DiCillo, que conta a história do The Doors. O documentário é narrado pelo actor Johnny Depp.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA - 2011




Nobel da Literatura: Prémio atribuído a Tomas Transtromer


O Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído ao poeta sueco Tomas Transtromer, porque "através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade", afirmou hoje a Academia Sueca, em Estocolmo.


Tomas Transtromer nasceu a 15 de Abril de 1931 em Estocolmo e, segundo a Academia Sueca, é "um dos poetas vivos mais traduzidos em todo o mundo", cuja obra incide sobre "a morte, a História, a memória e a natureza".

O prémio Nobel da Literatura tem o valor monetário de dez milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhões de euros.

A cerimónia de entrega dos Prémios Nobel 2011 realiza-se no próximo dia 10 de Dezembro, na capital sueca.



Retirado da:
@Lusa

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA QUÍMICA - 2011




Cientista israelita Daniel Shechtman distinguido com o Nobel da Química


"O prémio Nobel da Química 2011 fundamentalmente modificou a concepção de um sólido para os químicos", precisou o comité.
A 8 de Abril de 1982, descobriu um cristal no qual os átomos estavam reunidos num modelo que não poderia ser repetido", contrariamente às leis da natureza, segundo o comunicado da Academia Real Sueca de Ciências.
Esta descoberta, apelidada de quasi-cristais, corresponde "aos fascinantes mosaicos do mundo árabe reproduzidos ao nível dos átomos: uma forma regular que não se repete jamais". Shechtman nasceu em 1941 em Telavive e é professor emérito no Instituto de Tecnologia de Israel, em Haifa.

Retirado de:
SICNotíciasSAPO.pt

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA FÍSICA - 2011

Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess


Perlmutter, Schmidt e Riess são os três investigadores galardoados este ano com o Nobel da Física, pela investigação sobre a aceleração da expansão do Universo.

O prémio vai ser partilhado entre o professor da Universidade da Califórnia Saul Perlmutter e os professores universitários Brian P. Schmidt e Adam G. Riess, da Austrália e Baltimore, respectivamente.
Saul Perlmutter é o responsável pelo trabalho "The Supernova Cosmology Project", desenvolvido pela Lawrence Berkeley National Laboratory da Universidade da Califórnia, a funcionar em Berkeley, nos Estados-Unidos da América.
Este investigador trabalhou em parceria com Brian P. Schmidt, coordenador da equipa "The High-z Supernova", da Universidade Nacional da Australia, e com Adam G. Riess, coordenador da mesma equipa que trabalha na Universidade Johns Hopkins e no "Space Telescope Science Institute", em Baltimore (EUA).
A descoberta da expansão do universo através da observação de supernovas venceu o 110 prémio Nobel da Física.
O Nobel da Física é uma condecoração criada pela Fundação Nobel, obedecendo à vontade do químico Alfred Nobel que no seu testamento colocou a física como a primeira ciência a ser nomeada.
A lista de vencedores dos Prémios Nóbel deste ano começou a ser divulgada na segunda-feira, dia em que foram conhecidos os prémios da Medicina: o norte-americano Bruce Beutler, o francês Jules Hoffmann e o canadiano Ralph Steinman.
A Fundação Nobel tomou conhecimento, pouco após ter divulgado os vencedores, de que o canadiano tinha falecido na sexta-feira passada. Depois de uma reunião de emergência, o comité anunciou hoje que a atribuição do Nobel da Medicina a Ralph Steinman se mantinha.
Na quarta-feira será conhecido o Nobel da Química e na sexta-feira o da Paz, único prémio concedido e entregue fora de Estocolmo, que será tornado público em Oslo.
As medalhas e diplomas são oficialmente entregues pelo rei da Suécia a 10 de dezembro, dia do aniversário do criador do prémio. Desde 2001, o valor do prémio é de 10 milhões de coroas suecas (um pouco mais de 1 milhão de euros).
O primeiro Nobel da Física foi Wilhelm Conrad Rntgen que em 1901 foi distinguido pela descoberta dos Raios-X.
O único a ganhar duas vezes nesta categoria foi o norte-americano John Bardeen (1956 e 1972), pelos seus trabalhos na área dos semicondutores e supercondutividade.


Texto Retirado de:
@SAPO com Lusa

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Momentos da Vida: PRÉMIO NOBEL DA MEDICINA - 2011


Bruce Beutler, Jules Hoffmann e Ralph Steinman



Nobel da Medicina atribuído aos imunologistas Hoffmann, Beutler e Steinman

O norte-americano Bruce Beutler, o luxemburguês Jules Hoffmann e o canadiano Ralph Steinman foram distinguidos com o Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina 2011, pelo Instituto Karolinska, esta manhã, em Estocolmo, pelo trabalho na área da Imunologia.

“Os galardoados com o Nobel de este ano [da Fisiologia e Medicina] revolucionaram a compreensão global do sistema imunitário ao descobrirem os princípios-chave que o tornam funcional”, informou o Instituto Karolinska numa
nota de imprensa.
As descobertas dos três investigadoros são um forte contribuito na luta contra doenças contagiosas e no desenvolvimento de vacinas, informa ainda a instituição.
Hoffman e Beutler partilham metade do prémio – 1,1 milhões de euros – pelo estudo de ambos que conduziu à descoberta das proteínas responsáveis pelo reconhecimento de microrganismos e activação do sistema imunitário congénito.
A outra metade do prémio foi entregue a Ralph Steinman pela descoberta das células dendríticas que activam, regulam e adaptam o sistema imunológico congénito às bactérias e microrganismos.

Perfil dos Investigadores

Bruce Beutler nasceu em Chicago em 1957 e formou-se na Universidade de Chicago, tendo trabalhado como cientista no Universidade Rockefeller e na Universidade do Texas. Desde 2000 é professor de genética e imunologia no Instituto norte-americano “Scripps Research”.
Jules Hoffmann nasceu no Luxemburgo em 1941 e estudou na Universidade de Estrasburgo, em França. Foi diretor do Instituto de Biologia Molecular, na mesma cidade, e entre 2007 e 2008 foi presidente da Academia de Ciências de França.
Ralph M. Steinman nasceu em 1943 no Canadá, onde estudou biologia e química na Universidade McGill. Mais tarde, frequentou a Harvard Medical School, nos Estados Unidos. É professor de imunologia na Universidade Rockefeller desde 1988 e também diretor do Centro de Imunologia e Doenças Imunes, faleceu na passada Sexta-Feira, dia 30 de Setembro de 2011.


Texto Retirado de:
@SAPO com Lusa

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...




José Manuel Leite Viegas

José Manuel Leite Viegas é Professor Auxiliar (com Agregação) no ISCTE - IUL, Investigador Sénior do CIES-ISCTE e, atualmente, director do Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas do ISCTE-IUL. Tem-se dedicado à investigação sobre variados temas em particular: cidadania e valores políticos, participação política, o processo de tomada de decisão em democracia e deliberação democrática, tolerância política e o fenómeno das associações voluntárias. É editor e/ou autor de vários livros, incluindo: Crossroad to Modernity (2000), As Mulheres na Política (2001), Democracia, Novos Desafios, Novos Horizontes (2004), Portugal at the Polls (2007), Institutions and Politics (2009). Escreveu igualmente vários artigos sobre atitudes políticas, abstenção eleitoral e associativismo voluntário.

Qualificações Académicas

Agregação em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 2003
Doutoramento em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1995
PAPCC em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1986
Licenciatura em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1981
Licenciatura em Engenharia Mecânica, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em 1969
Domínios de Investigação

Atitudes face à Cidadania, Atitudes e Comportamentos Políticos, Comportamento Eleitoral (abstenção), Associativismo e Democracia, Tolerância Política e Social, Deliberação Democrática

Publicações




Viegas, José Manuel Leite, Ana Maria Belchior e Filipa Seiceira (2010), "Mudanças e continuidades no modelo de participação política em Portugal. Análise comparada europeia", Perspectivas - Portuguese Journal of Political Science and International Relations, Número 5: Cidadãos, Parlamentos e Representação Política, Lisboa, NICPRI, Centro FCT, pp. 17-42

Outras Actividades

Para além destas informações, José Leite Viegas esteve envolvido em mais de quinze Projectos de Investigação no CIES, duas Consultorias e Análise de Dados, uma actividade de cooperação e investigação internaionais, duas actividades de promoção de cultura científica, esteve envolvido em três redes nacionais e internacionais de I&D, fez mais de trinta comunicações em encontros científicos, participou em quatro equipas editoriais, e orientou três teses de Doutormento e mais de vinte teses de mestrado, além de que publicou dezenas de artigos em revistas, participendo em imensos livros em co-autoria.

sábado, 1 de outubro de 2011

Às Voltas com a SOCIOLOGIA



SOCIÓLOGO: Profissão ou não! (Parte III e Última)

Refira-se ainda que, na sociologia, como é característico do respectivo percurso científico e as práticas de investigação tendem a permanecer, senão como actividades para muitos, pelo menos como referência para quase todos. Esta referência, é por vezes, um pouco ambígua e assume diversos sentidos. Uma vezes concretiza-se em vector de operacionalidade profissional, pela convocação de um reportório amplo de instrumentos de base científica, seleccionados e mobilizados de maneira criteriosa e criativamente ajustada aos problemas, conduzindo a resultados efectivos, inovadores e de qualidade. Estes são aqueles que se podem considerar ou classificar como de perfil sociológico integrador (integração produtiva da formação cientifica e da prática profissional). Outras vezes, os sociólogos exercem actividades profissionais variadas, onde a referência à dimensão científica da sociologia traduz-se basicamente numa aplicação ritualistica de técnicas de investigação empírica, accionadas de forma rotineira e adaptadas a qualquer questão ou situação, o que se revela de certa forma limitada para terceiros e pouco gratificante para os próprios. Outras vezes, ainda, a matriz científica da formação de base apresenta-se como um referência “em negativo”,. Algo a que se renuncia, ou se rejeita, pelo menos no emprego, por não se encontrar forma de transpor eficazmente os produtos cognitivos da sociologia para a acção profissional. Acaba-se por exercer uma profissão recorrendo apenas a recursos e saberes práticos adquiridos em contexto profissional ou a fragmentos de saberes de outras disciplinas, ou seja, sem qualquer valor acrescentado por parte da sociologia. Aqui podemos atribuir o perfil sociológico desistente (desistência da sociologia, do que nela poderia ser tornado como base de competências específicas, a accionar em conjugação com outras, no desempenho dos papeis profissionais).
Por último é de referir que alguns professores de sociologia e investigadores universitários não vêem a sociologia como uma profissão fora do contexto institucional específico em que eles se inscrevem, ou seja, tendem a não ver a actividade que desenvolvem propriamente como uma profissão, mas sim como uma espécie de “estado de graça epistemológico”. Não custa ver que se trata de uma posição débil, que não resiste a um mínimo de análise sociológica, sendo eles próprios, afinal, também profissionais, nuns casos da docência, noutros casos profissionais de investigação científica, e ainda noutros, ambas as coisas.
Sociologia, profissão ou não, tem como é evidente, repercussões decisivas no ensino/aprendizagem da sociologia, designadamente a três níveis: a) organização curricular, b) conteúdos programáticos, c) processos de formação.
Interessa retomar brevemente aqui a distinção entre, conhecimento, competências e práticas. Quanto às competências sociológicas, estas constituem uma instância mediadora crucial, entre, de um lado, os conhecimentos enquanto “produtos” (de trabalho sociológico prévio) e “conteúdos” (de programas de formação em sociologia) e, do outro lado, as práticas sociológicas, especialmente enquanto “acção profissional” (tanto dos profissionais da investigação e do ensino em sociologia, como dos sociólogos que desempenham outros papeis profissionais). Quanto às competências, não basta ter conhecimentos discursivos acerca da sociologia para ser capaz de transportar eficazmente esses conhecimentos para a prática sociológica, essencialmente para a esfera profissional. A questão coloca-se, relativamente aos conhecimentos teóricos dotados de elevado grau de síntese conceptual e aos conhecimentos metodológicos portadores de grande transversalidade processual, dadas as potencialidades, não só cognitivas, como profissionais generalizadas que comportam. Sublinhe-se, que, nesta perspectiva das competências, as práticas de investigação sociológica e as outras práticas profissionais em sociologia aproximam-se bastante entre si – muito mais contudo, do que alguns gostam de reconhecer. Em termos gerias, as competências sociológicas podem desdobrar-se em competências teóricas, competências metodológicas, competências relacionais e competências operatórias.
Por último, acrescenta-se que o valor social acumulado pelas práticas profissionais dos sociólogos, mesmo quando desempenham funções profissionais idênticas a outros colegas, com formação base diferente, que é o caso mais comum na profissionalização dos sociólogos, assenta no accionamento de competências específicas – a par de outras, partilhadas.
Para concluir, é de salientar que a questão das competências sociológicas não é só crucial nos processos de empregabilidade dos sociólogos em geral, como tem relevância para os processos de ensino/aprendizagem da sociologia. Uma formação exclusivamente teórica e metodológica, não dá o devido lugar aos processos de passagem à prática, apenas favorece uma captação de conteúdos limitada e de base discursiva. Por outro lado, uma formação sociológica preenchida apenas pela prática – de carácter localizado, fragmentário, imediatista, é extremamente vulnerável à obsolescência rápida, e torna-se modo geral, bastante superficial e circunscrita, por isso pouco útil.
Portanto não basta adquirir conhecimentos, sem mais, mas antes esses conhecimentos têm que implicar a capacidade de, perante cada uma nova situação que se apresente ou cada novo problema a enfrentar, seja possível seleccionar os conhecimentos a mobilizar, de entre o leque de possibilidades acumuladas e disponíveis, e de os accionar de maneira adequada ao caso concreto. Ora esta capacidade só tem uma forma de se adquirir, é através do treino concreto e exercício continuado, quanto possível, com acompanhamento e orientação de colegas mais experientes neste processos. Os estágios e pós-graduações, concorrem de maneira relevante para as desenvolver, para não falar do carácter insubstituível, da experiência profissional.
De tudo o que se disse, podemos concluir que os processos de aprendizagem não podem deixar de ter em conta as competências sociológicas, tanto na prática profissional de investigação, como no campo muito mais alargado das práticas profissionais dos sociólogos.

Extraído e Adaptado do Artigo de António Firmino da Costa: Será a sociologia profissionalizável?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Às Voltas com a SOCIOLOGIA


SOCIÓLOGO: Profissão ou não! (Parte II)

Outro dos contextos de actividade mais frequentemente encontrados e analisados por algumas monografias, realizadas ao longo dos últimos anos pelos estudantes da disciplina de “Práticas profissionais em sociologia”, é o das câmaras municipais. Cada vez mais, existe um número crescente de sociólogos em áreas como a de animação cultural, intervenção social, planeamento urbanístico, reabilitação urbana, protecção civil, ambiente, educação, desporto, ou ainda, gestão de recursos humanos das autarquias, para não falar de responsáveis autárquicos, presidentes de câmara e vereadores, que também são sociólogos. Outra das áreas onde os sociólogos se encontram profissionalizados, são nos ministérios, serviços centrais, laboratórios do Estado, gabinetes de estudos e projectos, empresas de sondagens, agências de publicidade, meios de comunicação social, empresas de consultoria e formação profissional, associações, sindicatos, IPSS, ONG’s, empresas de serviços financeiros, empresas industriais, escolas de ensino secundário, institutos politécnicos, universidades e centros de investigação. Nalguns destes contextos, a profissionalização tem-se mostrado razoavelmente dinâmica, como por exemplo nas autarquias; noutros porém, algo estagnada, nomeadamente no ensino secundário. Em certas situações a profissionalização é ainda precoce, começando com colaborações pontuais, estágios de fim de curso, noutros é morosa, implicando a passagem por vários empregos precários, até uma situação profissional mais duradoura. Finalmente existem também um conjunto de casos onde já existia uma actividade profissional estável, podendo esta influir muito ou pouco no trajecto subsequente.
Perante estes factos, e apesar das flutuações conjunturais e das indeterminações quanto ao futuro, a sociologia em Portugal, parece pois, ser profissionalizável.

Contudo, e partindo da premissa que a sociologia é profissionalizável, coloca-se outras questões, quanto ao tipo de profissionalização: Que tipos de profissionalização se podem esperar, e prepara, para os sociólogos? Numa análise de índole mais teórica, podemos considerar razoável que numa “sociedade de conhecimento”, como a nossa, os sociólogos tenham mais potencial apara se enquadrarem no âmbito dos “analistas simbólicos”, do que propriamente “prestadores de serviços” ou “trabalhadores de produção massificada”, mas trata-se efectivamente apenas de um potencial.
As relações que se constituem entre formação e profissão, são cruciais, no campo da sociologia, essa relações por sua vez dependem de diversos factores, uns são factores gerais de contexto, relativos às tendências da sociedade, como qualificações crescentes das populações, redes alargadas de interdependências e fluxos, centralidade cada vez maior do conhecimento elaborado e pericialidade na actividade económica e na organização social, rapidez dos processos de produção científica, inovação tecnológica e mudança organizacional, entre outros. Por outro lado, existem dois factores específicos, deveras importantes: a) os modelos de formação em sociologia (cursos, programas, professores, actividades de ensino/aprendizagem; b) as estratégias de profissionalização dos sociólogos – desenvolvidas quer individualmente, quer ao nível do grupo profissional organizado.
Actualmente, nas sociedades contemporâneas, no que “toca” à formação superior, existem duas modalidades ideal-tipo fundamentais de ralações formação/profissão, uma é das relações formação/profissão UNÍVOCAS, em que o curso corresponde basicamente a uma profissão, outra das relações formação/profissão MULTÍVOCAS, nas quais a formação te, em regra geral, uma articulação menos nítida com um determinado sector de profissionalização, mas que em contrapartida possibilita o desenvolvimento de estratégias de profissionalização dirigidas a uma pluralidade, mais ou menos, alargada de actividades profissionais qualificadas.
Se à primeira modalidade, a das relações formação/profissão unívocas, podemos apresentar como ilustrações emblemáticas, as áreas da medicina ou arquitectura, cuja formação corresponde a papeis profissionais bem definidos e bem delimitados, à segunda modalidade, a das relações formação/profissão multívocas, abrange um leque grande de áreas, como sejam, por exemplo a engenharia, a economia, ou outras mais recentes, como a psicologia, a gestão, a biologia e a própria sociologia. Esta segunda modalidade, da profissionalização mais diversificada, faz-se tipicamente, com a mobilização, em combinatórias de peso variável, de saberes e competências de vários géneros, de que salientamos três, a) saberes e competências de base, isto é, directamente provenientes dos programas de formação curricular iniciais, b) saberes e competências contextuais, decorrentes da experiência profissional adquirida no exercício da actividade, c) saberes e competências complementares, obtidos em curso de formação, pós-graduações ou no prolongamento directo da formação inicial, o que se passa particularmente com os sociólogos que têm vindo a adquirir formações complementares, onde a sociologia, por seu lado, é hoje em dia, bastante procurada como área de formação complementar por profissionais oriundos de outros domínios de formação inicial.
Poderemos ainda acrescentar, que o actual processo de profissionalização da sociologia assenta, em duas ordens de factores, a) no plano externo (contexto social), o aumento da procura potencial de acção profissional dos sociólogos, procura associada à complexidade e reflexividade contemporâneas, o que no remete, em termos muito gerais e abstractos, para uma multiplicidade de processos bem conhecidos dos sociólogos, b) no plano interno (campo sociológico), o crescimento da oferta potencial, nomeadamente na expansão do número de diplomados em sociologia, o qual desde há muito ultrapassou exponencialmente o volume e o âmbito do segmento profissional específico do ensino e da investigação universitários.

Extraído e Adaptado do Artigo de António Firmino da Costa: Será a sociologia profissionalizável?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Às Voltas com a SOCIOLOGIA


SOCIÓLOGO: Profissão ou não! (Parte I)

Falar em sociologia, é falar nas suas três componentes principais: sociologia como ciência, sociologia como formação e sociologia como profissão. Se a primeira se baseia essencialmente num conjunto específico de critérios, ferramentas cognitivas, conhecimentos acumulados e práticas de investigação, já o segundo incide basicamente sobre o sistema de ensino, sobre os cursos e diplomas, ou seja sobre os processos inerentes à aprendizagem da sociologia. Quanto ao terceiro, centra-se na diversidade de papéis e práticas profissionais em sociologia, bem como os processos de constituição dos sociólogos como grupo profissional, incluindo os aspectos de cultura profissional e formas de associação ou organização colectiva.
O que é facto é que dificilmente poderemos analisar uma das vertentes isoladamente, pois actualmente há que levar em conta, que essas vertentes se interligam fortemente entre si, não apenas no sentido retórico banalizado de que “tudo se relaciona com tudo”, mas de uma forma concreta, multifacetada, cada vez mais importante e acentuada. Senão vejamos, se à partida a sociologia como ciência se esgotava praticamente, com tudo o que de relevante acontecia na área, mais tarde a investigação científica e o ensino universitário passaram a estabelecer laços decisivos entre si, tanto em termos cognitivos como institucionais. Hoje em dia, com a formação de milhares de licenciados em sociologia e a respectiva inserção na esfera profissional e as expectativas e pedidos sociais entretanto desenvolvidos relativamente aos contributos potenciais da sociologia no plano científico, formativo e profissional, a articulação tornou-se irreversivelmente tripla. Finalmente e mais importante na sociologia, é que estas três componentes não existem umas sem as outras, pois a dinâmicas, presentes e futuras, de cada uma delas, e da própria sociologia no seu conjunto, dependem cada vez mais desta articulação.
A terceira componente, a da sociologia como profissão e as relações dos sociólogos com a sociedade ganha uma configuração e um acuidade muito particular, qualquer que seja o nível considerado, 1) o dos papeis/práticas profissionais, 2) o de grupo/organização profissional do conjunto dos sociólogos.
Temos aqui uma questão muito concreta, que é a relação dos sociólogos com entidades empregadoras, contratadoras ou financiadoras, ou seja, com as organizações em que trabalham, com os grupos e meios sociais objecto de estudo cientifico e acção profissional dos sociólogos, com profissionais de outras especialidades, com os meios de comunicação social e outras instâncias de formação da opinião pública.
Desta relação decorre, em grande medida, que, a uma dimensão cognitiva da sociologia, se venha a adicionar uma dimensão deontológica, também presente, como é óbvio, nas outras duas componentes, mas assumindo uma relevância muito especial na componente profissão. Por isso uma boa parte da pertinência em se proceder a uma análise propriamente sociológica da sociologia como profissão, e por outro lado, a importância de, que em qualquer análise sociológica da sociologia, tomar suficientemente em atenção a componente profissional.
Quando se analisam estes assuntos é que ter em conta a necessidade de dois tipos de abordagens distintas, a) uma que privilegia aspectos de conjuntura e contexto, b) e outra que incide preferencialmente sobre aspectos relativos à constituição específica do campo científico-profissional em causa.
Podemos assim, a partir de uma perspectiva mais de fundo, ou melhor, mais focada na constituição do campo da sociologia, a partir do triângulo ciência-profissão-formação, colocar a questão chave: será a sociologia, em si mesmo, profissionalizável?
Será forçoso começar por constatar que há quem ache que sim, e há quem ache que não. E há, ainda, quem ache que sim, ou que não, de maneiras diferentes.
Poderíamos avançar com uma resposta, de carácter empírico, simples e segura, por exemplo, a Associação Portuguesa de Sociologia conta, com cerca de 2000 membros, praticamente todos profissionalizados, exercendo profissões variadas, em áreas diversas.
Outro exemplo, seria os inquéritos do ODES – Sistema de Observação de Percursos de Inserção de Diplomados do Ensino Superior, realizados no início de 2000, que revelam igualmente que, na sua grande maioria, os licenciados em sociologia estão empregados, têm encontrado trabalho relativamente depressa, muitos deles, mesmo antes de acabarem a licenciatura, e outros até seis meses após conclusão da mesma. É evidente que também existem excepções, aliás, como noutras áreas de formação e profissionalização, mas a maior parte dos licenciados em sociologia enquadra-se na caracterização geral.

Extraído e Adaptado do Artigo de António Firmino da Costa: Será a sociologia profissionalizável?

domingo, 25 de setembro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


O que é - GLOBALIZAÇÃO CULTURAL

Geralmente entendida numa acepção económica, a globalização, como o próprio nome indica, abrange e estende-se a todos os domínios do mundo moderno. No entanto, será que a dinâmica da globalização pressupõe, em termos culturais, uniformailização, homogeneização, descaracterização e, no limite, "americanização"? Este ensaio recusa essa visão falaciosa e, à pergunta "O que é?" responde, por paradoxal que possa parecer, que o processo da globalização cultural produz, ao mesmo tempo, mais uniformidade e mais diversidade. "O local é global, o global é local. Tudo está em tudo ao mesmo tempo e como tal tem que ser pensado". Este livro foi publicado pela editora QUIMERA, em 2002, com 159 páginas, e escrito por um dos mais conceituados sociólogos, Alexandre Melo. A não perder.


Í N D I C E

Nota Prévia

Capítulo 1

O que é a globalização?
Contexto e estatuto da discussão
Globalização e processo histórico
Dimensão económica
Dimensão política
Dimensão cultural

Capítulo 2

Dimensãoes culturais da globalização
Uniformização e diversificação
Identidades desmascaradas
Fundamentalismo e cosmopolitismo
Relativismos
Império das imagens
Triunfo da moda
Vedetariado
Imagem de marca
Sistema das artes

Capítulo 3

Geografias do poder no sistema das artes
Entre o local e o global
Scapes
Nem centro nem periferia
Dinâmica dos centros artísticos
Geografias da actualidade
Crise dos centros
Scarto
Do mundo da arte à arte do mundo
Deslocação do ponto de vista
São Paulo, 1998 - Um centro de um outro mundo
Veneza, 1999 - A China mora ao lado
Kassel, 2002 - Uma exposição do tamanho do mundo
Discursos de legitimação Políticas culturais

Referências bibliográficas

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: Ponto de Situação


Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa. Só não disse que era na nossa. A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor.

Os portugueses vivem hoje num país nórdico: pagam impostos como no Norte da Europa; têm um nível de vida como no Norte de África. Como são um povo ao qual é difícil agradar, ainda se queixam. Sem razão, evidentemente.
A campanha eleitoral foi dominada por uma metáfora, digamos, dietética: o Estado era obeso e precisava de emagrecer. Chegava a ser difícil distinguir o tempo de antena do PSD de um anúncio da Herbalife. "Perca peso orçamental agora! Pergunte-me como!" O problema é que, ao que parece, um Estado gordo é caro, mas um Estado magro é caríssimo. Aqueles que acusavam o PSD de querer matar o Estado à fome enganaram-se. O PSD quer engordá-lo antes de o matar, como se faz com o porco. Ninguém compra um bácoro escanzelado, e quem se prepara para comprar o Estado também gosta mais de febra do que de osso.
Embora o nutricionismo financeiro seja difícil de compreender, parece-me que deixámos de ter um Estado obeso e passámos a ter um Estado bulímico. Pessoalmente, preferia o gordo. Comia bastante mas era bonacheirão e deixava-me o décimo terceiro mês (o actual décimo segundo mês e meio, ou os décimos terceiros quinze dias) em paz.
Enfim, será o preço a pagar por viver num país com 10 milhões de milionários. Talvez o leitor ainda não tenha reparado, mas este é um país de gente rica: cada português tem um banco e uma ilha. É certo que é o mesmo banco e a mesma ilha, mas são nossos. Todos os contribuintes são proprietários do BPN e da Madeira. Tal como sucede com todos os banqueiros proprietários de ilhas, fizemos uma escolha: estes são luxos caros e difíceis de sustentar. Todos os meses, trabalhamos para sustentar o banco e a ilha, e depois gastamos o dinheiro que sobra em coisas supérfluas, como a comida, a renda e a electricidade.
Felizmente, o governo ajuda-nos a gerir o salário com inteligência. Pedro Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa. Só não disse que era na nossa, mas era previsível. A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor. Afinal, o orçamento gordo era o nosso. Agora está muito mais magro, elegante e saudável. Mais sobra para o banco e para a ilha.

Por: Ricardo Araújo Pereira, in Boca do Inferno

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Às Voltas com a Memória: RIBEIRINHO (n. 21 Set. 1911; m. 07 Fev. 1984)



Actor, encenador, cineasta, Francisco Carlos Lopes Ribeiro (Ribeirinho) nasceu a 21 de Setembro de 1911, em Lisboa. Pisou os palcos pela primeira vez em criança, no verão de 1917, na revista «Tiros sem bala», apresentada no Grémio dos Despretensiosos da capital portuguesa.
A estreia profissional, no entanto, só aconteceria em 1929, quando integrou a Companhia Chaby Pinheiro e o elenco de «A Maluquinha de Arroios», de André Brun. Seguir-se-ia o trabalho com os grupos de teatro de Alves da Cunha e Berta Bívar, Maria Matos e Mendonça de Carvalho, Satanela-Amarante. Ao longo da década de 1930, a popularidade do autor aumentou. Percorreu o país, em digressões teatrais, tornou-se figura regular do teatro de revista, expandiu a actividade à comédia, ao drama e ao cinema.
Na tela, foi o caixeiro apaixonado por Tatão, em «O Pai Tirano», o porteiro do antigo número 13 de lisboeta rua Castilho, onde morava «A Vizinha do Lado», ou Rufino filho, o improvável sedutor que conquistava a Maria da Graça do «Pátio das Cantigas», filme que também realizou.
Antes, em 1936, tomara a direcção do Teatro do Povo, para a qual fora convidado pelo secretário nacional da Propaganda, António Ferro. Seguir-se-iam Os Comediantes de Lisboa, em 1944, companhia que fundou no Teatro da Trindade, o Teatro Universitário, o Teatro Nacional Popular, já na década de 1950, e a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, com quem trabalhou regularmente até meados dos anos de 1960.
Ao longo da carreira, levou a cena textos dos grandes dramaturgos, como Maurice Maeterlinck, Anton Tchekov, Nicolai Gogol, Bernard Shaw, Óscar Wilde ou Samuel Beckett, do qual fez a estreia portuguesa de «À Espera de Godot», em 1959.
Francisco Ribeiro revelou actores como Ruy de Carvalho, Armando Cortez, Canto e Castro, Manuela Maria, Francisco Nicholson, Carlos Wallenstein, Nicolau Breyner ou Mariema. Com «O Impostor Geral», versão particular de «O inspetor-geral», de Gogol, abriu o Teatro Villaret de Raul Solnado, em 1965.
Em 1977, integrou a comissão instaladora do Teatro Nacional de D. Maria II, em Lisboa, assumindo a sua direcção entre 1978 e 1981, quando da reabertura, após o incêndio de 1964. Aqui assinou as suas derradeiras direcções – Shakespeare e «As Alegres Comadres de Windsor», «A Bisbilhoteira», de Eduardo Scwalback – e uma programação que foi de Luís Sttau-Monteiro a Máximo Gorki.
Irmão mais novo de António Lopes Ribeiro – facto que lhe valeu a alcunha –, Francisco Ribeiro integrou o elenco de cinco filmes do cineasta: «A Revolução de Maio» (1937), «Feitiço do Império» (1939), «O Pai Tirano» (1941), «A Vizinha do Lado» (1945), «O Primo Basílio» (1959).
Fez ainda «A Menina da Rádio» (1944) e «O Grande Elias» (1950), com Arthur Duarte, «O Costa de África» (1954), de João Mendes, «Aqui há fantasmas» (1964), de Pedro Martins. Em 1978-80, entrou em «O Diabo Desceu à Vila», de Teixeira da Fonseca.
Pelo meio ficaram colaborações com a televisão – «Noite de Reis», «O Urso» – ou a direcção do documentário «Rodas de Lisboa».
«Além de ser um grande actor, Ribeirinho foi um grande encenador», escreveu o antigo presidente da Cinemateca Portuguesa João Bénard da Costa, nas «Histórias do Cinema», da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
O crítico Jorge Leitão Ramos não hesitou mesmo em considerar a estreia portuguesa de «À Espera de Godot» «o mais forte abanão de progresso do teatro português nesses anos», no artigo sobre Ribeirinho, para o Dicionário do Cinema Português (ed. Caminho).
«Os melhores momentos visuais de O Pátio [das Cantigas]», lembrou Bénard da Costa, «apontam-nos a presença desse grande encenador». «As relações entre os vários espaços horizontais e verticais são (…) trabalhadas em função do espaço cinematográfico, revelando uma aguda consciência do tempo e do jogo das situações que caracterizaram também as melhores encenações de Ribeirinho».
O actor e encenador morreu em Lisboa, a 07 de Fevereiro de 1984, aos 73 anos.