domingo, 6 de fevereiro de 2011

Livros que merecem ser lidos...


1968 A Revolução que Tanto Amámos

Em Maio de 1968 e um pouco também ao longo de todo esse ano, o mundo assistiu à generalização de uma revolta na qual, mais do que os regimes e os governos, eram postos em causa os aparelhos políticos, as formas da vida quotidiana, os sistemas interligados do ensino e do trabalho, o sem-sentido da existência esmagada pela rotina.
Nos confrontos que, de Paris a Berlim e de Praga a Berkeley, encheram as primeiras páginas dos jornai, destacaram-se alguns nomes que o grande público passou a associar à memória desse ano. Um deles ligado aos acontecimentos do Maio francês, foi Cohn-Bendit, que o governo gaulista acabaria por expulsar para fora das fronteiras do país. Ora foi precisamente o mesmo Cohn-Bendit quem, passados quase vinte anos sobre o episódio que tanta celebridade lhe deu, partiu à descoberta de antigos companheiros de luta, para ver aquilo em que cada um deles se havia tornado com a passagem do tempo. Pôde assim encontrar os criadores dos movimentos contestatários que abalaam o mundo nos anoos sessenta: os Yippies, os Black Panthers, as mulheres do Women´s Lib, os Provos, as Brigadas Vermelhas, os guerrelheiros da América Latina, alguns outros. Através da história de cada um deles, Daniel Cohn-Bendit tentou compreender como é que esta geração, que durante algum tempo acreditou poder mudar a ordem vigente, acabou, não obstante o seu relativo fracasso, por conseguir de facto subvertê-lo.

Livro editado pela Publicações Dom Quixote, em 1988, tem 182 páginas e contém uma série de entrevistas efectuadas por Daniel Cohn-Bendit, o "pai" do Maio de 68, em Paris, Nanterre, hoje deputado dos Verdes, pela Alemanha, no Parlamento Europeu. Livro a ler.


A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO


Centro Regional de Alcoologia do Sul




O Centro Regional de Alcoologia do Sul (CRAS), foi estruturado organicamente pelo Decreto-lei nº 318/2000, de 14 de Dezembro e dotado de autonomia técnica, administrativa, financeira e património próprio. Tem como principal missão, desenvolver metodologias de abordagem à Prevenção, Tratamento e Reabilitação, nas vertentes de abuso, dependência e compulsão ao consumo de bebidas alcoólicas.
O Centro articula-se nas áreas técnico-científicas com a Direcção-Geral de Saúde e funcionalmente com vários serviços de saúde mental, sendo a sua área de influência as Regiões de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
Dentro da sua área de actuação o CRAS tem a vertente Ambulatória e Internamento.
Na vertente Ambulatório, as consultas externas funcionam todos os dias úteis, em dois tipos de horários, o horário normal, das 8h30 às 17 horas, e horário pós-laboral, às segundas, terças e quartas feiras, das 17 às 19 horas, à quinta feira das 17 às 18 horas e, à sexta feira, das 17 às 20 horas.
O CRAS não tem serviço de urgência, pelo que perante uma situação de urgência, o utente deve dirigir-se à urgência psiquiátrica da sua área de residência.
As marcações de consultas podem ser feitas todos os dias úteis, das 14 às 16h30 minutos, podendo qualquer pessoa fazê-lo, desde que tenha os elementos de identificação do utente, e que exista a concordância deste. A documentação necessária para a primeira consulta é o bilhete de identidade, identificação do subsistema de saúde a que pertence e análises, se as tiver, sendo o preço desta primeira consulta o valor normal da taxa moderadora, nestes casos, € 4,20.
A caracterização destes tratamentos em ambulatório, é feita feitos da seguinte forma:
·         Uma equipa multidisciplinar (médicos e psicólogos), privilegiam uma abordagem sistemática da problemática integrada com uma intervenção individual, satisfazendo as necessidades individuais do paciente,
·         Combinam-se várias estratégias terapêuticas, adequadas ao problema e à etapa de recuperação,
·         É aconselhado aos pacientes e seus familiares assistirem a grupos de Auto-Ajuda, do tipo “12 passos”, nomeadamente Alcoólicos Anónimos (AA), Narcóticos Anónimos (NA) e reuniões para familiares e amigos dos alcoólicos (Al - Anon),
·         O Tratamento faz-se em ambulatório em regime de consultas externas, agendadas de acordo com as necessidades do paciente, havendo possibilidades de recorrer ao internamento, sempre que necessário,
·         Aconselha-se sempre que possível a existência de um co-responsável,
·         Privilegia-se sempre que possível o recurso a medicação aversiva,
·         A alta do utente é acordada entre este e o técnico que o acompanha, mas nunca é inferior a dois anos de abstinência sustentada.

Quanto ao Internamento, o doente deve ser previamente avaliado em consulta externa. Não sendo doente do CRAS, deverá marcar uma primeira consulta onde se fará a avaliação clínica da necessidade do internamento.
O internamento implica o preenchimento de uma folha de consentimento informado para o internamento onde constam as normas de internamento, fazer análises e outros exames que constem na lista das normas de internamento, e se possível, vir acompanhado por um familiar ou alguém co-responsável. O internamento funciona no CRAS e é gratuito para o utente. Como objectivos, o internamento pretende a abstinência total e sustentada do consumo do álcool e funciona de acordo com três áreas:

1.    Área médico-psiquiátrica que se ocupa da desintoxicação física do álcool e de qualquer problema físico que surja durante o internamento,
2.    Área de enfermagem de cuidados continuados,
3.    Área de intervenção psicoterapêutica inspirada num programa psicoterapêutico.

A caracterização deste programa é adaptada do Modelo Minnesota, que se baseia em quatro componentes:

1.    Abstinência total de álcool e drogas para o resto da vida,
2.    Recurso à filosofia dos 12 passos,
3.    Terapia da realidade,
4.    Conceito de adição, como sendo uma doença primária, crónica, progressiva e potencialmente fatal.

As actividades desenvolvidas durante o internamento, resumem-se a:

·         Palestras educativas sobre o conceito de doença, filosofia dos 12 passos, sentimentos, perdas, danos, assertividade, comunicação e outras,
·         Leituras terapêuticas,
·         Trabalhos terapêuticos,
·         Psicoterapia de grupo,
·         Sessões de informação para famílias,
·         Conferências de famílias,
·         Terapia do grito (psicoterapia emocional),
·         Terapia familiar,
·         Role-Playing[1],
·         Terapia pela arte e,
·         Reuniões de Alcoólicos Anónimos (AA), Narcóticos Anónimos (NA) e Al – Anon[2].

A duração deste tipo de internamentos tem uma média de quatro a cinco semanas, com acompanhamento em grupos terapêuticos de pós – alta durante dois anos. O CRAS tem 24 vagas para homens e 6 vagas para mulheres, não sendo nunca possível o internamento de urgência, pois o mesmo obedece a uma lista de espera.
Segundo o relatório de actividades para o ano de 2004, publicado pelo CRAS, cada médico fez, em média, 7 consultas por dia. Medindo um pouco mais a produtividade ao nível de consultas médicas, foram efectuadas 7.158 consultas (1.034 primeiras consultas e 6.124 de seguimento). Foram internados 345 indivíduos, correspondentes a 9.833 dias de internamento e 899,5% de taxa de ocupação.
Em 2004, o CRAS organizou o 7º Curso de Formação em Alcoologia e fizeram-se intervenções em diversos congressos, acções de prevenção em escolas e, intervenção em empresas.
Colaborou ao nível do ensino pré – graduado com orientação de 13 estágios de estudantes universitários de serviço social (3), de enfermagem (3) e de psicologia (7), para além das aulas teórico e práticas do 5º e 6º ano de medicina.
No ensino pós – graduado orientou e supervisionou 16 estágios profissionais: Psicologia (4), Serviço Social (1), Enfermeiros (3), Médicos (7) e 1 estágio de observação.
Considerando que o CRAS funciona tendo em vista a satisfação dos utentes a que se destina, conforme se pode comprovar pela existência de duas reuniões abertas de Alcoólicos Anónimos e Famílias Anónimas, no seu interior, frequentadas por dezenas de pessoas, que nele se reúnem às Quartas e Sábados, concretiza aquilo que designamos por uma instituição organizada para prestar um verdadeiro serviço público.
Quanto à produção do sector ambulatório, resume-se o que aconteceu em 2004:


                      Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



Numa análise mais profunda, podemos ver a evolução em termos de consultas médicas nos últimos 6 anos:

                                                     
                        Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Quanto à proveniência dos doentes do sector ambulatório, embora a grande maioria seja da área de Lisboa e Vale do Tejo, (embora para o nosso estudo apenas interesse a região de Lisboa e Vale do Tejo) também outras áreas do país foram contempladas, conforme nos mostra o quadro seguinte (para o ano de 2004):


                               Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Ainda relacionado com o sector ambulatório, foram realizadas as seguintes actividades:


                           Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Passando agora para o internamento, o movimento do sector, em 2004 foi o seguinte:

                                       Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



No ano de 2004, a proveniência dos doentes do internamento por distrito e por regiões de saúde foi a seguinte:



                                       Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS


Numa análise mais profunda, podemos ver a evolução em termos de internamentos nos últimos seis anos:


                            Fonte: Caderno de Actividades 2004, CRAS



Entre muitas outras actividades realizadas pelo CRAS, queria destacar o “PROGRAMA STOP”, que foi criado pelo Instituto de Reinserção Social (IRS) com o objectivo de dar resposta legal a condutores apanhados em operações de controlo, pelas forças policiais, com mais de 1,2 de taxa de alcoolémia.
Com um projecto-piloto em Torres Vedras, desde 1999, o programa passou a ser executado por outras zonas do país, a partir de Janeiro de 2002.
O papel do CRAS neste processo insere-se no âmbito do diagnóstico do Sindroma de Abuso ou Dependência de Álcool, seguido de um programa de mudança de atitudes ou tratamento, respectivamente, caso se verifique.

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[1] Modelo de ensino que pertence à família das Interacções Sociais. Este ajuda os indivíduos a compreender o comportamento social, o seu papel nas interacções sociais e as formas de resolver problemas de uma forma mais eficaz. Ajuda também os indivíduos a organizarem e sistematizarem a informação no que respeita a assuntos do foro social, a desenvolver relações com os outros e a aperfeiçoar as suas próprias capacidades sócias. Este modelo, requer que os indivíduos experienciem os conflitos, aprendam a desempenhar os papeis dos outros e observem os diferentes comportamentos sociais.
[2] É uma associação de familiares e amigos de alcoólicos que partilham a sua experiência, força e esperança afim de solucionarem os problemas que têm em comum. O Al-Anon não está ligado a nenhuma seita, religião, movimento político, organização ou instituição; não se envolve em qualquer controvérsia, nem endossa ou apoia qualquer causa. Não existem taxas para ser membro.                                                
O Al-Anon é auto-suficiente graças às suas próprias contribuições. O Al-Anon tem apenas um propósito: prestar ajuda a familiares de alcoólicos. Fazemos isso praticando os Doze Passos, acolhendo e proporcionando alívio a familiares de alcoólicos, bem como compreendendo e encorajando os alcoólicos.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Poeta é um fingidor

Pai de Fernando Pessoa:


Mãe de Fernando Pessoa:


Fernando Pessoa com 3 anos:



Fernando Pessoa com 6 anos:


A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE PESQUISA

A Análise de Conteúdo

Segundo Matalon[1], podemos enumerar algumas das perguntas que o investigador é levado a colocar, para lá do simples “o que haverá aí dentro?”, nomeadamente:

·         Como colocar cada discurso de uma forma mais fácil de abordar, de maneira a conservar tudo o que é pertinente e nada mais do que isso?

·         O que disse cada um a propósito de um ponto em particular?

·         Que diferenças e semelhanças existem entre os diversos discursos?

Como forma de responder ou procurar responder a este tipo de questões, escolheu-se a análise de conteúdo como técnica para tratar os dados recolhidos nas entrevistas, considerando que se enquadra de uma forma adequada aos objectivos que se pretende atingir e ao tipo de abordagem metodológica adoptada para este estudo.
A análise de conteúdo, considerada uma das técnicas mais comuns em investigação empírica em ciências sociais, tem um campo de aplicação muito vasto. Pode ser efectuada sobre comunicações diversas (texto literário, programas televisivos, relatórios,…) e ser utilizada em objectos de investigação diferenciados. Segundo Raymond Quivy[2] ela é particularmente adequada nas seguintes circunstâncias: 1) Análise das Ideologias, dos sistemas de valores e representações; 2) Análise dos processos de difusão e de socialização (manuais, publicidade, …); 3) Análise de estratégias, das componentes de uma problemática, das interpretações de um acontecimento; 4) A reconstituição de realidades passadas não materiais (mentalidade, sensibilidades, …).
A análise de conteúdo consiste num “conjunto de técnicas de análise de comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (qualitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção / recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”[3].
Este tipo de análise é bastante rico, pois permite inferências sobre a própria fonte, a situação em que esta produziu o material objecto de análise, sendo a sua finalidade “efectuar inferências com base numa lógica explicitada sobre as mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas[4]. Neste sentido tem por objectivo, aferir o sentido do texto, interpretá-lo em relação a um determinado objecto de investigação e aos próprios problemas que suscitam a sua realização.
Procurou-se um discurso sob a forma que o tornasse mais “inteligível” com tudo, o que este termo pode ser subjectivo, de ambíguo e de impreciso, recorreu-se à elaboração de um resumo para, de uma forma mais cómoda, se poderem comparar as várias entrevistas. Ou seja, a ideia chave que se pretendeu transmitir é a de que o sentido do discurso que a análise de conteúdo visa, é desmontar não de uma forma imediata, mas é antes o resultado de um processo muito mais complexo.
Laurence Bardin[5], referencia três fases de processo de análise de conteúdo, como forma de simplificar a tarefa de organizar o trabalho. Uma primeira, é a pré-análise, a segunda, chama-se a fase de exploração do material; e finalmente a fase de tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
A primeira fase indicada consiste numa “leitura” do material a analisar, com o objectivo de sensibilizar e de construir as primeiras ideias, de “conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações. Pouco a pouco, a leitura torna-se mais precisa, em função das hipóteses, da projecção de teorias adaptadas sobre o material e da possível aplicação de técnicas utilizadas sobre materiais análogos”[6] .
Esta fase de leituras repetidas do texto permite ao investigador familiarizar-se com o material, constituir um corpus através do qual apreende as regularidades e as singularidades do discurso, os aspectos mais significativos, as questões ou temas a evidenciar, e a própria lógica existente em cada discurso. Para além disso, o autor considera importante nesta fase do trabalho de preparação, a referenciação dos índices, a elaboração dos indicadores e a preparação de todo o material – neste caso, a transcrição das entrevistas gravadas.
Numa segunda fase, o trabalho de análise consiste na exploração do material, ou seja, no tratamento do corpus por operações de codificação, uma questão central da análise de conteúdo. Para L. Bardin, “A codificação corresponde a uma transformação – efectuada segundo regras precisas – dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação de conteúdo, ou da sua expressão, susceptível de esclarecer o analistas acerca das características do texto, que podem servir de índices”[7].
Organizar a codificação passa por escolher unidades de texto pertinentes, a partir das quais é possível fazer a sua classificação. Trata-se de “recortar” o texto em unidades isoladas e significativas do ponto de vista do seu conteúdo. Ghiglione e Matalon[8], referem a presença de uma outra unidade: a unidade de numeração, que pode ser de dois tipos: aritmética ou geográfica. Não vamos desenvolver este tipo de unidade, pelo facto de trazer uma série de problemas técnicos e práticos que lhe estão associados, muito fáceis de surgir e que poderiam atrasar a prossecução deste estudo. Como afirmam, “o problema da numeração é de um duplo obstáculo: teórico e metodológico. Se o tratarmos de forma teoricamente inadequada, seremos conduzidos a extrair conclusões não fundamentadas; se o tratamos de forma metodologicamente desajustada, seremos levados a utilizar instrumentos inadequados”.
As unidades podem ser de registo ou de contexto, correspondendo as primeiras “ao segmento do conteúdo a considerar como unidades base, visando a categorização”[9], e as segundas, à “unidade de compreensão para codificar a unidade de registo e corresponde ao segmento da mensagem cujas dimensões (superiores às unidades de registo) são óptimas para se compreender a significação exacta da unidade de registo”
De uma forma talvez mais clara, Ghiglione e Matalon[10] afirmam que no campo da análise da entrevista, as unidades de registo podem ser definidas como “o segmento de conteúdo mínimo que é tomado em atenção pela análise (frase, por exemplo), a unidade de contexto é caracterizada por comparação com a precedente, já que ela (a unidade de contexto) será o mais estreito segmento de conteúdo ao qual nos deveremos referir para compreender a unidade de registo (o parágrafo onde a frase se insere, por exemplo). Poderíamos igualmente, num dado tipo de análise de conteúdo, ter como unidade de contexto a frase, e como unidade de registo a palavra”.
Para Bardin, pode-se assumir como unidade de registo, uma palavra, um tema, um objecto, um acontecimento ou mesmo um documento. E em todos os casos, as naturezas podem ser diferentes e de dimensão variável.
O recurso ao tema como unidade base para a análise de conteúdo, é usualmente utilizado quando se pretende estudar opiniões, atitudes, valores, crenças ou tendências, sendo um procedimento que normalmente se pratica no tratamento de respostas a questões abertas e entrevistas – daí considerarmos a opção mais pertinente para o nosso estudo. Esta prática, como afirmam Ghiglione e Matalon, “consiste em isolar os temas presentes num texto com o objectivo de, por um lado, o reduzir a proporções utilizáveis e, por outro lado, permitir a sua comparação com outros textos tratados da mesma maneira. Aprofundando este método, convirá realçar que se estabelece geralmente uma clara distinção entre temas principais e temas secundários. Os primeiros podem ser definidos como dando conta do conteúdo do segmento de texto analisado; os segundos servem para especificar os primeiros nos seus diferentes aspectos”[11] .
As análises temáticas, podem ser de dois tipos: análise categorial, que consiste em calcular e comparar frequências de certas categorias previamente agrupadas em categorias significativas, e a análise de avaliação, incide sobre as representações sociais ou os juízos dos interlocutores, a partir de um exame de certos elementos constitutivos do discurso, através do cálculo da sua frequência e direcção[12]. Este tipo de análise encontra-se inserido numa diversidade de tipologias de conteúdo. Laurence Bardin[13] enumera, para além das análises temáticas, mais outros dois tipos de análise de conteúdo: as análises de expressão, efectuadas sobre a forma da comunicação que indica o estado de espírito do emissor e, a análise da enunciação, que se centra sobre o discurso como um processo; as análises estruturais incidem sobretudo, sobre a maneira como os elementos da mensagem estão dispostos de forma a revelar aspectos subjacentes e implícitos da mensagem.
A utilização de uma análise temática, presente na vertente empírica deste trabalho, implica o descobrir de “núcleos de sentido”, que compõem uma comunicação e cuja presença, e frequência podem significar alguma coisa para o objectivo analítico escolhido. O tema, enquanto unidade de registo corresponde a uma tarefa de recorte (do sentido e, não da forma) que não é fornecida, visto que o recorte depende do nível de análise e não de manifestações reguladas.[14]
Uma das etapas fundamentais na análise de conteúdo, e a categorização, que consiste numa “operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, seguidamente, o seu reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo, no caso da análise de conteúdo), sob um título genérico, um agrupamento, efectuado em razão dos caracteres comuns destes elementos”[15].
Este estudo assenta num processo de inventariação, em que se isolam os elementos mais significativos e a sua posterior distribuição por grupos organizados – a classificação. A categorização pode ser feita a partir de um sistema predefinido de categorias, pelas quais se distribuem os elementos do texto, de acordo com as suas características, ou em alternativa, determina progressivamente as categorias, a partir da classificação dos próprios elementos do texto[16].


[1] GHIGLIONE, Rodolphe, MATALON, Benjamim, (1995), O inquérito: Teoria e Prática, Oeiras, Celta, pp.205-206.
[2] QUIVY, Raymond, CAMPENHOUDT, Lucvan. (1998), Manual de investigação em ciências sociais, Lisboa, Gradiva, (2ª edição).
[3] BARDIN, Laurence, (1977), Análise de Conteúdo, Lisboa, Edições 70, p.42
[4] VALA, Jorge, A Análise de Conteúdo, in SILVA, A. Santos, PINTO, J. Madureira, (orgs.), (1999), Metodologia das Ciências Sociais, Porto, Edições Afrontamento, p.104 
[5] BARDIN, Laurence, (1977), Análise de Conteúdo, Lisboa, Edições 70, p.95
[6] Idem, p.96
[7] BARDIN, Laurence, (1977), Análise de Conteúdo, Lisboa, Edições 70, p.103
[8] GHIGLIONE, Rodolphe, MATALON, Benjamim, (1995), O inquérito: Teoria e Prática, Oeiras, Celta, p.215.
[9] BARDIN, Laurence, (1977), Análise de Conteúdo, Lisboa, Edições 70, p.104
[10] GHIGLIONE, Rodolphe, MATALON, Benjamim, (1995), O inquérito: Teoria e Prática, Oeiras, Celta, pp.210-215.
[11] GHIGLIONE, Rodolphe, MATALON, Benjamim, (1995), O inquérito: Teoria e Prática, Oeiras, Celta, p.233
[12] BARDIN, Laurence, (1997), Análise de Conteúdo, Lisboa, Edições 70, pp. 105 -106
[13] Idem
[14] Ibidem
[15] Ibidem
[16] VALA (1986), no mesmo sentido, designa este processo de construção de categorias à priori (para a primeira forma) e à posteriori (para a segunda forma), podendo ainda ser realizado pela combinação dos dois procedimentos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: FREDDIE MERCURY (n. 5 Set. 1946; m. 24 Nov. 1991)

Freddie Mercury nasceu na localidade da Cidade de Pedra, na ilha Zanzibar, à época colónia britânica, hoje pertencente à Tanzânia, na África Oriental, a 5 de Setembro de 1946. O seu nome verdadeiro é Farokh Bulsara. Os seus pais, Bomi e Jer Bulsara, eram indianos da religião zoroastriana. Mercury foi educado na St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Bombaim, na Índia, onde deu seus primeiros passos no âmbito da canção, ao ter aulas de piano. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie" e, com o tempo, até os seus pais passaram a chamá-lo assim.
Depois de se formar na sua terra natal, Mercury e a família mudaram-se em 1964 para Inglaterra, devido a uma revolução iniciada em Zanzibar. Tinha então dezoito anos. Diplomou-se em Design Gráfico e Artístico na Ealing Art College, seguindo os passos de Pete Townshend. Esse conhecimento mostrar-se-ia útil depois, a Freddie para projectar o famoso símbolo da banda.
Algo que poucos fãs sabem é que, na escola de artes em que se bacharelou, Freddie era conhecido como um aluno exemplar e muito quieto. Tinha uma personalidade bastante introspectiva. Concluiu os exames finais do curso com conceito A. Possui uma série de trabalhos em arte visual, hoje disponíveis em alguns sites na internet.
Na faculdade, ele conheceu o baixista Tim Staffell. Tim tinha uma banda na faculdade chamada Smile, que tinha Brian May como guitarrista e Roger Taylor como baterista, e levou Freddie para participar dos ensaios.
Em Abril de 1970, Tim deixa o grupo e Freddie acaba ficando como vocalista da banda que passa a chamar-se Queen. Freddie decide mudar o seu nome para Mercury. Ainda em 1970, ele conheceu Mary Austin, com quem viveu cinco anos. Foi com ela que assumiu sua orientação sexual (Freddie era bissexual) e os dois mantiveram forte amizade até ao fim da sua vida. Mary inspirou Freddie na música "Love of My Life", de acordo com declaração do cantor e dos seus companheiros de Banda, sendo Mary acima de tudo o verdadeiro amor dele.
No visual de Freddie, há uma mudança que não deixa de ser notada: se, na era Glam dos anos 70, o cabelo comprido, delineador preto, unhas pintadas, os maillotes de bailado e sapato de tacão alto eram moda, estes iriam dar lugar a uma postura mais "macho": cabedal preto, chapéu de polícia, cabelo curto e meses mais tarde bigode, essa seria a sua imagem de marca na promíscua década de 1980.
Mercury compôs muitos dos sucessos da banda, como "Bohemian Rhapsody", Somebody to Love, "Love of My Life" e "We Are the Champions"; hinos eloquentes e de estruturação extraordinária, particulares e sempre eternos. As suas exibições ao vivo eram lendárias, tornando-se imagem de marca da banda. A facilidade com que Freddie dominava as multidões e os seus improvisos vocais envolvendo o público no show tornaram as suas tournées um enorme sucesso na década de 1970 e principalmente (enchendo estádios de todo o mundo) nos anos 80.
Lançou dois discos a solo, aclamados pela crítica e pelo público. Em 1991, surgiam rumores de que Mercury estava com AIDS, que se confirmaram com uma declaração feita por ele mesmo em 23 de Novembro, um dia antes de morrer, vindo a falecer na noite de 24 de Novembro de 1991, na sua própria casa, chamada de Garden Lodge. A sua morte causou repercussão e tristeza em todo o mundo. A casa de Freddie Mercury, passada por testamento à sua ex-namorada, Mary Austin, recebeu muitas flores na época e continua a receber até hoje.
O corpo de Freddie Mercury foi cremado e por este motivo não existe túmulo para que seus fãs possam homenageá-lo.
Em 25 de Novembro de 1992, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a presença de Brian May, Roger Taylor, da cantora Montserrat Caballé, Jer e Bomi Bulsara (pais de Freddie) e Kashmira Bulsara (irmã de Freddie), em Montreux, na Suíça, cidade adoptada por Freddie como seu segundo lar.
Os membros remanescentes do Queen fundaram uma associação de caridade em seu nome, a The Mercury Phoenix Trust, e organizaram, em 20 de Abril de 1992, no Wembley Stadium, o concerto beneficente The Freddie Mercury Tribute Concert, para homenagear o trabalho e a vida de Freddie.
O cantor também foi conhecido pelo pseudónimo de Larry Lurex e pelo apelido Mr. Bad Guy.
Freddie Mercury era proprietário da voz, quem sabe, mais lírica – ou, se preferir, forte – de todos os tempos, chegando provavelmente a superar Elvis Presley. Contam alguns que, durante as gravações do álbum Barcelona, Freddie desafiou Montserrat Caballé, a cantora lírica mais conhecida no mundo, para ver quem possuía maior fôlego. Mercury venceu com uma grande vantagem.
Em 1992, dão-se os Jogos Olímpicos de Barcelona, um ano depois da morte de Freddie Mercury, nos quais Montserrat Caballé interpreta a famosa canção "Barcelona" (gravada em 1988) num dueto virtual com o cantor falecido. Ainda hoje o dueto é recordado como um marco histórico da música.

DISCOGRAFIA DOS QUEEN
1973    Queen I
1974    Queen II
1974    Sheer Heart Attack
1976    A Night at Opera
1977    News of the World
1978    Jazz
1980    The Game
1980    Flash Gordon
1984    Hot Space
1984    The Works
1986    A kind of Magic
1989    The Miracle
1991    Innuendo
1995    Made in Heaven


DISCOGRAFIA A SOLO

1985    Mr. Bad Guy
1989    Barcelona
1992    Freddie Mercury Album
1992    The Great Pretender