terça-feira, 5 de abril de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ESTE É O MAIOR FRACASSO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA


Vivemos em Portugal, em Portugal de alguns senhores, senhores que imperam a contente de todos e com uma arrogância desmedida. O povo, esse o povo, vive contando o salário, que só chega para 15 dias, não falando dos que nem emprego têm. O povo que consente, reclama e nada faz, à espera de melhores dias.
Deixo aqui um artigo publicado pela jornalista Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso, meditem por favor...

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Publicado no jornal EXPRESSO

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ROBERT MERTON (n. 05 Jul.1910; m. 23 Fev.2003)


Robert King Merton, nascido Meyer R. Schkolnick, nasceu a 5 de Julho de 1910, em Filadélfia. Meyer R. Schkolnick usou esse nome durante os primeiros 14 anos de vida. Era filho de imigrantes da Europa Oriental e morou num apartamento em cima da loja de ovos e lacticínios do pai, até o prédio pegar fogo. Na adolescência, fazia truques de mágica em festinhas de aniversário e adoptou Robert Merlin como nome artístico, mas quando um amigo o convenceu de que sua escolha do nome do antigo mago era um lugar-comum, ele adoptou Merton com o apoio de sua mãe, de tendências americanizantes, depois de ter ganho uma bolsa de estudos para a Temple University.
Em palestra para o American Council of Learned Societies (Conselho Americano de Associações Eruditas) em 1994, Merton declarou que, graças às bibliotecas, escolas e orquestras a que tinha tido acesso, e até mesmo ao gang de jovens a que havia aderido, a sua juventude tinha-o preparado bem para o que denominava uma vida de estudo: "Os meus colegas sociólogos devem ter notado" – disse – "como aquele cortiço aparentemente carente em South Philadelphia proporcionou a um jovem todo o tipo de capital – capital social, cultural, humano e, acima de tudo, o que podemos chamar de capital público – isto é, todo o tipo de capital excepto o financeiro pessoal.
Um intelectual alto, fumante de cachimbo, Merton usou muitas vezes a trajectória de sua vida - do cortiço à realização académica - como material para ilustrar o funcionamento da serendipidade, do acaso e da coincidência, que há muito o fascinavam.
A sua carreira correu paralela ao crescimento e aceitação da sociologia como disciplina académica genuína. Em 1939, havia menos de mil sociólogos nos Estados Unidos, mas logo após Merton ser eleito presidente da Associação Americana de Sociólogos, em 1957, o grupo já contava com 4.500 membros.
Passou grande parte de sua vida profissional na Universidade de Columbia onde, juntamente com seu colaborador durante 35 anos Paul F. Lazarsfeld, falecido em 1976, desenvolveu o Departamento de Pesquisa Social Aplicada, onde tiveram origem os primeiros grupos focais.
Merton era às vezes chamado de "Sr. Sociologia", e Jonathan R. Cole, antigo aluno e director da Universidade de Columbia, disse uma vez: "Se houvesse Prémio Nobel de sociologia, não há dúvida alguma de que ele o teria ganho." Mas o seu filho, Robert Carhart Merton, ganhou o Prémio Nobel de Economia, em 1997.
Num perfil escrito por Morton Hunt em 1961 para a revista New Yorker, Merton foi descrito como demonstrando "surpreendente universalidade de interesses e talento para uma boa conversa, somente prejudicada pelo fato de ele estar incrivelmente bem informado sobre tudo, de beisebol a Kant, e estar sempre pronto, sem hesitar, a falar sobre parte do assunto ou todo ele".
De fato, no seu livro mais conhecido, On the Shoulders of Giants, Merton aventurou-se muito além dos limites da sociologia. Mencionado por ele como seu "filho pródigo intelectual", o livro revela a profundidade de sua curiosidade, a amplitude de sua prodigiosa pesquisa e a extraordinária paciência que também caracterizam sua obra académica. O trabalho começou em 1942 quando, num ensaio intitulado A Note on Science and Democracy, Merton menciona uma observação de Isaac Newton: "Se me foi possível enxergar mais longe, foi por estar nos ombros de gigantes." Acrescentou uma nota de rodapé esclarecendo que "o aforismo de Newton é uma frase padronizada que encontrou repetida expressão a partir do século XII".
Porém Merton não parou por aí. A intervalos, durante os 23 anos seguintes, seguiu a pista do aforismo de Newton através do tempo, enveredando tanto por becos sem saída como por avenidas frutíferas e por fim, terminou o livro em 1965, escrevendo-o em estilo discursivo que o autor atribuiu às suas primeiras leituras e subsequentes releituras do Tristam Shandy, de Laurence Sterne. Denis Donoghue, crítico e estudioso literário, descreveu o livro, com admiração, como "uma obra de arte excêntrica e contudo concêntrica, uma obra com suficiente flexibilidade para permitir uma digressão mais ou menos a cada dez páginas". E admitiu: "Eu gostaria de ter escrito On the Shoulders of Giants."
Nos últimos 35 anos, Merton vinha reunindo informações sobre a ideia e funcionamento da serendipidade e raciocinando sobre ela com a mesma atitude com que tinha escrito o livro anterior, que gostava de mencionar pelas iniciais OTSOG. Do mesmo modo empregado em todas as suas investigações, cotejou e considerou dados que havia lançado em fichas. Quase todo dia, começava a trabalhar às quatro e meia da manhã, em companhia de alguns de seus 15 gatos. Durante os últimos anos da sua vida, enquanto batalhava e vencia seis diferentes carcinomas, a sua editora italiana, Il Mulino, convenceu-o a autorizá-la a publicar os seus escritos sobre a serendipidade como livro. E quatro dias antes de sua morte, a sua esposa, a socióloga Harriet Zuckerman, recebeu a notícia de que a Princeton University Press havia aprovado a publicação da versão inglesa, com o título The Travels and Adventures of Serendipity.
Além da viúva, Harriet Zuckerman e de seu filho, Merton deixou duas filhas, Stephanie Tombrello e Vanessa Merton de Hastings-on-Hudson, nove netos e nove bisnetos. Morreu a 23 de Fevereiro de 2003, em Nova Iorque.

Principais contribuições para a Sociologia:

É considerado um teórico fundamental da burocracia, da sociologia da ciência e da comunicação de massa. Passou a maior parte de sua vida académica ensinando na Universidade Columbia. É pai do economista Robert C. Merton.
Robert K. Merton é talvez mais conhecido por ter cunhado a expressão "profecia auto-realizável". Também criou o conceito de grupo de referência.
Na sociologia da ciência, ficou famoso ao fazer uma análise weberiana do nascimento da ciência na Inglaterra do século XVII, destacando o papel da ética protestante na criação da Royal Society.
Merton desenvolveu também os quatro imperativos institucionais, conhecidos pelo acrónimo CUDOS. Trata-se de um conjunto de ideais que, segundo Merton, devem fundamentar os objectivos e métodos da ciência e que compõem o ethos científico:
  • Comunalismo – a propriedade comum das descobertas científicas Merton, de fato, usou o termo "comunismo", todavia, sem ligação com o marxismo;
  • Universalismo – critérios universais de verdade (não baseados raça, classe, género, religião ou nacionalidade).
  • Desinteresse – a acção do cientista não deve ser movida por interesse próprio
  • Cepticismo organizado – todas a ideias devem ser testadas e submetidas ao rigoroso escrutínio da comunidade

quarta-feira, 30 de março de 2011

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...



LUÍS CAPUCHA

Luís Capucha, licenciou-se em Sociologia enquanto trabalhava na Mague, em Alverca. Actualmente Presidente da ANQ - Agência Nacional para a Qualificação, responsável pelas novas oportunidades, também foi trabalhador-estudante. Descarregou peixe na cais de Vila Franca de Xira e atrasou a entrada para a Universidade. Foi operário metalúrgico e já era encarregado de armazém do ferro, na extinta Mague, em Alverca, quando se licenciou em Sociologia. É um investigador apaixonado, vila-franquense de corpo e alma, ama as tradições da sua terra onde continua a residir.
Inicie esta nova secção, com o sociólogo e professor Luís Capucha por vários motivos, destacando-se entre eles,  o facto de ter sido o orientador da minha tese em Sociologia; ter sido tal como eu, trabalhador estudante; ser um grande benfiquista e acima de tudo, um grande sociólogo, com provas dadas, com um percurso deveras esplendoroso e com uma disponibilidade e compreensão para as dificuldades dos alunos, fora do comum, por isso mesmo dizer "NÃO", é algo que não entra no seu dicionário.

Mas quem foi Luís Capucha?  
Irei passar alguns excertos da entrevista que o sociólogo deu, no passado dia 17 de Março ao Jornal "O MIRANTE", semanário Regional, que teve o seu início na Chamusca, espalhando-se pelos cobcelhos limítrofes.
Como se comportava na escola o futuro investigador social?
Era o menino bonito da professora na escola do bacalhau. Não era um aluno particularmente bem comportado. Fazia o mesmo que os outros, ìa para a escola a pé, mas era bastante bom aluno.
Os meninos nessa altura andavam descalços?
Alguns meninos íam descalços, mas já não eram muitos. Lembro-me do Júlio que vinha do Monte Gordo e que andava descalço e do Sancho que era muito pobre, poucos presseguiram os estudos. Muitos não tiveram tempo para serem meninos.
No seu caso presseguiu os estudos?
Fui estudar para o Liceu Passos Manuel, em Lisboa, porque a minha mãe fez uma combinação com a professora Elsa para evitar que fizesse o exame de admissão à escola técnica onde andaram os meus irmãos mais velhos e os meus colegas que foram estudar. O meu pai não tinha dinheiro para me pôr no colégio Sousa Martins. Aos 10 anos comecei a ir todos os dias para Lisboa de comboio.
Foi trabalhar cedo?
Saí de casa aos 17 anos para ir trabalhar. O meu primeiro emprego foi como ajudante de servente na lota de Vila Franca de Xira a ajudar a carregar e descarregar peixe. Tinha média para entrar na Universidade, mas entrou o ano propedêutico. Tinha que fazer trabalho cívico e achei que se era para trabalhar ía trabalhar mais a sério. Primeiro nessa empresa depois, mais tarde, como operário metalúrgico na empresa que andou a montar o forno da Cimentejo.
Teve que aprender tudo?
Tive que aprender tudo mas aprendia rápido. Essa é uma das vantagens de quem estuda. Adapta-se com mais facilidade a diversos contextos. Quando saí da tropa fui trabalhar para a Atral-Cipan como operário químico e rapidamente fazia trabalhos de pessoas que lá estavam há mais anos. Para mim era fácil ler as prescrições, as sínteses químicas e interpretar resultados. As outras pessoas não tinham feito essa ginástica na escola. A mesma coisa aconteceu quando fui trabalhar para a extinta Mague, nos armazéns do ferro. Quando o encarregado do armazém do ferro se reformou, fui chamado para o seu lugar, o que quer dizer que com pouco mais de 20 anos era chefe de 40 homens, alguns com idade de ser meus pais, mas bastante menos qualificados. Fui agente de produção e encarregado de armazém e acabei por ser encarregado de todos os armazéns. Trabalhei na Mague mais de seis anos. Enquanto estive, fiz o 12º ano e voltei a estudar e fui para a universidade.
Decidiu-se logo pela Sociologia?
Teria sido a primeira opção, mas como não sabia que existia o curso de Sociologia à noite inscrevi-me em Direito. Fui só a algumas aulas. Não gostei. Por sorte encontrei um colega que estava em Sociologia - queria mudar - e falou-me do curso. Trocámos. Ele foi para Direito e hoje é advogado. Eu fui para Sociologia e hoje sou sociólogo.
A ideia de ser Presidente da Câmara não o fascina?
Nunca me deixei fascinar pelo poder. Nunca entrei em guerras ou insinuações no sentido de ir para este ou aquele cargo. A minha base é o ISCTE. Aquilo para que estou vocacionado é para fazer sociologia. Posso em determinados períodos da minha vida dar um contributo ao país, como tenho dado. A carreira que construí permitiu-me acumular um currículo que fala por si.Não preciso de me pòr em bicos dos pés perante ninguém no concelho de Vila Franca de Xira.
A Sociologia estará sempre em primeiro lugar?
Nunca podemos dizer sempre. Tudo depende do que vier a acontecer. Sou, como toda a gente sabe, um apaixonado pela minha terra. Tenho muita pena de a ver como está: as pessoas descrentes, o associativismo em crise, o tecido produtivo descaracterizado sem que apareçam actividades de ponta que permitam revitalizar a economia, acessibilidades cheias de problemas, espaços desarrumados urbanísticamente e um crescimento da construção numa terra que é dormitório de Lisboa. Se calhar o concelho precisa de uma outra lógica de liderança para poder ter um novo impulso.

Em suma, Luís Capucha, é sociólogo, vilafranquense e cosmopolita. Prefere uma boa discussão à paz podre. Detesta corruptos, principalmente se forem estúpidos, isto é, se provocarem mais males aos outros do que benefícios ilegítimos.
De operário chegou a docente no ISCTE-Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa, onde se formou a estudar à noite e a trabalhar de dia na extinta Mague, em Alverca. Concluiu o curso com média de 17 valores. Organizava-se e estudava ao fim de semana com colegas. Resolvia exercícios de matemática na antiga estação de comboios de Entrecampos, que tinha apenas um  pequeno abrigo de madeira, e por vezes deixava passar o comboio de tão embrenhado que estava no estudo. É doutorado, investigador das culturas populares, das classes sociais, das políticas sociais, interessado na educação, na pobreza e reabilitação. É socialista, de esquerda por convicção. Foi Director Geral no Ministério do Trabalho e Segurança Social e no Ministério da Educação e é actualmente Presidente da ANQ-Agência Nacional para a Qualificação.
É casado com uma enfermeira e pai de três filhos, os dois mais velhos de um anterior casamento. Nasceu em Lisboa a 10 de Fevereiro de 1957, mas é vilafranquense de coração. Foi o único dos sete irmãos a nascer fora de casa, no Hospital de Santa Maria, por recomendação do médico. Três dias depois estava na cidade ribeirinha onde cresceu e continua a viver. Reside no centro da cidade numa habitação que adquiriu e reconstruiu.

Retirado do JornalOnline "O Mirante" de 17.03.2011

Curriculum vitae

(resumo)


Luís Manuel Antunes Capucha, 54 anos, é Doutorado em Sociologia do Desenvolvimento e professor no ISCTE, onde lecciona desde 1987. Principais áreas de pesquisa e ensino: pobreza e exclusão social, educação, políticas sociais e de emprego, educação, cultura e desenvolvimento, classes sociais e estratificação e metodologias de avaliação.
Entre 1997 e 1999 foi Adjunto do Coordenador Nacional do Projecto Vida, entre 1999 e 2002 foi Director-Geral do Departamento de Estudos, Prospectiva e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, coordenador nacional do Plano Nacional de Emprego, membro do Comité de Emprego da União Europeia e do Conselho Económico e Social.
É Director-Geral da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação deste Maio de 2006. Coordenou ou participou em treze projectos de avaliação de programas e políticas sociais, de educação/formação e de desenvolvimento social e em dezassete iniciativas de avaliação de projectos. Fez parte de equipas responsáveis por sete projectos de pesquisa internacionais e vinte e um nacionais, na qualidade de coordenador ou de membro das equipas de investigadores e ou avaliadores.
É autor, co-autor e coordenador de cento e trinta títulos publicados no estrangeiro (Espanha, França, Alemanha, Itália, Grécia e Reino Unido) e em Portugal, incluindo livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas e textos editados em actas de colóquios e congressos científicos.
É ainda autor de cento e quarenta comunicações em congressos científicos, seminários e outras sessões de debate em Portugal e de cinquenta e cinco comunicações em reuniões científicas em países como a Polónia, Itália, Irlanda, Bélgica, Brasil e Canadá, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido.
Tem sido e continua a ser, na qualidade de voluntário, membro activo e dirigente de grande número de associações de carácter profissional e também de carácter cultural, desportivo e recreativo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Livros que merecem ser lidos...


Modernização Reflexiva
Política, Tradição e Estética no Mundo Moderno

O Tema da reflexividade tornou-se central na análise social. Neste livro três proeminentes autores discutem as implicações da "modernização reflexiva" na teoria social e cultural contemporâneos.
Ulrich Beck, professor de Sociologia na Universidade de Munique, Anthony Giddens, Director da London School of Economics e Scott Lash, professor de Sociologia na Universidade de Londres, discutem o conceito de "sociedade de risco", como analisam ao pormenor as relações entre a "reflexividade institucional" e a destradicionalização no mundo moderno. Abarcam também a modernização reflexiva nos domínios da estética e da cultura, sugerindo a necessidade de repensar teorias convencionais da pós-modernidade.

Livro da  Celta Editora, com 204 páginas, publicado em 2000; livro a não perder, nomeadamente nesta fase da sociedade portuguesa, onde todos devemos repensar o que queremos e para onde queremos ir...no mundo em que vivemos.


Í n d i c e


Prefácio


1  A Reivenção da política

2  Viver numa sociedade pós-tradicional

3  A reflexividade e os seus duplos

4  Réplicas e críticas

quinta-feira, 24 de março de 2011

Às Voltas com a Memória: KURT COBAIN (n. 20 Fev. 1967; m. 05 Abr. 1994)



Vocalista, guitarrista e compositor do grupo grunge norte-americano Nirvana, nasceu a 20 de Fevereiro de 1967, na pequena cidade de Hoquaim, a 140 quilómetros de Seattle, EUA. Em Aberdeen (Washington), cidade para onde se mudou na infância, enfrentou o divórcio dos pais, episódio que o marcaria para toda a vida e sobre o qual escreveria algumas das suas letras, nomeadamente no tema “Sliver
Foi ainda na sua infância que ouviu grupos como os Sex Pistols ou os The Clash. Mais tarde, com o seu amigo Krist Novoselic, tomou contacto com a vaga pós-punk britânica de que os Joy Division eram o mais fiel exemplo. Em 1981, por ocasião do seu 14.º aniversário, comprou a sua primeira guitarra e, nos anos subsequentes, formou uma série de bandas sem consistência. Nesse período, Cobain era roadie dos Melvins, uma banda de Seattle.
Em 1987 reuniu Krist Novoselic (baixo) e Chad Channing (bateria) para formar os Nirvana, grupo que redefiniria o rock dos anos 90. Gravou os álbuns Bleach (1989), Nevermind (1991), já com Dave Grohl na bateria, Incesticide (1992), uma coleção de raridades e B-Sides, In Utero (1993) e o concerto acústico MTV Unplugged. Compôs temas que se tornaram hinos do rock, destacando-se "Smells Like Teen Spirit", "Come As You Are", "All Apologies" e "Rape Me", entre outros.
Em inícios dos anos 90, Kurt envolveu-se no consumo de drogas, demonstrando uma incapacidade crescente em lidar com o estatuto de super-estrela.
Em 24 de Fevereiro de 1992, casou-se com Courtney Love, vocalista do grupo Hole, actriz em Larry Flynt e também ela toxicodependente. No mesmo ano, nasceu a sua filha, Frances Bean Cobain.
A 5 de Abril de 1994, suicidou-se em sua casa com um disparo na cabeça. Dois dias após a sua morte cerca de 5 000 fãs reuniram-se em Seattle em homenagem ao seu ídolo.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Mundo que nos Rodeia: EM PORTUGAL, HÁ QUE SER ESPECIALMENTE TALENTOSO PARA CORROMPER. NÃO É CORRUPTO QUER QUER...


Mais um artigo muito interessante, desta vez publicado por Ricardo Araújo Pereira, in BOCA DO INFERNO. Este tem a ver com a nossa justiça (direi Injustiça), e de como anda o país, vale a pena ler e acreditar que um dia teremos uma melhor e mais saudável justiça.


Em Portugal, há que ser especialmente talentoso
para corromper. Não é corrupto quem quer


... Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto – é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente".

In BOCA DO INFERNO

O Poeta é um fingidor



Cada um Cumpre o Destino que lhe Cumpre


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Análise do Poema


Ricardo Reis é o heterónimo clássico de Fernando Pessoa, onde se digladiam forças simultaneamente opositoras e complementares, na forma como ele pensa a realidade mas ao mesmo tempo luta por aceitá-la voluntariamente.
A ode em questão fala de um tema fascinante em Ricardo Reis – o Destino. Seria necessário falarmos de diversos outros temas complementares para entendermos na sua totalidade a força deste tema na obra de Ricardo Reis, mas analisada separadamente podemos dizer dele o seguinte:
O Destino é para Reis "algo" acima dos deuses, algo que subjuga os deuses e os homens. Por isso mesmo, o Destino assume grande importância na filosofia de vida de Reis: é através da consciência do Destino que Reis decide a fundamental atitude de aceitar a vida como ela é (estoicismo), tirando dela apenas os prazeres simples que pode retirar (epicurismo).
É disto que Reis fala na ode que analisamos: do modo como não cumprimos o que desejamos (ou seja, não conseguimos o que desejamos) nem desejamos o que cumprimos. É o Destino que decide por nós, e nós apenas cumprimos a vontade do Destino – raiz superior da vida humana e da vida divina.
"Cumpramos o que somos / Nada mais nos é dado" é a afirmação fria e final deste princípio basilar de Reis. Para quê desejar mais se nada mais podemos ter como nosso? A procura de desejos fúteis é encarada como Reis como o principal obstáculo em atingir a verdade, uma verdade mais simples e essencial – uma verdade quase nula, mas absoluta na sua congruência com o que é o Destino dos homens.
Simultaneamente redutora, esta filosofia, por retirar ambição ao homem, deita-o a um novo caminho. De novo reforço que seria necessária uma mais longa análise para total consciência da importância destes princípios. Mas aqui afloramos alguns pontos iniciais, que com certeza dão para aguçar a curiosidade de quem lê.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Às Voltas com a Memória: ELVIS PRESLEY (n. 08 Jan. 1935; m. 16 Ago. 1977)


Elvis Aaron Presley nasceu na cidade de East Tupelo (East Tupelo seria agregada mais tarde à cidade de Tupelo, formando assim uma única cidade), no estado do Mississippi, no dia 8 de Janeiro de 1935, único sobrevivente ao parto de uma dupla de gémeos monozigóticos (verdadeiros). Seu irmão, Jessie Garon, nasceu morto. Na pequena cidade do interior dos Estados Unidos, ele aprendeu com a mãe e o pai a ser respeitador, independentemente de aspectos de qualquer ordem, quer étnicos, sexuais ou sócio-económico e financeiros. Nos seus primeiros anos de vida, cresceu no meio dos destroços de um furacão que devastou a sua cidade no dia 5 de Abril de 1936. Em 1945, Elvis participou num concurso de novos talentos na "Feira Mississippi – Alabama", onde conquistou o segundo lugar e o prémio de 5 dólares, mais ingressos para todas as diversões. Elvis, na ocasião, cantou Old Shep, canção que retrata o desespero de um menino pela perda do seu cão. No mesmo ano, o seu pai presenteou-o com um violão, que passou a ser a sua companhia constante, inclusive na escola. Elvis e a família mudaram-se para Memphis no dia 12 de Setembro de 1948. A família Presley morou por bastante tempo em condições precárias. No período de 1948 até 1954, Elvis trabalhou em várias actividades. Foi arrumador no cinema e motorista de camião. Concluiu os seus estudos em 1953. Nas horas vagas, cantava e tocava o seu violão e, eventualmente, onde possível, arriscava alguns acordes ao piano. Reza a lenda que apreciava cantar na penumbra e até em breu total. As suas influências musicais foram a pop da época, particularmente Dean Martin; a country; a música godspel, ouvida na 1ªIgreja Evangélica Assembleia de Deus da sua cidade; o R&B, capturado na histórica "Beale Street", além do seu apreço pela música erudita particularmente a ópera. Um de seus maiores ídolos era o tenor Mário Lanza e, naturalmente, cantores godspel como J. D. Sumner, seu preferido.
Em 18 de Julho de 1953 e posteriormente em 4 de Janeiro, 5 de Junho e 26 de Junho de 1954, Elvis grava algumas canções de forma experimental, no "Memphis Recording Service", filial da Sun Records.
Entretanto, em Julho de 1954, Elvis entra em estúdio e grava outras canções iniciando assim a sua carreira profissional. No dia 5 de Julho de 1954, considerado o "marco zero" do rock, Elvis ensaiava algumas canções, até que, num momento de descontracção, de forma improvisada, começou a cantar o blues "That's All Right, Mama" de Arthur Crudup, provocando em Sam Phillips um grande entusiasmo. Surgia então o rockabilly, uma das primeiras formas do rock'n and roll. Grava uma nova canção, do género, dessa vez, "Blue Moon of Kentucky", um tema bluegrass que foi gravado com a mesma levada de "That's All Right, Mama". Ambas comporiam seu primeiro disco, um "compacto simples" (single). Participaram das sessões, além de Elvis e Sam, o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black.
No dia 7 de Julho as duas canções são tocadas pela primeira vez numa rádio de Memphis, o resultado é um sucesso absoluto. Devido a toda essa repercussão, Elvis é convidado a dar uma entrevista, a sua primeira como cantor profissional. A canção "Blue Moon Of Kentucky" chega ao primeiro lugar na parada country da Billboard na cidade de Memphis e "That's All Right, Mama" atinge o quarto lugar da mesma parada. Em 17 de Julho realiza o seu primeiro espectáculo na cidade de Memphis, em 2 de Outubro faz o seu primeiro espectáculo fora de Memphis, a cidade escolhida foi a capital do Country, Nashville. Em 8 de Outubro, Elvis faz a sua primeira apresentação fora do estado do Tennessee, a cidade escolhida é Atlanta na Geórgia. No dia 16 do mesmo mês Elvis tem provavelmente o seu primeiro grande momento na carreira, ele realiza na cidade de Shreveport no estado da Louisiana um espectáculo que era transmitido pela rádio local de enorme sucesso na época chamado "Louisiana Hayride", onde foi recebido de forma bastante entusiasmada pela plateia. O ano de 1955 pode ser avaliado como a génese do sucesso nacional de Elvis. Além das inúmeras polémicas em torno das suas apresentações. Somando-se a isso, as suas performances em programas de rádio e algumas apresentações em programas locais de televisão, onde ele se destaca. As suas canções começam a fazer sucesso nacionalmente, "Mystery Train" chega ao 11º lugar na parada nacional country da Billboard, "Baby, Let's Play House" atinge o 5º posto na mesma parada, até culminar com a primeira canção "número um" nos charts nacionais, canção denominada "I Forgot To Remember To Forget". Neste mesmo ano ele conheceria o seu empresário Tom Parker, que seria o seu agente na carreira ao longo da sua vida. Apesar dos múltiplos rumores, dos quais o próprio Elvis fora sabedor, apenas nos anos 80 revelou-se, publicamente o seu verdadeiro nome e nacionalidade. Parker recebera título - honorário, seu verdadeiro nome era Andreas Cornelius van Kuijk, oriundo da Holanda e nascido em 1909.
Em 1956, Elvis tornou-se uma sensação internacional. Com um som e estilo que, uníssonos, sintetizavam as suas diversas influências, ameaçavam a sociedade conservadora e repressiva da época e desafiavam os preconceitos múltiplos daqueles idos, Elvis fundou uma nova era e estética em música e cultura populares, consideradas, hoje, "cults" e primordiais, mundialmente. As suas canções e álbuns transformam-se em enormes sucessos e alavancaram vendas recordes em todo o mundo. Elvis tornou-se o primeiro "mega star" da música popular, inclusive em termos de marketing. Muitos postulam que essa revolução chamada rock, da qual Elvis foi emblemático, teria sido a última grande revolução cultural do século XX; já que, as bandas, cantores e compositores que surgiram nas décadas seguintes – e fizeram muito sucesso, foram influenciados, de alguma maneira, directa ou indirectamente por Elvis. O que pode ser considerado verdade. O preço do pioneirismo transformador, entretanto, é altíssimo. Elvis foi implacavelmente perseguido pelos múltiplos segmentos reaccionários estadunidenses e por todas as etnias. Os brancos, preconceituosos burgueses representantes da classe dominante, achavam-no vulgar, enquanto representante de uma estética popular, cuja interface negra – o rock, "filho" também do R&B – era uma música de negros e para negros e, por isso, considerada "menor" por aquele grupo dominante. Já os negros, achavam que por ser uma música de origem negra, nenhum branco deveria representá-la e divulgá-la, mormente para uma facturação que sempre lhes fora negado. Elvis, em verdade, foi perseguido e tornou-se vítima de muitos preconceitos por ir de encontro a um sistema estabelecido e quiçá por ter origens humildes, facto pelo qual ele sempre foi discriminado.
Mas Elvis superou as adversidades, tornou-se o "O Rei da Guitarra Eléctrica"! - lembram os estudiosos de sua obra, com propriedade, o género que, curiosamente, menos interpretou quantitativamente; título outorgado primeiramente pela revista Variety. Até os dias actuais, Elvis é lembrado como um dos maiores nomes da música em todos os tempos, ainda que a sua maior importância, talvez ainda esteja por ser estudada e compreendida, por estudiosos da Sociologia e Psicanálise, principalmente. As suas apresentações televisivas quebraram todos os recordes de audiência, além das inevitáveis polémicas geradas pelas suas performances explosivas. Podem ser citadas como exemplos, as interpretações de "Hound Dog" nos programas de Ed Sullivan e Milton Berle. Em 1 de Abril de 1956, Elvis grava uma performance em cores da canção "Blue Suede Shoes", cena esta que fazia parte de um teste feito pela 20th Century Fox para o filme "Love Me Tender", sendo que a referida cena não foi transmitida na época, tendo permanecido nos arquivos da "FOX" até finais da década de 1980, essa talvez tenha sido sua primeira performance em cores, afinal, naquela época a transmissão em cores estava em seu início. No mês de Outubro de 1956, Elvis realiza um espectáculo na cidade de Dallas no estádio "Cotton Bowl" para um público estimado de 27 mil pessoas, algo incomum para um artista solo naqueles tempos. Em Janeiro de 1957, a sua última apresentação no programa de Ed Sullivan, Elvis provocou uma enorme celeuma, quando, contra a vontade do apresentador, cantou a música godspel preferida de sua mãe, "Peace In The Valley". No final de 1957, um show realizado no Pan Pacific de Los Angeles foi considerado um dos maiores momentos da carreira de Elvis, por sua sensual e arrebatadora apresentação, considerada escandalosamente provocativa pelos puritanos da época. No mesmo ano de 1957, Elvis  apresentou-se no Canadá, os seus únicos shows fora dos Estados Unidos, num total de cinco espectáculos que abalaram o país vizinho. Neste ano, Elvis adquiriu a mansão Graceland, sua eterna morada. Em 1959 conhece Priscilla Beaulieu (que tinha 14 anos na época), que viria a ser sua mulher alguns anos mais tarde.
Em 1958, Elvis foi para o exército, uma convocação real, facilmente descartável, porém aproveitada comercialmente por seu empresário para expandir a sua faixa de público. Transferido, permaneceu na Alemanha de Outubro de 1958 até Março de 1960. Em Agosto de 1958, o falecimento de sua mãe transformar-se-ia no marco mais dramático de sua vida.
Elvis jamais voltaria a ser o mesmo no quesito pessoal. Ironicamente, nesse momento, Elvis é o maior ídolo mundial de todos os tempos.
Em Março de 1960, Elvis retornou da Alemanha e surpreendeu o mundo ao aceitar o convite para participar do programa de Frank Sinatra, "The Frank Sinatra Show – The Timex Special", realizando uma de suas melhores performances televisivas. Selou, a partir de então, uma relação de cordialidade com seu anfitrião e com Sammy Davis, Jr. - com quem, inclusive, ensaiou os números de orquestra - que perduraria ao longo de sua vida. O programa bateu todos os recordes de audiência do ano, conquistando Elvis uma nova faixa de público e apresentado pela "Rat Pack", naquele momento, contava com grande prestígio, razão pela qual o astuto empresário Tom Parker o elogiava. No cinema, Elvis Presley contou com a sensível direcção do veterano Don Siegel no filme Flaming Star, um novo reconhecimento da crítica, virando um de seus mais bem sucedidos filmes em qualidade, ainda que tenha, curiosamente, desapontado seu público, à época, exigente de películas apenas histriónicas. No mesmo ano de 1960, Elvis novamente surpreende e lança um álbum godspel, contrariando o seu empresário e os proprietários da gravadora, que não viam com bons olhos um trabalho nesse género musical, entretanto, seguindo o seu instinto e de certa forma querendo homenagear sua mãe, ele participa de toda a parte da produção e no final do ano o álbum é lançado, tornando-se um grande sucesso do público e da crítica. Já em 1961, Elvis realizou shows em Memphis (dois) e no Hawaii com grande sucesso de crítica e público. No mesmo ano, Elvis foi homenageado com o "Dia Elvis Presley", tanto na cidade de Memphis como no estado do Tennessee. Elvis provava que sua a ida ao Exército e o fim da década de 50 não abalaria o seu sucesso e que alguns de seus álbuns na década de 60 tornaram-se clássicos, sendo avaliados como alguns dos melhores de sua carreira.
No período de 1960 até 1965, os seus filmes são um grande sucesso do público no mundo inteiro. Alguns críticos mais generosos, ainda que implacáveis acerca da qualidade duvidosa das películas, clamavam por melhores oportunidades e personagens para Elvis Presley que, entretanto, envolvido numa ciranda mercadológica, não se dispunha a aprender o ofício e frequentar as Escolas de Artes Cénicas, para aprimorar-se no ofício - a exemplo de Marlon Brando, e muitos outros. Ainda assim, sua versatilidade esteve presente e vários géneros foram visitados, sendo elogiado por algumas de suas performances, mesmo os roteiros não sendo avaliados como satisfatórios, ou seja, ele fazia a sua parte com mérito, mesmo não possuindo material de qualidade - entre os géneros apresentados nos seus filmes podem ser destacados, "musical", "faroeste", "drama" e "comédia" - os maiores e melhores destaques nesse período foram, Flaming Star (1960), Wild In The Country (1961), Follow That Dream (1962), Kid Galahad (1962), Fun in Acapulco (1963), Viva Las Vegas (1964), Roustabout (1964). A partir de 65, os  seus filmes perderam qualidade drasticamente, configurando período de grande alienação e tédio pessoal para o artista. Durante as filmagens de "Viva Las Vegas", em 1963, os protagonistas, Elvis e Ann-Margret, sueca de beleza estonteante, apaixonaram-se intensamente; o que legou bons resultados ao produto final, e muita especulação nos media. O filme "Viva Las Vegas" é considerado um de seus melhores momentos no cinema, sendo muito elogiado até nos dias actuais.
Apesar da fase de pouca qualidade em seus filmes e respectivas trilhas-sonoras, o ano de 1967 será lembrado pelo lançamento do disco que seria considerado um "divisor de águas" na carreira de Elvis, o godspel How Great Thou Art; decorrente de radical mudança na sua produção musical. O álbum surpreendeu o mundo, gradualmente, transformou-se num grande sucesso da crítica e do público; sendo, posteriormente, agraciado com um honroso Grammy, o Óscar da música. Ocorreram profundas mudanças nos seus tons, na própria textura vocal e, consequentemente, nos seus registos. No mesmo ano, Elvis Presley finalmente casou-se com Priscilla Beaulieu, já residente em Graceland, Memphis, desde meados da década, o matrimónio foi realizado na cidade de Las Vegas. Nesse período, entre 1967 e 1968, foram lançados alguns compactos muito elogiados, enormemente criativos e interessantes - goste-se ou não de Elvis Presley, reconhecerão seus ouvintes. Tudo devido as sessões de gravação ocorridas ainda em 1966, mais precisamente em Maio e Junho, onde o repertório foi sendo aprimorado qualitativamente, gerando além do álbum "How Great Thou Art", outras canções de bom nível como "Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every Day Was Like Christmas". O mesmo pode ser percebido em 1967 em canções como "Suppose", "Guitar Man", "Big Boss Man", "Singing Tree", "Mine", "You'll Never Walk Alone". No período de 66/67, Elvis realiza várias sessões caseiras, onde ele interpreta várias canções de vários estilos e épocas distintas, mostrando um talento intuitivo e natural, no entanto, essas gravações só caíram no conhecimento do público, na sua grande maioria, no final da década de 1990. Em 1 de Fevereiro de 1968 nasce a sua primeira e única filha: Lisa Marie Presley.
No ano de 1969, Elvis retornou aos palcos, após 8 anos de afastamento voluntário do contacto directo com o público. O lugar escolhido foi Las Vegas, onde passou a realizar várias temporadas anuais regularmente; aclamadas pela crítica e público. Vegas, seria, em verdade,  a sua grande escola. A partir deste 1969, Elvis Presley amadureceria sua performance e tornar-se-ia um cantor experiente e com domínio cénico, além de ser avaliado como fantástico pela crítica da época, além de profissional e exuberante. É excêntrico, com suas roupas ainda mais extravagantes e estilizadas. O ano de 1969 também seria marcado por sessões de gravação muito produtivas e pela escolha de um repertório e equipa musical de grande qualidade. A resposta foi imediata: "Suspicious Minds", "In the Ghetto" e "Don't Cry Daddy" tornam-se "big hits" em todo o mundo. Por razões contratuais, concluiu os seus últimos filmes de ficção, que pouco interesse despertaram, tampouco a um Elvis reinventado em criatividade, vigor e emoção.
O ano de 1970 denotou um grande amadurecimento cénico e vocal de Elvis Presley, em relação ao anterior. Novas temporadas em Las Vegas ocorreram, com mudanças radicais no repertório – mais versátil e actualizado para aqueles dias -; shows avaliados como electrizantes, tanto pela crítica como pelo público, porém com actuações mais elaboradas. Muitas dessas apresentações foram gravadas e deram origem a discos como "On Stage". Pela primeira vez no mundo, um artista prescindia de seu nome na capa – no original. Um novo marco! Apesar do grande sucesso, segmentos da crítica e dos estudiosos do show-business temiam que a rotina de espectáculos em Vegas, terra de pouca inventividade, pudessem tornar Elvis alienado e desmotivado, o que definitivamente não ocorreu. No mesmo ano, após seu retorno às apresentações ao vivo, Parker e Presley iniciaram uma série de grandes espectáculos históricos e considerados magistrais, mesmo na época de sua realização; e inventaram, gradativamente, uma nova concepção de shows: as "mega – tours". Presley fez 6 shows no Autódromo, em Houston, onde quebrou todos os recordes de público, reunindo 43.000 pagantes na quarta apresentação. Um recorde impensável para aqueles idos!
No mesmo ano de 1970, Elvis surpreendeu o show-business com a realização do documentário That's The Way It Is, filmado nos meses de Julho e Agosto, com cenas de estúdio e ao vivo; lançado no final do ano nos Estados Unidos – e, no ano seguinte, no Brasil. A película foi recebida com sucesso estrondoso, particularmente no Japão, onde quebrou recordes de público, com filas intermináveis. Tornou-se um mega – sucesso, dirigido pelo então jovem e talentoso director Dennis Sanders; com quem, entretanto, Elvis não chegou a estabelecer uma relação confortável. Elvis tornara-se um artista maduro e um "entertainer" cativante, para vários públicos. O karaté, uma de suas paixões, passou a ocupar ainda mais espaço cénico em suas coreografias. No final do ano, Elvis encontrou o Presidente Richard Nixon, em episódio insólito e controvertido biograficamente. Em 1971, Elvis foi agraciado com dois importantes prémios, o primeiro logo em Janeiro, se referia ao prémio concedido pela "Câmara Júnior de Comércio Estadunidense" em relação as dez pessoas mais importantes da América em 1970. Seguindo-se a isso o prémio denominado Grammy Lifetime Achievement Award, uma espécie de "conjunto da obra", foi concedido pelo Grammy ao rei da Guitarra Eléctrica.
Entre 1970 e 1972, Elvis Presley realizou, com enorme êxito, várias tournée pelos Estados Unidos e, motivado pelo grande sucesso de "That's The Way It Is", um novo filme foi idealizado; desta feita, na tentativa de capturar a intimidade e o ritmo frenético do astro e seus fãs nestas empreitadas. Então, em 1972, concluiu-se o documentário Elvis on Tour, de concepção bastante moderna para a época, vencedor do Globo de Ouro daquele ano, em sua categoria. Também em 1972, Elvis apresentou quatro megas – espectáculos em Nova Iorque, no lendário Madison Square Garden. Grandes celebridades do "show – business" estiveram presentes aos shows, amplamente noticiados em todo o mundo, inclusive no Brasil. Entre outros, Art Garfunkel, Eric Clapton, John Lennon e David Bowie – atrasado pelo grande congestionamento do trânsito -, mostraram-se encantados. Neste 1972, seu casamento chegaria ao fim, ainda de maneira informal, causando-lhe imenso impacto e progressivo transtorno pessoal. Ironicamente, Elvis viveu um ano triunfal profissionalmente, retornando, glorificado, ao primeiro lugar das paradas mundiais de sucesso com a canção "Burning Love".
Nesta época, Elvis e Priscilla sofriam uma crise no casamento. Ela reclamava que ele estava muito distante dela por causa de seus shows, além de existirem casos de infidelidade dos dois lados. Tudo isso causou, em Fevereiro de 1972, o fim de seu casamento, ainda de maneira informal, causando-lhe imenso impacto e progressivo transtorno pessoal. Em Janeiro de 1973, ele pede o divórcio definitivo. Ironicamente, Elvis viveu um ano triunfal profissionalmente, retornando, glorificado, ao primeiro lugar das paradas mundiais de sucesso com a canção "Burning Love".
Apesar de estar mergulhado em problemas pessoais e de saúde, mas no auge como artista, em 14 de Janeiro de 1973, Elvis Presley realizou o primeiro show via satélite do mundo, transmitido, ao vivo, para muitos países – inclusive o Brasil, pela Rede Tupi - e, posteriormente, para quase todo o planeta. O especial, Aloha from Hawaii, foi assistido por aproximadamente 14 milhões de telespectadores – número surpreendente para aqueles dias. Nos Estados Unidos, sucesso estrondoso, foi ao ar em Abril de 1973, tendo recebido o seguinte comentário no editorial do jornal The New York Times: "Elvis superou sua própria lenda!" No Brasil, foi ao ar novamente em Abril do ano seguinte, 1974, com grande êxito. O álbum duplo, inaugural do sistema "quadrofonia", uma espécie de ancestral do "home theater", foi imediatamente colocado no mercado, atingindo rapidamente o marco de 1 milhão de cópias vendidas.
Apesar do aumento dos problemas pessoais e uma crescente piora em sua saúde com o visível aumento de peso, Elvis consegue empolgar em muitos de seus shows a partir de 1974, seus espectáculos foram se transformando, onde era periodizado a qualidade e grandiosidade das canções e sua voz que atingia cada vez mais o seu auge. O ano de 1974, artisticamente, foi deveras criativo para Elvis Presley e poderia ter se tornado a pedra fundamental para uma nova grande guinada em sua carreira e vida pessoal, o que aconteceria em parte, especialmente em alguns espectáculos em Las Vegas, onde Elvis inovou em seu repertório, bem como em seus trajes, bastante distintos em relação aos usados na época; Após 13 anos ausente dos palcos de Memphis, sua residência, neste 1974 Elvis voltou a apresentar-se na cidade, triunfalmente. O show do dia 20 de Março foi gravado, garantindo-lhe novo Grammy pela performance de "How Great Thou Art", um clássico do cancioneiro religioso. Até hoje, o feito expressivo é referenciado como de grande relevância em sua carreira, por fãs e interessados em música e sua história. Enormemente insatisfeito com os rumos dados à carreira por seu empresário Tom Parker – repertório, gravadora, Las Vegas, recusas de bons roteiros cinematográficos –, Elvis chegou a demiti-lo mas, posteriormente, indirectamente desautorizado por familiares - desinteressados no rompimento -, voltou atrás; muito frustrado e insatisfeito.
Ainda no ano de 1974, Elvis voltou a se apresentar no Astrónomo, de Houston, estádio monumental, jamais contemplado com tal magnitude de um espectáculo de música popular. Novos recordes foram quebrados, superiores aos próprios, de 1970. Em um segundo show, 44.175 pagantes foram contabilizados; público até então inimaginável para um concerto de um único artista. Além de Houston, realizou shows históricos em Los Angeles, no mês de Maio; prestigiado inclusive por artistas e bandas das novas gerações, então no auge, como um eufórico e entusiasmado Led Zeppelin. Uma única sessão de gravação foi realizada no ano seguinte, 1975, quando, no último dia do ano, Elvis Presley quebrou novo recorde de público para um artista solo até então, apresentando-se para 62 mil pessoas. Segmento de seus biógrafos afirmam que este seria seu último ano primoroso artisticamente; Elvis realiza shows históricos em sua carreira, sendo elogiado por todos, propiciando o seguinte comentário do jornal The New York Times: "Cada vez mais Presley melhora sua voz atingindo excelentes notas vocais. Ele ainda é o rei nos palcos.", referindo-se aos shows de "Uniondale" no condado de Nassau no estado de Nova Iorque. Muitos afirmam que os alguns dos melhores shows de Elvis em toda a carreira foram realizados em 1975. No mesmo período são lançados dois dos melhores álbuns de Elvis na década de 70, Elvis Today e Promised Land. Entretanto, pessoalmente, seus percalços se somavam gradativamente. Em 1976, ano em que realizou mais de 100 mega – espectáculos, Elvis voltou a apresentar-se no último dia do ano, na cidade de Pittsburgh; reconhecido pela crítica e público como um dos seus últimos grandes espectáculos de qualidade; para os fãs, antológico! Elvis Presley subiu aos palcos regularmente, de forma sofrível, ao longo dos seis primeiros meses de 1977, com a saúde visivelmente deteriorada. No mês de Junho, teve espectáculos filmados pela rede de televisão CBS, vislumbrando um vindouro mega – especial, a ser levado ao ar em cadeia nacional oportunamente.
Na noite de 15 de Agosto Elvis vai ao dentista por volta das 11:00 da noite, algo muito comum para ele. De madrugada ele volta a Graceland, joga um pouco de ténis e toca algumas canções ao piano, indo dormir por volta das 4 ou 5 da madrugada do dia 16 de Agosto. Por volta das 10 horas Elvis teria levantado para ler no banheiro, o que aconteceu desse ponto até por volta das duas horas da tarde é um mistério. O desenlace ocorreu, possivelmente, no final da manhã, no banheiro de sua suite, na mansão Graceland, na cidade de Memphis, no Tennessee. Os factores predisponentes sistémicos, os hábitos quotidianos e as circunstâncias que culminaram com a morte de Elvis Presley, são dos pontos mais polémicos e controvertidos entre seus biógrafos e fãs. Elvis só foi encontrado morto no horário das duas horas da tarde por sua namorada na época, Ginger Alden. Logo após, o seu corpo é levado ao hospital "Memorial Batista" e sua morte confirmada.
A morte de Elvis Aaron Presley no dia de 16 de Agosto de 1977, causada por colapso fulminante associado à disfunção cardíaca, surpreendeu o mundo, provocando comoção como poucas vezes fora vista em nossa cultura; inclusive no Brasil. Os fãs se aglomeraram em maior número em frente a mansão. As linhas telefónicas de Memphis estavam tão congestionadas que a companhia telefónica pediu aos residentes para não usarem o telefone a não ser em caso de emergência. As floriculturas venderam todas as flores em stock. O velório aconteceu no dia 17. Alguns, dos milhares de fãs, puderam ver o caixão por aproximadamente 4 horas.
Por volta das 3 da tarde do dia 18 de Agosto a cerimónia para familiares e amigos foi realizada, com canções gospel sendo cantadas pelos "Stamps" (Grupo vocal gospel) e por Kathy Westmoreland (cantora), ambos fizeram parte do grupo musical de Elvis na década de 1970. Após a cerimónia todos foram levados até o cemitério em limusinas, logo em seguida o corpo de Elvis é enterrado. Mas para os fãs e apreciadores de artistas que viraram ícones, a morte física de Elvis pouco importa. E para seus admiradores, enquanto houver desejo e emoção, Elvis Presley viverá.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Poeta é um fingidor


Esta Velha Angústia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!

Análise do Poema


Este poema de Álvaro de Campos fala de uma angústia intensa sentida pelo poeta. A angústia não é nele um sentimento concreto, mas um sentimento diluído e avassalador que ele transporta há muito tempo (a hipérbole é evidente, na expressão "há séculos em mim"). É uma angústia pela vida que ele leva, que o põe na beira do desespero, mas um desespero interior, repetitivo e inconsequente.
Ou seja, o seu estado de tristeza não é um degrau para a mudança para melhor, mas um lamento triste, uma ladainha comiserada e pobre, um choro baixinho. Lamentando-se o poeta sente-se de alguma forma melhor na sua condição, porque a assume plenamente e faz da sua tristeza algo superior, como se ele fosse todo apenas isso e nessa condição explana-se agora melhor a sua dimensão humana num outro plano desconhecido.
Para passar esta mensagem: repetitiva, soturna, doente, louca, dominada pela depressão, Campos usa diversos recursos estilísticos, mas eu destacaria a hipérbole (séculos em mim) e a anáfora (em lágrimas, em sonhos, em grandes...). A repetição, sobretudo pelo uso de anáfora, dá aquela impressão de loucura subjacente, de alguém que louco, se balouça para à frente e para trás, só porque não sabe bem para onde ir – um verdadeiro e pleno desespero, mas parado e solene.
Passando pela memória da infância perdida – o exemplo perfeito do que já não pode ser e que está perdido para sempre – o poeta caminha no poema de acordo com o seu desespero e o seu caminho é angustiante como o titulo do mesmo. A sua vida, o seu percurso de vida, vê-o marcado pela loucura, talvez por causa das ideias que tem mas que nunca se concretizam – afinal o que é um louco muitas vezes senão apenas um génio sem aplicação prática na vida?
Estou doido/estou lúcido/estou alheio – diz Campos. A anáfora passa-nos pela alma e reforça a condição perdida do poeta.
Tudo culmina nas duas últimas estrofes. Campos começa por recordar novamente a velha casa da infância. "Pobre e velha" – a hipérbole leva Campos a maximizar a sua dor, de preferir um passado mais pobre a um presente angustiado, mesmo que mais rico.
O uso da interrogação de modo repetitivo reforça novamente o desespero. Novamente anáfora. E depois parece uma anadiplose – Quem de quem fui? - que perpassa um discurso quase desconexo.
Na última estrofe, a esperança numa solução ilusória ao desespero, à angústia. "Ao menos tivesse uma religião". O uso da hipérbole é novamente evidente – feiíssimo, grotesco. Ai também uma elipse, porque Campos se refere ao tal manipanso sem o nomear.
Acaba com uma metáfora simples: coração de vidro pintado. Um desejo subtil de morte pela ideia de um coração fraco e delicado, de vidro pintado, que Campos deseja que estale para que tudo acabe finalmente, para que o seu sofrimento pare.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Mundo que nos Rodeia: MAUS CHEFES PROVACAM ATAQUES DE CORAÇÃO


Mais um artigo que dá para pensar e reflectir. Trata da relação com os chefes no local de trabalho e da necessidade imediata de "varrer" todos os maus chefes, pois podem ser fatais à saúde dos colaboradores directos. Este artigo, é de facto uma verdade absoluta e concerteza todos nós temos exemplos reais "desta verdade". Leiam por favor, foi publicado na Revista Destak, por Isabel Stilwell (na foto).


MAUS CHEFES PROVOCAM ATAQUES DE CORAÇÃO
Por Isabel Stilwell

Faz muito bem em ir ao ginásio, seguir uma dieta regrada, em evitar o tabaco, álcool e por aí adiante. O seu coração agradece. Mas se quer mesmo garantir a sua sobrevivência, e apesar da dificuldade em encontrar novos empregos, fuja a sete pés dos chefes incompetentes, irascíveis e injustos, porque o efeito desta gente sobre a sua saúde pode revelar-se mortal. Pelo menos é o que diz o estudo de uma equipa sueca que acompanhou mais de 3 mil trabalhadores homens, com idades entre os 18 e os 70 anos.
A primeira tarefa pedida às cobaias foi a de que avaliassem a competência e o carácter de quem geria o seu trabalho. Depois, durante uma década, a sua saúde foi sendo avaliada, registando-se neste período 74 casos de empregados vítimas de problemas cardíacos graves, nalguns casos até fatais. Do estudo à lupa de todo este trabalho, foi possível perceber que existe, de facto, uma relação directa entre a doença e os maus chefes. Era esse o factor de risco que todos tinham em comum, e que assumia mais peso do que factores de risco como o tabaco, ou a falta de exercício. Perceberam também que os efeitos secundários dos chefes maus era independente do tipo de trabalho desempenhado, da classe social a que pertenciam, das habilitações que possuíam e inclusivamente do dinheiro que tinham na sua conta bancária. Descobriram ainda, que o efeito que um incompetente a mandar provoca é cumulativo, ou seja, se trabalhar para um idiota aumenta em 25% a probabilidade de um enfarte, essa probabilidade crescia para 64% se o trabalhador se mantivesse naquela situação por mais de quatro anos.
E explicação é relativamente simples: quando alguém se sente desvalorizado, sem apoio, injustiçado e traído, entra em stress agudo que leva à hipertensão e a outros distúrbios que deterioram a saúde do trabalhador. Daí a importância do apelo que estes especialistas fazem de que as estruturas estejam atentas e «abatam» rapidamente os chefes que não merecem sê-lo.