terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: VILFREDO PARETO(n. 15 Jul.1848; m. 19 Ago.1923)


Vilfredo Pareto, nasceu em Paris, a 15 de Julho de 1848, a família de Pareto, era originária da Ligúria, e detinha o título de nobreza desde o início do século XVIII. Seu avô, Giovanni Benedetto Pareto, foi nomeado Barão do Império por Napoleão em 1811. Seu pai, recebeu asilo em Paris devido às suas ideias republicanas e antipiemontesas. Lá se casou com Marie Méténier.
Em 1867 a família de Pareto volta à Itália onde este conclui os estudos secundários clássicos e estudos científicos na Universidade Politécnica de Turim.
Durante o período de 1874 e 1892 vive em Florença, tendo sido engenheiro ferroviário e Director-geral das estradas de ferro italianas. Nesta época também participa da Sociedade Adam Smith em Florença e junto a esta em manifestações contra o socialismo de Estado, o proteccionismo e o militarismo do governo italiano. Era adepto, na época, da democracia e do liberalismo. Em 1882 é candidato ao cargo de deputado sem sucesso.
Em 1889 casa-se com Alessandra Bakunin.
Entre 1892 e 1894 publica estudos sobre os princípios fundamentais da economia pura, entre outros pontos da teoria económica. Em 1892, após contacto com L. Walras, este o indica para tomar seu lugar na cadeira de economia política da Universidade de Lausanne. Em 1893 assumiria o cargo.
Em 1897 executou um estudo sobre a distribuição de renda. Através deste estudo, percebeu-se que a distribuição de riqueza não se dava de maneira uniforme, havendo grande concentração de riqueza (80%) nas mãos de uma pequena parcela da população (20%).
Depois de separar-se de Alessandra Bakunin em 1901, passa a viver com Jeanne Régis em 1902.
A partir de 1907, por motivos de doença passa a reduzir, pouco a pouco, seu trabalho como professor.
Em 1923 Vilfredo Pareto é nomeado Senador do Reino da Itália. Publica então dois artigos nos quais se aproxima do fascismo recomendando aos adeptos desta ideologia uma atitude liberal.
Pareto introduziu o conceito de óptimo de Pareto e ajudou o desenvolvimento da microeconomia com a ideia de curva de indiferença.
A partir de então, tal princípio de análise, conhecida com Lei de Pareto, tem sido estendido a outras áreas e actividades tais como a industrial e a comercial, sendo mais amplamente aplicado a partir da segunda metade do século XX.
Na sociologia, Pareto contribuiu para a elevação desta disciplina ao estatuto de ciência. Sua recusa em atribuir um carácter utilitário à ciência, mas antes apontar para sua busca pela verdade independentemente de sua utilidade, o faz distinguir como objecto da sociologia as acções não-lógicas diferentemente do objecto da economia como sendo as ações lógicas.
A utilidade é o objeto das ações, enquanto que o da ciência é a verdade ao que Pareto se propõe a estudar de forma lógica ações não-lógicas, que, segundo ele, são as mais comuns entre os seres humanos. O homem para Vilfredo Pareto não é um ser racional, mas um ser que raciocina tão-somente. Frequentemente este homem tenta atribuir justificativas pretensamente lógicas para suas ações ilógicas deixando-se levar pelos sentimentos.
A relação entre ciência e acção para Pareto se dá directamente com as ações lógicas, uma vez que estas, ao se definirem pela coincidência entre a relação objectiva e subjectiva entre meios e fins (tal relação é verdadeira tanto objectivamente, constatada pelos fatos, quanto subjectivamente, presente na consciência humana, que conhece os fatos), está pautada pelo conhecimento das regularidades entre uma causa X e um efeito Y. No entanto, a ciência é limitada, ela conhece parte dos fatos e está em constante desenvolvimento, por isso, as ações baseadas nos conhecimentos produzidos por ela serem raras sendo mais frequentes as ações não-lógicas, que não conhecem a verdade dos fatos, mas que são baseadas nas intuições e emoções dos indivíduos e grupos.
Há, mesmo assim, probabilidades de sucesso nestas ações: aqueles que agem motivados por um ideal podem produzir efeitos objectivos na realidade, ainda que no curso de sua ação tenham que modificá-la para adaptá-la às circunstâncias até então desconhecidas.
É preciso, no entanto, ressaltar que a ciência não pode resolver os problemas impostos pela ação. Aquela não pode indicar quais os melhores fins para esta, pode somente indicar os meios mais eficazes para atingi-los uma vez escolhidos. A ciência, portanto, não se propõe a efectuar juízos de valor a respeito das ações individuais ou da organização social, não poderá solucionar seus problemas. Poderá sim criticá-los enquanto não-lógicos, ou seja, pautados numa relação falsa, não objetiva, entre meios e fins.
Vilfredo Pareto morreu com 75 anos, a 19 de Agosto de 1923, em Céligny, na Suiça (existem contudo outras localidades para a morte de Pareto, nomeadamente Genebra e Lausanne), mas este parece o local que reúne maior consenso.


Bibliografia

  • 1897 Cours d'économie politique
  • Xxxx  Le Marché financier italien
  • Xxxx  Écrits sur la courbe de répartition de la richesse
  • 1902  Les systèmes socialistes
  • Xxxx  Mythes et idéologies de la politique
  • 1906  Manuale di politica economica
  • 1911  Le mythe vertuiste et la littérature immorale, Paris, Rivière
  • Xxxx  Marxisme et économie politique
  • 1916  Trattato di sociologia Generale
  • 1920  Fatti e teorie, Florence, Vallechi
  • 1921  Transformazioni della democrazia Milão, Corbaccio

Às Voltas com a Memória: FERNANDO PESSOA (n. 13 Jun. 1888; m. 30 Nov. 1935)


Fernando Pessoa, um dos expoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Viveu primeiro com uma tia, na rua de S. Bento e depois com a avó paterna, na Rua da Bela Vista à Lapa. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sendo que as suas participações literárias se espalhavam por inúmeras publicações, das quais se destacam: Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
Teve uma paixão confessa – Ophélia Queirós – com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspectivo e melancólico.
O seu percurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas. É sobretudo o relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura efectuou-a Pessoa com recurso a todas as armas - metafísicas, religiosas, racionalistas - mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, enfim exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).
Os últimos anos são vividos em angústia. Os seus projectos intelectuais não se realizam plenamente, nem sequer parcialmente. Talvez os seus objectivos fossem à partida demasiado elevados... Certo é que esta falta de resultados concretos o deita a um desespero cada vez mais profundo. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o princípio da sua realização.
Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Uma pequena procissão funerária levou o corpo a enterrar no Cemitério dos Prazeres. Em 1985, por ocasião do cinquentenário da sua morte, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.

NOTA: Esta é uma breve biografia do grande poeta, porque irei desenvolver uma biografia mais profunda e ampla no espaço "O POETA É UM FINGIDOR", nomeadamente em relação também aos seus heterónimos e a toda a sua vida e obra.

A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO


 Hospital Miguel Bombarda



Em 1983, surge no Hospital Miguel Bombarda, o Gabinete de Estudos, Prevenção, Tratamento e Recuperação de Alcoólicos (GEPTRA). Em 1992 é criada a Unidade de Tratamento e Reabilitação de Alcoólicos (UTRA), que visa dar resposta ao número cada vez maior de indivíduos que se dirigiam a essa instituição, devido a problemas relacionados com o consumo de álcool.
Esta unidade (UTRA), é um serviço de internamento com lotação de 36 camas, sendo 24 destinadas a receber indivíduos com esta problemática (18 camas para homens e 6 para mulheres), as restantes (12 camas), poderão em qualquer altura servir de apoio a doentes do foro psiquiátrico dos restantes serviços do H.M.Bombarda. O espaço físico é constituído por 13 quartos, uma sala de TV e Vídeo, uma sala de reuniões, um gabinete médico, de psicologia e de gestão, sala de enfermagem, refeitório, copa, duas casas de banho e uma sala de convívio para fumadores.
Esta unidade tem uma equipa multidisciplinar constituída por enfermeiros, médicos, psicólogos, assistente social, técnica de movimento, psicopedagogo e auxiliares de acção médica.
O grande objectivo desta unidade é, a reabilitação e reintegração de pessoas com problemas de álcool, a partir de um plano de internamento que tem uma duração prevista de 4 semanas.
O seu plano de actividades, é constituído por 4 vertentes, a saber:

ACTIVIDADES TERAPÊUTICAS

§  Acolhimento Individualizado,
§  Desintoxicação alcoólica com duração de quatro semanas,
§  Reuniões de Grupo com Enfermeiros, Psicólogos e Assistente Social,
§  Acompanhamento médico, de enfermagem e psicologia individualizados,
§  Planeamento da alta desde o primeiro dia de internamento com vista à reinserção na comunidade,
§  Acompanhamento pós alta em consulta médica,
§  Acompanhamento pós alta em grupo,
§  Acompanhamento Psicológico individualizado no pós alta.

GRUPO PSICOEDUCATIVO / AJUDA MÚTUA

§  Fornecer informação sobre a doença alcoólica, implicações físicas, psicológicas, familiares e sociais. Como lidar com as recaídas e com o doente após alta. (destina-se essencialmente aos familiares e amigos dos doentes internados)

APOIO À FAMÍLIA

§  Fornecer informação sobre o familiar, funcionamento do serviço e esclarecimento de dúvidas.

INFORMAÇÃO MÉDICA E PSICOLÓGICA

§  Mediante marcação prévia, é fornecido apoio, informação e esclarecimentos aos familiares dos doentes. Para benefício desta assistência basta contactar os enfermeiros.

Em 2004, o UTRA manteve a colaboração com a Associação “Crescer na Maior”, organismo de solidariedade da Câmara Municipal de Lisboa, com quem estabeleceu um protocolo para apoio a indivíduos sem abrigo com problemas de álcool.
Manteve a colaboração com os Alcoólicos Anónimos (AA), que continuaram a realizar reuniões semanais, com a perspectiva de vir a ser alargada aos doentes alcoólicos internados noutras enfermarias e à comunidade.
Desenvolveu uma parceria com o Serviço de Atendimento à Família e Indivíduo (SAFI), da Faculdade de Psicologia da Universidade Clássica de Lisboa, para acompanhamento de famílias em Terapia Familiar Sistémica no Pós – Alta.
Iniciou os primeiros contactos para a organização das 4ªs. Jornadas de Alcoologia do Hospital Miguel Bombarda, a realizar durante os dias 23, 24 e 25 de Junho de 2005, subordinado ao tema “Álcool e Comorbilidade”.
A equipa de enfermagem orientou, acompanhou e avaliou alunos de enfermagem durante o seu Ensino Clínico na UTRA, das seguintes escolas:

·         Escola Superior de Enfermagem Cruz Vermelha Portuguesa (4 estudantes),
·         Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende (6 estudantes),
·         Escola Superior de Enfermagem de São Vicente de Paulo (3 estudantes em visita de observação),
·         Escola do Serviço de Saúde Militar (3 estudantes).

A equipa de psicólogos orientou estágios escolares e profissionais, com a colaboração do Serviço de Psicologia, das seguintes instituições:

·         Universidade Lusófona de Humanidade e Tecnologia (2 estagiários)
·         Instituto de Emprego e Formação Profissional (1 estagiário).

Foi feita a caracterização da população internada na UTRA, durante 2003/2004 e foi feito um estudo sobre a Avaliação da Qualidade do Atendimento, com o objectivo de medir o grau de satisfação do utente em relação aos serviços prestados pela equipa e às condições do próprio espaço físico.
Finalmente, iniciou-se, em colaboração com o Laboratório Bio Portugal, a utilização da substância “Cerebrolysine” em doentes alcoólicos com disfunções cognitivas. Este estudo encontra-se a aguardar um parecer da Comissão de Ética do HMB.
Em 2004 e, em virtude de obras de remodelação do espaço físico do serviço de alcoologia, foi reduzida temporariamente a lotação do serviço, de 36 para 30 e depois para 27 vagas de internamentos.
No entanto, e apesar destas restrições, verificou-se um aumento do número total de doentes internados, em relação ao ano anterior, de 176 para 186.
Destes 186 internamentos, 162 foram de doentes com a patologia alcoólica, sendo as restantes 24 admissões de doentes de outras enfermarias.
Na tabela seguinte pode-se observar a distribuição de doentes alcoólicos pelo número de internamentos / readmissões em 2004:

Fonte: Relatório de Actividades 2004, Unidade de Tratamento e Reabilitação Alcoólica - HMB

Durante o ano de 2004, realizaram-se também 58 sessões, das 90 planeadas de reuniões pedagógicas para doentes com múltiplos internamentos, com uma média de 9 doentes por sessão, o que totalizou 508 doentes. Estas reuniões consistem em 8 sessões com uma duração de 60 minutos, e são realizadas bissemanalmente, durante as quatro semanas de internamento.
Realizaram-se também 64 reuniões de apoio às famílias, sendo que 14 reuniões familiares e 50 entrevistas familiares. A finalidade destas reuniões é a de corresponder às necessidades e expectativas das famílias em relação à recuperação do seu familiar.
Quanto a reuniões comunitárias, foram realizadas 17, das 20 previstas, com uma média de 9,94 utentes por sessão num total de 169 utentes. Estas sessões foram distribuídas da seguinte forma:

Fonte: Relatório de Actividades 2004, Unidade de Tratamento e Reabilitação Alcoólica – HMB


Foram também realizadas algumas actividades de promoção de estilos de vida saudáveis, destacando-se 10 actividades no exterior, nomeadamente, visita ao zoo, oceanário, encontro sócio - cultural dos centro de saúde mental e psiquiatria do patriarcado de Lisboa, cruzeiro no Rio Tejo, duas idas ao teatro, santuário de Fátima, corrida de solidariedade pela saúde mental, iluminação de natal da cidade de Lisboa, e circo cardinalli, num total de 88 indivíduos.
Foram também realizadas 120 entrevistas psicológicas, que consiste no preenchimento de uma ficha de acolhimento e recolha de dados, sendo realizadas também 255 acompanhamentos psicológicos, cuja finalidade é a identificação, conjuntamente com o indivíduo, das necessidades e benefícios da abstinência e também para evitar o aparecimento de dificuldades que terminem no recurso ao álcool.
Realizaram-se 146 reuniões de grupo, num total de 592 indivíduos e cujo objectivo é a promoção da motivação para a abstinência, a prevenção de recaídas e o treino de competências sociais, recorrendo-se a diversas técnicas, tais como: matriz de decisão, rolle-playing, modelagem social, análise de cadeia comportamental, registo de auto – monitorização e psicodrama de resultado.
Efectuaram-se 37 reuniões de pós-alta, envolvendo um total de 81 utentes e numa média de 2,2 indivíduos por sessão, e 5 sessões de grupo de prevenção de recaídas.
No que respeita à ajuda mútua para familiares, realizaram-se 27 reuniões, das 40 planeadas, com uma média de 2,7 famílias por sessão, num total de 75 famílias / pessoas, sendo 21 esposas, 16 mães, 11 pais, 12 filhos e 15 outros familiares.
Em relação às consultas médicas, foram efectuadas 945 consultas, durante o ano de 2004, sendo 98 consultas de triagem, num total de 412 doentes.
Quanto a consultas psicológicas, efectuaram-se 905 psicoterapias, num total de 85 utentes, com uma média de 10,65 doentes por consulta.
Em resumo realizaram-se durante 2004 um total de 1850 consultas, distribuídas assim:
Fonte: Relatório de Actividades 2004, Unidade de Tratamento e Reabilitação Alcoólica – HMB


Em resumo, o Plano de Actividades da Unidade de Tratamento e Reabilitação
de Alcoólicos:

Este quadro mostra-nos o Plano de Actividades semanal que a instituição realiza aos doentes internados, passa por diversas acções, que vai desde a sua higiene e arrumação da unidade (Auto-cuidado), a reuniões nos Alcoólicos Anónimos (AA), terapêutica de grupo e reuniões comunitárias.
Todos os doentes internados nesta unidade de alcoologia têm que cumprir estas regras, que pertencem ao próprio regulamento interno da unidade de alcoologia.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


1968 A Revolução que Tanto Amámos

Em Maio de 1968 e um pouco também ao longo de todo esse ano, o mundo assistiu à generalização de uma revolta na qual, mais do que os regimes e os governos, eram postos em causa os aparelhos políticos, as formas da vida quotidiana, os sistemas interligados do ensino e do trabalho, o sem-sentido da existência esmagada pela rotina.
Nos confrontos que, de Paris a Berlim e de Praga a Berkeley, encheram as primeiras páginas dos jornai, destacaram-se alguns nomes que o grande público passou a associar à memória desse ano. Um deles ligado aos acontecimentos do Maio francês, foi Cohn-Bendit, que o governo gaulista acabaria por expulsar para fora das fronteiras do país. Ora foi precisamente o mesmo Cohn-Bendit quem, passados quase vinte anos sobre o episódio que tanta celebridade lhe deu, partiu à descoberta de antigos companheiros de luta, para ver aquilo em que cada um deles se havia tornado com a passagem do tempo. Pôde assim encontrar os criadores dos movimentos contestatários que abalaam o mundo nos anoos sessenta: os Yippies, os Black Panthers, as mulheres do Women´s Lib, os Provos, as Brigadas Vermelhas, os guerrelheiros da América Latina, alguns outros. Através da história de cada um deles, Daniel Cohn-Bendit tentou compreender como é que esta geração, que durante algum tempo acreditou poder mudar a ordem vigente, acabou, não obstante o seu relativo fracasso, por conseguir de facto subvertê-lo.

Livro editado pela Publicações Dom Quixote, em 1988, tem 182 páginas e contém uma série de entrevistas efectuadas por Daniel Cohn-Bendit, o "pai" do Maio de 68, em Paris, Nanterre, hoje deputado dos Verdes, pela Alemanha, no Parlamento Europeu. Livro a ler.


A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO


Centro Regional de Alcoologia do Sul




O Centro Regional de Alcoologia do Sul (CRAS), foi estruturado organicamente pelo Decreto-lei nº 318/2000, de 14 de Dezembro e dotado de autonomia técnica, administrativa, financeira e património próprio. Tem como principal missão, desenvolver metodologias de abordagem à Prevenção, Tratamento e Reabilitação, nas vertentes de abuso, dependência e compulsão ao consumo de bebidas alcoólicas.
O Centro articula-se nas áreas técnico-científicas com a Direcção-Geral de Saúde e funcionalmente com vários serviços de saúde mental, sendo a sua área de influência as Regiões de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
Dentro da sua área de actuação o CRAS tem a vertente Ambulatória e Internamento.
Na vertente Ambulatório, as consultas externas funcionam todos os dias úteis, em dois tipos de horários, o horário normal, das 8h30 às 17 horas, e horário pós-laboral, às segundas, terças e quartas feiras, das 17 às 19 horas, à quinta feira das 17 às 18 horas e, à sexta feira, das 17 às 20 horas.
O CRAS não tem serviço de urgência, pelo que perante uma situação de urgência, o utente deve dirigir-se à urgência psiquiátrica da sua área de residência.
As marcações de consultas podem ser feitas todos os dias úteis, das 14 às 16h30 minutos, podendo qualquer pessoa fazê-lo, desde que tenha os elementos de identificação do utente, e que exista a concordância deste. A documentação necessária para a primeira consulta é o bilhete de identidade, identificação do subsistema de saúde a que pertence e análises, se as tiver, sendo o preço desta primeira consulta o valor normal da taxa moderadora, nestes casos, € 4,20.
A caracterização destes tratamentos em ambulatório, é feita feitos da seguinte forma:
·         Uma equipa multidisciplinar (médicos e psicólogos), privilegiam uma abordagem sistemática da problemática integrada com uma intervenção individual, satisfazendo as necessidades individuais do paciente,
·         Combinam-se várias estratégias terapêuticas, adequadas ao problema e à etapa de recuperação,
·         É aconselhado aos pacientes e seus familiares assistirem a grupos de Auto-Ajuda, do tipo “12 passos”, nomeadamente Alcoólicos Anónimos (AA), Narcóticos Anónimos (NA) e reuniões para familiares e amigos dos alcoólicos (Al - Anon),
·         O Tratamento faz-se em ambulatório em regime de consultas externas, agendadas de acordo com as necessidades do paciente, havendo possibilidades de recorrer ao internamento, sempre que necessário,
·         Aconselha-se sempre que possível a existência de um co-responsável,
·         Privilegia-se sempre que possível o recurso a medicação aversiva,
·         A alta do utente é acordada entre este e o técnico que o acompanha, mas nunca é inferior a dois anos de abstinência sustentada.

Quanto ao Internamento, o doente deve ser previamente avaliado em consulta externa. Não sendo doente do CRAS, deverá marcar uma primeira consulta onde se fará a avaliação clínica da necessidade do internamento.
O internamento implica o preenchimento de uma folha de consentimento informado para o internamento onde constam as normas de internamento, fazer análises e outros exames que constem na lista das normas de internamento, e se possível, vir acompanhado por um familiar ou alguém co-responsável. O internamento funciona no CRAS e é gratuito para o utente. Como objectivos, o internamento pretende a abstinência total e sustentada do consumo do álcool e funciona de acordo com três áreas:

1.    Área médico-psiquiátrica que se ocupa da desintoxicação física do álcool e de qualquer problema físico que surja durante o internamento,
2.    Área de enfermagem de cuidados continuados,
3.    Área de intervenção psicoterapêutica inspirada num programa psicoterapêutico.

A caracterização deste programa é adaptada do Modelo Minnesota, que se baseia em quatro componentes:

1.    Abstinência total de álcool e drogas para o resto da vida,
2.    Recurso à filosofia dos 12 passos,
3.    Terapia da realidade,
4.    Conceito de adição, como sendo uma doença primária, crónica, progressiva e potencialmente fatal.

As actividades desenvolvidas durante o internamento, resumem-se a:

·         Palestras educativas sobre o conceito de doença, filosofia dos 12 passos, sentimentos, perdas, danos, assertividade, comunicação e outras,
·         Leituras terapêuticas,
·         Trabalhos terapêuticos,
·         Psicoterapia de grupo,
·         Sessões de informação para famílias,
·         Conferências de famílias,
·         Terapia do grito (psicoterapia emocional),
·         Terapia familiar,
·         Role-Playing[1],
·         Terapia pela arte e,
·         Reuniões de Alcoólicos Anónimos (AA), Narcóticos Anónimos (NA) e Al – Anon[2].

A duração deste tipo de internamentos tem uma média de quatro a cinco semanas, com acompanhamento em grupos terapêuticos de pós – alta durante dois anos. O CRAS tem 24 vagas para homens e 6 vagas para mulheres, não sendo nunca possível o internamento de urgência, pois o mesmo obedece a uma lista de espera.
Segundo o relatório de actividades para o ano de 2004, publicado pelo CRAS, cada médico fez, em média, 7 consultas por dia. Medindo um pouco mais a produtividade ao nível de consultas médicas, foram efectuadas 7.158 consultas (1.034 primeiras consultas e 6.124 de seguimento). Foram internados 345 indivíduos, correspondentes a 9.833 dias de internamento e 899,5% de taxa de ocupação.
Em 2004, o CRAS organizou o 7º Curso de Formação em Alcoologia e fizeram-se intervenções em diversos congressos, acções de prevenção em escolas e, intervenção em empresas.
Colaborou ao nível do ensino pré – graduado com orientação de 13 estágios de estudantes universitários de serviço social (3), de enfermagem (3) e de psicologia (7), para além das aulas teórico e práticas do 5º e 6º ano de medicina.
No ensino pós – graduado orientou e supervisionou 16 estágios profissionais: Psicologia (4), Serviço Social (1), Enfermeiros (3), Médicos (7) e 1 estágio de observação.
Considerando que o CRAS funciona tendo em vista a satisfação dos utentes a que se destina, conforme se pode comprovar pela existência de duas reuniões abertas de Alcoólicos Anónimos e Famílias Anónimas, no seu interior, frequentadas por dezenas de pessoas, que nele se reúnem às Quartas e Sábados, concretiza aquilo que designamos por uma instituição organizada para prestar um verdadeiro serviço público.
Quanto à produção do sector ambulatório, resume-se o que aconteceu em 2004:


                      Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



Numa análise mais profunda, podemos ver a evolução em termos de consultas médicas nos últimos 6 anos:

                                                     
                        Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Quanto à proveniência dos doentes do sector ambulatório, embora a grande maioria seja da área de Lisboa e Vale do Tejo, (embora para o nosso estudo apenas interesse a região de Lisboa e Vale do Tejo) também outras áreas do país foram contempladas, conforme nos mostra o quadro seguinte (para o ano de 2004):


                               Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Ainda relacionado com o sector ambulatório, foram realizadas as seguintes actividades:


                           Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Passando agora para o internamento, o movimento do sector, em 2004 foi o seguinte:

                                       Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



No ano de 2004, a proveniência dos doentes do internamento por distrito e por regiões de saúde foi a seguinte:



                                       Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Numa análise mais profunda, podemos ver a evolução em termos de internamentos nos últimos seis anos:


                            Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



Entre muitas outras actividades realizadas pelo CRAS, queria destacar o “PROGRAMA STOP”, que foi criado pelo Instituto de Reinserção Social (IRS) com o objectivo de dar resposta legal a condutores apanhados em operações de controlo, pelas forças policiais, com mais de 1,2 de taxa de alcoolémia.
Com um projecto-piloto em Torres Vedras, desde 1999, o programa passou a ser executado por outras zonas do país, a partir de Janeiro de 2002.
O papel do CRAS neste processo insere-se no âmbito do diagnóstico do Sindroma de Abuso ou Dependência de Álcool, seguido de um programa de mudança de atitudes ou tratamento, respectivamente, caso se verifique.

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[1] Modelo de ensino que pertence à família das Interacções Sociais. Este ajuda os indivíduos a compreender o comportamento social, o seu papel nas interacções sociais e as formas de resolver problemas de uma forma mais eficaz. Ajuda também os indivíduos a organizarem e sistematizarem a informação no que respeita a assuntos do foro social, a desenvolver relações com os outros e a aperfeiçoar as suas próprias capacidades sócias. Este modelo, requer que os indivíduos experienciem os conflitos, aprendam a desempenhar os papeis dos outros e observem os diferentes comportamentos sociais.
[2] É uma associação de familiares e amigos de alcoólicos que partilham a sua experiência, força e esperança afim de solucionarem os problemas que têm em comum. O Al-Anon não está ligado a nenhuma seita, religião, movimento político, organização ou instituição; não se envolve em qualquer controvérsia, nem endossa ou apoia qualquer causa. Não existem taxas para ser membro.                                                
O Al-Anon é auto-suficiente graças às suas próprias contribuições. O Al-Anon tem apenas um propósito: prestar ajuda a familiares de alcoólicos. Fazemos isso praticando os Doze Passos, acolhendo e proporcionando alívio a familiares de alcoólicos, bem como compreendendo e encorajando os alcoólicos.