terça-feira, 14 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORG SIMMEL (n. 01 Mar.1858; m. 28 Set.1918)



Georg Simmel, nasceu em 01 de Março de 1858, em Berlim. Foi um sociólogo alemão. Professor universitário admirado pelos seus alunos, sempre teve dificuldade em encontrar um lugar no seio da rígida academia do seu tempo.
Filho de Edward Simmel e Flora Bodstein, Georg Simmel foi o último dos sete filhos do casal com ascendência judia tanto pelo lado do pai como da mãe.
Em 1874 Edward Simmel morre e Julius Friedländer, amigo da família, torna-se tutor de Georg tendo-lhe, mais tarde, deixado uma herança expressiva a qual lhe permitiu seguir a vida académica.
Diplomou-se na Universidade de Berlim passando pelos cursos de filosofia. Sua tese de doutorado, também em filosofia, levou o título de A natureza da matéria segundo a monadologia física de Kant e rendeu-lhe o título no ano de 1881.
Em 1885 foi designado como Privatdozent na mesma Universidade de Berlim e ganhava apenas o que vinha das taxas pagas pelos estudantes que se inscreviam em seus cursos. Em 1901, tornou-se ainda "professor extraordinário", mas jamais foi incorporado de modo formal e definitivo na academia berlinense.
Em 1890 casou-se com Gertrud Kinel, diplomada também em Berlim, de família católica. Os dois não tiveram filhos.
Em 1912, ele foi nomeado professor em Estrasburgo, então uma cidade que pertencia ao Império Germânico. No entanto, o autor faleceu em 1917, aos 60 anos de idade.
Muito antes do grande tratado sociológico de Max Weber – Economia e Sociedade –, a Alemanha já conhecia o desenvolvimento consistente de uma discussão epistemológica voltada para a determinação do objecto, métodos e temas da ciência sociológica: reunindo diversos escritos produzidos em momentos anteriores, Georg Simmel apresentou sua "Soziologie" em 10 capítulos (e diversos outros excursos) no ano de 1908 e contribuiu decisivamente para a consolidação desta ciência na Alemanha.
Nesta obra, ele trata especificamente da sociologia (Capítulo 01 - O problema da sociologia) e aprofunda a análise das formas de sociação (objecto da sociologia), como a dominação (capítulo 03), o conflito (capítulo 04), o segredo (capítulo 05), os círculos sociais (capítulo 06) e a pobreza (capítulo 07). Ao mesmo tempo, reflecte sobre os determinantes quantitativos da vida social (capítulo 02), bem como sobre a relação entre a vida grupal e a individualidade (capítulo 10).
Simmel desenvolveu a sociologia formal, ou das formas sociais, influenciado pela filosofia kantiana (o neo-kantismo era uma corrente muito forte na Alemanha da época) que distinguia a forma do conteúdo dos objectos de estudo do conhecimento humano. Tal distinção pretendia tornar possível o entendimento da vida social já que no processo de sociação (Vergesellschaftung, termo que cunhou para o estudo da sociologia) o invariante eram as formas em que os indivíduos se agregavam e não os indivíduos em si.
Os processos qualitativos, no entanto, que assumiam tais formas também deveriam ser estudados pela sociologia geral, subproduto da formal, como a concebia Simmel. O autor não conferia aos grupos sociais unidades hipostasiadas, super-valorizadas com relação ao indivíduo (um distanciamento seu com relação a Durkheim, por exemplo). Antes via neste o fundamento dos grupos, daí que as formas para Simmel constituem-se em um processo de interacção entre tais indivíduos, seja por aproximação, seja pelo distanciamento, competição, subordinação, etc.
As principais formas de sociação estudadas por Simmel em sua obra são:

  • A determinação quantitativa do grupo: investigação entre o número de indivíduos no seio das formas de vida colectiva, ou seja, o modo como o aspecto quantitativo afecta o tipo de relação social existente. Neste tópico, Simmel mostrou que estar isolado, em numa relação exclusiva entre duas pessoas e, por fim, entre três, produz diferentes tipos de interacção entre as pessoas.
  • Dominação e subordinação: as relações de poder não são unilaterais e é preciso explicar como as formas de comando e obediência estão relacionadas. Dentre os tipos de relação de poder, Simmel destacou a obediência do grupo a um indivíduo, a dominação do grupo ou a dominação de regras impessoais.
  • O conflito: os indivíduos vivem em relações de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. Seriam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos, portanto, numa função positiva de superação das divergências. Influenciou assim as concepções do conflito presentes na obra de Lewys Coser e Ralf Dahrendorf.
  • Pobreza: constitui um tipo de relação na qual o indivíduo acha-se na dependência de outros, provocando, ao mesmo tempo, a necessidade de assegurar o socorro social.
  • A individualidade: ela pode ser de dois tipos. Sua forma quantitativa significa que todo indivíduo possui a mesma dignidade formal, ou seja, são iguais entre si. Mas, do ponto de vista qualitativo, todos procuram afirmar sua singularidade, sua personalidade, diferenciando-se dos demais.
Assim, apesar do seu carácter fragmentado, o livro "Sociologia" apresentou lançou as bases da orientação hermenêutica de sociologia (depois retomada e aprofundada por Max Weber), bem como explorou importantes temáticas da análise sociológica, como a questão do indivíduo e dos grupos sociais. Muitos entendem que sua abordagem foi vital para o desenvolvimento do que ficou conhecido como microssociologia, uma análise dos fenómenos no nível das interacções directas entre as pessoas.
Morreu a 28 de Setembro de 1918, em Estrasburgo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Às Voltas com a Memória: ZÉ BETO (n. 21 Fev. 1960; m. 10 Ago. 1990)


José Alberto Teixeira Ferreirinha – ZÉ BETO, o guarda-redes que veio do mar.
Nasceu em Matosinhos, a 21 de Fevereiro de 1960, no ceio de uma família de pescadores. Foi nas ruas da Vila que deu os primeiros pontapés na bola, por vezes uma simples bola de trapos, pois o dinheiro não dava para mais. Aos 5 anos a família Ferreirinha mudou-se para Leça, mas Zé Beto nunca perdeu o contacto com os antigos amigos de rua com quem deu os primeiros toques na redondinha. Mais tarde foram viver para a cidade do Porto. Foi aqui que a vida de Zé Beto entrou numa fase mais instável, não gostava da escola, chegando até a reprovar por faltas. Logo que terminou a Escola Preparatória inscreveu-se num curso de electromecânica e mais tarde de serralheiro. Tudo isto em vão, o puto continuava a não gostar de estudar, acabando por ir trabalhar para as obras.
O futebol surgiu na sua vida por esta altura. A convite de um amigo foi treinar para um pequeno clube chamado Pasteleira. O mais difícil foi convencer o pai, mas depois de muita insistência lá conseguiu o seu apoio, mas ficando acordado que só haveria aprovação total após a observação de um dos seus treinos. Assim aconteceu, no final do treino disse-lhe mais ou menos isto: - Tu não gostas da escola, mudas de emprego como quem muda de camisa, portanto tens o meu aval, vai tentar o futebol. Zé Beto ficou louco de contente, o pai tinha concluído que afinal o puto tinha jeito para a bola. Tornou-se o seu principal apoiante e o seu treinador particular a tempo inteiro.
Os dirigentes do Pasteleira ficaram radiantes com o aval do pai, pois tinham reparado que o miúdo tinha garra e habilidade para defender as redes do clube. Contudo, ainda faltava resolver um pormenor. O miúdo ainda não tinha idade para jogar pelos juvenis, sendo necessário pedir autorização para que ele pudesse vestir a camisola número um como era desejo de todos em especial do treinador. O pedido foi aceite e o rapaz pode assim envergar a camisola número um e tomar conta da baliza da equipa de juvenis. Desde logo, começou a dar nas vistas e não tardou em despertar a atenção dos responsáveis de outros clubes, entre os quais o Futebol Clube Do Porto.
Após disputa entre Porto e Leixões, o jovem guardião ingressa nos quadros do FCP e de lá só saiu um ano por empréstimo para representar o Beira-Mar. Na época de 1975/76 conseguiu o seu primeiro título, jogava na altura nos juvenis. Foi então que teve também a sua primeira internacionalização, actuando no campeonato europeu e no mundial de juvenis. Até chegar a sénior foi sempre o titular indiscutível das redes portistas. No primeiro ano de sénior, com Fonseca e Tibi pela frente, dois guarda-redes com muita experiência, o jovem Zé Beto foi emprestado ao Beira-Mar por uma temporada, onde rapidamente conquistou a titularidade.
Depois de uma época no clube de Aveiro, regressou ás Antas de onde, entretanto tinha saído o seu amigo Pedroto devido a diferendos entre este e então presidente portista.
Pedroto foi substituído por um Austríaco de nome Stessl, que entre Zé Beto e Fonseca, optou sempre pelo segundo. Foram dois anos de travessia no deserto, no entanto o jovem guarda-redes nunca desistiu nem perdeu o ânimo, entregando-se de corpo e alma nos treinos, confiante de que o seu dia iria chegar. Duas épocas mais tarde, Pinto da Costa assume a presidência do clube e com ele regressa às Antas o Senhor Pedroto. Zé Beto foi titular em todos os jogos da pré-época, até que num jogo com o Boavista se lesiona, adiando assim a sua estreia como titular em jogos oficiais. Triste com o azar que lhe batera à porta, não perdeu o entusiasmo e a garra que o caracterizavam e logo que recuperou da lesão entregou-se ao trabalho procurando recuperar a forma perdida.
Finalmente surge a tão merecida titularidade. Foi num jogo com o Guimarães na época 83/84.
Zé Beto tornou-se no titular indiscutível das redes portistas, as suas exibições enchiam o olho a todos os que assistiam aos jogos do FCP, rapidamente se tornou num ídolo para os adeptos que reclamavam a sua presença na selecção principal. Contudo os seleccionadores sempre preferiram o então guarda-redes do Benfica, Manuel Bento.
Mais tarde surge o castigo da UEFA. Pela primeira vez na sua história, o FCP chega a uma final europeia. Foi uma alegria imensa para todos, que encaravam aquele jogo como uma enorme festa. Mal sabiam o que estava para acontecer. A final foi com a poderosa equipa da Juventus que, desde o início do jogo até final, foi contando com as benesses do árbitro. Essa foi uma noite triste para Zé Beto. Segundo o relatório do arbitro o guarda-redes ter-lhe-á batido com a bandeirola de um dos auxiliares na cabeça. Zé Beto sempre negou esta acusação, no entanto a UEFA não teve contemplações e impediu-o de jogar nas competições europeias durante a época seguinte.
Os anos que se seguiram não se revelaram muito positivos para a carreira do guarda-redes de quem José Maria Pedroto tanto gostava. Perdeu a titularidade para o polaco Mlinarzich.
O pior ainda estava para acontecer. Quando se previa a sua saída das Antas rumo a outro clube, Zé Beto foi vítima de um brutal acidente, a 10 de Agosto de 1990, que lhe roubou a vida e o impediu de finalmente mostrar ao mundo todo o seu talento.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORGE HERBERT MEAD (n. 27 Fev.1863; m. 26 Abr.1931)


Sociólogo, psicólogo social e filósofo norte-americano, George Herbert Mead nasceu em South Hadley, Massachusetts em 27 de Fevereiro de 1863 e morreu em Chicago em 26 de Abril de 1931. Filósofo americano de importância capital para a sociologia, pertencente à Escola de Chicago. Juntamente com William James, Pierce e Dewey, Mead faz parte de uma corrente teórica da filosofia americana denominada de pragmatismo. Herbert Blumer, em 1937 classifica o pensamento de Mead, juntamente com o de vários filósofos e sociólogos, como pertencente a uma linha de pensamento mais geral denominado de interacionismo simbólico.
Entre os teóricos relevantes para sua formação está Wilhelm Wundt (foi o revisor dos primeiros quatro volumes da Völkerpsychologie) através dos seus estudos em Berlim (pós graduação em filosofia e psicologia). Opôs-se ao reducionismo proposto pelos behaviorismo de Watson, posteriormente reapresentado por B. F. Skiner (que consideravam como metafísicos os conceitos de mente, self, consciência).
Compartilhava com Wundt a importância das pesquisas sobre a linguagem no comportamento para conseguir o entendimento do que é a mente, só que para ele a mente era um produto da linguagem ao contrário de Wundt que considerava a linguagem com um produto da mente; Piaget retoma esse problema pesquisando aspectos da relação entre linguagem (aquisição e desempenho) e inteligência, postulando que apesar da relativa independência destas e existência da inteligência pré-verbal. Para ele, é através da função simbólica que o indivíduo atinge (aos 12 anos caracterizando o período das operações formais) a capacidade de raciocinar sobre hipótese e enunciados e não mais sobre objectos postos sobre a mesa ou imediatamente representados.
Considerando os modernos estudiosos da linguagem como o linguista Noam Chomsky e o psicólogo B. F. Skiner (autor de comportamento verbal) podemos afirmar que esse debate ainda perdura caracterizando a Posição Nativista que privilegia o sistema inato para aquisição da linguagem e a Posição Ambientalista que considera que o comportamento verbal é primeiramente aprendido.
Graduou-se em Oberlin, 1883 e não seguiu a carreira esperada no ministério eclesiástico leccionou primeiro numa escola primária. Trabalhou durante três anos no grupo de investigação da Estrada de Ferro Central de Wisconsin. Inscreveu-se para mestrado em filosofia e psicologia em Harvard, 1888 foi tutor de um dos filhos de William James. Estudou com Wilhelm Wundt em Leipzig 1888-89. Teve como supervisor nos seus estudos de doutorado Dilthey (filosofia) com a tese sobre percepção do espaço estudando a relação entre visão e tacto (filósofo dos sentidos).
Foi professor de Filosofia e Psicologia da Universidade de Michigan em 1891 onde conheceu Dewey, da Universidade de Chicago e em 1894, junto com Dewey que era o chefe do departamento de filosofia iniciou o curso de Psicologia Social.
Apesar de ter escrito pouco (todas as suas obras são póstumas e resultam de compilações das suas aulas), deixou marcas influentes para o desenvolvimento do interacionismo simbólico na sociologia norte-americana. Caracterizando a sua sociologia como social behaviourismo (foi Herbert Blumer quem a apelidou de interacionismo simbólico), descreveu o processo pelo qual os atores sociais interagem: o recurso à assunção de papéis sociais, o relevo da comunicação simbólica (com a linguagem e os gestos) e das "conversações internas" com o self onde antecipam as respostas dos outros atores sociais e ensaiam imaginariamente alternativas de conduta.
O self emerge da interacção social. Mead encarou os seres humanos como atores sociais em que o "eu" como eu sou está em contínua interacção com o "eu" como os outros me vêem de tal modo que, segundo este autor, a vida social é um processo de adaptação e ajustamento aos padrões sociais existentes. A conceptualização de Mead acerca da interacção e da organização serviu de base a formulações das ciências sociais bem mais recentes e de correntes tão diversas como a etnometodologia, a sociologia cognitiva ou a fenomenologia.

PRINCIPAIS OBRAS:

1932  The Philosophy of the Present
1934  Mind, Self and Society
1938  The Philosophy of the Act

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


PAULO PEREIRA DE ALMEIDA

Paulo Pereira de Almeida é Professor na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Departamento de Sociologia. É ainda Investigador no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES). As suas áreas de docência e de investigação incluem a Sociologia do Trabalho e das Organizações, as Políticas Públicas de Segurança e Combate à Criminalidade, as Relações Laborais e a Gestão de Recursos Humanos. É ainda Coordenador da Pós-graduação em Sindicalismo e Relações Laborais e Colunista do jornal Diário de Notícias.
É Coordenador do OPBPL – Observatório Português de Boas Práticas Laborais). Foi Vice-Presidente do OSCOT – Observatório para a Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e do ITD – Instituto Transatlântico Democrático e Presidente de Associações Profissionais nas Áreas da Organização e da Gestão de Recursos Humanos. Ele é o autor do estudo "A vitimação em Portugal".

Publicações

2011 “Um Mundo Perigoso: segurança e informações no século XXI”.
2010 “Trabalho Moderno, Tecnologia e Organizações”, Porto, Edições Afrontamento, Antologia em Co-autoria com João Freire, ISBN 9789723611052.
2009 “O Sindicato-Empresa: uma nova via para o sindicalismo”, Lisboa e São Paulo, Editora Bnomics, ISBN 9789898184443.
2009 “The Service Enterprise”, New York, VDM Verlag Publishing, ISBN 9783639177022.
2009 “Segurança e Defesa no Espaço Lusófono”.
2009 “Observatório de Segurança: uma reflexão”, Segurança e Defesa, n.º 9, pp. 50-51.
2008 “Políticas de Segurança: visão de futuro”, Segurança e Defesa, n.º 8, pp. 50-55.
2008 “Technology and the ‘servicelization’ of labour: from immateriality to innovative uncertainty”, Portuguese Journal of Social Science, vol. 7, n.º 2, pp. 103-114.
2008 “Segurança e Resposta a Crises: análise ao caso dos EUA”, Segurança e Defesa, n.º 7, pp. 109-111.
2008 “Comunicação Organizacional: um instrumento para a gestão”, Dirigir, n.º 101, pp. 3-6.
2006 “A estratégia de defesa dos Estados Unidos da América no Mundo”, Segurança e Defesa, n.º 1, pp. 3-8.
2006 “Estratégias e Segurança dos Estados Unidos da América na Relação Transatlântica: a concertação necessária”, Finisterra, nºs 53-54, pp. 49-54.
2006 “Competência no trabalho e cultura de qualidade nos serviços públicos”, Sociedade e Trabalho, n.º 29, pp. 68-79.
2005 “The ‘servicelization’ of societies: towards new paradigms in work organization”, Portuguese Journal of Social Science, vol. 4, n.º 2, pp. 63-79.
2005 “Trabalho, Serviço e Serviços", Porto, Edições Afrontamento, ISBN 9789723607505.
2005 “Ética com valores: um desafio mobilizador”, Dirigir, n.º 92, pp. 10-11.
2005 “Empresas e modelo da competência: o futuro dos serviços e das empresas no século XXI”, Dirigir, n.º 91, pp. 47-52.
2005 “Governação, qualificação dos serviços públicos e performance”, Economia Pura, n.º 70, pp. 86-90.
2005 “Empresas de serviço público: mudar para uma cultura de responsabilidade”, Pessoal, n.º 32, pp. 50-52.
2004 “A Era da Competência", Lisboa, RH Editora, ISBN 9789728871024.
2001 “Banca e Bancários em Portugal", Oeiras, Celta Editora, ISBN 9789728027766

sexta-feira, 27 de maio de 2011

À Volta com os Pensamentos...



Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Às Voltas com a Memória: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA (n. 09 Abr. 1942; m. 16 Out. 1982)


ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira, nasceu em Avintes, 9 de Abril de 1942. Foi um dos mais importantes intérpretes do fado de Coimbra. As baladas “Trova do Vento que Passa” ou “Canção com Lágrimas” são marcos da canção de intervenção. Cantou poemas de Manuel Alegre e António Gedeão. As suas músicas provam que, na arte, não basta agradar: é preciso tocar um nervo público. As suas canções de intervenção foram das mais criativas de sempre. Adriano Correia de Oliveira pertenceu ao grupo dos transgressores. Quebrou todas as regras e arriscou o próprio físico. Para ele, a música tinha uma função social: devia denunciar injustiças ou ser um repositório de emoções. Intérprete do Fado de Coimbra e músico de intervenção, foi criado no seio de uma família tradicionalista e católica, na margem esquerda do Douro, num ambiente que descreveria como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Durante o período académico foi republico, na Real República Ras-Teparta, solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 1962, contra o Salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de símbolo da resistência dos estudantes à ditadura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Matilde Leite, com quem teria dois filhos, Isabel, em 1967 e José Manuel, em 1971. Em 1967 é chamado a cumprir o Serviço Militar, ficando a uma disciplina de se formar em Direito. Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FILFeira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 sai O Canto e as Armas, onde canta de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Nesse ano recebe o Prémio Pozal Domingues. Lança, em 1970, Cantaremos. Em 1971 é editado o disco Gente d'Aqui e de Agora, com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a editora Edicta, com Carlos Vargas. Em 1974 torna-se produtor na Editora Orfeu. Em 1975 lançou Que Nunca Mais, com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca, com o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Após o 25 de Abril de 1974, é um dos fundadores da Cooperativa Cantabril. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, para no ano seguinte, em ruptura com a Cantabril, ingressar na Cooperativa Era Nova.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, a 16 de Outubro de 1982  (40 anos), nos braços da mãe.

À Volta com os Pensamentos...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



GUSTAVO CARDOSO

É docente no Departamento de Ciências e Tecnologias de Informação do ISCTE em Lisboa, Portugal. Lecciona nas em diversas licenciaturas do ISCTE, nos Mestrados de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação e Bibliotecas Digitais e na Pós-Graduação de Jornalismo ISCTE/ESCS.
É membro do editorial board da revista académica ICS – Information, Communication & Society - e do conselho técnico científico da revista "Trajectos - Revista de Comunicação, Cultura e Educação" do ISCTE e da revista Observatório do Obercom - Observatório da Comunicação. Ainda na área editorial coordenou, em conjunto com José Manuel Paquete de Oliveira, a tradução portuguesa das obras de Manuel Castells, "Era da Informação" e "Galáxia Internet", publicadas pela Fundação Calouste Gulbenkian e a colectânea "Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação" (Quimera, 2004).
Coordena a participação portuguesa em várias redes de investigação europeias COST-ESF, cujas temáticas se enquadram desde a relação dos media e democracia, à influência mútua entre mass media e internet, ou aos media no campo da prospectiva e à relação entre mass media e a construção social de ameaças. É também director do Centro de Tecnologias Audiovisuais do ISCTE (CAV_ISCTE).
Em termos de colaborações docentes e de investigação destacam-se o CIES-ISCTE, a Universidade Católica de Milão, o Internet Interdisciplinary Institute (IN3-UOC) em Barcelona e a rede de investigação World Internet Project sediada na USC Annenberg School of Communication.
No que respeita a publicações, publicou na Celta "Para Uma Sociologia do Ciberespaço". O seu último livro intitula-se "O que é Internet" (Quimera, 2003) preparando a publicação para o primeiro trimestre de 2005 de uma obra, em conjunto com António Firmino da Costa, Carmo Gomes, Cristina Conceição e Manuel Castells, resultante da investigação sobre a Sociedade em Rede em Portugal (português, english).
Nasceu em Portugal em 1969. Estudou no ISCTE Organização e Gestão de Empresas e obteve em 1996 o Mestrado em Sociologia. Gustavo Cardoso iniciou a sua carreira académica em 1995 no Departamento de Ciências e Tecnologias de Informação e no ano de 1997 passou igualmente a leccionar optativas na área da Sociologia da Comunicação no Mestrado do Departamento de sociologia. No âmbito dos dois departamentos realiza trabalho de orientação de teses de Licenciatura nas áreas das Ciências e Sociologias da Informação e Comunicação. Encontra-se actualmente a finalizar o seu Doutoramento.
Outros campos de interesse na área das Ciências da Informação e do estudo dos Mass Media são o discurso do Cinema e da Banda Desenhada sobre o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação na mudança social.

Trabalhos em curso ou publicados:

  • Tendências e Contradições no Sistema Televisivo: Da Televisão Interactiva à Televisão em Rede. (A publicar)
  • Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, Lisboa, Quimera (2004)
  • Trends and contradictions in the broadcasting System, From Interactive to Networked Television em Fausto Colombo (ed), Tv and Interactivity in Europe. Mythologies, theoretical perspectives, real experiences, Vita e Pensiero, Milano 2004 (pdf file)*
  • Media Driven Mobilization and Online Protest. The Pro-East Timor Movement, em Cyberprotest, De Donk, Loader and Rucht ed., London: Routledge (em co-autoria, 2004).
  • O que é Internet, Lisboa, Quimera (2003)
  • Feel Like Going Online? Internet Mediated Communication in Portugal, Information, Communication & Society, 6.1., London: Routledge (2003).
  • Online/Offline: Can you Tell the Difference? Portuguese Views on Internet Mediated Communication Comunicazioni Sociali, Milan, Catolic University of Milan, 2002 (em co-autoria).
  • As Cidades Digitais ou Era da Informação, Cadernos de Economia, 58, Lisboa, 2002.(html file)
  • Preservação de publicações electrónicas na Internet: os arquivos imperfeitos, Cadernos da Biblioteca Nacional (em co-autoria)
  • A Comunicação Política na Sociedade de Informação: Elites parlamentares e a Internet (em co-autoria). II Congresso da SOPCOM, 2001. (em co-autoria, no prelo)
  • Internet Gatekeeping: Reguladores e Guardiões. Contributos para uma regulação da Internet, Observatório n.º 4, Lisboa, OBERCOM, 2001.
  • Os Jogos Multimédia como Meta-Sistema de Entretenimento, Observatório n.º 1, Lisboa, OBERCOM, 2000.
  • As Causas das Questões ou o Estado à Beira da Sociedade de Informação, Sociologia Problemas e Práticas n.º 30, Lisboa, 1999.
  • Para uma Sociologia do Ciberespaço, Oeiras, Celta Editora, 1998.

Às Voltas com a Memória: FRANCISCO STROMP (n. 21 Mai. 1892; m. 01 Jul. 1930)



Francisco Stromp nasceu no dia 21 de Maio de 1892, no Largo do Intendente em Lisboa, e foi o primeiro grande símbolo do Sporting. Com três anos Francisco adoeceu e os médicos amigos e colegas de profissão do pai, aconselharam a família a sair de Lisboa, pois o menino precisava de ar livre. Mudaram-se para o Lumiar, que nessa época ficava fora da cidade. Foi lá que conheceu José Alvalade com o qual fundaria o Sporting Clube de Portugal em 1906, chegando a desempenhar as funções de vice-presidente do Clube. Em 1908, Francisco Stromp tinha 16 anos quando se estreou na equipa principal do Sporting, na qual se manteve até à época de 1923/24. Ao longo da sua carreira disputou mais de cem jogos na categoria de honra, e capitaneou a equipa dez anos, durante os quais foi Campeão de Portugal na temporada de 1922/23 e quatro vezes Campeão de Lisboa. Numa altura em que a figura do treinador ainda não existia, era o Capitão Geral que orientava a equipa e tomava as decisões necessárias dentro do campo. Pode-se pois dizer que Francisco Stromp foi o primeiro treinador Campeão no Sporting, sendo o responsável pelo primeiro Campeonato de Lisboa conquistado em 1915. Dentro de campo ocupou as posições de médio-direito e avançado-centro, tendo representado as diversas Selecções de Lisboa desse tempo, incluindo a primeira a jogar no estrangeiro, que no dia 27 de Agosto de 1910, ganhou em Espanha ao Huelva por 4-0, com 2 golos de sua autoria, e a que se deslocou ao Brasil em 1913. Apesar de não ser um atleta ecléctico como o seu irmão António, também foi campeão nacional de Lançamento de Disco. Francisco Stromp viveu quase exclusivamente para o Sporting, nem namoradas, nem política, nem estudos, nem nada, o clube era a sua grande e única paixão, chegando ao ponto de chorar nas prelecções, ou no intervalo dos jogos, quando se dirigia aos colegas de equipa, apelando ao seu sportinguismo para chegarem às vitórias. Foi também um cavalheiro sendo respeitado e admirado por adversários e rivais. A 1 de Julho de 1930 faleceu por vontade própria, na agonia duma doença grave, escolhendo o dia em que o Sporting festejava o seu 24º aniversário, e ficou perpetuamente como o sócio nº. 3, número que possuía na altura. A 18 de Dezembro de 1962 um grupo de ilustres sportinguistas decidiu constituir-se de forma a promover iniciativas que dentro do espírito "leonino", servissem para engrandecer e prestigiar o Sporting. Francisco Silva, um dos promotores do movimento, sugeriu perante a aceitação unânime, que o nome de Francisco Stromp servisse de patrono ao grupo. Foi assim que nasceu o Grupo Stromp, considerado a "reserva moral do Sporting", cuja mais significativa das iniciativas, é a atribuição anual dos Prémios Stromp, que visam distinguir todos os que mais se destacam ao serviço do Clube nas suas diversas áreas. A 26 de Outubro de 1990 foi-lhe concedida, a título póstumo, a Medalha de Mérito Desportivo. A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua na zona do Estádio José Alvalade, onde foi colocado um busto evocativo deste símbolo eterno do Sporting Clube de Portugal.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: HERBERT MARCUSE (n. 19 Jul.1898; m. 29 Jul.1979)



Herbert Marcuse nasceu a 19 de Julho de 1898, em Berlim, capital da Alemanha, filho de pais judeus. Estudou literatura e filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu filósofos como Martin Heidegger, um dos maiores pensadores alemães na época. Aos 24 anos, voltou à cidade natal, onde trabalhou na venda de livros. Retornou a Freiburg para ser orientado por Heidegger no seu doutoramento sobre o filósofo Hegel.
Quatro anos depois, em 1933, por causa do governo nazista, Marcuse não foi autorizado a completar o seu projecto. Assim, foi trabalhar em Frankfurt, no Instituto de Pesquisa Social. Ainda no mesmo ano, imigra da Alemanha para a Suíça, indo em seguida para os Estados Unidos, onde obteve a cidadania em 1940.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Marcuse trabalhou para o governo norte-americano, analisando relatórios do serviço de espionagem sobre a Alemanha, actividade que durou até 1951.
No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política, primeiro na Colúmbia e em Harvard, depois em Brandeis, onde ficou de 1954 até 1965. Já perto de se aposentar, foi leccionar na Universidade da Califórnia, em San Diego.
As suas críticas à sociedade capitalista, em especial na obra "Eros e Civilização", de 1955, e em "O homem unidimensional", de 1964, fizeram eco nos movimentos estudantis de esquerda dos anos sessenta.
"O homem unidimensional" pode ser visto como uma análise das sociedades altamente industrializadas. Marcuse critica tanto os países comunistas quanto os capitalistas, pelas suas falhas no processo democrático: nenhum dos dois tipos de sociedade foi capaz de dar igualdade de condições para os seus cidadãos.
Ele argumentava que a sociedade industrial avançada criava falsas necessidades que integravam o indivíduo ao sistema de produção e de consumo. A comunicação de massas, cultura, publicidade, administração de empresas e modos de pensamento contemporâneos, apenas reproduziriam o sistema existente e cuidariam para eliminar negatividade, críticas e oposição. O resultado, dizia, era um universo unidimensional de ideias e comportamentos, no qual as verdadeiras aptidões para o pensamento crítico eram anuladas.
Marcuse viveu para assistir e sentir os efeitos do que teorizou: tinha 70 anos quando eclodiu a grande revolta estudantil de 1968, praticamente em todos os países do mundo.
Por sua capacidade de se seduzir seriamente e apoiar os estudantes que protestavam contra a guerra do Vietname (1961-1974) e queriam mudar a sociedade e a política, Marcuse logo ficou conhecido como o "pai da nova esquerda", apelido que ele rejeitava. Fez vários discursos aliciantes nos Estados Unidos e na Europa no fim da década e durante os anos 70. Morreu de enfarto durante uma visita à Alemanha, dez dias depois de completar 81 anos, em 29 de Julho de 1979.