quinta-feira, 17 de março de 2011

O Poeta é um fingidor


Esta Velha Angústia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!

Análise do Poema


Este poema de Álvaro de Campos fala de uma angústia intensa sentida pelo poeta. A angústia não é nele um sentimento concreto, mas um sentimento diluído e avassalador que ele transporta há muito tempo (a hipérbole é evidente, na expressão "há séculos em mim"). É uma angústia pela vida que ele leva, que o põe na beira do desespero, mas um desespero interior, repetitivo e inconsequente.
Ou seja, o seu estado de tristeza não é um degrau para a mudança para melhor, mas um lamento triste, uma ladainha comiserada e pobre, um choro baixinho. Lamentando-se o poeta sente-se de alguma forma melhor na sua condição, porque a assume plenamente e faz da sua tristeza algo superior, como se ele fosse todo apenas isso e nessa condição explana-se agora melhor a sua dimensão humana num outro plano desconhecido.
Para passar esta mensagem: repetitiva, soturna, doente, louca, dominada pela depressão, Campos usa diversos recursos estilísticos, mas eu destacaria a hipérbole (séculos em mim) e a anáfora (em lágrimas, em sonhos, em grandes...). A repetição, sobretudo pelo uso de anáfora, dá aquela impressão de loucura subjacente, de alguém que louco, se balouça para à frente e para trás, só porque não sabe bem para onde ir – um verdadeiro e pleno desespero, mas parado e solene.
Passando pela memória da infância perdida – o exemplo perfeito do que já não pode ser e que está perdido para sempre – o poeta caminha no poema de acordo com o seu desespero e o seu caminho é angustiante como o titulo do mesmo. A sua vida, o seu percurso de vida, vê-o marcado pela loucura, talvez por causa das ideias que tem mas que nunca se concretizam – afinal o que é um louco muitas vezes senão apenas um génio sem aplicação prática na vida?
Estou doido/estou lúcido/estou alheio – diz Campos. A anáfora passa-nos pela alma e reforça a condição perdida do poeta.
Tudo culmina nas duas últimas estrofes. Campos começa por recordar novamente a velha casa da infância. "Pobre e velha" – a hipérbole leva Campos a maximizar a sua dor, de preferir um passado mais pobre a um presente angustiado, mesmo que mais rico.
O uso da interrogação de modo repetitivo reforça novamente o desespero. Novamente anáfora. E depois parece uma anadiplose – Quem de quem fui? - que perpassa um discurso quase desconexo.
Na última estrofe, a esperança numa solução ilusória ao desespero, à angústia. "Ao menos tivesse uma religião". O uso da hipérbole é novamente evidente – feiíssimo, grotesco. Ai também uma elipse, porque Campos se refere ao tal manipanso sem o nomear.
Acaba com uma metáfora simples: coração de vidro pintado. Um desejo subtil de morte pela ideia de um coração fraco e delicado, de vidro pintado, que Campos deseja que estale para que tudo acabe finalmente, para que o seu sofrimento pare.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Mundo que nos Rodeia: MAUS CHEFES PROVACAM ATAQUES DE CORAÇÃO


Mais um artigo que dá para pensar e reflectir. Trata da relação com os chefes no local de trabalho e da necessidade imediata de "varrer" todos os maus chefes, pois podem ser fatais à saúde dos colaboradores directos. Este artigo, é de facto uma verdade absoluta e concerteza todos nós temos exemplos reais "desta verdade". Leiam por favor, foi publicado na Revista Destak, por Isabel Stilwell (na foto).


MAUS CHEFES PROVOCAM ATAQUES DE CORAÇÃO
Por Isabel Stilwell

Faz muito bem em ir ao ginásio, seguir uma dieta regrada, em evitar o tabaco, álcool e por aí adiante. O seu coração agradece. Mas se quer mesmo garantir a sua sobrevivência, e apesar da dificuldade em encontrar novos empregos, fuja a sete pés dos chefes incompetentes, irascíveis e injustos, porque o efeito desta gente sobre a sua saúde pode revelar-se mortal. Pelo menos é o que diz o estudo de uma equipa sueca que acompanhou mais de 3 mil trabalhadores homens, com idades entre os 18 e os 70 anos.
A primeira tarefa pedida às cobaias foi a de que avaliassem a competência e o carácter de quem geria o seu trabalho. Depois, durante uma década, a sua saúde foi sendo avaliada, registando-se neste período 74 casos de empregados vítimas de problemas cardíacos graves, nalguns casos até fatais. Do estudo à lupa de todo este trabalho, foi possível perceber que existe, de facto, uma relação directa entre a doença e os maus chefes. Era esse o factor de risco que todos tinham em comum, e que assumia mais peso do que factores de risco como o tabaco, ou a falta de exercício. Perceberam também que os efeitos secundários dos chefes maus era independente do tipo de trabalho desempenhado, da classe social a que pertenciam, das habilitações que possuíam e inclusivamente do dinheiro que tinham na sua conta bancária. Descobriram ainda, que o efeito que um incompetente a mandar provoca é cumulativo, ou seja, se trabalhar para um idiota aumenta em 25% a probabilidade de um enfarte, essa probabilidade crescia para 64% se o trabalhador se mantivesse naquela situação por mais de quatro anos.
E explicação é relativamente simples: quando alguém se sente desvalorizado, sem apoio, injustiçado e traído, entra em stress agudo que leva à hipertensão e a outros distúrbios que deterioram a saúde do trabalhador. Daí a importância do apelo que estes especialistas fazem de que as estruturas estejam atentas e «abatam» rapidamente os chefes que não merecem sê-lo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Às Voltas com a Memória: BRUCE LEE (n. 27 Nov. 1940; m. 20 Jul. 1973)


No ano e na hora do lendário dragão chinês, Bruce Lee nasceu em São Francisco, Califórnia, a 27 de Novembro de 1940, durante uma passagem da Ópera Chinesa, do qual seus pais eram integrantes. Voltou para Hong Kong com apenas 3 meses de idade, cresceu e viveu lá até ao fim de sua adolescência. O seu pai chamava-se Lee Hoi-Chuen, e sua mãe, Grace Ho. Bruce foi o quarto de cinco filhos. Por seus pais serem artistas da Ópera Chinesa, Bruce actuou em vários filmes chineses durante sua infância.
Lee recebeu o nome Lee Jun Fan, pelos seus pais que em Cantonês literalmente significa avigore São Francisco, em homenagem ao nome em chinês do seu local de nascimento, São Francisco, Califórnia. O nome Bruce foi dado por uma enfermeira do hospital em que Lee nasceu, também recebeu outro nome durante a sua infância, Sai Feng, um nome típico feminino, usado normalmente para afastar as crianças de maus espíritos.
O seu nome artístico foi Lee Siu Lung em Cantonês ou Li Xiao Long em Mandarim, que literalmente significa Lee Pequeno Dragão, o nome foi dado por um director em 1950 de um filme cantonês no qual Lee actuou.
O pai de Bruce, Lee Hoi Chuen foi um dos líderes da ópera cantonesa e um actor do cinema chinês, estava completando um ano de tournée com a ópera cantonesa nas vésperas da invasão japonesa em Hong Kong durante a Segunda Guerra Mundial. Lee Hoi Chuen ficou em tournée nos Estados Unidos por muitos anos realizando apresentações em inúmeras comunidades chinesas. Lee Hoi Chuen decidiu voltar para Hong Kong depois que sua esposa deu à luz Bruce em 1940.
Dentro de poucos meses após retornarem, Hong Kong foi invadida e viveu 3 anos e 8 meses sob ocupação japonesa. A família Lee sobreviveu razoavelmente bem aos tempos de guerra, e após o fim da guerra, o pai de Bruce decidiu retomar a sua carreira de actor e tornou-se uma estrela ainda maior durante os anos de "reconstrução" de Hong Kong.
A mãe de Bruce Lee, Grace Ho pertencia a um dos clãs mais ricos e poderosos em Hong Kong, os Ho Tungs. Ela era a sobrinha de Sir Robert Ho Tung, o patriarca do clã e um importante empresário eurasiático de Hong Kong. Com isso, o jovem Bruce Lee cresceu num ambiente rico e privilegiado. Logo, pelo lado materno, Bruce Lee era familiar de Stanley Ho, um importante magnata de casinos de Macau.
Desde cedo Bruce Lee treinava Tai Chi com o seu pai e também aprendeu Wing Chun dos 13 aos 18 anos com o famoso mestre Yip Man, no qual foi apresentado ao estilo pelo seu amigo William Cheung em 1954. Anos mais tarde, o próprio William Cheung disse que Bruce Lee evoluiu muito rápido no Wing Chun, ultrapassando em pouco tempo a habilidade de muitos alunos mais antigos. Bruce tinha uma facilidade acima do comum para aprender e executar os movimentos ensinados pelo seu mestre. Como em muitas das escolas de artes marciais na época, os alunos eram ensinados por outros alunos mais graduados. Mas Yip Man começou a treinar Lee em particular após alguns alunos se recusarem a treiná-lo, pelo facto de que sua mãe não era totalmente chinesa (o avô materno de Bruce era alemão e sua avó Chinesa) e a maioria dos chineses naquele tempo recusavam-se a ensinar artes marciais aos ocidentais e aos mestiços.
Após a guerra, Hong Kong era um lugar difícil de se crescer. Havia diversos gangs pelas ruas da cidade e Lee foi muitas vezes forçado a lutar contra eles. Mas Bruce gostava de desafios um contra um e por diversas vezes enfrentou membros desses gangs. Mesmo com o pedido de seus pais para que ele se afastasse desse quotidiano, pouco adiantou. Devido aos desafios que Bruce venceu, as confusões vinham naturalmente até ele.
Depois de estudar na Tak Sun School (ficava a dois quarteirões de sua casa na 218 Nathan Road, Kowloon) Lee entrou na rígida escola primária de La Salle College, em 1950 ou 1952 (com 12 anos). Por volta de 1956, devido ao baixo rendimento escolar e ao seu péssimo comportamento, foi transferido para o Colégio St. Francis Xavier's College (ginásio), onde seria aluno do irmão Edward (foi condenado na Alemanha a passar o resto de seus dias em Hong Kong), um monge católico, professor e técnico da escola de boxe da equipa.
Na primavera de 1959, Lee participou numa briga de rua onde a polícia foi chamada. Lee brigou, venceu e espancou o filho de uma temida família das Tríades. Finalmente o pai de Lee decidiu que o seu filho deveria deixar Hong Kong para seguir uma vida mais segura e saudável nos Estados Unidos. Os seus pais ficaram sabendo através da polícia que desta vez o oponente de Bruce Lee tinha antecedentes criminais, e havia a possibilidade de que o seu gang atacasse Bruce Lee. E que se Bruce voltasse a envolver-se em brigas desse nível, poderia ser preso.
Em Abril de 1959 eles decidiram mandá-lo para os Estados Unidos para se encontrar com sua irmã Agnes Lee, que morava com amigos da família em São Francisco.
Aos 18 anos de idade, Bruce Lee foi para os Estados Unidos, com 100 dólares no bolso e 2 títulos de campeão de Boxe de 1957 e 1958 de Hong Kong. Depois de viver em São Francisco por vários meses, mudou-se para Seattle no Outono de 1959, para continuar os seus estudos e trabalhou para Ruby Chow como garçom e lavador de pratos no seu restaurante.
Ruby era esposa de um amigo de seu pai. O seu irmão mais velho Peter Lee também acolheu Bruce Lee em Seattle para uma pequena estadia. Em Dezembro de 1960, Lee concluiu o ensino médio e recebeu o diploma da Edison Technical School (agora Seattle Central Community College, localizado em Capitol Hill, Seattle).
Em Março de 1961, matriculou-se na Universidade de Washington e estudou filosofia. Também estudou teatro e psicologia. Foi na Universidade de Washington que conheceu sua futura esposa, Linda Emery, com quem se casaria em Agosto de 1964.
Bruce teve dois filhos com Linda, Brandon Lee e Shannon Lee.
Lee começou a ensinar artes marciais nos Estados Unidos em 1959. Ele dava aulas de Jun Fan Kung Fu (literalmente Kung Fu de Bruce Lee). Foi basicamente as técnicas do Wing Chun, com algumas ideias de Lee. Ensinou diversos amigos que se reuniam em Seattle, começando pelo lutador de Judo Jesse Glover, que mais tarde se tornaria seu primeiro instrutor assistente. Lee abriu a sua primeira escola de artes marciais, com o nome de Lee Jun Fan Gung Fu Institute, em Seattle.
Bruce Lee saiu da faculdade na primavera de 1964 e mudou-se para Oakland para morar com James Yim Lee. Juntos, eles fundaram a segunda escola de artes marciais Jun Fan em Oakland. James Lee também foi responsável por apresentar Bruce Lee a Ed Parker, fascinado pelo mundo da arte marcial e organizador do (Long Beach) Torneio Internacional de Karaté onde Bruce Lee seria mais tarde "descoberto" por um produtor de Hollywood.
Bruce Lee era conhecido pela sua aptidão física e desenvolvimento avançado dos músculos do corpo. Os seus exercícios e treinos cumpridos com dedicação, tornaram-no tão forte quanto uma pessoa de seu porte poderia ficar.
Depois da sua luta com Jack Wong Man, em 1965, Lee focou-se totalmente no treino de artes marciais. Sentia que muitos artistas marciais de sua época não passavam tempo suficiente treinando o condicionamento físico. Bruce incluiu nos seus exercícios de condicionamento todos os elementos da força e da aptidão muscular, resistência muscular, resistência cardiovascular e flexibilidade. Tentou técnicas tradicionais de musculação para construir músculos volumosos ou aumentar a massa muscular. No entanto, Lee teve o cuidado de advertir que a preparação mental e espiritual era fundamental para o sucesso do treino físico nas habilidades de artes marciais.
De todas as partes do corpo que Bruce Lee desenvolveu, os seus músculos abdominais eram os mais espectaculares: sólidos como pedra ao toque, profundamente cortados e altamente definidos. Bruce acreditava que os abdominais eram um dos mais importantes grupos musculares para um artista marcial já que virtualmente todo movimento requer algum grau de trabalho abdominal. Ele sentia que muitos artistas marciais daqueles dias não tinham aptidão física necessária para acompanhá-lo.

No Filme "A Fúria do Dragão"

A esposa de Lee, Linda Emery, declara que o seu falecido marido "era um fanático por treinos abdominais. Estava sempre a fazer sit-ups, abdominais, movimentos de cadeira romanos, elevações de perna, e V-ups."
De acordo com algumas notas iniciais de Lee, o seu treino diário abdominal incluía:
Torção de Cintura – quatro séries de 90 repetições.
Sentar para cima (sit-ups) com torções – quatro séries de 20 repetições.
Elevações de perna – quatro séries de 20 repetições.
Torções inclinadas – quatro séries de 50 repetições.
Pontapés em posição de rã – quatro séries de 50 repetições.
O Jeet Kune Do nasceu em 1965 numa luta controversa com Wong Jack Man, que era contra a ideia de Lee em ensinar artes marciais a não orientais. Após cerca de três minutos de combate (alguns dizem 20 - 25 min.), Wong Jack Man foi derrotado. Lee concluiu que a luta durou tempo demais e que não tinha demonstrado todo seu potencial usando as técnicas do Wing Chun. Considerou que as técnicas tradicionais de artes marciais eram muito rígidas e formalistas para serem usadas em situações de violência nas ruas. Lee decidiu desenvolver um sistema com ênfase na "prática, flexibilidade, rapidez e eficiência". Começou a usar métodos diferentes de treino, como o treino de peso para a força, corrida de resistência, alongamento para a flexibilidade, e muitos outros que foi adaptando periodicamente.
Lee enfatizou o que chamou de "o estilo sem estilo". Este consistia em livrar-se da abordagem formalizada e Lee alegou que era uma mistura de estilos tradicionais. Lee sentiu que o sistema que no momento chama-se Jun Fan Gung Fu ainda era bastante restritivo e, finalmente, evoluiu para Jeet Kune Do ou o “Caminho do punho interceptor”.
A convite de Ed Parker, Lee apareceu em 1964 no Long Beach International Karate Championships para apresentações de suas flexões sobre os dedos (usando o polegar e o dedo indicador). No mesmo evento em Long Beach, também apresentou o famoso "soco de uma polegada".
O seu voluntário para a demonstração do soco, foi Bob Baker de Stockton, Califórnia. "Eu disse a Bruce que não faria esse tipo de demonstração de novo", lembrou. "Quando ele me deu um soco da última vez, eu tive que ficar em casa sem trabalhar, porque a dor no peito era insuportável."
Foi em 1964 num campeonato onde Lee conheceu o mestre de taekwondo, Jhoon Rhee. Os dois desenvolveram uma amizade – uma relação em que ambos se beneficiaram como artistas marciais. Jhoon Rhee ensinou seu chute lateral a Lee, e em retribuição Lee o ensinou o seu "soco telegráfico".
Lee também apareceu em 1967, no Long Beach International Karate Championships e realizou diversas apresentações, incluindo o famoso soco "imparável" contra o campeão mundial de karaté, Vic Moore. Lee disse que ia dar um soco no seu rosto, e tudo o que Moore tinha que fazer era tentar bloqueá-lo. Lee deu alguns passos para trás e perguntou se Moore estava pronto, Moore faz sinal positivo com a cabeça, Lee então deu um soco em linha recta directamente para o rosto de Moore, e parou antes do impacto. Em oito tentativas, Moore não conseguiu bloquear qualquer dos socos.
O pai de Lee, Hoi-Chuen era um famoso astro da ópera cantonesa. Bruce foi introduzido em filmes ainda numa idade muito jovem e apareceu em várias curtas metragens ainda em preto-e-branco quando era criança. Lee teve o seu primeiro papel ainda como um bebé. Na época em que tinha 18 anos, ele já tinha aparecido em vinte filmes.
Nos Estados Unidos entre 1959 e 1964, Lee abandonou os pensamentos de uma carreira no cinema em favor da dedicação total às artes marciais. William Lee Dozier convidou-o para uma audição após assistir a uma de suas apresentações de artes marciais. Lee impressionou tanto os produtores com a sua agilidade, que ganhou o papel de Kato ao lado de Van Williams na série de TV “O Besouro Verde”. O show durou apenas uma temporada, de 1966 a 1967. Além disso apareceu diversas vezes em participações em várias séries televisivas, incluindo “Ironside” (1967) e “Here Come the Brides” (1969). Em 1969, Lee fez uma breve aparição no seu primeiro filme estadunidense Marlowe onde interpretava um capanga contratado para intimidar o detective particular Philip Marlowe (interpretado por James Garner), esmagando o seu escritório com chutes e socos. Em 1971, Lee actuou em quatro episódios da série de televisão “Longstreet” como o instrutor de artes marciais do personagem principal Mike (interpretado por James Franciscus).
De acordo com declarações feitas por Bruce Lee, e também por Linda Lee após a morte de Bruce, em 1971, Bruce lançou uma série de televisão de sua autoria intitulado "A Warrior", declarações que também foram confirmados pela Warner Bros. Segundo Cadwell, no entanto, a ideia de Lee foi adaptada e rebaptizada de Kung Fu, mas a Warner Bros não lhe deu nenhum crédito. Em vez disso o papel do monge Shaolin do Velho Oeste, foi dado ao então não artista marcial David Carradine pelo medo de um herói chinês não agradar ao público.
Não estando satisfeito com os seus papéis de apoio nos EUA, Lee retornou para Hong Kong. Sem saber que "O Besouro Verde" tinha sido exibido e feito muito sucesso em Hong Kong sendo oficialmente chamado de "O Show do Kato", foi surpreendido ao ser reconhecido na rua como a "estrela" do show. Então foi-lhe oferecido um contrato no cinema pelo lendário director Raymond Chow para ser estrela de dois filmes produzidos por sua produtora Golden Harvest. Lee actuou sendo o seu primeiro papel principal em “Big Boss: O Implacável” (1971) que foi um enorme sucesso de bilheteira em toda a Ásia e o lançou ao estrelato. Logo em seguida actuou em “O Invencível” (1972) que quebrou os recordes de bilheteira anteriormente estabelecidos pelo "Implacável". Tendo terminado o seu primeiro contrato de dois anos, Lee negociou um novo contrato com a Golden Harvest. Depois formou a sua própria companhia Concord Productions Inc, com Chow. Para o seu terceiro filme, “O Dragão Ataca” (1972), foi dado o controle completo de produção do filme como o escritor, director, astro e coreógrafo das cenas de luta. Em 1964, numa demonstração em Long Beach, Califórnia, Lee tinha encontrado o campeão de Karate Chuck Norris. Em “A Fúria do Dragão”, Lee e Norris apresentam aos espectadores uma luta final em pleno Coliseu, de Roma que é considerada uma das mais memoráveis da história dos filmes de luta.No final de 1972, Lee começou a trabalhar em seu quarto filme, “O Último Combate de Bruce Lee”. Começou a filmar algumas cenas, incluindo a sua sequência de luta com a estrela do basquete estadunidense Kareem Abdul-Jabbar de 2,18m, um ex-aluno. A produção foi interrompida quando a Warner Brothers ofereceu a oportunidade de Lee estrelar em “O Dragão Ataca”, o primeiro filme a ser produzido em conjunto pela Golden Harvest e Warner Bros. Este filme seria o foguete de Lee para a fama na Europa e nos Estados Unidos, no entanto, apenas alguns meses após a conclusão do filme e 6 dias antes do seu lançamento 26 de Julho de 1973, Lee morreu misteriosamente. Posteriormente, “O Dragão Ataca” tornaria-se uma das maiores bilheteiras do ano e Lee uma lenda das artes marciais. Foi feita com o custo de $ 850.000 em 1973 (equivalente a US $ 4 milhões). Até à data, “O Dragão Ataca” arrecadou mais de $ 200 milhões no mundo inteiro. O filme provocou uma febre pelas artes marciais, simbolizadas em canções como "Kung Fu Fighting" e programas de TV como o Kung Fu.
Devido ao seu status de mito, começaram a circular teorias de que ele havia sido envenenado pelas Tríades, enquanto outros acreditavam que uma cabala secreta de mestres de artes marciais matou Lee por ter revelado muitos segredos aos não orientais, Lee dizia que através da artes marciais a cultura oriental teria a oportunidade de ser respeitada e reconhecida.
Houve ainda rumores de uma maldição hereditária sobre a família Lee, que afectou mais um membro em 1993, quando o seu filho, Brandon Lee, foi morto num acidente estranho durante as filmagens do filme “O Corvo”.

Estátua de Bruce Lee em Hong Kong
Robert Clouse, o director de Dragão Ataca, e Raymond Chow tentou terminar “O Último Combate de Bruce Lee”, filme incompleto que Lee também foi escalado para escrever e dirigir. Lee tinha feito mais de 100 minutos de gravação, incluindo outtakes, para o “O Último Combate de Bruce Lee” antes da filmagem ser interrompida para lhe permitir trabalhar em “O Dragão Ataca”. Além de Abdul-Jabbar, George Lazenby, mestre de Hapkido Ji Han Jae Lee e outro praticante, Dan Inosanto também apareceram no filme.
Embora Lee seja mais conhecido como um artista marcial, também estudou teatro e filosofia, enquanto estava na Universidade de Washington. Estava bem e tinha lido uma extensa quantidade de livros. Os seus próprios livros sobre artes marciais e filosofia de combate são conhecidos pelas suas afirmações filosóficas, tanto dentro como fora dos assuntos sobre artes marciais. A sua filosofia eclética, muitas vezes espelhando as suas crenças, lutas, embora afirmasse que as suas artes marciais eram apenas uma metáfora para tais ensinamentos. Acreditava que qualquer conhecimento o levou ao auto-conhecimento, e disse que o método escolhido foi a auto-expressão das artes marciais. As suas influências incluem o taoísmo, Jiddu Krishnamurti, e do Budismo. Quando perguntado por Little John, em 1972, qual era sua religião, Lee respondeu: "Nenhuma." Também em 1972, quando perguntado se acreditava em Deus, ele respondeu: Para ser sincero, eu realmente não sei.
Em 10 de Maio de 1973, Lee desmaiou no estúdio Golden Harvest, enquanto fazia o trabalho de dobragem para o filme “Dragão Ataca”. Ele sofreu convulsões e dores de cabeça e foi imediatamente levado para um hospital de Hong Kong, onde os médicos diagnosticaram edema cerebral. Eles foram capazes de reduzir o inchaço com a administração de manitol. Esses mesmos sintomas que ocorreram no seu primeiro colapso depois foram repetidos no dia da sua morte.
Em 20 de Julho de 1973, Lee foi a Hong Kong, para um jantar com o ex-James Bond George Lazenby, com quem pretendia fazer um filme. Segundo a sua esposa, Linda Lee, Lee encontrou o produtor Raymond Chow às 2 da tarde em casa, para discutir a realização do filme “O Último Combate de Bruce Lee”. Eles trabalharam até as 4 da tarde e depois dirigiram-se juntos para a casa da colega Lee Betty Ting, uma actriz de Taiwan. Os três passaram o script em casa e, em seguida Chow retirou-se.
Mais tarde, Lee queixou-se de uma dor de cabeça, e Ting deu-lhe um analgésico, Equagesic, que incluía aspirina e um relaxante muscular. Cerca de 7:30 da noite, foi-se deitar para dormir. Quando Lee não apareceu para jantar, Chow chegou ao apartamento, mas não viu Lee acordado. Um médico foi chamado, que passou dez minutos tentando reanimá-lo antes de enviá-lo de ambulância ao hospital. Lee foi dado como morto no momento em que chegou ao hospital.
Não houve lesão externa visível, porém de acordo com relatórios da autópsia, o seu cérebro tinha inchado consideravelmente, passando de 1.400 a 1.575 gramas (um aumento de 13%). Lee tinha 32 anos. A única substância encontrada durante a autópsia foi Equagesic. Em 15 de Outubro de 2005, Chow declarou numa entrevista que Lee morreu de hiperalergia ao relaxante muscular "Equagesic", que ele descreveu como um ingrediente comum em analgésicos. Quando os médicos anunciaram a morte de Lee oficialmente, o país considerou uma enorme "desgraça".
A controvérsia ocorreu quando o Dr. Don Langford, que foi médico pessoal de Lee em Hong Kong e o havia tratado durante seu primeiro colapso acreditava que o "Equagesic não foi único remédio envolvido no primeiro colapso de Bruce."
No entanto o professor RD Teare, um cientista forense da Scotland Yard que supervisionou mais de 1000 autópsias, foi o perito superior designado para o caso Lee. A sua conclusão foi que a morte foi causada por um edema cerebral agudo devido a uma reacção aos compostos presentes na prescrição de remédios como o Equagesic.
A sua esposa Linda, voltou para sua cidade natal, Seattle, e foi enterrado no lote 276 do Cemitério Lakeview. O seu caixão foi carregado no funeral em 31 de Julho de 1973 por Taky Kimura, Steve McQueen, James Coburn, Chuck Norris, George Lazenby, Dan Inosanto, Peter Chin, e seu irmão Robert Lee.
A morte de Lee ainda é um tema de controvérsia.

Túmulo de Bruce Lee
A explicação oficial é que Bruce Lee teve uma reacção adversa aos remédios que havia tomado para a sua dor de cabeça, o que causou um edema cerebral, matando o actor.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Poeta é um fingidor



A Noite É Muito Escura


É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.


Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?


Análise ao Poema


O poema que se inicia com "É noite. A noite é muito escura", é um poema de Alberto Caeiro, datado de 8/11/1915 e que pertence aos "Poemas Inconjuntos"; uma série de poemas datados entre 1914 e 1930 que se distingue do corpo do livro do "Guardador de Rebanhos".
 Os "Poemas Inconjuntos" são, por assim dizer, poemas órfãos, que não entram no raciocínio perfeito e alinhado do "Guardador de Rebanhos". São poemas desgarrados e que só perfazem um conjunto pela sua própria diferenciação em relação aos restantes. Há um outro conjunto de poemas órfãos, o conjunto "Pastor Amoroso" (nome dado por Pessoa) que se distingue dos "Poemas Inconjuntos" por ter uma temática muito própria e por nos mostrar Caeiro enquanto poeta escritor de poemas de amor. Pessoa deu um título aos poemas do conjunto do "Pastor Amoroso", mas foi Reis – seguidor de Caeiro – que deu o nome "Poemas Inconjuntos" aos restantes, colocando-os obviamente numa posição acessória, quer aos poemas do "Guardador de Rebanhos” quer aos poemas do “Pastor Amoroso”.
 Mas os "Poemas Inconjuntos" são, muitos deles, poemas escritos na mesma época dos poemas do "Guardador de Rebanhos". O poema em análise é disso mesmo um claro exemplo. Trata-se de um poema em que aparecem muitos dos temas principais tratados por Alberto Caeiro, sendo apenas um poema que não se enquadra na mesma lógica do "Guardador", por provavelmente ser um poema episódico, sem continuidade necessária; e por isso mesmo desgarrado. Mas é certamente um poema escrito nas mesmas circunstâncias dos outros, e um poema inicial de Caeiro (pela data aposta nele), pelo que será assim que ele terá de ser analisado.
Comecemos pela paisagem do poema. O poeta olha, de noite, uma luz numa casa distante. A princípio ele olha a luz da janela e compreende instintivamente que a luz representa a presença de alguém naquela casa, de uma outra vida. É essa semelhança a si próprio que o faz "sentir-se humano dos pés à cabeça". Mas apenas momentaneamente. Pois se Caeiro olha a luz e é levado a compreender a presença humana por detrás da luz, logo de seguida ele percebe que na realidade ele não quer pensar na existência da luz, mas apenas contemplá-la enquanto luz à distância.
 Ver a luz apenas enquanto luz – e não enquanto um símbolo ou um objecto ideal intermédio entre a luz e a presença humana na casa, revela-nos em essência o que de mais importante reside no pensamento filosófico de Alberto Caeiro: ele é um objectivista. Ele diz, no "Guardador de Rebanhos":  "Penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e com os pés / E com o nariz e a boca” (poema IX).
 O que é "pensar com os olhos"? Pensar com os olhos é aceitar simplesmente o que recebemos dos nossos sentidos, sem sentirmos necessidade de pensar nisso. Pensar com os olhos é apenas ver, sem ter necessidade de pensar. Para Caeiro basta-lhe o que os seus olhos vêem – é assim ser natural, é assim que a Natureza funciona. Apenas os homens insistem em ir para além da Natureza, e Caeiro pretende um regresso ao "ser natural", um regresso à simplicidade, à "realidade imediata"; porque "para além da realidade imediata não há nada", diz-nos ele neste poema que agora analisamos.
 Tanto é assim que, quando a luz se apaga, também se apaga o interesse de Caeiro. Porquê? Porque ele olhava a luz e não o que a luz significava (a presença humana, da família).
 Todo o poema é uma metáfora para o engano que é pensar nas coisas, quando podemos simplesmente observá-las. Os homens, ao verem a luz na janela, nunca conseguem só ver a luz na janela, querem pensar em quem a acendeu e a quem pertence a luz e porque a luz existe, acesa, naquele instante. O exemplo da luz serve para tudo o resto – os homens querem sempre compreender o porquê das coisas, mesmo que as coisas possam não ter um porquê. As luzes acesas são afinal tudo o que vemos, tudo o que ouvimos, tudo o que sentimos e querer compreender o porquê da luz, é querer compreender o porquê de todas as coisas, quando as coisas não têm (para Caeiro) um porquê que seja acessível à compreensão humana.
 "Pensar é estar doente dos olhos", diz Caeiro no poema II do "Guardador de Rebanhos. Este poema é um exemplo disso mesmo, de como não devemos ir além do que vemos, porque essa já é toda a realidade e o resto, o pensar na realidade que vemos, é apenas "estar doente".

terça-feira, 8 de março de 2011

O Mundo que nos Rodeia: DEVEM-ME DINHEIRO


Este artigo foi escrito por Mário Crespo para a Revista Penthouse, de Novembro de 2010, e por considerar pertinente, real e certamente transcrever o que vai no pensamento de milhares de portugueses, passo a citá-lo:


DEVEM-ME DINHEIRO
Por Mário Crespo

José Sócrates em 2010 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou.Deve-me dinheiro. António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP.



Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. num ano. Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões, coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso, Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil.



António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP, e para o bónus de Mexia.



A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-Ministro.



Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates, nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI.
Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada.



Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado. Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro. Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol. Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar. Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos, deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro.



Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país, vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes, apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas, à borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo, de Alcochete.



Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D.Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo. Por isso devem-nos muito dinheiro.



E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma.
Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já!

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Poeta é um fingidor


Quando era criança

Quando era criança
Vivi, sem saber,
Só para hoje ter
Aquela lembrança.

E hoje que sinto
Aquilo que fui.
Minha vida flui,
Feita do que minto.

Mas nesta prisão,
Livro único, leio
O sorriso alheio
De quem fui então.

Análise do Poema

O poema "Quando era criança" é um poema ortónimo tardio de Fernando Pessoa, datado de 2 de Outubro de 1933. Sendo um poema tardio e da autoria de Pessoa em seu próprio nome, caracteriza-se por uma das temáticas mais queridas a Pessoa quando escrevia em seu próprio nome: a lembrança da infância, enquanto período dourado da sua vida.
Por isso, este poema fala da própria infância de Pessoa e não só da infância enquanto período de felicidade para todos os homens.
Passemos à análise do poema propriamente dito:

Quando era criança
Vivi, sem saber,
Só para hoje ter
Aquela lembrança.


Aqui Pessoa aborda a temática da infância enquanto período da inconsciência completa: "Vivi, sem saber". As crianças vivem a felicidade, porque em grande medida a desconhecem estar a viver. Esta oposição pensar/viver acompanhará sempre Pessoa nas suas análises. Ele sabe que será impossível regressar àquela condição infantil, porque hoje adulto ele sabe qual é a sua vida e não a pode ignorar: ele agora pensa e não se limita a viver. Por isso ele diz "Só para hoje ter / Aquela lembrança". De facto tudo o que resta é a lembrança, porque essa inconsciência da vida não vai regressar novamente.

É hoje que sinto
Aquilo que fui
Minha vida flui
Feita do que minto.


"Hoje" é que Pessoa sente o que foi. Isto reforça o que já dissemos: hoje a vida de Pessoa é feita daquele "pensar" que não existia quando ele era apenas criança. Hoje ele "sente", quando era criança apenas "vivia". A sua vida actual é uma mentira – pela sua própria avaliação. É uma mentira, provavelmente porque ele sente não conseguir descobrir a verdade do seu destino: é uma mentira existencial, uma vida que Pessoa sente não lhe pertencer por direito.

Mas nesta prisão,
Livro único, leio
O sorriso alheio
De quem fui então.


Pessoa está preso então nessa vida, nessa mentira que lhe impuseram. O que lhe resta é o "livro" que lê, o livro das memórias de uma infância perdida. E ao ler, vem-lhe um "sorriso alheio", um sorriso do passado, que já não é dela, mas que ele pode continuar a recordar, num apaziguamento frágil, mas que ao menos o poderá consolar na sua existência perdida. A memória da infância perdida conforta-o, mas igualmente o sufoca.

Às Voltas com a Memória: ANTÓNIO SILVA (n. 15 Ago. 1886; m. 03 Mar. 1971)


António Maria da Silva nasceu em Lisboa em 15 de Agosto de 1886, no seio de uma família modesta. Começou a trabalhar cedo, como marçano, aprendiz de empregado de balcão, e aos 16 anos já mostrava um desejo em ser actor, pois assistia a todas as peças que passavam no Teatro D. Amélia, na Rua do Tesouro Velho, o actual Teatro São Luiz.
Trabalhou como empregado de comércio e tirou o curso comercial. Foi também bombeiro voluntário da Ajuda, chegando a ser comandante da corporação. A ligação ao cinema deu-se quando António Silva integrou o grupo Fitas Faladas, que dobrava filmes mudos passados no Salão Ideal, na Rua do Loreto, ao Camões.
Estreia-se no Teatro da Rua dos Condes, com a companhia de Alves Costa, na peça “O Novo Cristo”, de Tolstoi, em 1910. Parte em “tournée” para o Brasil em 1913, país onde se estreia no cinema, participando nos filmes “Convém Martelar” e “Coração Gaúcho”, em 1920. Casa-se com Josefina Marco, filha do cantor italiano Giuseppe Paccini e de Guilhermina Marco, nesse mesmo ano. Fica no Brasil até 1921. Ao regressar, integra a Companhia Luísa Satanela-Estevão Amarante até 1928, assumindo sempre papéis de pouco destaque, à excepção do que representou na revista “Água-Pé”, a sua primeira experiência no teatro de revista, que lhe granjeou algum sucesso. Até 1932 vai fazendo várias revistas no Teatro Variedades e no Maria Vitória.
Em 1933, António Silva interpretou o alfaiate Caetano, na “Canção de Lisboa”, de Cottinelli Telmo, o seu primeiro filme em Portugal e que o tornou bastante popular junto do público. Passa a primeira figura de cartaz nas peças em que participa, pisando o palco lisboeta com o teatro de revista. Fez uma dupla de sucesso com o seu parceiro de cena, Vasco Santana, especialmente em “Senhora da Atalaia” e “Alto Lá com o Charuto!”. António Silva trabalhava muito com as mãos, transmitindo uma graça e comicidade que só as palavras não seriam capazes de transmitir.
Em 1944 ganhou o prémio “Actor do Ano”, do SNI (Secretariado Nacional de Informação), pelo seu desempenho em “A Menina da Rádio”. É nesse ano que faz a sua entrada para a companhia de António e Francisco Lopes Ribeiro, Comediantes de Lisboa, no Teatro da Trindade. Ficou na companhia apenas nas duas primeiras temporadas. Com eles representou todas as peças que levaram ao palco até 1946. Deu provas do seu enorme talento com o papel de Doolitle, em 1945, na peça “O Pigmaleão”, de Bernard Shaw. Em 1950 formou uma sociedade artística que explorou o Teatro Apolo durante dois anos, em que participaram actores como Irene Isidro, Laura Alves, Ribeirinho, Barroso Lopes e Carlos Alves. Trabalhou com Leitão de Barros, Jorge Brum do Canto, António Lopes Ribeiro, Arthur Duarte e Perdigão Queiroga, alguns dos realizadores com quem se cruzou durante mais de 30 anos de cinema.
As suas últimas aparições foram na Revista “Adão e Elas” e no filme “Sarilho de Fraldas”, de Constantino Esteves, ambas em 1966. António Silva morria aos 85 anos de idade, a 3 de Março de 1971.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Poeta é um fingidor


Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Análise do Poema


O poema em questão enquadra-se na terceira fase de Álvaro de Campos – a fase pessimista, onde o poeta encara mais a frio a realidade da sua vida, depois das duas fases anteriores (a decandentista e a futurista), onde ainda era dominado por um sentimento de grande esperança, mesmo que diluída.
O tema do cansaço é um tema recorrente nesta fase e um tema que domina literalmente muitos dos poemas de Campos. Podemos recordar-nos rapidamente de alguns: "O que há em mim é sobretudo cansaço"; "Eu, eu mesmo... Cheio de todos os cansaços..."; "Não, não é cansaço", entre outros.
Cansaço afinal de quê? Pensamos que cansaço de viver, mas sobretudo cansaço de viver uma vida que nunca se assemelha à vida que o poeta imagina que podia ser a sua. Ele vive uma vida simples, precária, doente, sem fama ou glória, e sobretudo sem ter atingido nenhum dos seus objectivos principais. Ele (Pessoa) que abdicou da vida normal, do amor, em favor da sua obra, da sua escrita, encontra-se cada vez mais sozinho, cada vez mais abandonado, cada vez mais à beira da loucura, e sobretudo encontra-se cada vez mais longe de onde imaginara poder estar.
Este desencantamento com a vida é uma marca forte da poesia tardia de Pessoa. E diz-nos muito do que ele sentia, diz-nos imensamente sobre o que ele sofria com o seu quotidiano - um dia-a-dia feito de coisas originais, de pesquisas profundas, mas que progressivamente se esgotava com o tempo e não dava frutos visíveis.
Neste poema que agora analisamos o desencantamento aparece afinal como súmula do tema principal. Não é só tristeza, é desilusão, falta de esperança, nada.
Estou cansado: é uma constatação fria da sua condição actual. E é uma constatação que não deixa lugar à mudança, apenas um sorriso triste ("um pouco sorridente"). Sorriso triste ele mesmo de consciência do fim de estrada, de resolução, de inevitabilidade. O curso da sua vida termina nesta conclusão a preto e branco. Sem esperança mas ainda lúcido e inteligente, Campos lança uma visão geral sobre a sua vida e diz-nos o que vê, sem entoação na sua voz.
Os recursos estilísticos que usa, são em favor deste ciclo fechado e doente: as repetições, as aliterações, as interrogações indefinidas...
A sua "cabeça", a sua mente, agora serve-lhe apenas para esta retrospecção triste e apagada, para mais nada.

O Mundo que nos Rodeia: TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ

Vou iniciar hoje uma nova rúbrica, "O Mundo que nos Rodeia". Esta nova temática irá abordar básicamente notícias do dia-a-dia com relevância e interesse para todos os leitores e obriga a alguma reflexão sobre o mundo e a sociedade que nos rodeia. Inicie com um artigo de um escritor espanhol, Sebastian Vilar Rodriguez, intitulado: "TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ",  escrito num jornal espanhol.




TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ
Por Sebastian Vilar Rodriguez

Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. – A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de  muçulmanos.
Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade, e talento.
Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo.
 A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comercio internacional, e acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimámos.
E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.
Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime.
Fechados nos seus apartamentos eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planeiam o assassinato e a destruição dos seus ingénuos hospedeiros.
E assim, na nossa miséria, trocámos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa, por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição.
Trocámos  a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu  apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.
Que terrível erro cometido pela miserável Europa.
O total da população islâmica (ou muçulmana) é de, aproximadamente, 1 200 000 000, isto é um bilião e duzentos milhões  ou seja 20% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura
1988 – Najib Mahfooz

Paz
1978 – Mohamed Anwar El-Sadat
1990 – Elias James Corey
1994 – Yaser Arafat
1999 – Ahmed Zewai

Economia
(ninguém)

Física
(ninguém)

Medicina
1960 – Peter Brian Medawar
1998 – Ferid Mourad

TOTAL: 7 (sete)

O total da população de Judeus é, aproximadamente, 14 000 000, isto é catorze milhões ou seja cerca de 0,02% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura 
1910 - Paul Heyse
1927 - Henri Bergson
1958 - Boris Pasternak
1966 - Shmuel Yosef Agnon
1966 - Nelly Sachs
1976 - Saul Bellow
1978 - Isaac Bashevis Singer
1981 - Elias Canetti
1987 - Joseph Brodsky
1991 - Nadine Gordimer World

Paz 
1911 - Alfred Fried
1911 - Tobias Michael Carel Asser
1968 - Rene Cassin
1973 - Henry Kissinger
1978 - Menachem Begin
1986 - Elie Wiesel
1994 - Shimon Peres
1994 - Yitzhak Rabin

Física 
1905 - Adolph Von Baeyer
1906 - Henri Moissan
1907 - Albert Abraham Michelson
1908 - Gabriel Lippmann
1910 - Otto Wallach
1915 - Richard Willstaetter
1918 - Fritz Haber
1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr
1925 - James Franck
1925 - Gustav Hertz
1943 - Gustav Stern
1943 - George Charles de Hevesy
1944 - Isidor Issac Rabi
1952 - Felix Bloch
1954 - Max Born
1958 - Igor Tamm
1959 - Emilio Segre
1960 - Donald A. Glaser
1961 - Robert Hofstadter
1961 - Melvin Calvin
1962 - Lev Davidovich Landau
1962 - Max Ferdinand Perutz
1965 - Richard Phillips Feynman
1965 - Julian Schwinger
1969 - Murray Gell-Mann
1971 - Dennis Gabor
1972 - William Howard Stein
1973 - Brian David Josephson
1975 - Benjamin Mottleson
1976 - Burton Richter
1977 - Ilya Prigogine
1978 - Arno Allan Penzias
1978 - Peter L Kapitza
1979 - Stephen Weinberg
1979 - Sheldon Glashow
1979 - Herbert Charles Brown
1980 - Paul Berg
1980 - Walter Gilbert
1981 - Roald Hoffmann
1982 - Aaron Klug
1985 - Albert A. Hauptman
1985 - Jerome Karle
1986 - Dudley R. Herschbach
1988 - Robert Huber
1988 - Leon Lederman
1988 - Melvin Schwartz
1988 - Jack Steinberger
1989 - Sidney Altman
1990 - Jerome Friedman
1992 - Rudolph Marcus
1995 - Martin Perl
2000 - Alan J.. Heeger

Economia 
1970 - Paul Anthony Samuelson
1971 - Simon Kuznets
1972 - Kenneth Joseph Arrow
1975 - Leonid Kantorovich
1976 - Milton Friedman
1978 - Herbert A. Simon
1980 - Lawrence Robert Klein
1985 - Franco Modigliani
1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz
1990 - Merton Miller
1992 - Gary Becker
1993 - Robert Fogel

Medicina
1908 - Elie Metchnikoff
1908 - Paul Erlich
1914 - Robert Barany
1922 - Otto Meyerhof
1930 - Karl Landsteiner
1931 - Otto Warburg
1936 - Otto Loewi
1944 - Joseph Erlanger
1944 - Herbert Spencer Gasser
1945 - Ernst Boris Chain
1946 - Hermann Joseph Muller
1950 - Tadeus Reichstein
1952 - Selman Abraham Waksman
1953 - Hans Krebs
1953 - Fritz Albert Lipmann
1958 - Joshua Lederberg
1959 - Arthur Kornberg
1964 - Konrad Bloch
1965 - Francois Jacob
1965 - Andre Lwoff
1967 - George Wald
1968 - Marshall W. Nirenberg
1969 - Salvador Luria
1970 - Julius Axelrod
1970 - Sir Bernard Katz
1972 - Gerald Maurice Edelman
1975 - Howard Martin Temin
1976 - Baruch S. Blumberg
1977 - Roselyn Sussman Yalow
1978 - Daniel Nathans
1980 - Baruj Benacerraf
1984 - Cesar Milstein
1985 - Michael Stuart Brown
1985 - Joseph L. Goldstein
1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]
1988 - Gertrude Elion
1989 - Harold Varmus
1991 - Erwin Neher
1991 - Bert Sakmann
1993 - Richard J. Roberts
1993 - Phillip Sharp
1994 - Alfred Gilman
1995 - Edward B. Lewis
1996- Lu RoseIacovino 

TOTAL: 128 (cento e vinte e oito)  


Os judeus não estão a promover lavagens cerebrais a crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar um máximo de mortes a judeus e a outros não muçulmanos.
Os judeus não “tomam”  aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, nem se fazem explodir em restaurantes alemães.
Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. NÃO há um único judeu que proteste matando pessoas.
Os judeus não traficam escravos, não têm líderes a clamar pela Jihad Islâmica e morte a todos os infiéis.
Talvez os muçulmanos do mundo devessem considerar investir mais numa educação modelo e menos em queixarem-se dos judeus  por todos os seus problemas.
Os muçulmanos deviam perguntar o que poderiam fazer  pela humanidade antes de pedir que a humanidade os respeite.
Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os seus vizinhos palestinianos  e árabes, mesmo que creiamos que há mais culpas na parte de Israel, as duas frases que se seguem realmente dizem tudo:
“Se os árabes depusessem hoje as suas armas não haveria mais violência. Se os judeus depusessem hoje as suas armas  não haveria mais Israel” (Benjamin Netanyahu)
Por uma questão histórica, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou todas as vítimas mortas nos campos de concentração nazi, mandou que as pessoas ao visitarem esses  campos de morte, tirassem todas as fotografias possíveis, e para os alemães das aldeias próximas serem levados através dos campos e que enterrassem os mortos.
Ele fez isto porque disse de viva voz o seguinte:
 “Gravem isto tudo hoje. Obtenham os filmes, arranjem as testemunhas, porque poderá haver algum malandro  lá em baixo, na estrada da história, que se levante e diga que isto nunca aconteceu.
Recentemente, no Reino Unido, debateu-se a intenção de remover  o holocausto do curriculum das suas escolas, porque era uma ofensa para a população  muçulmana, a qual diz que isto nunca aconteceu. Até agora ainda não foi retirado do curriculum. Contudo é uma demonstração do
grande receio que está a preocupar o mundo e a facilidade com que as nações o estão a aceitar.
Já passaram mais de sessenta anos depois da Segunda Guerra Mundial na Europa ter terminado.
O conteúdo deste mail está a ser enviado como uma cadeia em memória dos 6 milhões de judeus, dos 20 milhões de russos, dos 10 milhões de cristãos e dos 1 900 padres Católicos que foram assassinados, violados, queimados, que morreram de fome, foram  espancados, e humilhados enquanto o povo alemão olhava para o outro lado.
Agora, mais do que nunca, com o Irão entre outros, reclamando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar-se de que o mundo nunca esquecerá isso.
É intento deste mail que chegue a 400 milhões de pessoas.
Que seja um elo na cadeia-memorial e ajude a distribui-lo pelo mundo.
Depois do ataque ao World Trade Center, quantos anos passarão antes que se diga. “NUNCA ACONTECEU”, porque isso pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos???