sexta-feira, 4 de março de 2011

O Mundo que nos Rodeia: TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ

Vou iniciar hoje uma nova rúbrica, "O Mundo que nos Rodeia". Esta nova temática irá abordar básicamente notícias do dia-a-dia com relevância e interesse para todos os leitores e obriga a alguma reflexão sobre o mundo e a sociedade que nos rodeia. Inicie com um artigo de um escritor espanhol, Sebastian Vilar Rodriguez, intitulado: "TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ",  escrito num jornal espanhol.




TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ
Por Sebastian Vilar Rodriguez

Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. – A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de  muçulmanos.
Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade, e talento.
Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo.
 A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comercio internacional, e acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimámos.
E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.
Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime.
Fechados nos seus apartamentos eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planeiam o assassinato e a destruição dos seus ingénuos hospedeiros.
E assim, na nossa miséria, trocámos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa, por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição.
Trocámos  a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu  apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.
Que terrível erro cometido pela miserável Europa.
O total da população islâmica (ou muçulmana) é de, aproximadamente, 1 200 000 000, isto é um bilião e duzentos milhões  ou seja 20% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura
1988 – Najib Mahfooz

Paz
1978 – Mohamed Anwar El-Sadat
1990 – Elias James Corey
1994 – Yaser Arafat
1999 – Ahmed Zewai

Economia
(ninguém)

Física
(ninguém)

Medicina
1960 – Peter Brian Medawar
1998 – Ferid Mourad

TOTAL: 7 (sete)

O total da população de Judeus é, aproximadamente, 14 000 000, isto é catorze milhões ou seja cerca de 0,02% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura 
1910 - Paul Heyse
1927 - Henri Bergson
1958 - Boris Pasternak
1966 - Shmuel Yosef Agnon
1966 - Nelly Sachs
1976 - Saul Bellow
1978 - Isaac Bashevis Singer
1981 - Elias Canetti
1987 - Joseph Brodsky
1991 - Nadine Gordimer World

Paz 
1911 - Alfred Fried
1911 - Tobias Michael Carel Asser
1968 - Rene Cassin
1973 - Henry Kissinger
1978 - Menachem Begin
1986 - Elie Wiesel
1994 - Shimon Peres
1994 - Yitzhak Rabin

Física 
1905 - Adolph Von Baeyer
1906 - Henri Moissan
1907 - Albert Abraham Michelson
1908 - Gabriel Lippmann
1910 - Otto Wallach
1915 - Richard Willstaetter
1918 - Fritz Haber
1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr
1925 - James Franck
1925 - Gustav Hertz
1943 - Gustav Stern
1943 - George Charles de Hevesy
1944 - Isidor Issac Rabi
1952 - Felix Bloch
1954 - Max Born
1958 - Igor Tamm
1959 - Emilio Segre
1960 - Donald A. Glaser
1961 - Robert Hofstadter
1961 - Melvin Calvin
1962 - Lev Davidovich Landau
1962 - Max Ferdinand Perutz
1965 - Richard Phillips Feynman
1965 - Julian Schwinger
1969 - Murray Gell-Mann
1971 - Dennis Gabor
1972 - William Howard Stein
1973 - Brian David Josephson
1975 - Benjamin Mottleson
1976 - Burton Richter
1977 - Ilya Prigogine
1978 - Arno Allan Penzias
1978 - Peter L Kapitza
1979 - Stephen Weinberg
1979 - Sheldon Glashow
1979 - Herbert Charles Brown
1980 - Paul Berg
1980 - Walter Gilbert
1981 - Roald Hoffmann
1982 - Aaron Klug
1985 - Albert A. Hauptman
1985 - Jerome Karle
1986 - Dudley R. Herschbach
1988 - Robert Huber
1988 - Leon Lederman
1988 - Melvin Schwartz
1988 - Jack Steinberger
1989 - Sidney Altman
1990 - Jerome Friedman
1992 - Rudolph Marcus
1995 - Martin Perl
2000 - Alan J.. Heeger

Economia 
1970 - Paul Anthony Samuelson
1971 - Simon Kuznets
1972 - Kenneth Joseph Arrow
1975 - Leonid Kantorovich
1976 - Milton Friedman
1978 - Herbert A. Simon
1980 - Lawrence Robert Klein
1985 - Franco Modigliani
1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz
1990 - Merton Miller
1992 - Gary Becker
1993 - Robert Fogel

Medicina
1908 - Elie Metchnikoff
1908 - Paul Erlich
1914 - Robert Barany
1922 - Otto Meyerhof
1930 - Karl Landsteiner
1931 - Otto Warburg
1936 - Otto Loewi
1944 - Joseph Erlanger
1944 - Herbert Spencer Gasser
1945 - Ernst Boris Chain
1946 - Hermann Joseph Muller
1950 - Tadeus Reichstein
1952 - Selman Abraham Waksman
1953 - Hans Krebs
1953 - Fritz Albert Lipmann
1958 - Joshua Lederberg
1959 - Arthur Kornberg
1964 - Konrad Bloch
1965 - Francois Jacob
1965 - Andre Lwoff
1967 - George Wald
1968 - Marshall W. Nirenberg
1969 - Salvador Luria
1970 - Julius Axelrod
1970 - Sir Bernard Katz
1972 - Gerald Maurice Edelman
1975 - Howard Martin Temin
1976 - Baruch S. Blumberg
1977 - Roselyn Sussman Yalow
1978 - Daniel Nathans
1980 - Baruj Benacerraf
1984 - Cesar Milstein
1985 - Michael Stuart Brown
1985 - Joseph L. Goldstein
1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]
1988 - Gertrude Elion
1989 - Harold Varmus
1991 - Erwin Neher
1991 - Bert Sakmann
1993 - Richard J. Roberts
1993 - Phillip Sharp
1994 - Alfred Gilman
1995 - Edward B. Lewis
1996- Lu RoseIacovino 

TOTAL: 128 (cento e vinte e oito)  


Os judeus não estão a promover lavagens cerebrais a crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar um máximo de mortes a judeus e a outros não muçulmanos.
Os judeus não “tomam”  aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, nem se fazem explodir em restaurantes alemães.
Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. NÃO há um único judeu que proteste matando pessoas.
Os judeus não traficam escravos, não têm líderes a clamar pela Jihad Islâmica e morte a todos os infiéis.
Talvez os muçulmanos do mundo devessem considerar investir mais numa educação modelo e menos em queixarem-se dos judeus  por todos os seus problemas.
Os muçulmanos deviam perguntar o que poderiam fazer  pela humanidade antes de pedir que a humanidade os respeite.
Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os seus vizinhos palestinianos  e árabes, mesmo que creiamos que há mais culpas na parte de Israel, as duas frases que se seguem realmente dizem tudo:
“Se os árabes depusessem hoje as suas armas não haveria mais violência. Se os judeus depusessem hoje as suas armas  não haveria mais Israel” (Benjamin Netanyahu)
Por uma questão histórica, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou todas as vítimas mortas nos campos de concentração nazi, mandou que as pessoas ao visitarem esses  campos de morte, tirassem todas as fotografias possíveis, e para os alemães das aldeias próximas serem levados através dos campos e que enterrassem os mortos.
Ele fez isto porque disse de viva voz o seguinte:
 “Gravem isto tudo hoje. Obtenham os filmes, arranjem as testemunhas, porque poderá haver algum malandro  lá em baixo, na estrada da história, que se levante e diga que isto nunca aconteceu.
Recentemente, no Reino Unido, debateu-se a intenção de remover  o holocausto do curriculum das suas escolas, porque era uma ofensa para a população  muçulmana, a qual diz que isto nunca aconteceu. Até agora ainda não foi retirado do curriculum. Contudo é uma demonstração do
grande receio que está a preocupar o mundo e a facilidade com que as nações o estão a aceitar.
Já passaram mais de sessenta anos depois da Segunda Guerra Mundial na Europa ter terminado.
O conteúdo deste mail está a ser enviado como uma cadeia em memória dos 6 milhões de judeus, dos 20 milhões de russos, dos 10 milhões de cristãos e dos 1 900 padres Católicos que foram assassinados, violados, queimados, que morreram de fome, foram  espancados, e humilhados enquanto o povo alemão olhava para o outro lado.
Agora, mais do que nunca, com o Irão entre outros, reclamando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar-se de que o mundo nunca esquecerá isso.
É intento deste mail que chegue a 400 milhões de pessoas.
Que seja um elo na cadeia-memorial e ajude a distribui-lo pelo mundo.
Depois do ataque ao World Trade Center, quantos anos passarão antes que se diga. “NUNCA ACONTECEU”, porque isso pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos???


quinta-feira, 3 de março de 2011

À Volta com a Vida: MARIA GUILHERMINA (n. 03 de Mar. 1923; m. 19 Mai.1997)



Poderia retirar na Net palavras bonitas e lindas de homenagem às mães deste país, porventura deste universo, no entanto optei por palavras mais singelas, quiçá humildes, distinguir aquela que foi e será a grande mulher da minha vida – A minha MÃE.
Porque o faço hoje? Porque hoje, dia 3 de Março a minha mãe faria anos, caso ainda estivesse entre nós, porque hoje é um dia triste e alegre, porque hoje é um dia melancólico e atrozmente perturbador, e finalmente porque hoje, relembro uma grande vida, uma grande mulher, uma grande mãe. Não quero no entanto cair no chamado “senso comum”, a minha mãe é a melhor do mundo, a minha mãe é magnífica, a minha mãe é única, isso concerteza pensarão e dirão todas as pessoas (ou quase todas), não; quero apenas relembrá-la nesta pequena homenagem de um filho desolado porque já não a tem, de um filho triste porque já não se aconselha, de um filho abatido porque já não chora no seu ombro.
Hoje pensei profundamente sobre algo que me atormenta, algo que rumina dentro das profundezas do meu ser, algo que não controlo e por isso não tenho capacidade de resolver, a morte…Olhei para a história da humanidade, para os grandes homens e mulheres que por ela passaram, para as grandes descobertas, avanços, recuos, frustrações e “descobri”, todos morrem. Mas perguntei…a minha mãe porquê? Sou sincero, não consegui ainda ultrapassar a falta que me faz (e já lá vão 14 anos), e por vezes até penso…junto a ela estaria bem melhor, mas depois sinto que aqui poderei dignificar a pessoa que ela foi, embora por ora seja impossível realizar alguns dos seus sonhos…uma família unida, em paz, e sobretudo viva. Talvez a paz consiga, a união atinja…agora dar vida a quem já “abdicou” dela, isso é completamente impossível, e refiro-me aqui à tristeza que foi a perda de um irmão, já posterior ao desaparecimento da minha mãe.
Hoje pensei profundamente sobre algo que me atormenta, a capacidade de estar e não estar, de viver e não viver, de recordar e não recordar, de não ter a capacidade de replicar a vida ao ponto de partida, aos momentos felizes, aos momentos venturosos, auspiciosos que ela nos proporciona.
Acabo esta pequena homenagem, porque este tipo de missivas, quando longas tornam-se irrelevantes, porque ninguém as lê, por isso à minha MÃE o meu muito obrigado, deste filho que te adora e que permaneces sempre viva no seu coração. Homenagem também ao dia 3 DE MARÇO DE 1923 que trouxe na penumbra da madrugada esta grande mulher.   

quarta-feira, 2 de março de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: TALCOTT PARSONS (n. 13 Dez.1902; m. 08 Mai.1979)



Talcott Edgar Frederick Parsons, nasceu em 13 de Dezembro de 1902, no Colorado. O Seu pai foi um pastor Congregacionalista e depois reitor da Faculdade Marietta em Ohio. Como universitário, Parsons estudou Biologia e Filosofia na Faculdade Amherst e recebeu o título de bacharel em 1924. Depois de Amherst, estudou na London School of Economics por um ano, onde se familiarizou com a obra e o pensamento de Harold Laski, R. H. Tawney, Bronislaw Malinowski, Leonard Trelawny Hobhouse. Depois, na Universidade de Heidelberg, recebeu o título de Ph. D. em Sociologia e Economia. Foi em Heidelberg que ele se familiarizou com as ideias de Max Weber, então relativamente desconhecido entre os sociólogos americanos. Parsons traduziu diversos textos de Weber para o Inglês. Depois de um ano leccionando em Amherst (1923-1924), conseguiu um cargo em Harvard, primeiro em Economia e depois em Sociologia. Obteve seu primeiro reconhecimento significativo com a publicação de “A Estrutura da Acção Social” em 1937, sua primeira grande síntese, combinando as ideias de Durkheim, Weber, Pareto, entre outros. Em Harvard, formou o Departamento de Relações Sociais, um projecto interdisciplinar de Sociologia, Antropologia e Psicologia. Na América, foi um grande defensor da profissionalização da Sociologia e de sua expansão na academia americana. Foi eleito presidente da Sociedade Americana de Sociologia em 1949 e serviu como secretário entre 1960 e 1965.
Parsons trabalhou na Universidade de Harvard entre 1927 e 1973. Inicialmente, foi uma figura central no Departamento de Sociologia de Harvard, e posteriormente no Departamento de Relações Sociais (criado por Parsons para reflectir a sua visão de uma ciência social integrada). Desenvolveu um sistema teorético geral para a análise da sociedade que veio a ser chamado de Funcionalismo Estrutural.
A análise de Parsons foi largamente desenvolvida nas suas principais obras publicadas. Assim como outros sociólogos, ele buscou combinar actividade humana e estrutura numa teoria e não se limitou ao Funcionalismo.
Foi por muitos anos um dos Sociólogos mais conhecidos nos Estados Unidos e no mundo. O seu trabalho teve grande influência nas décadas de 1950 e 1960, particularmente na América, mas decaiu gradualmente a partir de então. A mais proeminente tentativa de reviver o pensamento parsoniano, sob o título de "Neofuncionalismo", pertence ao sociólogo Jeffrey Alexander, da Universidade de Yale.
Parsons saiu de Harvard em 1973, mas continuou ensinando (noutras universidades, como professor visitante) e escrevendo até a sua morte em 1979, no dia 8 de Maio, durante uma viagem à Alemanha.


Obra:

  • 1937  A Estrutura da Acção Social
  • 1951  O Sistema Social
  • 1956  Economia e Sociedade - com N. Smelser
  • 1960  Estrutura e Processo nas Sociedades Modernas
  • 1961  Teorias da Sociedade - com Edward Shils, Kaspar D. Naegele e Jesse R. Pitts
  • 1966  Sociedades: Perspectivas Evolucionárias e Comparativas
  • 1968  Teoria Sociológica e Sociedade Moderna
  • 1969  Política e Estrutura Social
  • 1973  A Universidade Americana - com G. Platt
  • 1977  Sistemas Sociais e a Evolução da Teoria da Acção
  • 1978  Teoria da Acção e a Condição Humana

terça-feira, 1 de março de 2011

O Poeta é um fingidor


Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus! O que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a unidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


Análise do Poema



Escrito em 1929, portanto já um poema de maturidade de Pessoa, o poema "Aniversário" pode certamente contar-se entre os poemas mais tristes e simultaneamente pungentes de toda a obra do poeta.
Lembremos porém, e em antecipação à análise propriamente dita, a biografia deste heterónimo. Campos é o heterónimo da modernidade em Pessoa, é o escandaloso, o extrovertido, cuja poesia (sobretudo em prosa) propicia a oralidade - é feita quase para ser declamada em voz alta. Sem métrica definida, muitas das vezes autor de longas odes, Campos marca a diferença também por essa forma de encarar a poesia. O caos do seu método é o caos do mundo moderno que ele retrata tão magistralmente, quer nos momentos activos (fase modernista), quer passivos (fases decandentista e pessimista).
O poema "Aniversário" enquadra-se precisamente na última fase do poeta, a fase dita "pessimista", em que os temas abordados por Campos voam em redor da sua desilusão com a vida, com a amargura e a lembrança de um passado para onde nunca mais poderá regressar. "Aniversário" é mesmo marcado por essa recordação da infância: " No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, / Eu era feliz e ninguém estava morto".
Campos parece referir-se aos anos de infância de Pessoa, em que nenhum dos seus irmãos tinha ainda morrido, e o seu próprio pai ainda o acompanhava. Nesse "tempo", festejar os anos era ainda uma festa inocente e feliz. Tudo isto na "casa antiga", na casa de infância. Talvez a casa do Largo de S. Carlos, ao Chiado, onde nasceu. Esse tempo passado é um tempo feliz, mas simultaneamente um tempo perdido, porque as crianças não sabem que são felizes, só mais tarde quando recordam.
As crianças têm "a grande saúde de não perceber coisa nenhuma". Tudo isso se perdeu. Perdeu-se "o menino". "O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), / O que eu sou hoje é terem vendido a casa, / É terem morrido todos, / É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..." Passa uma grande desilusão nestas palavras.
A infância perdeu-se para nunca mais regressar igual, e o hoje o poeta sente essa perda como a perda da sua identidade feliz. Ele apenas sobrevive, como "um fósforo frio", ou seja, um cadáver que vive, mas sem função, abandonado, sem utilidade. Campos deseja reatar o fogo apagado,", comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!", mas não o vai conseguir. Ele sabe-o quando diz: " Pára, meu coração! / Não penses! Deixa o pensar na cabeça!"
Deixar de pensar é, em Pessoa, alcançar a paz dos simples de espírito, daqueles que vivem simplesmente a vida: um objectivo que ele paradoxalmente sempre perseguirá, sendo ao mesmo tempo o maior dos poetas racionais.  

Nota: Como fiz anos a 27 de Fevereiro, resolvi dedicar este poema a mim!

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: PIERRE BOURDIEU (n. 01 Ago.1930; m. 23 Jan.2002)


Pierre Félix Bourdieu, nasceu em 01 de Agosto de 1930, em Denguin, França. Nascido numa família campesina, ingressa em 1951 na Faculdade de Letras, em Paris, na Escola Normal Superior e em 1954 gradua-se em Filosofia, assumindo a função de professor em Moulins. Após prestar serviço militar na Argélia, assume, em 1958 o cargo de professor assistente na Faculdade de Letras em Argel, quando inicia sua pesquisa acerca da sociedade cabila.
Em 1960 torna-se assistente de Raymond Aron, na Faculdade de Letras de Paris e principia seus estudos acerca do celibato na região de Béarn. Ainda em 1960 integra-se ao Centro de Sociologia Europeia, do qual torna-se secretário-geral em 1962.
Desenvolve ao longo das décadas de 1960 a 1980 farta obra, contribuindo significativamente para a formação do pensamento sociológico do século XX. Na década de 1970 estende sua actividade docente a importantes instituições estrangeiras, como as universidades de Harvard e Chicago e o Instituto Max Planck de Berlim. Em 1982 ministra sua aula inaugural (Lições de Aula) no Collège de France (instituição que três anos mais tarde se associa ao Centro de Sociologia Europeia), propondo uma "Sociologia da Sociologia", constituída de um olhar crítico sobre a formação do sociólogo como censor e detentor de um discurso de verdade sobre o mundo social. Neste sentindo, esta aula inaugural encontra-se com a ministrada por Barthes (A aula) e Foucault (A Ordem do Discurso), privilegiando a discussão acerca do saber académico. É consagrado Doutor 'honoris causa' das universidades Livre de Berlim (1989), Johann-Wolfgang-Goethe de Frankfurt (1996) e Atenas (1996). Desenvolveu, ao longo de sua vida, mais de 300 trabalhos abordando a questão da dominação e é, sem dúvida, um dos autores mais lidos, em todo o mundo, nos campos da Antropologia e Sociologia, cuja contribuição alcança as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo em sua obra temas como educação, cultura, literatura, arte, media, linguística e política. Também escreveu muito analisando a própria Sociologia enquanto disciplina e prática. A sociedade cabila, na Argélia, foi o palco de suas primeiras pesquisas. Seu primeiro livro, Sociologia da Argélia (1958), discute a organização social da sociedade cabila, e em particular, como o sistema colonial interferiu na sociedade cabila, em suas estruturas e desculturação. Dirigiu, por muitos anos, a revista "Actes de la recherche en sciences sociales" e presidiu o CISIA (Comité Internacional de Apoio aos Intelectuais Argelinos), sempre se posicionado clara e lucidamente contra o liberalismo e a globalização.
Túmulo de Pierre Bourdieu

A sua discussão sociológica centralizou-se, ao longo de sua obra, na tarefa de desvendar os mecanismos da reprodução social que legitimam as diversas formas de dominação. Para empreender esta tarefa, Bourdieu desenvolve conceitos específicos, retirando os factores económicos do epicentro das análises da sociedade, a partir de um conceito concebido por ele como violência simbólica, no qual Bourdieu advoga acerca da não arbitrariedade da produção simbólica na vida social, advertindo para seu carácter efectivamente legitimador das forças dominantes, que expressam por meio delas seus gostos de classe e estilos de vida, gerando o que ele pretende ser uma distinção social.
O mundo social, para Bourdieu, deve ser compreendido à luz de três conceitos fundamentais: campo, habitus e capital.
Morreu em Paris, em 23 de Janeiro de 2002, depois de finalizar um curso acerca de sua própria produção académica, que servirá de fundamento ao seu último livro, Esboço para uma auto análise.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Momentos da Vida: ANIVERSÁRIO


Este foi um momento da vida, da vida vivida, onde o presente se esgota a cada momento, o passado se apaga a cada instante e o futuro se vislumbra cada vez mais curto.
Este foi um momento da vida, porque mais um ano passou, mais uma ruga apareceu, mais um sonho se esgotou na incerteza de que por ora estamos aqui.
Este foi um momento da vida, onde os abraços e os beijos, os carinhos e as mágoas, flutuam no ar, num ar cada vez mais sombrio e cada vez mais lúcido.
Este foi um momento da vida, onde a tristeza de não ter algumas pessoas que amava, algumas pessoas que cresceram comigo e me ensinaram, algumas pessoas para quem o futuro já terminou, me deixam impotente de travar a leitura deste livro da vida.
Este foi um momento da vida, onde nos roderam imagens, sonhos, desilusões, tristezas, alegria, amor, foi como que num único “atado” se enrolacem um “molho” de vidas, um “braçado” de anos, uma ”mão cheia” de cicatrizes.
Estes são os momentos da vida, onde os anos passam, o futuro abrevia-se e tenho tanta e tanta coisa para realizar.
Em cada momento a vida foge-me debaixo dos pés, a cada momento a vida desenrola-se ferozmente, a cada momento a vida gira e ao girar percebemos quão curta ela é.
Talvez esteja triste, talvez esteja contente...não sei bem, este dia foi diferente, este dia foi, o virar da página de um livro que parecia longo e delicioso, mas quando nos apercebemos só falta algumas páginas para acabar. Depois, bem depois pensamos, fecho o livro ou continuo a ler? Mas se o leio depressa chego ao fim, o que faço? Agitam-se os pensamentos, surgem as dúvidas, aparecem os “caprichos”, “caprichos” de viver tão pouco e saber que já ultrapassámos mais de metade do livro... as personagens vão morrendo, e o actor principal, esse caminha para a glória que o espera no final...a morte suave, estranha, estranha porque é como um sono profundo, onde os sonhos desaparecem, os projectos desaparecem e o futuro é quebrado por aquela melancolia sórdida que é a morte.
Deixo-vos com os meus amargurados pensamentos, a noite é longa, e hoje é um dia especial...afinal fiz anos...MUITOS PARABENS. A minha vida está mais curta.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: HUMPHREY BOGART (n. 25 Dez. 1899; m. 14 Jan. 1957)


Baptizado como Humphrey DeForest Bogart, era o filho mais velho de Belmont DeForest Bogart e Maud Humphrey. O Seu pai era um médico cirurgião e a mãe artista gráfica de sucesso. Viveu confortavelmente no bairro de Upper West Side, em Nova York, e estudou  numa escola particular prestigiada, a Trinity School, e posteriormente na Escola preparatória Phillips Academy em Andover, Massachusetts. A principio pensou em estudar medicina na Universidade de Yale, mas os seus planos não se concretizaram por ter sido expulso da escola preparatória por comportamento rebelde. Depois disso dirigiu camilhões por algum tempo.
Por ter nascido no Natal de 1899, a 25 de Dezembro, em Nova Iorque, Bogie foi batizado como "o homem do século passado". Bogart alistou-se na Marinha para combater na Primeira Guerra Mundial. Em 1918, o barco que estava foi atacado por submarinos e um fragmento de madeira rasgou a sua boca, afetando a sua maneira de falar para o resto da vida.
Humphrey Bogart começou a sua carreira nos palcos do Brooklyn em 1921, sem nunca cursar aulas de teatro. Entre 1922 e 1925, apareceu em 21 produções da Broadway. Na época, Bogart conheceu Helen Menken. Casaram-se em 1926 e separaram-se um ano depois. Em 1928, casou-se com a actriz Mary Philips.
Em 1934, Bogart actuou na peça "Invitation to a Murder". O produtor Arthur Hopkins viu-o na peça e escolheu-o para fazer parte do elenco de The Petrified Forest. A peça teve 197 apresentações em Nova York, Bogart representou o papel de Duke Mantee. Essa personagem era um sinistro e perigoso fugitivo da cadeia, Bogart ousou na interpretação, fazendo com que o personagem andasse lentamente e encurvado, pois, segundo ele, era como ficaria se ficasse longos anos presos à correntes e bolas de aço que se usava nos presídios da época.
Quando a Warner Bros comprou os direitos da peça para filmá-la, assinou contrato com o protagonista Leslie Howard. A Warner iniciou então testes para o papel de Duke Mantee, Howard insistiu na contratação de Bogart. Sendo assim, em 1936 o filme A Floresta Petrificada foi lançado, contando ainda com a participação de Bette Davis.Bogart recebeu excelentes elogios.
Mary Philips recusou-se a seguir o marido até Hollywood e pouco depois eles acabaram por se divorcir. Em 1938, Bogart casa-se pela terceira vez, agora com a atriz Mayo Methot. O casamento com Mayo foi desastroso, ela era paranóica quando bebia e convencida que o marido a traía gerava várias discussões (o "ponto final" no casamento deles foi provavelmente Casablanca (1943), quando Mayo o acusou de ter um caso com Ingrid Bergman. Mas Bogie ía segurar o casamento até à sua "válvula de escape", Betty "Lauren" Bacall). No filme "Casablanca" surgiu uma das lendas do cinema, a frase que ficaria famosa e que Bogart nunca a disse: -Toque de novo Sam! (no original: Play it again, Sam!)
Em 1938, Bogart apareceu  num musical chamado Swing Your Lady no papel de um promotor. No ano posterior apareceu no filme The Return of Doctor X. Ambos filmes sem muita projeção. Entre 1936 e 1940, a Warner não lhe deu bons papéis, mas ele mesmo assim não recusava os papéis que lhe eram dados para não ser dispensado. Fez filmes como, Racket Busters, San Quentin e You Can't Get Away With Murder. O seu melhor papel da época foi em Dead End de 1937. Também trabalhou em vários filmes como actor (coadjuvante/secundário), entre eles o sucesso Anjos de Cara Suja / Anjos de Cara Negra. Uma característica de seus papéis dessa época, e a de que ele "morria" em quase todos os filmes.
Em 1941, Bogart actuou como protagonista em “Seu Último Refúgio”, um roteiro que teve a participação de John Huston, seu parceiro de farra. No mesmo ano, também actuou no clássico “Relíquia Macabra”, com John Huston assumindo a direcção. Neste filme, fez o papel de Sam Spade, um investigador particular. O filme foi considerado pela crítica de cinema Roger Joseph Ebert e pela revista Entertainment Weekly como um dos melhores filmes de todos os tempos e recebeu três indicações ao Oscar.
Depois de tantos filmes de gangsters, policiais, bandidos e mocinhos, Bogart pela primeira vez faz um filme romântico/dramático, “Casablanca”. Lançado em 1942, o filme é um dos maiores clássicos do cinema mundial. Interpreta Rick Blaine, o dono de um clube na cidade de Casablanca em Marrocos. Durante as filmagens, ele e Ingrid Bergman, a protagonista feminina, quase não se falaram. Ela diria tempos depois: "Eu beijei-o mas nunca o conheci". Bogart foi indicado ao Oscar de melhor actor mas não venceu, embora Casablanca tenha vencido na categoria de melhor filme.
Durante as filmagens de “Uma Aventura na Martinica” em 1944, Bogart conheceu aquela que seria a sua quarta esposa e que lhe traria o casamento mais feliz, a jovem actriz Lauren Bacall, ou Baby (como a chamava por ser 25 anos mais nova). Eles casaram-se em 1945 e fizeram no ano seguinte o filme “À Beira do Abismo” já como marido e mulher.
Em 6 de janeiro de 1949, Lauren deu à luz o primeiro filho do casal, Stephen Humphrey Bogart (apelidado de Steve, em honra ao personagem de Bogie em “Uma Aventura na Martinica”) e depois, em 23 de agosto de 1952, eles tiveram uma menina, Leslie Howard Bogart. O nome foi em homenagem ao actor Leslie Howard que ajudou Bogart no início da carreira.
Hoje Stephen tem três filhos, Jamie e Richard e uma menina (agora modelo) Brooke.
De 1943 até 1955, Bogart fez vários filmes interpetando diferentes personagens. Em 1949, fundou a sua própria produtora, a Santana Productions.
No ano de 1951, Bogart fez o filme “Uma Aventura em África” contracenando com Katharine Hepburn num duelo memorável de interpretações e dirigido por John Huston. Este foi o seu primeiro filme colorido e o seu trabalho como o barqueiro Charlie Alnutt fez com que conquistasse finalmente o Oscar de melhor actor.
Em 1954, filmou “A Nave da Revolta”, baseado no livro homónimo de Herman Wouk, que ganhou o Prémio Pulitzer em 1951, no papel do esquizofrênico Capitão Queeg. No mesmo ano ainda participou em “Sabrina” com Audrey Hepburn e William Holden e em “A Condessa Descalça”, com Ava Gardner.
O seu último trabalho foi em “A Trágica Farsa” de 1956 no papel de Eddie Willis, um jornalista desportivo que vira promotor de boxe.
Bogart bebia e fumava muito e teve um cancro no esófago. Em 1956, fez uma cirurgia para retirar o esófago e dois linfomas, mas acabou por morrer em coma no dia 14 de Janeiro de 1957.

Carreira Cinematográfica:


  • 1930 Broadway's Like That/Ruth Etting in Broadway's Like That (short)
  • 1930 Up the River
  • 1930 A Devil With Women
  • 1931 Body and Soul
  • 1931 Bad Sister
  • 1931 A Holy Terror
  • 1932 Love Affair
  • 1932 Big City Blues
  • 1932 Three on a Match
  • 1934 Midnight
  • 1936 The Petrified Forest
  • 1936 Bullets or Ballots
  • 1936 Two Against the World (USA retitling for-TV: One Fatal Hour) (GB: The Case of Mrs Pembrook)
  • 1936 China Clipper
  • 1936 Isle of Fury
  • 1936 The Great O'Malley
  • 1937 Black Legion
  • 1937 Marked Woman
  • 1937 Kid Galahad (USA retitling for TV: The Battling Belihop)
  • 1937 San Quentin
  • 1937 Dead End
  • 1937 Stand-In
  • 1938 Swing Your Lady
  • 1938 Men Are Such Fools
  • 1938 Crime School
  • 1938 Racket Busters
  • 1938 The Amazing Dr Clitterhouse
  • 1938 Angels With Dirty Faces
  • 1939 King of the Underworld
  • 1939 The Oklahoma Kid
  • 1939 You Can't Get Away With Murder
  • 1939 Dark Victory
  • 1939 The Roaring Twenties
  • 1939 The Return of Dr X
  • 1939 Invisible Stripes
  • 1940 Virginia City
  • 1940 It All Came True
  • 1940 Brother Orchid
  • 1940 They Drive by Night (GB: The Road to Frisco)
  • 1941 High Sierra
  • 1941 The Wagons Roll at Night
  • 1941 The Maltese Falcon
  • 1942 All Through the Night
  • 1942 The Big Shot
  • 1942 Across the Pacific
  • 1942 Casablanca
  • 1943 Action in the North Atlantic
  • 1943 Thank Your Lucky Stars (guest)
  • 1943 Sahara
  • 1944 Passage to Marseille
  • 1944 To Have and Have Not
  • 1945 Conflict
  • 1945 The Two Mrs Carrolls
  • 1945 Hollywood Victory Canteen (guest) (short)
  • 1946 The Guys From Milwaukee (uncredited guest) (GB: Royal Flush)
  • 1946 The Big Sleep
  • 1947 Dead Reckoning
  • 1947 Dark Passage
  • 1947 Always Together (uncredited guest)
  • 1948 The Treasure of the Sierra Madre
  • 1948 Key Largo
  • 1949 Knock on Any Door
  • 1949 Tokyo Joe
  • 1950 Chain Lightning
  • 1950 In a Lonely Place
  • 1951 The Enforcer (GB: Murder Inc.)
  • 1951 Sirocco
  • 1951 The African Queen
  • 1952 Deadline USA (GB: Deadline)
  • 1953 Battle Circus
  • 1953 Beat the Devil (GB- IT)
  • 1954 The Love Lottery (uncredited guest) (GB)
  • 1954 The Caine Mutiny
  • 1954 A Star Is Born (voice only)
  • 1954 Sabrina (GB: Sabrina Fair)
  • 1954 The Barefoot Contessa
  • 1955 We're No Angels
  • 1955 The Left Hand of God
  • 1955 The Desperate Hours
  • 1956 The Harder They-FalI.

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ERVING GOFFMAN (n. 11 Jun.1922; m. 19 Nov.1982)


Erving Goffman nasceu em Manville, Alberta, no Canadá em 11 de Junho de 1922 e faleceu em Filadélfia no Estado da Pensilvânia nos Estados Unidos da América no dia 19 de Novembro de 1982. Obteve o grau de bacharel pela Universidade de Toronto em 1945, tendo feito o mestrado e doutoramento na Universidade de Chicago, onde estudou tanto Sociologia como Antropologia Social. Em 1958 passou a integrar o corpo docente da Universidade da Califórnia em Berkeley, tendo sido promovido a Professor Titular em 1962. Ingressou na Universidade da Pensilvânia em 1968, onde foi professor de Antropologia e Sociologia.
Em 1977 obteve o prémio Guggenheim. Foi presidente da Sociedade Americana de Sociologia, em 1981-1982. Efectuou pesquisas na linha da sociologia interpretativa e cultural, iniciada por Max Weber. Em “La mise en scène de la vie quotidienne”, Goffman desenvolve a ideia que mais identifica a sua obra: o mundo é um teatro e cada um de nós, individualmente ou em grupo, teatraliza ou é actor consoante as circunstâncias em que nos encontremos, marcados por rituais posições distintivas relativamente a outros indivíduos ou grupos.
Goffman aplicou ao estudo da civilização moderna os mesmos métodos de observação da antropologia cultural: assim como, nas sociedades indígenas, há ritualizações que permitem distinguir indivíduos e grupos, também, nas sociedades contemporâneas, a origem regional, a pertença a uma classe social ou quaisquer outras categorias se marcam por ritualizações que distinguem indivíduos e grupos, tomando por exemplo pequenos aspectos, como as formas de vestir ou de se apresentar publicamente. No contexto descrito, Goffman considera a interacção como um processo fundamental de identificação e de diferenciação dos indivíduos e grupos; de resto, os mesmos, isoladamente, não existem; só existem e procuram uma posição de diferença pela afirmação, na medida em que, justamente, são "valorizados" por outros.
Estudou a interacção social no dia-a-da, especialmente em lugares públicos, principalmente no seu livro “A Representação do Eu na Vida Quotidiana”. Além disso, em seu livro intitulado “Estigma, Notas Sobre a Manipulaçao da Identidade Deteriorada”, aborda aspectos interessantes a respeito das marcas vistas negativamente em relaçao aos aspectos corporais, raciais, ou mesmo de paixões tirânicas. Para Goffman, o desempenho dos papeis sociais tem a ver com o modo como cada indivíduo concebe a sua imagem e a pretende manter. Estudou também com especial atenção o que chamava de "instituições totais", lugares onde o indivíduo era isolado da sociedade, tendo todas as suas actividades concentradas e normalizadas. Pode-se citar com exemplo as prisões, os manicómios, os conventos e algumas escolas internas. No campo da linguagem Erving Goffman contribui com o estudo da interação humana, introduzindo o conceito de "footing". Footing representa o "alinhamento, a postura, a posição, a projecção do 'eu' de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção." (GOFFMAN, 1998 In: RIBEIRO, Branca Telles & GARCEZ, PEDRO M.)
Esse autor tem um importante papel na Antipsiquiatria e Luta Antimanicomial no Brasil, graças à suas colocações sobre a função social da Psiquiatria na nossa sociedade.

O Poeta é um fingidor


Dizem que em cada Coisa uma Coisa Oculta Mora

Dizem que em cada coisa uma coisa oculta mora.
Sim, é ela própria, a coisa sem ser oculta,
Que mora nela.

Mas eu, com consciência e sensações e pensamento,
Serei como uma coisa?
Que há a mais ou a menos em mim?
Seria bom e feliz se eu fosse só o meu corpo -
Mas sou também outra coisa, mais ou menos que só isso.
Que coisa a mais ou a menos é que eu sou?

O vento sopra sem saber.
A planta vive sem saber.
Eu também vivo sem saber, mas sei que vivo.
Mas saberei que vivo, ou só saberei que o sei?
Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando,
Sinto, penso, movo-me por uma força exterior a mim.
Então quem sou eu?

Sou, corpo e alma, o exterior de um interior qualquer?
Ou a minha alma é a consciência que a força universal
Tem do meu corpo por dentro, ser diferente dos outros?
No meio de tudo onde estou eu?

Morto o meu corpo,
Desfeito o meu cérebro,
Em coisa abstracta, impessoal, sem forma,
Já não sente o eu que eu tenho,
Já não pensa com o meu cérebro os pensamentos que eu sinto meus,
Já não move pela minha vontade as minhas mãos que eu movo.

Cessarei assim? Não sei.
Se tiver de cessar assim, ter pena de assim cessar,
Não me tomará imortal.

Análise do Poema

O poema que se inicia com "Dizem que em cada coisa uma coisa..." é um poema que pertence ao conjunto de poemas de Caeiro denominado como "Poemas Inconjuntos" e está datado de 5/6/1922. Data desde já curiosa, visto que Caeiro morre (segundo a sua biografia) em 1915...
 O facto é que este pequeno (e curioso pormenor) nos indica desde logo a natureza de certos poemas "tardios" de Caeiro. São poemas onde o autor é claramente o mesmo, mas onde os assuntos, as temáticas, ou mesmo as abordagens às temáticas podem ser muito variadas e diferentes, se as compararmos com as temáticas e perspectivas presentes no grande livro de Caeiro, a sua obra-prima, o "Guardador de Rebanhos". Esta diferença é ainda mais notória num outro conjunto de poemas, denominado "Pastor Amoroso".
 Neste poema que agora analisamos podemos ver um Caeiro um pouco diferente do Caeiro do "Guardador de Rebanhos". É um Caeiro com maiores dúvidas, que põe em questão algumas certezas que estabelecera no seu "livro". Nomeadamente põe em dúvida a sua própria natureza:
 Dizem que em cada coisa uma coisa oculta mora.
Sim, é ela própria, a coisa sem ser oculta,
Que mora nela.
 Mas eu, com consciência e sensações e pensamento,
Serei como uma coisa?
Que há a mais ou a menos em mim?
Seria bom e feliz se eu fosse só o meu corpo —
Mas sou também outra coisa, mais ou menos que só isso.
Que coisa a mais ou a menos é que eu sou?
 A segunda estrofe é uma estrofe atípica em Alberto Caeiro, que sempre insiste na visão que passa na primeira estrofe: as coisas são o que são e nada mais do que isso, porque pensar no que as coisas são é "estar doente dos olhos". Mas vemos como ele aqui se questiona a si próprio, coisa que normalmente ele não faria.
 Todo o seu discurso subsequente é profundamente anti-Caeiro:
 Sou, corpo e alma, o exterior de um interior qualquer?
Ou a minha alma é a consciência que a força universal
Tem do meu corpo por dentro, ser diferente dos outros?
No meio de tudo onde estou eu?
 E isto revela que Caeiro - que é visto sobretudo como um anti-metafísico, como alguém que renega o pensar em favor de um objectivismo total da realidade, que se quer aproximar à Natureza ao ponto de ser parte integrante dela e nada mais - teve momentos de dúvida, numa época tardia (mesmo post mortem!). Mas não deixa de ser o mesmo indivíduo em busca das mesmas explicações.