sexta-feira, 27 de maio de 2011

À Volta com os Pensamentos...



Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Às Voltas com a Memória: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA (n. 09 Abr. 1942; m. 16 Out. 1982)


ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira, nasceu em Avintes, 9 de Abril de 1942. Foi um dos mais importantes intérpretes do fado de Coimbra. As baladas “Trova do Vento que Passa” ou “Canção com Lágrimas” são marcos da canção de intervenção. Cantou poemas de Manuel Alegre e António Gedeão. As suas músicas provam que, na arte, não basta agradar: é preciso tocar um nervo público. As suas canções de intervenção foram das mais criativas de sempre. Adriano Correia de Oliveira pertenceu ao grupo dos transgressores. Quebrou todas as regras e arriscou o próprio físico. Para ele, a música tinha uma função social: devia denunciar injustiças ou ser um repositório de emoções. Intérprete do Fado de Coimbra e músico de intervenção, foi criado no seio de uma família tradicionalista e católica, na margem esquerda do Douro, num ambiente que descreveria como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Durante o período académico foi republico, na Real República Ras-Teparta, solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 1962, contra o Salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de símbolo da resistência dos estudantes à ditadura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Matilde Leite, com quem teria dois filhos, Isabel, em 1967 e José Manuel, em 1971. Em 1967 é chamado a cumprir o Serviço Militar, ficando a uma disciplina de se formar em Direito. Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FILFeira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 sai O Canto e as Armas, onde canta de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Nesse ano recebe o Prémio Pozal Domingues. Lança, em 1970, Cantaremos. Em 1971 é editado o disco Gente d'Aqui e de Agora, com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a editora Edicta, com Carlos Vargas. Em 1974 torna-se produtor na Editora Orfeu. Em 1975 lançou Que Nunca Mais, com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca, com o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Após o 25 de Abril de 1974, é um dos fundadores da Cooperativa Cantabril. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, para no ano seguinte, em ruptura com a Cantabril, ingressar na Cooperativa Era Nova.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, a 16 de Outubro de 1982  (40 anos), nos braços da mãe.

À Volta com os Pensamentos...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



GUSTAVO CARDOSO

É docente no Departamento de Ciências e Tecnologias de Informação do ISCTE em Lisboa, Portugal. Lecciona nas em diversas licenciaturas do ISCTE, nos Mestrados de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação e Bibliotecas Digitais e na Pós-Graduação de Jornalismo ISCTE/ESCS.
É membro do editorial board da revista académica ICS – Information, Communication & Society - e do conselho técnico científico da revista "Trajectos - Revista de Comunicação, Cultura e Educação" do ISCTE e da revista Observatório do Obercom - Observatório da Comunicação. Ainda na área editorial coordenou, em conjunto com José Manuel Paquete de Oliveira, a tradução portuguesa das obras de Manuel Castells, "Era da Informação" e "Galáxia Internet", publicadas pela Fundação Calouste Gulbenkian e a colectânea "Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação" (Quimera, 2004).
Coordena a participação portuguesa em várias redes de investigação europeias COST-ESF, cujas temáticas se enquadram desde a relação dos media e democracia, à influência mútua entre mass media e internet, ou aos media no campo da prospectiva e à relação entre mass media e a construção social de ameaças. É também director do Centro de Tecnologias Audiovisuais do ISCTE (CAV_ISCTE).
Em termos de colaborações docentes e de investigação destacam-se o CIES-ISCTE, a Universidade Católica de Milão, o Internet Interdisciplinary Institute (IN3-UOC) em Barcelona e a rede de investigação World Internet Project sediada na USC Annenberg School of Communication.
No que respeita a publicações, publicou na Celta "Para Uma Sociologia do Ciberespaço". O seu último livro intitula-se "O que é Internet" (Quimera, 2003) preparando a publicação para o primeiro trimestre de 2005 de uma obra, em conjunto com António Firmino da Costa, Carmo Gomes, Cristina Conceição e Manuel Castells, resultante da investigação sobre a Sociedade em Rede em Portugal (português, english).
Nasceu em Portugal em 1969. Estudou no ISCTE Organização e Gestão de Empresas e obteve em 1996 o Mestrado em Sociologia. Gustavo Cardoso iniciou a sua carreira académica em 1995 no Departamento de Ciências e Tecnologias de Informação e no ano de 1997 passou igualmente a leccionar optativas na área da Sociologia da Comunicação no Mestrado do Departamento de sociologia. No âmbito dos dois departamentos realiza trabalho de orientação de teses de Licenciatura nas áreas das Ciências e Sociologias da Informação e Comunicação. Encontra-se actualmente a finalizar o seu Doutoramento.
Outros campos de interesse na área das Ciências da Informação e do estudo dos Mass Media são o discurso do Cinema e da Banda Desenhada sobre o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação na mudança social.

Trabalhos em curso ou publicados:

  • Tendências e Contradições no Sistema Televisivo: Da Televisão Interactiva à Televisão em Rede. (A publicar)
  • Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, Lisboa, Quimera (2004)
  • Trends and contradictions in the broadcasting System, From Interactive to Networked Television em Fausto Colombo (ed), Tv and Interactivity in Europe. Mythologies, theoretical perspectives, real experiences, Vita e Pensiero, Milano 2004 (pdf file)*
  • Media Driven Mobilization and Online Protest. The Pro-East Timor Movement, em Cyberprotest, De Donk, Loader and Rucht ed., London: Routledge (em co-autoria, 2004).
  • O que é Internet, Lisboa, Quimera (2003)
  • Feel Like Going Online? Internet Mediated Communication in Portugal, Information, Communication & Society, 6.1., London: Routledge (2003).
  • Online/Offline: Can you Tell the Difference? Portuguese Views on Internet Mediated Communication Comunicazioni Sociali, Milan, Catolic University of Milan, 2002 (em co-autoria).
  • As Cidades Digitais ou Era da Informação, Cadernos de Economia, 58, Lisboa, 2002.(html file)
  • Preservação de publicações electrónicas na Internet: os arquivos imperfeitos, Cadernos da Biblioteca Nacional (em co-autoria)
  • A Comunicação Política na Sociedade de Informação: Elites parlamentares e a Internet (em co-autoria). II Congresso da SOPCOM, 2001. (em co-autoria, no prelo)
  • Internet Gatekeeping: Reguladores e Guardiões. Contributos para uma regulação da Internet, Observatório n.º 4, Lisboa, OBERCOM, 2001.
  • Os Jogos Multimédia como Meta-Sistema de Entretenimento, Observatório n.º 1, Lisboa, OBERCOM, 2000.
  • As Causas das Questões ou o Estado à Beira da Sociedade de Informação, Sociologia Problemas e Práticas n.º 30, Lisboa, 1999.
  • Para uma Sociologia do Ciberespaço, Oeiras, Celta Editora, 1998.

Às Voltas com a Memória: FRANCISCO STROMP (n. 21 Mai. 1892; m. 01 Jul. 1930)



Francisco Stromp nasceu no dia 21 de Maio de 1892, no Largo do Intendente em Lisboa, e foi o primeiro grande símbolo do Sporting. Com três anos Francisco adoeceu e os médicos amigos e colegas de profissão do pai, aconselharam a família a sair de Lisboa, pois o menino precisava de ar livre. Mudaram-se para o Lumiar, que nessa época ficava fora da cidade. Foi lá que conheceu José Alvalade com o qual fundaria o Sporting Clube de Portugal em 1906, chegando a desempenhar as funções de vice-presidente do Clube. Em 1908, Francisco Stromp tinha 16 anos quando se estreou na equipa principal do Sporting, na qual se manteve até à época de 1923/24. Ao longo da sua carreira disputou mais de cem jogos na categoria de honra, e capitaneou a equipa dez anos, durante os quais foi Campeão de Portugal na temporada de 1922/23 e quatro vezes Campeão de Lisboa. Numa altura em que a figura do treinador ainda não existia, era o Capitão Geral que orientava a equipa e tomava as decisões necessárias dentro do campo. Pode-se pois dizer que Francisco Stromp foi o primeiro treinador Campeão no Sporting, sendo o responsável pelo primeiro Campeonato de Lisboa conquistado em 1915. Dentro de campo ocupou as posições de médio-direito e avançado-centro, tendo representado as diversas Selecções de Lisboa desse tempo, incluindo a primeira a jogar no estrangeiro, que no dia 27 de Agosto de 1910, ganhou em Espanha ao Huelva por 4-0, com 2 golos de sua autoria, e a que se deslocou ao Brasil em 1913. Apesar de não ser um atleta ecléctico como o seu irmão António, também foi campeão nacional de Lançamento de Disco. Francisco Stromp viveu quase exclusivamente para o Sporting, nem namoradas, nem política, nem estudos, nem nada, o clube era a sua grande e única paixão, chegando ao ponto de chorar nas prelecções, ou no intervalo dos jogos, quando se dirigia aos colegas de equipa, apelando ao seu sportinguismo para chegarem às vitórias. Foi também um cavalheiro sendo respeitado e admirado por adversários e rivais. A 1 de Julho de 1930 faleceu por vontade própria, na agonia duma doença grave, escolhendo o dia em que o Sporting festejava o seu 24º aniversário, e ficou perpetuamente como o sócio nº. 3, número que possuía na altura. A 18 de Dezembro de 1962 um grupo de ilustres sportinguistas decidiu constituir-se de forma a promover iniciativas que dentro do espírito "leonino", servissem para engrandecer e prestigiar o Sporting. Francisco Silva, um dos promotores do movimento, sugeriu perante a aceitação unânime, que o nome de Francisco Stromp servisse de patrono ao grupo. Foi assim que nasceu o Grupo Stromp, considerado a "reserva moral do Sporting", cuja mais significativa das iniciativas, é a atribuição anual dos Prémios Stromp, que visam distinguir todos os que mais se destacam ao serviço do Clube nas suas diversas áreas. A 26 de Outubro de 1990 foi-lhe concedida, a título póstumo, a Medalha de Mérito Desportivo. A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua na zona do Estádio José Alvalade, onde foi colocado um busto evocativo deste símbolo eterno do Sporting Clube de Portugal.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: HERBERT MARCUSE (n. 19 Jul.1898; m. 29 Jul.1979)



Herbert Marcuse nasceu a 19 de Julho de 1898, em Berlim, capital da Alemanha, filho de pais judeus. Estudou literatura e filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu filósofos como Martin Heidegger, um dos maiores pensadores alemães na época. Aos 24 anos, voltou à cidade natal, onde trabalhou na venda de livros. Retornou a Freiburg para ser orientado por Heidegger no seu doutoramento sobre o filósofo Hegel.
Quatro anos depois, em 1933, por causa do governo nazista, Marcuse não foi autorizado a completar o seu projecto. Assim, foi trabalhar em Frankfurt, no Instituto de Pesquisa Social. Ainda no mesmo ano, imigra da Alemanha para a Suíça, indo em seguida para os Estados Unidos, onde obteve a cidadania em 1940.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Marcuse trabalhou para o governo norte-americano, analisando relatórios do serviço de espionagem sobre a Alemanha, actividade que durou até 1951.
No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política, primeiro na Colúmbia e em Harvard, depois em Brandeis, onde ficou de 1954 até 1965. Já perto de se aposentar, foi leccionar na Universidade da Califórnia, em San Diego.
As suas críticas à sociedade capitalista, em especial na obra "Eros e Civilização", de 1955, e em "O homem unidimensional", de 1964, fizeram eco nos movimentos estudantis de esquerda dos anos sessenta.
"O homem unidimensional" pode ser visto como uma análise das sociedades altamente industrializadas. Marcuse critica tanto os países comunistas quanto os capitalistas, pelas suas falhas no processo democrático: nenhum dos dois tipos de sociedade foi capaz de dar igualdade de condições para os seus cidadãos.
Ele argumentava que a sociedade industrial avançada criava falsas necessidades que integravam o indivíduo ao sistema de produção e de consumo. A comunicação de massas, cultura, publicidade, administração de empresas e modos de pensamento contemporâneos, apenas reproduziriam o sistema existente e cuidariam para eliminar negatividade, críticas e oposição. O resultado, dizia, era um universo unidimensional de ideias e comportamentos, no qual as verdadeiras aptidões para o pensamento crítico eram anuladas.
Marcuse viveu para assistir e sentir os efeitos do que teorizou: tinha 70 anos quando eclodiu a grande revolta estudantil de 1968, praticamente em todos os países do mundo.
Por sua capacidade de se seduzir seriamente e apoiar os estudantes que protestavam contra a guerra do Vietname (1961-1974) e queriam mudar a sociedade e a política, Marcuse logo ficou conhecido como o "pai da nova esquerda", apelido que ele rejeitava. Fez vários discursos aliciantes nos Estados Unidos e na Europa no fim da década e durante os anos 70. Morreu de enfarto durante uma visita à Alemanha, dez dias depois de completar 81 anos, em 29 de Julho de 1979.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Às Voltas com a Memória: JOSÉ TORRES (n. 08 Set. 1938; m. 03 Set. 2010)


José Augusto da Costa Séneca Torres nasceu a 8 de Setembro de 1938 em Torres Novas, tendo-se iniciado no futebol no clube da terra. Com o seu 1 metro e 91, Torres foi um dos avançados mais marcantes na história do futebol português.
Com 20 anos, chega ao Benfica para concorrer com outro histórico do futebol português, José Águas, mas na terceira época no clube já era líder dos goleadores do campeonato com 26 tentos. Formou um ataque demolidor, ao lado de Eusébio, numa equipa onde também brilhavam Coluna, Simões ou José Augusto.
Representou o Benfica  entre 1959  e 1971. Desde cedo deu nas vistas, devido ao seu imponente jogo aéreo. Servindo-se da elevada estatura, o ponta-de-lança ganhou estatuto dentro do Clube e foi, durante a década de 60, titular, actuando ao lado de Eusébio na frente de ataque e sendo apoiado por figuras como Mário Coluna, António Simões e José Augusto. Teve papel activo na presença do Benfica nas finais europeias de 1963, 1965 e 1968, mas não pôde fazer a festa, como tanto desejava.
Foi mais feliz no Nacional da I Divisão, cujo título saboreou por nove vezes. Individualmente teve a sua coroa de glória na temporada de 1962/63, quando se sagrou (com 26 golos) o melhor marcador do Campeonato Nacional
Em 1971, transferiu-se para o Vitória Setúbal e quatro anos depois rumou ao Estoril Praia, onde ficou até 1980 tendo mesmo somado o cargo de treinador ao de jogador. Pôs um ponto final na carreira aos 42 anos com um currículo notável: 217 golos em 384 jogos.
Como treinador esteve ainda no Estrela da Amadora, Varzim e Boavista antes de se dedicar à sua maior paixão além do futebol: a columbofilia.
Ao serviço da Selecção Nacional, Torres fez 14 golos em 34 jogos. Estreou-se a 23 de Janeiro de 63. Esteve no apuramento e na 1ª fase final de um Mundial, disputada por Portugal, Inglaterra'1966, tendo alinhado nos seis jogos da fase final.
Ganhou 9 Campeonatos Nacionais e 6 Taças de Portugal.
Faleceu a 3 de Setembro de 2010, vítima de doença prolongada. José Torres sofria de Alzheimer há vários anos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

À Volta com os Pensamentos...



A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana.
Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal.
Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco.
Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido.
Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


JOSÉ JORGE BARREIROS

José Jorge Fernandes Rodrigues Barreiros é Doutorado em Sociologia pelo ISCTE-IUL. Docente do Departamento de Sociologia deste instituto onde tem desenvolvido, desde 1989, actividade de coordenação e realização de investigação, leccionação em cursos de graduação e pós-graduação e orientação de dissertações em diversas vertentes da área da Comunicação, Informação e Media. Os interesses de leccionação e pesquisa mais recentes relacionam-se com as temáticas: Comunicação, Media, Política e Democracia; Informação, Jornalismo e Media no Contexto das Redes Digitais; Públicos, Media e Audiências; Comunicação, Mediação e Media. É Assistente convidado - ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

Graus Académicos:

1988
Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica
ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Portugal.

1983
Licenciatura em Sociologia
ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Portugal.


Livros publicados/organizados ou edições:
Barreiros, José J. F. R; Fernandes, M. B; Mendes, M. F. 1983. Alguns Aspectos da Vida em Lisboa, 1850-1926. Lisboa: Centro de Estudos de Sociologia e Associação de Estudantes do ISCTE.


Capítulos de livros publicados:
Barreiros, José J. F. R. 1998. "A Roda do Tempo Não Anda para Trás. Prespectivas sobre a Sociedade da Informação", Inter Faces, Out98. Artigo de Opinião.

Barreiros, José J. F. R. 1987. "Auto-estrada Lisboa-Cascais: um atribulado processo de intervenção sócio-urbanística", Sociedade e território, 7.Editora: Afrontamento.


Trabalhos completos/resumidos em eventos sem arbitragem científica:
Barreiros, José J. F. R; Neves, Céu; Belchior, Isabel; Igreja, São; Barroso, Ana C. 1984. "Informação uma Reconstrução da Realidade - Subsídios para a Caracterização da Imprensa Escrita em Portugal", Trabalho apresentado em IV Jornadas de Comunicação do Núcleo de Comunicação Conhecimento e Cultura do CIES/ISCTE, Lisboa.


Apresentação oral de trabalho:
Barreiros, José J. F. R. A Informação e a Comunicação na Administração da Justiça, Justiça e Comunicação Social,Lisboa,2001 (Comunicação).

Barreiros, José J. F. R. Internet in the Building of a Participated Citizenship,Conferência Internacional"World Public Space, the Media and The Information Society",Santiago de Compostela,2000 (Comunicação).Comunicação, a partir do artigo conjunto com José Manuel Paquete de Oliveira e Gustavo Cardoso.

Barreiros, José J. F. R. Audiências, Interesse Público e Mercado, Seminário Internacional "Televisão e Audiências ",Lisboa,2000 (Comunicação).

Barreiros, José J. F. R; Oliveira, J. M. P.; Soares, Tânia M. A Sociedade da Informação em Análise. Aspectos da Realidade da Internet no domínio.pt , IV Congresso de Sociologia da APS,Coimbra,2000 (Comunicação).

Barreiros, José J. F. R; Oliveira, José M. P.. A (in)eficácia da punição face à Cultura do Risco,8º Congresso Internacional da PRI, Prevenção Rodoviária Internacional,Lisboa,1998 (Comunicação).

Barreiros, José J. F. R. Comunicações Comerciais: Competição global, mercado e cidadania, Seminário O Livro Verde das Comunicações Comerciais,Lisboa,1997 (Comunicação).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Momentos da Vida: INTROSPECÇÃO


Talvez seja ridículo, talvez seja parvo, ou talvez seja mesmo o princípio de uma forte depressão, mas estou a atravessar um daqueles períodos em que nada me apetece fazer, nada mesmo, olho para a foto e ali ficava eternamente até que o sono profundo da morte se encarregasse de fazer o seu trabalho. Este momento da vida não é único, não é surpresa, mas irrita-me solenemente. Tenho tanta e tanta coisa para fazer, tanto e tanto que projecto, evento, exorto, mas no momento exacto de começar a realizar alguma coisa, parece-me que algo me puxa para a cadeira e ali passava o resto da minha vida. O que me preocupa é que este não é o momento, esta não é a vida que quero e que procuro, mas penso sempre que...no dia seguinte estarei melhor. Não sei exactamente o que se passa, mas isto preocupa-me e precupa-me tanto, que até para escrever estas pequenas frases, o esforço é enorme. A luta é tremenda, a luta entre o desistir e conseguir é tão diminuta, que certamente um dia destes caio para um dos lados - desisto ou luto. Bem deve ser o "raio" da velhice, mas uma coisa tenho a certeza, este é um MOMENTO DA VIDA.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Livros que merecem ser lidos...



Como se Faz uma Tese
Em Ciências Humanas

Esta obra é dirigida a todos os estudantes "em situação difícil", ou seja têm que preparar a sua tese de Licenciatura. Umberto Eco expõe o que se entende por tese, como escolher o tema e organizar o tempo de trabalho, como conduzir uma investigação bibliográfica, como organizar o material seleccionado e, finalmente, como dispor a redacção do trabalho. E sugere que se aproveite "a ocasião da tese para recuperar o sentido positivo e progressivo do estudo, entendido como aquisição de uma capacidade para identificar oa problemas, encará-los com método e expô-los segundo certas técnicas de comunicação". Um livro sempre actual e indespensável, que interessa agora. Este livro é publicado pela Editorial Presença, de 1977, e tem 224 páginas.




Índice

INTRODUÇÃO

I. O que é uma Tese e para que serve
   1.1. Porque se deve fazer uma tese e o que é
   1.2. A quem interessa este livro
   1.3. De que modo uma tese serve também para depois da licenciatura
   1.4. Quatro regras óbvias

II. A Escolha do Tema
   2.1. Tese monográfica ou tese panorâmica?
   2.2. Tese histórica ou tese teórica?
   2.3. Temas antigos ou temas contemporâneos?
   2.4. Quanto tempo é preciso para fazer uma tese?
   2.5. É necessário saber línguas estrangeiras?
   2.6. Tese "científica" ou tese política?
   2.7. Como evitar deixar-se explorar pelo relator

III. A Procura do Material
   3.1. A acessibilidade das fontes
   3.2. A investigação bibliográfica

IV. O Plano de Trabalho e a Elaboração de Fichas
   4.1. O índice como hipótese de trabalho
   4.2. Fichas e apontamentos

V. A Redacção
   5.1. A quem nos dirigimos
   5.2. Como se fala
   5.3. As citações
   5.4. As notas de rodapé
   5.5. Advertências, ratoeiras, costumes
   5.6. O orgulho científico

VI. A Redacção Definitiva
   6.1. Critérios gráficos
   6.2. A bibliografia final
   6.3. Os apêndices
   6.4. O índice

VII. Conclusões

Bibliografia Selectiva

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Poeta é um fingidor



Sonho. Não Sei quem Sou


Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
             Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
             Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
             Coração de ninguém.


ANÁLISE DO POEMA


O poema "Sonho. Não sei quem sou" de Fernando Pessoa, pertencia ao seu cancioneiro e é um poema ortónimo datado de 6/1/1923.
"Trata-se de um período algo conturbado da vida do poeta, que se vê envolvido com a censura da época, por causa de alguns livros publicados pela editora que fundou – a Olissipo.
No entanto, percorrem o poema temas universais queridos a Fernando Pessoa, nomeadamente o tema do abandono e da solidão, a confusão entre o sonho e a realidade, entre o que sonhado
e o real, entre o agora e o futuro.
"Sonho. Não sei quem sou neste momento. / Durmo sentindo-me. Na hora calma / Meu pensamento esquece o pensamento, / Minha alma não tem alma." - Conseguimos imaginá-lo sentado no seu quarto na Rua Coelho da Rocha (hoje Casa Fernando Pessoa e onde vivia já em 1923), provavelmente à noite pois é quando mais escrevia, a olhar silencioso para o infinito do papel, talvez de pé.
Tentando sair da sua condição diz que sonha. Assim se perde da sua identidade redutora. A sua sonolência em relação à sua identidade – tema marcante da sua poesia - traz-lhe um "pensamento que esquece o pensamento". Quer dizer que sonhando-se deixa de pensar - quer ser todo ele sonho e dormência. Nem alma deseja ter.
"Se existo é um erro eu o saber. Se acordo / Parece que erro. Sinto que não sei. / Nada quero nem tenho nem recordo. / Não tenho ser nem lei." - Tão profundo se deixa cair no esquecimento que a vida mesma lhe parece um erro, um erro pelo menos ele saber dela. Todo ele é um nada, que assume que não tem desejos (nada quer), nem recordações, nem sequer destino (nem ser, nem lei).
"Lapso da consciência entre ilusões, / Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações, / Coração de ninguém." - O seu pensamento é-lhe como uma falha do coração, um interstício sem sentido. E o seu lamento em direcção a si próprio serve de conclusão ao seu dramático e elaborado pensamento nocturno – por muito dormente também claro e branco - dizendo que vive dentro de si um coração abandonado por todos, alheio a todos os outros corações, “corações de ninguém”.
Verdadeira canção de abandonado, sem no entanto nunca ser completamente triste e angustiada, os versos deste poema-canção revelam bem do que ia por dentro da alma de Fernando Pessoa adulto, já consciente da sua vida, já deixado apenas aos projectos pessoais, à sua obra. Tinha quebrado a sua relação com Ophélia Queiroz em 1920 e desde então tornara-se, mesmo segundo as palavras da sua namorada, mais frio e fechado, mais abandonado em si mesmo.
Eis afinal como as palavras se revelam como um espelho para a alma deste homem complexo, mas poucas vezes realmente complicado de ler. Era afinal humano e as suas frases, mesmo que difíceis de interpretar, vertem apenas a emoção de um homem triste, deixado sozinho, metade por opção sua, metade por opção do destino que assim tinha desenhado a sua vida.