terça-feira, 20 de setembro de 2011

Às Voltas com a Memória: AMÁLIA RODRIGUES (n. 23 Jul. 1920; m. 06 Out. 1999)


Amália da Piedade Rodrigues, filha de um músico sapateiro que, para sustentar os quatro filhos e a mulher, tentou a sua sorte em Lisboa. Amália nasceu a 1 de Julho de 1920, porém apenas foi registada dias depois, tendo no seu assento de nascimento como nascida às cinco horas de 23 de Julho de 1920, na rua Martim Vaz, na freguesia lisboeta da Pena. Amália pretendia, no entanto, que o aniversário fosse celebrado a 1 de Julho ("no tempo das cerejas"), e dizia: Talvez por ser essa a altura do mês em que havia dinheiro para me comprarem os presentes. Catorze meses depois, o pai, não tendo arranjado trabalho, volta com a família para o Fundão. Amália fica com os avós na capital.
A sua faceta de cantora cedo se revela. Amália era muito tímida, mas começa a cantar para o avô e os vizinhos, que lhe pediam. Na infância e juventude, cantarolava tangos de Carlos Gardel e canções populares que ouvia e lhe pediam para cantar.
Aos 9 anos, a avó, analfabeta, manda Amália para a escola, que tanto gostava de frequentar. Contudo, aos 12 anos tem que interromper a sua escolaridade como era frequente em casas pobres. Escolhe então o ofício de bordadeira, mas depressa muda para ir embrulhar bolos.
Aos 14 anos decide ir viver com os pais, que entretanto regressam a Lisboa. Mas a vida não é tão boa como em casa dos avós. Amália tinha que ajudar a mãe e aguentar o irmão mais velho. Trabalha como bordadeira, engomadeira e à tarefa.
Aos 15 anos vai vender fruta para a zona do Cais da Rocha, e torna-se notada devido ao especialíssimo timbre de voz. Integra a Marcha Popular de Alcântara (nas festividades de Santo António de Lisboa) de 1936. O ensaiador da Marcha insiste para que Amália se inscreva numa prova de descoberta de talentos, chamada Concurso da Primavera, em que se disputava o título de Rainha do Fado. Amália acabaria por não participar, pois todas as outras concorrentes se recusavam a competir com ela.
Conhece nessa altura o seu futuro marido, Francisco da Cruz, um guitarrista amador, com o qual casará em 1940. Um assistente recomenda-a para a casa de fados mais famosa de então, o Retiro da Severa, mas Amália acaba por recusar esse convite, e depois adiar a resposta, e só em 1939 irá cantar nessa casa.
Estreia-se no teatro de revista em 1940, como atracção da peça Ora Vai Tu, no Teatro Maria Vitória. No meio teatral encontra Frederico Valério, compositor de muitos dos seus fados.
Em 1943 divorcia-se a seu pedido. Neste mesmo ano actua pela primeira vez fora de Portugal, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira, em Madrid.
Em 1944 consegue um papel proeminente, ao lado de Hermínia Silva, na opereta Rosa Cantadeira, onde interpreta o Fado do Ciúme, de Frederico Valério. Em Setembro, chega ao Rio de Janeiro acompanhada pelo maestro Fernando de Freitas para actuar no Casino Copacabana. Aos 24 anos, Amália tem já um espectáculo concebido em exclusivo para ela. A recepção é de tal forma entusiástica que o seu contrato inicial de 4 semanas se prolongará por 4 meses. É convidada a repetir a tournée, acompanhada por bailarinos e músicos.
É no Rio de Janeiro que Frederico Valério compõe um dos mais famosos fados de todos os tempos: Ai Mouraria, estreado no Teatro República. Grava discos, vendidos em vários países, motivando grande interesse das companhias de Hollywood.
Em 1947 estreia-se no cinema com o filme Capas Negras, o filme mais visto em Portugal até então, ficando 22 semanas em exibição. Um segundo filme, do mesmo ano, é Fado, História de uma Cantadeira.
Amália é apoiada por artistas inovadores como Almada Negreiros e António Ferro, este convida-a pela primeira vez a cantar em Paris, no Chez Carrère, e em Londres, no Ritz, em festas do departamento de Turismo que o próprio organiza.
A internacionalização de Amália aumenta com a participação, em 1950, nos espectáculos do Plano Marshall, o plano de "apoio" dos EUA à Europa do pós-guerra, em que participam os mais importantes artistas de cada país. O êxito repete-se por Trieste, Berna, Paris e Dublin (onde canta a canção Coimbra, que, atentamente escutada pela cantora francesa Yvette Giraud, é popularizada por ela em todo o mundo como Avril au Portugal).
Em Roma, Amália actua no Teatro Argentina, sendo a única artista ligeira num espectáculo em que figuram os mais famosos cantores de música clássica.
Em Setembro de 1952 a sua estreia em Nova Iorque fez-se no palco do La Vie en Rose, onde ficou 14 semanas em cartaz. Ainda nos Estados Unidos, em 1953 canta pela primeira vez na televisão (na NBC), no programa do Eddie Fisher patrocinado pela Coca-Cola, que teve que beber e de que não gostara nada. Grava discos de fado e de flamenco. Convidam-na para ficar, mas não fica por que não quer.
Nos EUA editou o seu primeiro LP (as gravações anteriores eram em discos de 78 rotações). Amalia Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco From Spain, lançado em 1954 pela Angel Records, assinala a sua estreia no formato do long-play, a 33 rotações, criado apenas seis anos antes e, na época, ainda longe de conhecer a expressão de mercado que depois viria a conquistar. O álbum, que seria editado em 1957 em Inglaterra e, um ano depois, em França, nunca teve prensagem portuguesa.
Amália dá ao fado um fulgor novo. Canta o repertório tradicional de uma forma diferente, sincronizando o que é rural e urbano.
Canta os grandes poetas da língua portuguesa (Camões, Bocage), além dos poetas que escrevem para ela (Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, Ary dos Santos, Manuel Alegre, O’Neill). Conhece também Alain Oulman, que lhe compõe várias canções.
O seu fado de Peniche é proibido por ser considerado um hino aos que se encontram presos em Peniche, Amália escolhe também um poema de Pedro Homem de Mello Povo que lavas no rio, que ganha uma dimensão política.
Em 1961, casa-se com o seu segundo marido, o engenheiro brasileiro César Seabra, com quem fica até à morte deste, em 1997.
Em 1966, volta aos Estados Unidos, actuando no Lincoln Center, em Nova Iorque, com o maestro André Kostelanetz frente a uma orquestra, num programa essencialmente feito de canções do folclore português numa das noites e num outro, feito de fados (também com orquestra). O mesmo espectáculo foi encenado, dias depois, no Hollywood Bowl. Voltaria ao Lincoln Center em 1968.
Ainda em 1966, o seu amigo Alain Oulman é preso pela PIDE. Amália dá todo o seu apoio ao amigo e tudo faz para que seja libertado e posto na fronteira.
Em 1969, Amália é condecorada pelo novo presidente do conselho, Marcelo Caetano, na Exposição Mundial de Bruxelas antes de iniciar uma grande digressão à União Soviética.
Em 1970 é editado o álbum Com Que Voz.
Em 1971 encontra finalmente Manuel Alegre, exilado em Paris.
Em 1974 grava o álbum Encontro - Amália e Don Byas com o saxofonista Don Byas.
Em 1976 é editado o disco Amália no Canecão gravado no Brasil. No mesmo ano é lançado o álbum Cantigas da boa gente. Fandangueiro e Cantigas numa Língua Antiga são lançados em 1977.
No ano de 1980 é lançado o disco Gostava de Ser Quem Era. Em 1982 é lançado o Máxi-single Senhor Extraterrestre com dois temas de Carlos Paião. É editado o álbum Amália Fado com temas de Frederico Valério.
Em 1983 é editado o álbum Lágrima a que se segue Amália na Broadway em 1984.
Em 1985 obtém grande sucesso a colectânea O Melhor de Amália: Estranha forma de vida. É lançado um novo volume: O Melhor de Amália, vol. 2: Tudo isto é fado.
É condecorada com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então presidente da República, Mário Soares. Ao mesmo tempo, atravessa dissabores financeiros que a obrigam a desfazer-se de algum do seu património.
Em 1990, em França, depois da Ordem das Artes e das Letras, recebe, desta vez das mãos do presidente Mitterrand, a Légion d'Honneur.
Ao longo dos anos que passam, vê desaparecer o seu compositor Alain Oulman, o seu poeta David Mourão-Ferreira e o seu marido, César Seabra, com quem era casada há 36 anos, e que morre em 1997.
Em 1997 é editado pela Valentim de Carvalho o álbum Segredo com gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975. É ainda publicado o livro (Versos) com os seus poemas. É-lhe feita uma homenagem nacional na Exposição Mundial de Lisboa (Expo 98).
Tumulo Amalia Rodrigues no Panteão Nacional
Em Abril de 1999, Amália desloca-se pela última vez a Paris, sendo condecorada na Cinemateca Francesa, por os muitos espectáculos que deu naquela cidade e, dever-se a ela o facto da França começar a apreciar o Fado. Já ligeiramente debilitada, agradeceu aos franceses o facto de se ter começado a projectar no mundo, pois era a partir de França que os seus discos começaram a espalhar-se.
A 6 de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre, em sua casa, repentinamente, ao início da manhã, com 79 anos, poucas horas depois de regressar da sua casa de férias no litoral alentejano. Imediatamente, o então primeiro-ministro, António Guterres, decreta Luto Nacional por três dias. No seu funeral centenas de milhares de lisboetas descem à rua para lhe prestar uma última homenagem. Foi sepultada no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Dois anos depois, em Julho de 2001, o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional, em Lisboa. (após pressão dos seus admiradores e uma modificação da lei que exigia um mínimo de quatro anos antes da trasladação), onde repousam as personalidades consideradas expoentes máximos da nacionalidade.
Sabe-se então que Amália, vista por muitos como um dos símbolos da ditadura ("Fado, Fátima e Futebol"), colaborara economicamente com o Partido Comunista Português quando este era clandestino. Amália Rodrigues representou Portugal em todo o mundo, de Lisboa ao Rio de Janeiro, de Nova Iorque a Roma, de Tóquio à União Soviética, do México a Londres, de Madrid a Paris (onde actuou tantas vezes no prestigiosíssimo Olympia).

sábado, 17 de setembro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


Desafios da Pobreza

Este livro é a tese de Doutoramento do professor Luís Capucha e, trata essencialmente dos grandes desafios da pobreza. Estudo profundo sobre os problemas da pobreza na sociedade actual. Conforme refere, Luís Capucha, este livro trata "dos progressos feitos pelas ciências sociais na compreensão do fenómeno da exclusão. Prossegue, ultrapassando a frieza dos números, com a identificação e análise dos factores que produzem e dos diferentes modos como as pessoas se adaptam à dureza das condições das suas vidas. Aborda, igualmente, os efeitos sociais, culturais, políticos e económicos gerados pela sua persistência. Constitui, por isso, uma referência indispensável para pensar as orientações e prioridades políticas capazes de sustentarem uma batalha de fundo a favor da justiça, da solidariedade e do desenvolvimento social."
Livro publicado pela Celta Editora, em 2005, com 365 páginas, um livro a ler, para os cidadãos em geral, e sociólogos e investigadores em particular.



Índice


 1
Sociedade sem pobreza: utopia ou projecto?
O modelo social europeu e a luta contra a pobreza
Globalização, nova economia e pobreza na Europa
Opções políticas em aberto na Europa
Um objectivo estratégico e um método para avançar

2
À volta dos conceitos
Revisitando os conceitos de pobreza
Desenvolvimentos conceptuais recentes
Exclusão social
A noção de modos de vida e o desenvolvimento da pesquisa sobre a pobreza e a exclusão social

3
Factores, categorias e modos de vida da pobreza em Portugal
Factores de pobreza e exclusão: evolução recente
Categorias mais vulneráveis à pobreza
Modos de vida da pobreza em Portugal

4
Para uma sociedade sem pobreza
O problema do atraso
Políticas inclusivas e políticas para a inclusão
Primeiro exemplo: Rendimento Mínimo Garantido
Segundo exemplo: reabilitação de pessoas com deficiência e acesso ao mercado de emprego

Conclusão

Referências bibliográficas

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Poeta é um fingidor



Falas de Civilização, e de não Dever Ser

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!


 
Análise do poema "falas de civilização..."

O poema que se inicia com "Falas de civilização..." é um poema de Alberto Caeiro, não datado, e que ao que se convencionou chamar os "Poemas Inconjuntos". Os "Poemas Inconjuntos" são poemas que ficaram fora do grupo do "Guardador de Rebanhos" e também fora do conjunto "Pastor Amoroso".

A característica comum a todos os "Poemas Inconjuntos" é precisamente o facto de não pertencerem a nenhuma estrutura temática definida, sendo como que poemas soltos, da autoria do mesmo autor - Alberto Caeiro - mas que não pertenciam pela sua natureza a nenhum dos outros dois conjuntos mais tematicamente fixos: o livro "O Guardador de Rebanhos" (em que o poeta fala de si próprio e da sua maneira de ver o mundo) e os poemas do "Pastor Amoroso" (em que o poeta fala da sua definição de amor e que são, por definição, poemas tardios ou "decadentes").

É compreensível, assim, que um "Poema Inconjunto" possa ter todas as características comuns aos poemas mais conhecidos de Alberto Caeiro, nomeadamente a linguagem simples e pouco adjectivada, a propensão para a recusa da inteligência e o reforço da importância dos sentidos quando contrapostos com a análise racional.

No poema em análise existe um diálogo, em que ouvimos apenas a voz de Caeiro, mas que adivinhamos ser de alguém que o terá interpelado. A questão é complexa - sobre a "civilização" e sobre "o dever ser". Caeiro, na sua típica postura simples e natural, ouve mas não ouve. "Escuto sem te ouvir" - diz o Mestre Caeiro, respondendo para si mesmo. Perante o desejo de mudança que lhe é comunicado pelo seu interlocutor, a sua resposta é a única que lhe é possível: "Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo / Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres". Ou seja, na sua visão do mundo, as coisas existem mas não têm um significado intrínseco - pelo que é de todo pouco recomendável que os homens tentem moldar a natureza à sua maneira. A natureza existe sempre só por si própria, são os homens que dão nomes às coisas, aos fenómenos (naturais ou sociais), quando na realidade nada existe para além do que nos chega pelos sentidos.

Caeiro é - não por coincidência - um nome que invoca o branco da cal. O branco, em Caeiro, significa a limpeza de todos os significados. Até os seus versos são brancos, sem rima. O homem, para Caeiro, não deve pensar, só deve observar e tomar assim a natureza como aquilo que lhe chega aos olhos, ao nariz, às mãos, à boca e aos ouvidos. Pensar é estar doente dos sentidos, diz Caeiro. Nesta frase resume-se na perfeição todo o seu método, toda a sua filosofia.
 Aliás, o aviso no final do poema é dirigido mesmo a todos os que, ao contrário dele, insistem em pensar e não querem apenas ver: "Ai de ti e de todos que levam a vida / A querer inventar a máquina de fazer felicidade!"
 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: INDICADORES SOCIAIS 2009 - CULTURA E LAZER


Publicado pelo INE, apresentamos alguns indicadores de carácter social e que permite traçar um retrato social da população residente em Portugal, bem como propiciar uma leitura dos principais desenvolvimentos nos últimos anos neste domínio.

CULTURA E LAZER


Em 2009
    -  Diminuição do número de títulos de jornais
    -  Diminuição do número de sessões e de espectadores de espectáculos ao vivo
    -  Aumento do número de visitantes de museus
    -  Diminuição da despesa média por viagem de lazer, recreio e férias

Foram editados em Portugal 33 títulos de jornais diários (mais um do que no ano anterior) e 681 títulos de jornais não diários (menos 39 do que em 2008). A tiragem total dos jornais (diários e não diários), bem como a circulação média por edição, apresentaram decréscimos de respectivamente, 12,6% e 9,8%, em relação ao ano anterior.

No mesmo período, o número de sessões de espectáculos ao vivo diminuiu 5,8% verificando-se, de igual forma, um decréscimo no número de espectadores ( -8,7%). Esta diminuição do número de espectadores foi comum a quase todos os tipos de espectáculos ao vivo, exceptuando-se nos espectáculos de Ópera (que contribuiram com 1% para o número total de espectadores), onde tiveram um crescimento de 6,7%.
A oferta de sessões de cinema aumentou 1%, tendo o número de espectadores diminuído 1,7%. No entanto, as receitas geradas nesse ano cresceram 5,6%.

Os museus receberam mais de 9,5 milhões de visitantes, o que representa um crescimento de 13,9%, face ao ano anterior. Para este aumenyo contribuiram, particularmente, os Museus de Arte, os Museus especializados e os Museus de História que, com um aumento de 13,4% garantiram 67% do número total de visitantes a museus. Porém, am alguns museus menos visitados foram registados acréscimos significativos: Museus de Ciências Naturais e História Natural ( +44,4%) ou os Museus de Território ( +40,3%). A excepção foi constítuída pelos Museus de Etnografia e Antropologia onde foi registado um decréscimo de 11%.

A despesa média por viagem de lazer, recreio e férias foi de 264 euros em viagens de pelo menos uma noite e de 475 em viagens de quatro e mais noites, o que representa, face ao ano anterior uma diminuição de respectivamente, 16% e 12%.

Em termos evolutivos (2003 a 2009):

- O número de títulos de jornais, diários e não diários, passou de 753 para 714 ( -5,2%)

- O número de sessões de espectáculos ao vivo cresceu cerca de 90% e o número de espectadores 118,6%, particularmente devido aos espectáculos de música e dança, com crescimento de 195,4% no número de sessões e de 219% no número de espectadores

- A despesa média por viagem de lazer, recreio e férias de pelo menos uma noite cresceu 25,5%, enquanto a de viagens pelos mesmo motivos, de quatro e mais noites cresceu 31,3%.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: INDICADORES SOCIAIS 2009 - JUSTIÇA


Publicado pelo INE, apresentamos alguns indicadores de carácter social e que permite traçar um retrato social da população residente em Portugal, bem como propiciar uma leitura dos principais desenvolvimentos nos últimos anos neste domínio.

JUSTIÇA


Em 2009
    -  Aumento do número de Magistrados Judiciais e do Ministério Público
    -  Diminuição do número de crimes registados pelas autoridades policiais
    -  Diminuição do número de crimes de condução com taxa de áçcool igual ou superior a 1,2 gramas por litro

Existiam 1.969 Magistrados Judiciais, dos quais 53% eram mulheres, e 1.429 Magistrados do Ministério Público, dos quais 58% eram mulheres. Estes número representavam respectivamente, + 2,6% e + 5,7% de Magistrados do que no ano anterior.

A diminuição de 1,0% verificada no número de crimes registados pelas autoridades policiais (valor provisório de 427.679) ficou a dever-se ao decréscimo do número de crimes contra o património e de crimes contra o Estado, contrariada, no entanto, pelo aumento do número de crimes contra as pessoas, de crimes contra a vida em sociedade/contra a identidade cultural e integridade pessoal e de crimes previstos em legislação penal avulsa.



O número de crimes de condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 gramas por litro, registados pelas auotridades policiais (20.389), sofreu uma redução de 4,6%, relativamente ao ano anterior.

Dos 126.578 arguidos em processo-crime, na fase de julgamento findos nos tribunais judiciais de 1ª instância, foram condenados 62,4%.
A lotação dos estabelecimentos prisionais era de 11.921 lugares, enquanto a população de reclusos atingiu os 11.105 indivíduos. Destes, 6% eram mulheres.

Em termos evolutivos (2003 a 2009)

- Aumentou o número de Magistrados Judiciais e de Magistrados do Ministério Público, respectivamente, em 20,6% e em 18,7%;

- O número de crimes registados pelas autoridades policiais em 2009, quando comparado com o registado em 2003, aumentou 2,5%;

- No mesmo período, o número de crimes de condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l diminuiu 10,3%;

- A população de reclusos em establecimentos prisionais comuns diminuiu 20%, passando de um total de 13.867 para 11.105 indivíduos.


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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: INDICADORES SOCIAIS 2009 - AMBIENTE



Publicado pelo INE, apresentamos alguns indicadores de carácter social e que permite traçar um retrato social da população residente em Portugal, bem como propiciar uma leitura dos principais desenvolvimentos nos últimos anos neste domínio.

AMBIENTE


Em 2008 (1)
    -  Aumento da despesa consolidada das administrações públicas por habitante, em gestão e protecção do ambiente.
     -  Aumento da despesa dos municípios por habitante, em gestão e protecção do ambiente.

A despesa consolidada das administrações públicas por habitante, em gestão e protecção do ambiente, passou de 113 euros, no ano de 2007, para 123 euros, no ano em análise.

No mesmo período, também a despesa dos municípios por habitante, em gestão e protecção do ambiente, registou um aumento, passando de 55 para 58 euros.

Em termos evolutivos (2003 a 2008):

- A despesa consolidada das administrações públicas por habitante, em gestão e protecção do ambiente, passou de 81 para 123 euros.

- A despesa dos municípios por habitante, em gestão e protecção do ambiente, passou de 57 para 58 euros, não obstante ter apresentado em 2008 o valor de 61 euros.

(1) Último anos disponível

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: INDICADORES SOCIAIS 2009 - SAÚDE


Publicado pelo INE, apresentamos alguns indicadores de carácter social e que permite traçar um retrato social da população residente em Portugal, bem como propiciar uma leitura dos principais desenvolvimentos nos últimos anos neste domínio.

SAÚDE

Em 2009
    -  Aumento do número de médicos e de enfermeiros
    - Diminuição dos casos notificados de tuberculose respiratória
    - Diminuição do número de casos de SIDA diagnosticados neste ano
    - Manutenção das doenças do aparelho circulatório como a principal causa de morte, em Portugal

O número de médicos inscritos na Ordem dos Médicos aumentou 3,0% face ao ano anterior, passando o número de médicos por cada 100.000 habitantes de 366 para 377.
Por outro lado, o número de enfermeiros registou, igualmente, um aumento (5,1%), passando de 534 por cada 100.000 habitantes para 560.

A tuberculose respiratória representava 53,5% das doenças de declaração obrigatória (DDO) notificados no ano. Verificou-se, no entanto, uma diminuição de 7,7% no número de casos notificados relativamente ao ano anterior. Por outro lado, as hipatites B e C, não obstante representarem em conjunto 4,4% do total das DDO, aumentaram respectivamente 26,4% e 84,8%. Foram diagnosticados, nesse ano, 297 casos de SIDA, quando no ano anterior haviam sido diagnosticados 543 casos.

As doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por cerca de 32% dos óbitos de residentes ocorridos em Portugal no ano em análise, não obstante o decréscimo de 1,0%, relativamente ao ano anterior.


Em termos evolutivos (2003 a 2009):

   - Passaram a existir mais 48 médicos e mais 141 enfermeiros inscritos nas respectivas Ordens, por cada 100.000 habitantes, isto é, respectivamente mais 14,6% e 33,6%.

   - Verificou-se um decréscimo de 36,3% no número de notificações de casos detuberculose respiratória (menos 1.055 casos).

   - O número de casos de SIDA notificados registaram um decréscimo de 69% ( - 71,6% para os homens, e - 58,5% para as mulheres)

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: INDICADORES SOCIAIS 2009 - PROTECÇÃO SOCIAL




Publicado pelo INE, apresentamos alguns indicadores de carácter social e que permite traçar um retrato social da população residente em Portugal, bem como propiciar uma leitura dos principais desenvolvimentos nos últimos anos neste domínio.

PROTECÇÃO SOCIAL

Em 2008 (1)
    -  Manutenção da cobertura das despesas pelas receitas
    - Aumento do número de Fundos de Pensões

A despesa da Protecção Social aumentou 3,6%, relativamente ao ano anterior. No entanto, o aumento de 3,4% na receita permitiu que se continuasse a verificar a cobertura da despesa pela receita, iniciada no ano de 2004.

As despesas em prestações sociais representaram, nesse ano, 23,9% do Produto Interno Bruto a preços correntes. Por habitante, as despesas desta natureza situaram-se em 3.750 euros, o que traduz um crescimento de 4,2%, quando comparadas com as do ano anterior (2007).

Cerca de 30%, das receitas da Protecção Social têm origem nas contribuições sociais dos empregadores, 14,9% nas contribuições sociais das pessoas protegidas, 43,8% nas contribuições das administrações públicas e 11,3% nas transferências de outros regimes ou outras receitas.

Existiam no país 1.827.052 beneficiários de pensões de velhice no regime de Segurança Social, o que significa mais de 2,0%, do que em 2007.

Existiam 230 fundos de pensões em 2008, representando um aumento de 2,7%, face ao ano anterior.

Em termos evolutivos (2003 a 2008):

  - A receita e a despesa da Protecção Social cresceram, respectivamente, 35,1% e 27,9%, no ano de 2003 a despesa da Protecção Social representava 100,7% da receita, enquanto em 2008 esta proporção era de 95,3%.

(1) Último anos disponível

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