sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


ANTÓNIO FIRMINO DA COSTA


António Firmino da Costa (n. 1950) é Doutorado em Sociologia pelo ISCTE, em Lisboa, onde é Professor Auxiliar do Departamento de Sociologia do ISCTE.
Licenciado e Doutorado em Sociologia. Membro dos Conselhos Científicos do ISCTE e do CIESISCTE, das Comissões Científicas do Departamento de Sociologia do ISCTE, do Programa Internacional de Doutoramento em Antropologia Urbana (ISCTE, em Lisboa, e Universidad Rovira i Virgili, em Tarragona) e do Observatório das Actividades Culturais. Pertence aos Conselhos Editorais das revistas científicas Sociologia, Problemas e Práticas (CIES-ISCTE e Celta Editora), Obs (Observatório das Actividades Culturais), Trajectos (Secção de Comunicação, Cultura e Educação do Departamento de Sociologia do ISCTE e Editorial Notícias) e Sociologia (Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto). Projectos de investigação que desenvolve no CIES: Programme for the International Assessment of Adult Competencies (PIAAC) - Portugal (2008-2013); Observatório das Desigualdades (2008-2011); Leitura, Escola e Sociedade: Estudos de Avaliação do Plano Nacional de Leitura (2008-2011) Cientistas Sociais de Países de Língua Portuguesa: Histórias de Vida (2008- 2009); O Valor Económico da Língua Portuguesa (2008-2009).

Qualificações Académicas


·         Doutoramento em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1999
·         PAPCC em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1986
·         Licenciatura em Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em 1981


Domínios de Investigação

·         Sociologia;
·         Desigualdades Sociais;
·         Leitura e Literacia;
·         Estudantes do Ensino Superior;
·         Ciência e Sociedade;
·         Culturas Urbanas;
·         Avaliação de Políticas Públicas


Projectos de Investigação no CIES


·         Programa Internacional para a Análise das Competências dos Adultos (PIAAC) - Portugal (2008-2013)
·         A Inserção Profissional de Investigadores Doutorados: Condições de acolhimento, formas de inserção e expectativas de futuro (2009-2012)
·         Observatório das Desigualdades (2008-2011)
·         Leitura, Escola e Sociedade: Estudos de Avaliação do Plano Nacional de Leitura (2008-2011)
·         Estudantes do Ensino Superior e Empréstimos com Garantia Mútua (2009-2011)
·         Barómetro de Opinião Hispano-Luso (BOHL) (2009-2010)
·         Cientistas Sociais de Países de Língua Portuguesa: Histórias de Vida (2008-2009)
·         O Valor Económico da Língua Portuguesa (2008-2009)
·         Learning to Learn (2008)
·         Os Estudantes e os seus Trajectos no Ensino Superior: sucesso e insucesso, factores e processos, promoção de boas práticas (2007-2008)
·         Os Premiados do Programa Gulbenkian de Estímulo à Investigação: Análise dos Percursos Científicos e Profissionais (2007-2008)
·         Estudo de Avaliação do Plano Nacional de Leitura (2006-2007)
·         Da Aprendizagem Informal ao Ensino Formal da Matemática: Processos Sociais de Transposição e Recontextualização de Módulos Interactivos e Práticas Experimentais (Projecto Pencil) (2005-2007)
·         Inquérito Socioeconómico aos Estudantes do Ensino Superior – 2007 (2005-2007)
·         Inquérito Socioeconómico aos Estudantes do Ensino Superior – Eurostudent 2005 (2003-2005)
·         Análise Sociológica do Programa Ciência Viva (2002-2004)
·         A Sociedade em Rede em Portugal (2002-2004)
·         Padrões de Vida: Perfis e Tendências na Sociedade Portuguesa Contemporânea (2000-2003)
·         Publicações e Públicos da Ciência (2000-2002)
·         Cultura Científica e Sociedade de Conhecimento (2001)
·         Novos Contributos para o Estudo da Literacia: Análises Comparativas e Desenvolvimentos Teórico-metodológicos (2000-2001)
·         Competitividade e Exclusão Social: as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto (1997-2000)
·         Os Estudantes Universitários e a Sociedade Portuguesa: Cursos e Trajectos Estudantis (1997-2000)
·         A Modernização das Estruturas Sociais: Recomposição Social, Novos Valores, Protagonismos Emergentes (1997-2000)
·         Estudo de Avaliação do Impacto da Campanha «Sensibilização de Homens/Mulheres para a Partilha de Tarefas» (1999-2000)
·         International Adult Life Skills Survey: Re-development of Prose and Document Item Pools (1999-2000)
·         Euroliteracy Retest (1998-1999)
·         Cultura Popular em Alfama (1990-1998)
·         Portugal: Que Modernidade? (1996-1998)
·         Dar Voz aos Utentes (1997-1998)
·         Ciência e Parlamento (1994-1995)


Publicações

Costa, António F.. 2010. Factores, Representações e Práticas Institucionais de Promoção do Sucesso Escolar no Ensino Superior. ed. 1. Porto: U. Porto Editorial.

Costa, António F.; Conceição, Cristina P; Coelho, Ana R; Dias, Ângela. 2009. Trajectórias de Jovens Cientistas: O Prémio Estímulo à Investigação, 1994-2006. ed. 1. Lisboa: FCG e Gradiva.

Costa, António F.; Pegado, Elsa; Ávila, Patrícia; Coelho, Ana R; Alves, Tatiana. 2009. Avaliação dos 2º e 3º Anos do Plano Nacional de Leitura. ed. 1. Lisboa: GEPE-ME.

Costa, António F.; Machado, Fernando L; Ávila, Patrícia. 2009. Knowledge and Society (Portugal in the European Context, vol. II). ed. 1. Lisboa: Celta Editora.

Costa, António F.. 2008. Sociedade de Bairro: Dinâmicas Sociais da Identidade Cultural. ed. 2. Lisboa: Celta Editora.

Costa, António F.; Pegado, Elsa; Ávila, Patrícia; Caetano, Ana; Coelho, Ana R; Rodrigues, Eduardo; Melo, João. 2008. Avaliação do Plano Nacional de Leitura. ed. 1. Lisboa: GEPE-ME.

Martins, Susana C; Mauritti, Rosário; Costa, António F.. 2007. Higher Education Students: Survey of Socio-Economic Conditions, 2007. ed. 1. Lisboa: DGES-MCTES.

Costa, António F.. 2007. Sociologia. ed. 5. Lisboa: Quimera Editores.

Costa, António F.; Machado, Fernando L; Ávila, Patrícia. eds. 2007. Sociedade e Conhecimento (Portugal no Contexto Europeu, vol.II) ed. 1. Lisboa: Celta Editora.

Martins, Susana C; Mauritti, Rosário; Costa, António F.. 2007. Estudantes do Ensino Superior: Inquérito às Condições Socioeconómicas, 2007. ed. 1. Lisboa: DGES-MCTES.

Costa, António F.; Conceição, Cristina P; Pereira, Inês; Abrantes, Pedro; Gomes, Maria C. 2005. Cultura Científica e Movimento Social: Contributos para a Análise do Programa Ciência Viva. ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Martins, Susana C; Mauritti, Rosário; Costa, António F.. 2005. Condições Socioeconómicas dos Estudantes do Ensino Superior em Portugal. ed. 1. Lisboa: DGES-MCTES.

Cardoso, Gustavo; Costa, António F.; Conceição, Cristina P; Gomes, Maria C. 2005. A Sociedade em Rede em Portugal. ed. 1. Porto: Campo das Letras.

Almeida, João F.; Ávila, Patrícia; Casanova, José L; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Martins, Susana C; Mauritti, Rosário. 2003. Diversidade na Universidade: Um Inquérito aos Estudantes de Licenciatura. ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Cordeiro, Graça Í; Baptista, Luís V; Costa, António F.. eds. 2003. Etnografias Urbanas ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Costa, António F.; Ávila, Patrícia; Mateus, Sandra. 2002. Públicos da Ciência em Portugal. ed. 1. Lisboa: Gradiva.

Costa, António F.. 2001. Sociologia . ed. 3. Lisboa: Quimera Editores.

Guerreiro, Maria D; Costa, António F.; Gomes, Maria C; Ávila, Patrícia. 2000. Partilha das Tarefas Familiares entre Mulheres e Homens: Avaliação da Campanha Mediática . ed. 1. Lisboa: GICEA e Ministério do Trabalho e da Solidariedade.

Viegas, José M. L; Costa, António F.. eds. 2000. Crossroads to Modernity: Contemporary Portuguese Society ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Santos, Maria L. L.; Costa, António F.; Gomes, Rui T; Lourenço, Vanda; Martinho, Teresa D; Neves, José S; Conde, Idalina. 1999. Impactos Culturais da Expo'98: Uma Análise Através da Imagem Mediática. ed. 1. Lisboa: Observatório das Actividades Culturais.

Costa, António F.. 1999. Sociedade de Bairro: Dinâmicas Sociais da Identidade Cultural. ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Santos, Maria L. L.; Antunes, Lina; Conde, Idalina; Costa, António F.; Outros. 1998. As Políticas Culturais em Portugal. ed. 1. Lisboa: Observatório das Actividades Culturais.

Viegas, José M. L; Costa, António F.. eds. 1998. Portugal, que Modernidade? ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Benavente, Ana; Rosa, Alexandre; Costa, António F.; Ávila, Patrícia. 1996. A Literacia em Portugal: Resultados de uma Pesquisa Extensiva e Monográfica. ed. 1. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Jesuíno, Jorge C; Amâncio, Lígia; Ávila, Patrícia; Carapinheiro, Graça; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Patrício, Maria T; Stoleroff, Alan; Vala, Jorge. 1995. A Comunidade Científica Portuguesa nos Finais do Século XX: Comportamentos, Atitudes e Expectativas . ed. 1. Oeiras: Celta Editora.

Valente, Isabel; Machado, Fernando L; Costa, António F.. eds. 1995. Experiências e Papéis Profissionais dos Sociólogos ed. 2. Lisboa: Associação Portuguesa de Sociologia.

Almeida, João F.; Capucha, Luís; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Nicolau, Isabel; Reis, Elizabeth. 1994. Exclusão Social: Factores e Tipos de Pobreza em Portugal . ed. 2ª. Oeiras: Celta Editora. Edição alargada.


Benavente, Ana; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Neves, Manuela C. 1993. De l'Autre Côté de l'École . ed. 1. Berne: Peter Lang.


Almeida, João F.; Capucha, Luís; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Nicolau, Isabel; Reis, Elizabeth. 1992. Exclusão Social: Factores e Tipos de Pobreza em Portugal . ed. 1ª. Oeiras: Celta Editora.


Costa, António F.. 1992. Sociologia. ed. 1. Lisboa: Difusão Cultural.


Benavente, Ana; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Neves, Manuela C. 1992. Do Outro Lado da Escola . ed. 3. Lisboa: Editorial Teorema. Edição alargada.


Costa, António F.; Brito, Joaquim P.; Quitério, José; Dias, Marina T; Carvalho, Ruben; Chicó, Sílvia. 1991. Festas de Lisboa . ed. 1. Lisboa: Livros Horizonte.


Valente, Isabel; Machado, Fernando L; Costa, António F.. eds. 1990. Experiências e Papéis Profissionais de Sociólogos ed. 1ª. Lisboa: Associação Portuguesa de Sociologia.


Benavente, Ana; Costa, António F.; Machado, Fernando L; Neves, Manuela C. 1987. Do Outro Lado da Escola . ed. 1. Lisboa: , Instituto de Estudos para o Desenvolvimento / Rolim.


Costa, António F.; Guerreiro, Maria D; Freitas, Francisco; Ferreira, Maria H. 1984. Artes de Ser e de Fazer no Quotidiano Operário: Uma Pesquisa Sociológica sobre Sistemas de Trabalho e Identidades Culturais Operárias . ed. 1. Lisboa: CIES/ISCTE.


Costa, António F.; Guerreiro, Maria D. 1984. O Trágico e o Contraste: O Fado no Bairro de Alfama . ed. 1. Lisboa: Publicações Dom Quixote.


Capítulos de Livros Publicados

·         Mais de 40 Publicações.

Artigos em Revistas com arbitragem científica

·         Cerca de 34 artigos.

Apresentações Orais de trabalhos

·         Mais de 200 apresentações.

Projectos de Investigação

·         Cerca de 60 projectos de investigação

Membro de Associações Profissionais/Científicas

·         Cerca de 15, sendo um dos fundadores da Associação Portuguesa de Sociologia.

Organização de Eventos

·         Aproximadamente 45 eventos.

Participações em Júris de Doutoramento e Mestrado

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Mundo que nos Rodeia: PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS


Fui recuperar este artigo de alguém que já não se encontra entre nós, mas que tinha uma visão perfeita, real, e concreta da realidade portuguesa, deixou-nos este artigo de uma sensibilidade fora do comum, sim porque em Portugal é fora do comum alguém assumir a sua responsabilidade. Este magnífico artigo publicado no Público, deveria ser lido por todos os portugueses, por isso deixo aqui o meu contributo, e hoje já olhei para o espelho e pensei...só efectivamenete português.

Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. O que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudoo que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo
nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar
projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe
média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto
a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a
criticar os nossos governantes.
- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um
guarda de trânsito para não ser multado.
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como
português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que
confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.


Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar no espelho.
Aí está. Não preciso procurá-lo noutro lado.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Poeta é um fingidor



Cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.


A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço. A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...


E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Análise do Poema

Pessoa diz, na célebre carta em que relata a origem dos heterónimos, o seguinte: O difícil para mim é escrever a prosa de Reis – ainda inédita – ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea em verso.)"
O assunto da simulação, vasto em Pessoa, encontra em Álvaro de Campos uma encruzilhada. Porque para Pessoa, escrever a Prosa de Campos é "difícil". Porquê? Porque em Campos, encontramos temas sensíveis a Pessoa e que Pessoa deslocaliza, pelo menos emocionalmente, para a caneta do seu heterónimo engenheiro naval. Esses temas são nomeadamente, os relativos à infância, à memória da sua mãe e das viagens para a África do Sul.
Como nasce Campos? Pessoa diz na mesma carta: "E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo individuo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos – a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.". Ou seja, Campos surge em oposição a Reis, o que Reis tem de exacto, Campos tem de maleável, o que Reis apresenta de rigoroso, Campos demonstra irracional.
Poeta sensacionalista por excelência, escandaloso e moderno, Campos descreve um mundo em mudança, por efeito retardado (pelo menos em Portugal) da revolução industrial. Mas há, mesmo em Campos, 3 fases distintas (Prado Coelho). A do Opiário (1914); a das grandes Odes (1914-16) e a fase pessoal, que termina com a própria morte de Pessoa (1916-35).
Choca em contraste que o poeta poderoso, à Whitman, que exorta delirante a máquina, que fala do peito as proezas da Energia e do Progresso, surja por vezes tão assumidamente deixado ao tédio, que quase abúlico, fica morto de entusiasmo e capturado pelo niilismo. Prado Coelho diz-nos que "Campos sentiu como Whitman para deixar de sentir como Campos" (in Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa). Tão semelhante se torna a Pessoa, que Pessoa o traz consigo para a vida do dia-a-dia, falando por exemplo dele a Ophélia de Campos, como se pela sua própria voz.
Campos é a parte desligada da realidade emocional de Pessoa. Nele, Pessoa escreve mais despreocupado do que se escrevesse em nome próprio, e sente segurança para se deitar ao lamento de uma vida de sofrimento. Campos é menos sereno, é mais intranquilo, mais solto, energético mesmo quando deitado ao tédio, do que Pessoa – ele mesmo.
O poema de que pede uma análise é um poema típico de abulia de Campos, é um texto filho da herança do grande texto em prosa Passagem das Horas (1916). O tom heróico, Whitmaniano, deixa de se ouvir, para Campos se deixar dominar por Pessoa, num tom mortal e lento, litanias nocturnas, textos deixados à confissão, sem filtros racionais.
A consciência que Caeiro quer não enfrentar, Campos perde-a pelo exagero (Eduardo Lourenço). A noite "materna" invade-o. Porque assombrado pela memória da mãe, da infância perdida, a sua sinceridade acha apenas cansaço, quando ele se vê perto da morte, sem esperança de um regresso impossível à felicidade infantil. A noite é, em sentido literal, a sua própria mãe, que o abandona, mas nunca deixa de o dominar.
Analisando o poema:
"O que há em mim é sobretudo cansaço/ Não disto nem daquilo, /Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, /Cansaço." Ele fala do cansaço assumido como coisa em si mesma, sem já ser condição. Este tédio, que perpassa também na obra de Bernardo Soares, soa muito a desapontamento, a conclusões falhadas, objectivos não atingidos.
"A subtileza das sensações inúteis, /As paixões violentas por coisa nenhuma, /Os amores intensos por o suposto alguém. /Essas coisas todas – /Essas e o que faz falta nelas eternamente –; /Tudo isso faz um cansaço, /Este cansaço, /Cansaço." É um discurso contra a acção, contra a vontade, que no mundo não é operante, mas destinada ao fracasso. Campos elenca coisas que todos perseguem – as sensações, as paixões, o amor – e diz que todas elas falham em significado.
"Há sem dúvida quem ame o infinito, /Há sem dúvida quem deseje o impossível, /Há sem dúvida quem não queira nada – /Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: /Porque eu amo infinitamente o finito, /Porque eu desejo impossivelmente o possível, /Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, /Ou até se não puder ser..." Aqui Campos ironiza com aqueles que pretendem ter maiores pretensões do que aquelas que ele acha possível. Há quem ame o infinito – os amantes do conhecimento, os filósofos e os religiosos; há quem deseje o impossível – os sonhadores, os ambiciosos; há quem não queira nada – os pessimistas, os humildes. Todos eles – segundo Campos – erram, por serem idealistas. Ele ama infinitamente o finito – ou seja, quer tudo no nada, quer a compreensão subtil do desconhecido – quer o paradoxo, inatingível, mas contínuo na sua loucura.
"E o resultado? /Para eles a vida vivida ou sonhada, /Para eles o sonho sonhado ou vivido, /Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... /Para mim só um grande, um profundo, /E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, /Um supremíssimo cansaço. /Íssimo, íssimo. íssimo, /Cansaço...". O resultado – Campos anuncia-o, pondo-se acima de todos aqueles que crítica – é para os outros a vida. Mas para Campos, a vida não chega, em parte porque ele próprio nunca se sente satisfeito – não tem a riqueza, a fama, a mãe, a infância, sobretudo a tranquilidade e a paz de espírito para trabalhar. Por isso ele, quando se diz insatisfeito, revela-se invejoso da vida alheia.
Campos – Pessoa está cansado por não ter atingido o que para os outros é tão fácil, porque os outros não duvidam, são empreendedores, mesmo quando nada desejam. Deixam-se à vida, serenos ou irados, mas completos, humanos, que vivem e que morrem sem perguntas. Campos – Pessoa não é um ser assim, pois em si mesmo rumina uma intensa intranquilidade, que ele justifica como cansaço, não-agir, em razão de não aceitar o seu fracasso no mundo."

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ESTE É O MAIOR FRACASSO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA


Vivemos em Portugal, em Portugal de alguns senhores, senhores que imperam a contente de todos e com uma arrogância desmedida. O povo, esse o povo, vive contando o salário, que só chega para 15 dias, não falando dos que nem emprego têm. O povo que consente, reclama e nada faz, à espera de melhores dias.
Deixo aqui um artigo publicado pela jornalista Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso, meditem por favor...

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Publicado no jornal EXPRESSO

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ROBERT MERTON (n. 05 Jul.1910; m. 23 Fev.2003)


Robert King Merton, nascido Meyer R. Schkolnick, nasceu a 5 de Julho de 1910, em Filadélfia. Meyer R. Schkolnick usou esse nome durante os primeiros 14 anos de vida. Era filho de imigrantes da Europa Oriental e morou num apartamento em cima da loja de ovos e lacticínios do pai, até o prédio pegar fogo. Na adolescência, fazia truques de mágica em festinhas de aniversário e adoptou Robert Merlin como nome artístico, mas quando um amigo o convenceu de que sua escolha do nome do antigo mago era um lugar-comum, ele adoptou Merton com o apoio de sua mãe, de tendências americanizantes, depois de ter ganho uma bolsa de estudos para a Temple University.
Em palestra para o American Council of Learned Societies (Conselho Americano de Associações Eruditas) em 1994, Merton declarou que, graças às bibliotecas, escolas e orquestras a que tinha tido acesso, e até mesmo ao gang de jovens a que havia aderido, a sua juventude tinha-o preparado bem para o que denominava uma vida de estudo: "Os meus colegas sociólogos devem ter notado" – disse – "como aquele cortiço aparentemente carente em South Philadelphia proporcionou a um jovem todo o tipo de capital – capital social, cultural, humano e, acima de tudo, o que podemos chamar de capital público – isto é, todo o tipo de capital excepto o financeiro pessoal.
Um intelectual alto, fumante de cachimbo, Merton usou muitas vezes a trajectória de sua vida - do cortiço à realização académica - como material para ilustrar o funcionamento da serendipidade, do acaso e da coincidência, que há muito o fascinavam.
A sua carreira correu paralela ao crescimento e aceitação da sociologia como disciplina académica genuína. Em 1939, havia menos de mil sociólogos nos Estados Unidos, mas logo após Merton ser eleito presidente da Associação Americana de Sociólogos, em 1957, o grupo já contava com 4.500 membros.
Passou grande parte de sua vida profissional na Universidade de Columbia onde, juntamente com seu colaborador durante 35 anos Paul F. Lazarsfeld, falecido em 1976, desenvolveu o Departamento de Pesquisa Social Aplicada, onde tiveram origem os primeiros grupos focais.
Merton era às vezes chamado de "Sr. Sociologia", e Jonathan R. Cole, antigo aluno e director da Universidade de Columbia, disse uma vez: "Se houvesse Prémio Nobel de sociologia, não há dúvida alguma de que ele o teria ganho." Mas o seu filho, Robert Carhart Merton, ganhou o Prémio Nobel de Economia, em 1997.
Num perfil escrito por Morton Hunt em 1961 para a revista New Yorker, Merton foi descrito como demonstrando "surpreendente universalidade de interesses e talento para uma boa conversa, somente prejudicada pelo fato de ele estar incrivelmente bem informado sobre tudo, de beisebol a Kant, e estar sempre pronto, sem hesitar, a falar sobre parte do assunto ou todo ele".
De fato, no seu livro mais conhecido, On the Shoulders of Giants, Merton aventurou-se muito além dos limites da sociologia. Mencionado por ele como seu "filho pródigo intelectual", o livro revela a profundidade de sua curiosidade, a amplitude de sua prodigiosa pesquisa e a extraordinária paciência que também caracterizam sua obra académica. O trabalho começou em 1942 quando, num ensaio intitulado A Note on Science and Democracy, Merton menciona uma observação de Isaac Newton: "Se me foi possível enxergar mais longe, foi por estar nos ombros de gigantes." Acrescentou uma nota de rodapé esclarecendo que "o aforismo de Newton é uma frase padronizada que encontrou repetida expressão a partir do século XII".
Porém Merton não parou por aí. A intervalos, durante os 23 anos seguintes, seguiu a pista do aforismo de Newton através do tempo, enveredando tanto por becos sem saída como por avenidas frutíferas e por fim, terminou o livro em 1965, escrevendo-o em estilo discursivo que o autor atribuiu às suas primeiras leituras e subsequentes releituras do Tristam Shandy, de Laurence Sterne. Denis Donoghue, crítico e estudioso literário, descreveu o livro, com admiração, como "uma obra de arte excêntrica e contudo concêntrica, uma obra com suficiente flexibilidade para permitir uma digressão mais ou menos a cada dez páginas". E admitiu: "Eu gostaria de ter escrito On the Shoulders of Giants."
Nos últimos 35 anos, Merton vinha reunindo informações sobre a ideia e funcionamento da serendipidade e raciocinando sobre ela com a mesma atitude com que tinha escrito o livro anterior, que gostava de mencionar pelas iniciais OTSOG. Do mesmo modo empregado em todas as suas investigações, cotejou e considerou dados que havia lançado em fichas. Quase todo dia, começava a trabalhar às quatro e meia da manhã, em companhia de alguns de seus 15 gatos. Durante os últimos anos da sua vida, enquanto batalhava e vencia seis diferentes carcinomas, a sua editora italiana, Il Mulino, convenceu-o a autorizá-la a publicar os seus escritos sobre a serendipidade como livro. E quatro dias antes de sua morte, a sua esposa, a socióloga Harriet Zuckerman, recebeu a notícia de que a Princeton University Press havia aprovado a publicação da versão inglesa, com o título The Travels and Adventures of Serendipity.
Além da viúva, Harriet Zuckerman e de seu filho, Merton deixou duas filhas, Stephanie Tombrello e Vanessa Merton de Hastings-on-Hudson, nove netos e nove bisnetos. Morreu a 23 de Fevereiro de 2003, em Nova Iorque.

Principais contribuições para a Sociologia:

É considerado um teórico fundamental da burocracia, da sociologia da ciência e da comunicação de massa. Passou a maior parte de sua vida académica ensinando na Universidade Columbia. É pai do economista Robert C. Merton.
Robert K. Merton é talvez mais conhecido por ter cunhado a expressão "profecia auto-realizável". Também criou o conceito de grupo de referência.
Na sociologia da ciência, ficou famoso ao fazer uma análise weberiana do nascimento da ciência na Inglaterra do século XVII, destacando o papel da ética protestante na criação da Royal Society.
Merton desenvolveu também os quatro imperativos institucionais, conhecidos pelo acrónimo CUDOS. Trata-se de um conjunto de ideais que, segundo Merton, devem fundamentar os objectivos e métodos da ciência e que compõem o ethos científico:
  • Comunalismo – a propriedade comum das descobertas científicas Merton, de fato, usou o termo "comunismo", todavia, sem ligação com o marxismo;
  • Universalismo – critérios universais de verdade (não baseados raça, classe, género, religião ou nacionalidade).
  • Desinteresse – a acção do cientista não deve ser movida por interesse próprio
  • Cepticismo organizado – todas a ideias devem ser testadas e submetidas ao rigoroso escrutínio da comunidade

quarta-feira, 30 de março de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



LUÍS CAPUCHA

Luís Capucha, licenciou-se em Sociologia enquanto trabalhava na Mague, em Alverca. Actualmente Presidente da ANQ - Agência Nacional para a Qualificação, responsável pelas novas oportunidades, também foi trabalhador-estudante. Descarregou peixe na cais de Vila Franca de Xira e atrasou a entrada para a Universidade. Foi operário metalúrgico e já era encarregado de armazém do ferro, na extinta Mague, em Alverca, quando se licenciou em Sociologia. É um investigador apaixonado, vila-franquense de corpo e alma, ama as tradições da sua terra onde continua a residir.
Inicie esta nova secção, com o sociólogo e professor Luís Capucha por vários motivos, destacando-se entre eles,  o facto de ter sido o orientador da minha tese em Sociologia; ter sido tal como eu, trabalhador estudante; ser um grande benfiquista e acima de tudo, um grande sociólogo, com provas dadas, com um percurso deveras esplendoroso e com uma disponibilidade e compreensão para as dificuldades dos alunos, fora do comum, por isso mesmo dizer "NÃO", é algo que não entra no seu dicionário.

Mas quem foi Luís Capucha?  
Irei passar alguns excertos da entrevista que o sociólogo deu, no passado dia 17 de Março ao Jornal "O MIRANTE", semanário Regional, que teve o seu início na Chamusca, espalhando-se pelos cobcelhos limítrofes.
Como se comportava na escola o futuro investigador social?
Era o menino bonito da professora na escola do bacalhau. Não era um aluno particularmente bem comportado. Fazia o mesmo que os outros, ìa para a escola a pé, mas era bastante bom aluno.
Os meninos nessa altura andavam descalços?
Alguns meninos íam descalços, mas já não eram muitos. Lembro-me do Júlio que vinha do Monte Gordo e que andava descalço e do Sancho que era muito pobre, poucos presseguiram os estudos. Muitos não tiveram tempo para serem meninos.
No seu caso presseguiu os estudos?
Fui estudar para o Liceu Passos Manuel, em Lisboa, porque a minha mãe fez uma combinação com a professora Elsa para evitar que fizesse o exame de admissão à escola técnica onde andaram os meus irmãos mais velhos e os meus colegas que foram estudar. O meu pai não tinha dinheiro para me pôr no colégio Sousa Martins. Aos 10 anos comecei a ir todos os dias para Lisboa de comboio.
Foi trabalhar cedo?
Saí de casa aos 17 anos para ir trabalhar. O meu primeiro emprego foi como ajudante de servente na lota de Vila Franca de Xira a ajudar a carregar e descarregar peixe. Tinha média para entrar na Universidade, mas entrou o ano propedêutico. Tinha que fazer trabalho cívico e achei que se era para trabalhar ía trabalhar mais a sério. Primeiro nessa empresa depois, mais tarde, como operário metalúrgico na empresa que andou a montar o forno da Cimentejo.
Teve que aprender tudo?
Tive que aprender tudo mas aprendia rápido. Essa é uma das vantagens de quem estuda. Adapta-se com mais facilidade a diversos contextos. Quando saí da tropa fui trabalhar para a Atral-Cipan como operário químico e rapidamente fazia trabalhos de pessoas que lá estavam há mais anos. Para mim era fácil ler as prescrições, as sínteses químicas e interpretar resultados. As outras pessoas não tinham feito essa ginástica na escola. A mesma coisa aconteceu quando fui trabalhar para a extinta Mague, nos armazéns do ferro. Quando o encarregado do armazém do ferro se reformou, fui chamado para o seu lugar, o que quer dizer que com pouco mais de 20 anos era chefe de 40 homens, alguns com idade de ser meus pais, mas bastante menos qualificados. Fui agente de produção e encarregado de armazém e acabei por ser encarregado de todos os armazéns. Trabalhei na Mague mais de seis anos. Enquanto estive, fiz o 12º ano e voltei a estudar e fui para a universidade.
Decidiu-se logo pela Sociologia?
Teria sido a primeira opção, mas como não sabia que existia o curso de Sociologia à noite inscrevi-me em Direito. Fui só a algumas aulas. Não gostei. Por sorte encontrei um colega que estava em Sociologia - queria mudar - e falou-me do curso. Trocámos. Ele foi para Direito e hoje é advogado. Eu fui para Sociologia e hoje sou sociólogo.
A ideia de ser Presidente da Câmara não o fascina?
Nunca me deixei fascinar pelo poder. Nunca entrei em guerras ou insinuações no sentido de ir para este ou aquele cargo. A minha base é o ISCTE. Aquilo para que estou vocacionado é para fazer sociologia. Posso em determinados períodos da minha vida dar um contributo ao país, como tenho dado. A carreira que construí permitiu-me acumular um currículo que fala por si.Não preciso de me pòr em bicos dos pés perante ninguém no concelho de Vila Franca de Xira.
A Sociologia estará sempre em primeiro lugar?
Nunca podemos dizer sempre. Tudo depende do que vier a acontecer. Sou, como toda a gente sabe, um apaixonado pela minha terra. Tenho muita pena de a ver como está: as pessoas descrentes, o associativismo em crise, o tecido produtivo descaracterizado sem que apareçam actividades de ponta que permitam revitalizar a economia, acessibilidades cheias de problemas, espaços desarrumados urbanísticamente e um crescimento da construção numa terra que é dormitório de Lisboa. Se calhar o concelho precisa de uma outra lógica de liderança para poder ter um novo impulso.

Em suma, Luís Capucha, é sociólogo, vilafranquense e cosmopolita. Prefere uma boa discussão à paz podre. Detesta corruptos, principalmente se forem estúpidos, isto é, se provocarem mais males aos outros do que benefícios ilegítimos.
De operário chegou a docente no ISCTE-Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa, onde se formou a estudar à noite e a trabalhar de dia na extinta Mague, em Alverca. Concluiu o curso com média de 17 valores. Organizava-se e estudava ao fim de semana com colegas. Resolvia exercícios de matemática na antiga estação de comboios de Entrecampos, que tinha apenas um  pequeno abrigo de madeira, e por vezes deixava passar o comboio de tão embrenhado que estava no estudo. É doutorado, investigador das culturas populares, das classes sociais, das políticas sociais, interessado na educação, na pobreza e reabilitação. É socialista, de esquerda por convicção. Foi Director Geral no Ministério do Trabalho e Segurança Social e no Ministério da Educação e é actualmente Presidente da ANQ-Agência Nacional para a Qualificação.
É casado com uma enfermeira e pai de três filhos, os dois mais velhos de um anterior casamento. Nasceu em Lisboa a 10 de Fevereiro de 1957, mas é vilafranquense de coração. Foi o único dos sete irmãos a nascer fora de casa, no Hospital de Santa Maria, por recomendação do médico. Três dias depois estava na cidade ribeirinha onde cresceu e continua a viver. Reside no centro da cidade numa habitação que adquiriu e reconstruiu.

Retirado do JornalOnline "O Mirante" de 17.03.2011

Curriculum vitae

(resumo)


Luís Manuel Antunes Capucha, 54 anos, é Doutorado em Sociologia do Desenvolvimento e professor no ISCTE, onde lecciona desde 1987. Principais áreas de pesquisa e ensino: pobreza e exclusão social, educação, políticas sociais e de emprego, educação, cultura e desenvolvimento, classes sociais e estratificação e metodologias de avaliação.
Entre 1997 e 1999 foi Adjunto do Coordenador Nacional do Projecto Vida, entre 1999 e 2002 foi Director-Geral do Departamento de Estudos, Prospectiva e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, coordenador nacional do Plano Nacional de Emprego, membro do Comité de Emprego da União Europeia e do Conselho Económico e Social.
É Director-Geral da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação deste Maio de 2006. Coordenou ou participou em treze projectos de avaliação de programas e políticas sociais, de educação/formação e de desenvolvimento social e em dezassete iniciativas de avaliação de projectos. Fez parte de equipas responsáveis por sete projectos de pesquisa internacionais e vinte e um nacionais, na qualidade de coordenador ou de membro das equipas de investigadores e ou avaliadores.
É autor, co-autor e coordenador de cento e trinta títulos publicados no estrangeiro (Espanha, França, Alemanha, Itália, Grécia e Reino Unido) e em Portugal, incluindo livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas e textos editados em actas de colóquios e congressos científicos.
É ainda autor de cento e quarenta comunicações em congressos científicos, seminários e outras sessões de debate em Portugal e de cinquenta e cinco comunicações em reuniões científicas em países como a Polónia, Itália, Irlanda, Bélgica, Brasil e Canadá, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido.
Tem sido e continua a ser, na qualidade de voluntário, membro activo e dirigente de grande número de associações de carácter profissional e também de carácter cultural, desportivo e recreativo.