segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Às Voltas com a Memória: CHE GUEVARA (n. 14 Jun. 1928; m. 09 Out. 1967)

Ernesto Guevara de la Serna, nasceu em Rosário, importante cidade industrial argentina, ao noroeste de Buenos Aires, a 14 de Junho de 1928, numa família de classe média alta e anti-peronista. Ernesto tinha dois anos quando sofreu o primeiro ataque de asma. Estudou grande parte do ensino fundamental com sua mãe em casa, onde havia uma biblioteca de cerca de três mil volumes com obras de Marx, Engels e Lenine, com os quais se familiarizou na sua adolescência. Por volta dos 12 ou 13 anos lia frequentemente. Sabe-se que leu Júlio Verne, Alexandre Dumas, Baudelaire, Neruda e Freud aos 15 anos.
Os ataques de asma sofridos por Ernesto durante a infância foram muito violentos e tendo em vista o menino melhorar, os médicos aconselharam uma mudança de ares. Em 1932, quando Ernesto tinha quatro anos, a família mudou-se para a região de Córdoba, no centro da Argentina, que na altura não era ainda a zona industrial que hoje é. Radicaram-se em Altagracía, uma pequena estância de veraneio, não muito longe da cidade de Córdoba. Viviam numa casa de estilo inglês, uma cottage chamada Villa Nidia. Foi titular da primeira equipa de juniores do Velez Sarsfield.
Em 1944, os negócios da família de Che vão mal e Ernesto emprega-se como funcionário da Câmara de uma vila nos arredores de Córdoba para ajudar as finanças em casa, sem deixar, contudo, de estudar.
Em 1946, terminou o liceu. Os Guevara mudaram-se para Buenos Aires e Ernesto ingressou na universidade, estudando medicina. Continuando a situação económica a deteriorar-se, foram obrigados a vender com prejuízo a plantação de mate que tinham desenvolvido. Na capital, Ernesto empregou-se outra vez como funcionário municipal e mais tarde numa tipografia, continuando, não obstante, o curso de medicina. Houve um período durante o qual trabalhou como voluntário num instituto de pesquisas sexuais, então mantido pelo partido comunista. Nesse mesmo ano de 1946, foi chamado ao serviço militar, que, ironicamente, o recusou por inaptidão física.
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos aliados, a oposição a Juan Domingo Perón ganhou novo ânimo. Os estudantes constituíram uma classe mais aguerrida. Che participou nessas lutas.
Fez uma viagem, começada de moto e terminada a pé, pelas províncias argentinas de Tucumán, Mendoza, Salta, Jujuy e La Rioja, na qual percorreu diversos “resorts” Andinos.
Em 1951, seis meses antes de se formar em Medicina, decide interromper o curso – para desespero de seu pai – e iniciar, com Alberto Granado, uma grande viagem pelo continente, de Buenos Aires a Caracas, na velha motocicleta do companheiro, uma Norton 500 cc, fabricada em 1939 e apelidada de La Poderosa II. Nessa viagem, Guevara começa a ver a América Latina como uma única entidade económica e cultural. Visita minas de cobre, povoações indígenas e leprosários, interagindo com a população, especialmente os mais humildes. De volta à Argentina em 1953 acaba os estudos de Medicina e passa a dedicar-se à política.
Em 1953, Guevara actuou como repórter fotográfico cobrindo os Jogos Pan-Americanos do México, por uma agência de notícias argentina. Ainda em Julho de 1953, inicia a sua segunda viagem pela América Latina. Nessa oportunidade visita Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, El Salvador e Guatemala.
Foi por causa da visão de tanta miséria e impotência e das lutas e sofrimentos que presenciou nas suas viagens, que o jovem médico Ernesto Guevara concluiu que a única maneira de acabar com todas as desigualdades sociais era promovendo mudanças na política administrativa mundial.
Na sua passagem pela Guatemala, onde chegou em Dezembro de 1953, Che presencia a luta do recém-eleito presidente Jacob Arbenz Guzmán, liderando um governo de cunho popular, na tentativa de realizar reformas de base, eliminar o latifúndio, diminuir as desigualdades sociais e um dos principais objectivos, garantir a mulher no mercado de trabalho.
O governo americano opunha-se a Arbenz e, através da CIA, coordenou várias acções, incluindo o apoio a grupos paramilitares, contra o governo eleito da Guatemala, por não se alinhar à sua política para a América Latina.
As experiências na Guatemala são importantes na construção de sua consciência política. Lá Che Guevara auto define-se como um revolucionário e posiciona-se contra o imperialismo americano.
Nesse meio tempo, Che conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce sua primeira filha, Hildita.
Em 1954, no México através de Nico López, um amigo das lutas na Guatemala, conhece Raul Castro que logo o apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel Castro. Esse organiza e lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência ao assalto ao Quartel Moncada, onde em 26 de Julho de 1953, Fidel Castro liderou uma acção militar na qual tentava tomar a principal prisão de presos políticos em Santiago. Guevara faz parte dos 72 homens que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che, após ser duramente espancado pelos rebeldes, larga a maleta médica por uma caixa de munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de doutor a revolucionário.
Em seguida instalam-se nas montanhas da Sierra Maestra, onde iniciam a luta contra o presidente cubano Fulgêncio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos.
Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando o seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Guevara toma a responsabilidade de médico revolucionário, mas, em pouco tempo, foi-se tornando naturalmente líder e seguido pelos rebeldes.
Após a vitória dos revolucionários em 1959, Batista exila-se em São Domingos e instaura-se um novo regime em Cuba, de orientação socialista. Mas teria sido a hostilidade dos Estados Unidos que levou ao seu alinhamento com a URSS. (“Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objectivos. (…) Mas os bombardeios, por aviões americanos, das nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções económicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo”.) (Fidel Castro, a Louis Wiznitzer, enviado especial do Globo a Havana, em entrevista publicada em 24 de Março de 1960).
Guevara, então braço direito de Fidel, torna-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria.
Che esteve oficialmente no Brasil em Agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então presidente, Jânio Quadros, com a Grã-cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. A outorga dessa condecoração foi o desfecho de uma articulação diplomática, iniciada pelo Núncio apostólico no Brasil, monsenhor Armando Lombardi, seguindo as instruções da Santa Sé, solicitando a ajuda do governo do Brasil para fazer cessar a perseguição movida contra a Igreja Católica em Cuba. Jânio Quadros solicitou a mediação de Che junto a Fidel. Guevara atendeu ao pedido de Jânio e concordou em ser o intermediário do apelo do Vaticano junto ao governo cubano. Meses antes alertara Fidel da existência da "operação Magusto", a invasão da Baía dos Porcos tentada por 1.297 anti-castristas exilados, oriundos da ditadura de Fulgêncio Batista. A "operação Magusto" foi uma operação militar planejada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), autorizada pelo presidente John Kennedy, que ocorreu em 17 de Abril de 1961 e foi derrotada três dias depois. Em 1 de Maio (ou 16 de Abril, segundo outras fontes) Fidel Castro declarou que Cuba se tornaria um país socialista, e buscou apoio militar de Moscovo para se defender das tentativas de invasões americanas e de ameaças representadas por planos dos militares norte-americanos, do tipo da "Operação Mongoose", autorizada em 4 de Novembro de 1961 por Kennedy, ou da "Operação Northwoods" de 1962. Em 1 de Dezembro de 1961 Fidel Castro declarou que a revolução cubana se tornara marxista-leninista.
Em 8 de Agosto de 1961, Che discursou numa reunião da OEA em Punta del Este. Em 1964 Ernesto Che Guevara representou oficialmente Cuba nas Nações Unidas, tendo pronunciado um discurso em francês por ocasião da sua 19ª Assembleia-geral, em 11 de Dezembro de 1964. Participou no Seminário Económico de Solidariedade Afro-asiática entre 22 e 27 de Fevereiro de 1965 em Alger, quando criticou publicamente, pela primeira vez, a política externa da União Soviética. Nesse mesmo ano, Guevara, deixa Cuba para propagar os ideais da revolução cubana pelo mundo com ajuda de voluntários de vários países latino americanos, contra os conselhos dos soviéticos mas com o apoio de Fidel Castro. Em 4 de Outubro de 1965 Fidel Castro anunciou que Ernesto Che Guevara deixara a ilha para lutar contra o imperialismo.
parte primeiramente para o Congo, na África, com um grupo de 100 cubanos "internacionalistas", tendo chegado em Abril de 1965. Comandante supremo da operação, actuou com o cognome Tatu (do suaíle), e encontrou-se com Kabila. Por seu total desconhecimento da região, dos seus costumes, das suas crenças religiosas, das relações inter-tribais e da psicologia de seus habitantes, o "delírio africano" de Che resultou numa total decepção. Em seguida parte para a Bolívia onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina e de onde pretendia invadir a Argentina. Enfrenta dificuldades com o terreno desconhecido, não recebe o apoio do partido comunista boliviano e não consegue conquistar a confiança dos poucos camponeses que moravam na região que escolheu para suas operações, quase desabitada. Nem Che, nem nenhum de seus companheiros falavam a língua indígena local. É cercado e capturado em 8 de Outubro de 1967 e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que utilizou-se de uma miríade de documentos falsos, de vários países, para entrar e viver na Bolívia. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois.
Em 1997 os seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. A sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte. Os seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de Outubro deste mesmo ano, são enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.

A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - ENQUADRAMENTO TEÓRICO

1.1         Consumo excessivo de álcool

É fácil fazer-se o diagnóstico de consumo excessivo de álcool quando se vê alguém em estado de embriaguez, no entanto é difícil fazer-se esse diagnóstico quando a ingestão, embora menos maciça, é mais frequente e prolongada. Este tipo de consumidores geralmente trabalham e estão integrados na sociedade, mantendo um ligeiro ou moderado nível de alcoolémia ao longo do dia e não entendem que têm um problema com o álcool. Muitos acidentes de trabalho e de viação, assim como muitos problemas de relação familiar e laboral, são devidos a este tipo de consumo.
Mas então perguntemos: o que é o consumo excessivo de álcool?
Consumo excessivo de álcool para um homem adulto é consumir diariamente mais de 24 gramas de álcool, o que equivale a 250 ml de vinho ou 3 copos de cerveja. Uma mulher adulta não deve ultrapassar os 16 gramas, o que equivale a 170 ml de vinho ou 2 copos de cerveja. Os menores e as grávidas não devem consumir qualquer quantidade de álcool.
Estes valores fazem-se partindo do pressuposto que nos dias em causa não se consomem bebidas destiladas (p.e. aguardente, conhaque ou whisky).
Ultrapassar ligeiramente os valores atrás referidos (p.e. consumir 300 ml de vinho por dia) já é prejudicial à saúde mas, como todos sabemos, não chega para embriagar. A embriaguez só sobrevém quando os consumos ultrapassam os 0,75 ou mesmo 1 litro de vinho (neste caso, um homem adulto geralmente só revela diminuição dos reflexos e maior desinibição).
A quantidade de álcool no sangue (taxa de alcoolémia medida em gramas por litro), embora tenha a ver principalmente com a quantidade de álcool ingerido, está também relacionado com outros factores, nomeadamente:

  • Peso e sexo, atingindo as pessoas de baixo peso e do sexo feminino taxas de alcoolémia mais altas com menor ingestão de álcool.
  • Ingestão rápida e maciça, especialmente se for fora das refeições, também leva a que se atinjam taxas mais altas.

É importante realçar que os sintomas de embriaguez só aparecem cerca de 15 minutos (se fora das refeições) a 30 minutos (se durante as refeições) após a ingestão alcoólica, e o álcool no sangue só baixa após muitas horas de trabalho do fígado. Isto porque o fígado é responsável pela eliminação de quase todo o álcool ingerido (cerca de 95%) e tem apenas uma capacidade de eliminar cerca de 0,1 gr/litro de alcoolémia por hora. Isto significa que um homem adulto que beba 1 litro de vinho, por apresentar geralmente cerca de 0,8 gr/litro de alcoolémia, precisará de cerca de 8 horas para eliminar totalmente o álcool do sangue. É claro que, se o mesmo indivíduo beber o dobro, precisará evidentemente do dobro do tempo para o seu fígado fazer a eliminação do álcool.
A forma de calcular o número de gramas em álcool que uma bebida contém, bem como a taxa de alcoolémia produzida pela sua ingestão, é a seguinte:

Quantidade
Graduação do Álcool
Percentagem de Álcool
Volume de Álcool
Gramas de Álcool
(ml  x  0,8)

1 Litro de Vinho

12º
12%
120 ml
96 – 100 gramas

1 Litro de Cerveja

6%
60 ml
48 – 50 gramas

1 Litro de Aguardente

50º
50%
500 ml
400 gramas


O número de gramas em álcool de uma bebida pode ser calculado multiplicando o número de mililitros (ml) de álcool
de uma bebida por 0,8 (o álcool é menos denso do que a água)

De uma forma prática, podem obter-se valores aproximados da taxa de alcoolémia atingida com determinadas quantidades de bebidas alcoólicas ingeridas, através da seguinte fórmula:

Taxa de Alcoolémia =
Álcool consumido (em gramas)
Peso corporal (em Kg) x Coeficiente

            Coeficientes:
                        0,7 – Homens em jejum
                        0,6 – Mulheres em jejum
                        1,1 – Decurso das refeições

domingo, 23 de janeiro de 2011

Às Voltas com a Memória: VÍTOR BAPTISTA (n. 18 Out. 1948; m. 01 Jan. 1999)

Vítor Manuel Ferreira Baptista, nasceu em Setúbal, a 18 de Outubro de 1948 e faleceu a 1 de Janeiro de 1999, foi cinco vezes campeão nacional da 1ª Divisão ao serviço do Benfica (1971/72; 1972/73; 1974/75; 1975/76 e 1976/77), duas vezes vencedor da Taça de Portugal (1966/67 ao serviço do Vitória de Setúbal e 1971/72 ao serviço do Benfica) e onze vezes internacional pela selecção A de Portugal, tendo marcado dois golos.
Percurso de vida atribulado, simultaneamente fascinante e dramático, rico e acidentado. a vida e a carreira desportiva de um homem e extraordinário jogador de futebol, cuja trajectória e percurso futebolísticos foi feito de altos e baixos, de glórias e tristezas, acabando por culminar de forma dramática, para não dizer trágica, na morte, aos 50 anos, de um dos maiores avançados portugueses de sempre e, em particular, do Benfica: Vítor Baptista de seu nome, que se auto-intitulava "O Maior".
A vida atribulada e acidentada que Vítor Baptista levou e conduziu a uma morte prematura mas, acima de tudo, a um final de vida degradante e humilhante, fica a constituir um alerta e um sério aviso para muitos jovens jogadores que enveredam pelo futebol profissional, no sentido de não incorrerem nos mesmos erros e tentações daquele grande jogador dos anos 70.
De facto, Vítor Baptista chegou a atingir o estrelato e a fama como avançado de eleição e de grande categoria, quer ao serviço do Vitória de Setúbal (final da década de 60 e princípio da década de 70), quer, sobretudo, ao serviço do Benfica e da Selecção Nacional (década de 70). Contudo, os excessos por ele cometidos, nos quais se incluem as drogas, o álcool, as noitadas e as mulheres, levaram Vítor Baptista à perdição, primeiro como jogador e, mais tarde, como cidadão. Foi preso várias vezes por roubos, assaltos, posse de droga e venda ilegal. A Câmara Municipal de Setúbal tentou reabilitar por diversas vezes o homem e inseri-lo na sociedade com um mínimo de dignidade e condições, oferecendo-lhe emprego, primeiro como jardineiro e, depois, já nos últimios anos de vida, como coveiro no cemitério de Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal.
Como curiosidade, indicamos a seguir, de uma forma breve e resumida, alguns dados biográficos, assim como o palmarés, apesar de tudo notável e rico, e o longo percurso futebolístico, de 20 (!) anos, de Vítor Baptista.
A terminar, e em jeito de homenagem, não resisto a referir um episódio, certamente sobejamente conhecido da maior parte dos amantes e adeptos do futebol, pelo menos, daqueles que hoje em dia têm 40 ou mais anos de idade, episódio este que define e resume na perfeição o tipo de jogador que Vítor Baptista era: genial e louco, brilhante e extravagante. Para este efeito, transcrevo na íntegra, com a devida vénia e respeito, a descrição da exibição de Vítor Baptista e do próprio lance do qual foi protagonista, feita pelo grande jornalista Alfredo Farinha no jornal A Bola de 13 de Fevereiro de 1978, a propósito do "derby" Benfica - 1 / Sporting - 0, realizado na véspera, no Estádio da Luz:
"Ocupou, ontem, uma posição muito recuada. Mais, até, do que o habitual quando não joga à frente, pois, em especial durante a primeira parte, chegou a demorar-se atrás da linha dos médios. Nessa fase da sua actuação, foi um jogador pouco visto e pouco influente no trabalho da equipa. Após o intervalo, porém, Vítor Baptista adiantou-se um pouco mais no terreno, tornou-se mais expedito e desenvolto e desatou a tomar iniciativas sobre iniciativas. De cada vez que as tomava e executava, a defesa "leonina" estremecia, abria brechas, ameaçava desmoronar-se. Até que veio aquele passe magistral de Bastos Lopes. Vítor Baptista, no seu jeito bamboleante de correr, fugiu a quantos adversários o vigiavam, de perto ou de longe, entrou na área, aparou a bola no peito e, antes de a deixar volver ao terreno, aplicou-lhe um remate portentoso, à meia volta, que obrigou setenta mil pessoas, como que impelidas por mola eléctrica, a levantarem-se dos seus assentos. Bastaria esse lance, esse golo, para fazer (ou confirmar, neste caso) a fama de um futebolista."
Resta acrescentar que, na sequência desse golo monumental, Vítor Baptista perde o seu brinco de estimação, e nem sequer festeja o golo, preocupando-se apenas em procurar o brinco, que aliás não viria a encontrar. Mais palavras para quê?


CARREIRA:

- 6 épocas no Vitória Futebol Clube (de 1966/67 a 1970/71 e em 1978/79);

- 7 épocas no Benfica (de 1971/72 a 1977/78);

- 1 época no Boavista F.C. (1979/80);

- 1 época no Amora F.C. (1980/81);

- 1 época no Clube Desportivo Montijo (1981/82);

- 1 época no União de Tomar (1982/83);

- 1 época no Monte Caparica A.C. (1983/84);

- 2 épocas no Estrelas do Faralhão (1984/85 e 1985/86: 2ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Setúbal).

sábado, 22 de janeiro de 2011

A Minha Tese: Percursos e Representações sobre o Consumo Excessivo de Álcool: Um Estudo Exploratório na Grande Área de Lisboa - ENQUADRAMENTO TEÓRICO

1.1         Apresentando o Álcool

O álcool é um líquido incolor produzido a partir de cereais, raízes e frutos. Pode ser obtido mediante a fermentação destes produtos, atingindo concentrações que variam entre 5 e 20% (cerveja, vinho, sidra) ou por destilação e/ou adição resultante de destilação, o que aumenta a concentração etílica até 40% (aguardente, licor, gin, whisky, vodka, rum, vinhos espirituosos).
O nome químico do álcool é etanol, substância que se traduz pela forma química de CH3 CH2 OH. O álcool pode ser associado a outros elementos químicos, responsáveis pela cor, sabor, odor e outras características da bebida. A sua comercialização e consumo são legais.
O álcool é consumido por via oral e é um desinibidor e depressor. Após a sua ingestão, começa a circular na corrente sanguínea, afectando todo o organismo, em especial o fígado. Bloqueia o funcionamento do sistema nervoso central, provocando um efeito de depressão. A aparente estimulação conseguida com o álcool é, na realidade, resultado da depressão dos mecanismos de controlo inibitório do cérebro. Em primeiro lugar são afectados os centros superiores (o que se repercute na fala, pensamento, cognição e juízo) e posteriormente deprimem os centros inferiores (afectando a respiração, os reflexos e, em casos de intoxicação aguda, provocando coma).
O consumo moderado de álcool pode ser benéfico, dado que reduz o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou as drogas pelo seu grau de perigosidade, seguindo critérios como o maior ou menor perigo tóxico, a maior ou menor capacidade de provocar a dependência física e a maior ou menor rapidez com que esta dependência se estabelece.
Com base nos critérios anteriores, as drogas são classificadas em quatro grupos:

Ø  Grupo 1 – Ópio e derivados (morfina, heroína, etc.);
Ø  Grupo 2 – Barbitúricos e álcool;
Ø  Grupo 3 – Cocaína e anfetaminas;
Ø  Grupo 4 – LSD, canabinóides, tabaco, etc.

É interessante verificar que o álcool é classificado no Grupo 2 devido aos seus terríveis efeitos sobre a saúde, e a grande dependência física e psíquica que provoca quando consumida em excesso. Além do mais, se o álcool é considerado melhor que as drogas “duras” do Grupo 1 (heroína, por exemplo), não é por o seu abuso ter menos repercussões físicas ou psíquicas. De facto, o abuso de álcool poderá ter maior gravidade clínica que o consumo de heroína. A única grande vantagem do álcool, está tão somente na possibilidade cultural de muitas pessoas o conseguirem consumir sem abusar, enquanto com a heroína isso é praticamente impossível.
O álcool é um produto da fermentação de açúcares de numerosos produtos de origem vegetal (frutos, mel, tubérculos, cereais) sob a influência de microrganismos, nomeadamente leveduras.
Quanto à sua origem, as bebidas alcoólicas podem ser:

Bebidas fermentadas – obtêm-se por fermentação alcoólica dos sumos açucarados, pela acção das leveduras;

Bebidas destiladas        resultam da destilação (por meio dum alambique) do álcool produzido no decurso da fermentação. Através de um processo de evaporação (seguida de condensação pelo frio) das bebidas fermentadas, podem obter-se bebidas mais graduadas.           

São bebidas alcoólicas fermentadas:

Ø  Vinho       >          Obtido por fermentação do sumo da uva. Tem graduação que vai de 8 a 14 graus. Um litro de vinho de 12 graus contém 120 ml de álcool puro, ou seja, 96 gramas de álcool;
Ø  Cerveja    >          Obtida por fermentação de cereais (cevada) e aromatizada pelo lúpulo. A sua graduação varia entre 4 e 8 graus.
Ø  Água-pé  >          Obtida da mistura de água e mosto já espremido. A sua graduação é de aproximadamente 2 a 3 graus.
Ø  Cidra        >          Obtida por fermentação do sumo de maçã, raramente ultrapassa os 4 a 5 graus.
Ø  Outras      >          Provenientes da fermentação de sumo de outros frutos.

São bebidas alcoólicas destiladas:

Ø  Aguardente        >          Bebida com uma graduação à volta de 45 graus. Resultam da destilação de:

·         Vinhos (por exemplo, conhaque)
·         Frutos (por exemplo, aguardente de figo)
·         Sementes (por exemplo, Whisky, vodka, gin, etc.)
·         Melaço de Cana sacarina (por exemplo, rum)

Ø  Licores                >          Bebidas à base de vinhos, com maior graduação que estes (exemplo, vinho da Madeira ou vinho do Porto) ou de misturas de vinho com álcool, açúcar e aromas (por exemplo, anis, licores diversos), vinhos “generosos” ou vinhos “licorosos”, geralmente têm graduações que variam entre 15 e 20 graus.

Dado que as várias bebidas alcoólicas vulgarmente usadas têm diferentes graduações, obviamente que elas podem fornecer ao organismo idênticas quantidades de álcool, se ingeridas em volumes diferentes.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: MAX WEBER (n. 21 Abr.1864; m. 14 Jun.1920)

Maximillian Weber, nasceu a 21 de Abril de 1864, em Erfurt, foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia. Seu irmão foi o também famoso sociólogo e economista Alfred Weber. A esposa de Max Weber, Marianne Weber, biógrafa do marido, foi uma das alunas pioneiras na universidade alemã e integrava grupos feministas de seu tempo.

Foi o primogénito de sete filhos de Max Weber e Helene Fallenstein. Seu pai, protestante, era uma figura autocrata. Sua mãe uma calvinista moderada. A mãe de Helene tinha sido uma huguenote, francesa, cuja família fugira da perseguição na
França. Ele foi, juntamente com Karl Marx, Vilfredo Pareto, Augusto Comte e Émile Durkheim, um dos modernos fundadores da Sociologia. É conhecido sobretudo pelo seu trabalho sobre a Sociologia da religião.

Seu pai, Sr. Max Weber, foi um funcionário público e político liberal; a mãe, Helene Fallenstein, uma calvinista moderada. Max foi o primeiro de sete filhos, incluindo seu irmão Alfred Weber, quatro anos mais jovem, também sociólogo, mas, sobretudo, um economista, que também desenvolveu uma importante sociologia da cultura. A família estimulou intelectualmente os jovens Weber desde a tenra idade.

É considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia, na filosofia, no direito, na ciência política e na administração. Começou a sua carreira académica na Universidade Humboldt, em Berlim e, posteriormente, trabalhou na Universidade Albert Ludwigs, de Freiburg, na Universidade de Heidelberg, na Universidade de Viena e na Universidade de Munique. Personagem influente na política alemã da época, foi consultor dos negociadores alemães no Tratado de Versalhes (1919) e da Comissão encarregada de redigir a Constituição de Weimar.

Grande parte de seu trabalho como pensador e estudioso foi reservado para o chamado processo de
racionalização e desencantamento que provém da sociedade moderna e capitalista. Mas seus estudos também deram uma contribuição importante para a economia. A sua obra mais famosa é o ensaio A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, com o qual começou suas reflexões sobre a sociologia da religião. Weber argumentou que a religião era uma das razões não-exclusivas do porquê das culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento do capitalismo, a burocracia e do estado racional e legal nos países ocidentais. Noutro trabalho importante, Política como vocação, Weber definiu o Estado como "uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física", uma definição que se tornou central no estudo da moderna ciência política no Ocidente. As suas contribuições mais conhecidas são muitas vezes referidas como a “Tese de Weber".

Em 1882 Max Weber matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Heidelberg, onde seu pai havia estudado, frequentando também cursos de economia política, história e teologia. Em 1884 voltou para casa paterna e transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde obteve em 1889 o doutoramento em Direito e em 1891 a tese de habilitação, ambos com escritos da história do direito e da economia.

Depois de completar estudos jurídicos, económicos e históricos em várias universidades, distingue-se precocemente nalgumas pesquisas económico-sociais com a Verein für Sozialpolitik, a associação fundada em 1873 pelos economistas associados à Escola Histórica Alemã em que Weber já tinham aderido em 1888. Em 1893 casou-se com Marianne Schnitger, mais tarde uma feminista e estudiosa, bem como curadora póstuma das obras de seu marido.

Foi nomeado professor de Economia nas universidades de Freiburg em 1894 e de Heidelberg em 1896. Entre 1897, ano em que seu pai morreu, e 1901 sofreu de uma aguda depressão, de modo que do final de 1898 ao final de 1902 não poderia realizar actividades regulares de ensino ou científicas.

Curado, no Outono de 1903 renunciou ao cargo de professor e aceitou uma posição como director-associado do recém-nascido Archiv für und Sozialwissenschaft Sozialpolitik (Arquivos de Ciências Sociais e Política Social), com
Edgar Jaffé e Werner Sombart como colegas: nesta revista publicaram em duas partes, em 1904 e 1905, o artigo-chave A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Naquele mesmo ano, visitou os Estados Unidos. Graças a uma enorme renda privada derivada de uma herança em 1907, ainda conseguiu dedicar-se livremente e em tempo integral aos seus estudos, passando da economia ao direito, da filosofia à história comparativa e à sociologia, sem ser forçado a retornar à docência. A sua pesquisa científica abordou questões teórico-metodológicas cruciais e tratou complexos estudos histórico-sociológicos sobre a origem da civilização ocidental e o seu lugar na história universal.

Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como director de hospitais militares de Heidelberg e ao término do conflito, voltou ao ensino da disciplina de economia, primeiro em Viena e em 1919 em Munique, onde dirigiu o primeiro instituto universitário de sociologia na Alemanha. Em 1918 ele estava entre os delegados da Alemanha em Versalhes para a assinatura do tratado de paz e foi conselheiro para os redactores da Constituição da República de Weimar. Morreu a 14 de Junho de 1920, em Munique, atingido pela grande epidemia de
gripe espanhola da pós-guerra.


Escritos e obras


Entre as influências que a obra de Weber manifesta, podemos distinguir também seu diálogo com filósofos como Immanuel Kant e
Friedrich Nietzsche e com alguns dos principais sociólogos de seu tempo, como Ferdinand Tönnies, Georg Simmel e Werner Sombart, entre outros.

Das as principais obras do autor – organizadas postumamente pela sua esposa Marianne Weber – constam os seguintes títulos:

1889: A história das companhias comerciais na idade média
1891: O direito agrário romano e sua significação para o direito público e privado
1895: O Estado Nacional e a Política Económica
1904: A objectividade do conhecimento na ciência política e na ciência social
1904: A ética protestante e o espírito do capitalismo
1905: A situação da democracia burguesa na Rússia
1905: A transição da Rússia à um regime pseudoconstitucional
1906: As seitas protestantes e o espírito do capitalismo
1913: Sobre algumas categorias da sociologia compreensiva
1917/1920: Ensaios Reunidos de Sociologia da Religião
1917: Parlamento e Governo na Alemanha reordenada
1917: A ciência como vocação
1918: O sentido da neutralidade axiológica nas ciências políticas e sociais
1918: Conferência sobre o Socialismo
1919: A política como vocação
1919: História Geral da Economia
1910/1921: Economia e Sociedade

Entre os seus escritos mais conhecidos, destacam-se "A ética protestante e o espírito do capitalismo" (1904), a obra póstuma "Economia e Sociedade" (1920), "A ciência como vocação" (1917) e "A política como vocação" (1919).

À Volta com os Pensamentos...

SÓ PODE DESTRUIR
QUEM É CRIADOR!