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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: JANE ADDAMS (n. 06 Set.1860; m. 21 Mai.1935)



Jane Addams, nasceu em 6 de Setembro de 1860, em Cedarville — Chicago, 21 de Maio de 1935) foi uma socióloga e filósofa estadunidense. Filantropa norte-americana, considerada pelo presidente Theodore Roosevelt como «a cidadã mais útil dos Estados Unidos». O seu pai já revelava um grande espírito humanitário, defendendo a abolição da escravatura. Jane pretendia ser médica mas possuiria uma constituição muito débil, o que a levou a desistir de tal propósito. Porém, numa viagem a Londres, terá feito uma visita aos Serviços Sociais da capital inglesa e sentiu nascer em si uma nova vocação. Ao regressar a Chicago, tornou-se uma fervorosa defensora da paz e da justiça social, razão pela qual resolveu criar instituições que protegessem os imigrantes e os trabalhadores de todas as raças. Com a sua amiga Helena Gates Starr, ter-se-á instalado num barracão, o qual limparam e arranjaram de forma a albergar um serviço de assistência social que ficou conhecido como Hull House. Este foi inaugurado em 1889 e Jane foi, até à sua morte, sua chefe – residente.
No Hull House foram instalados jardins-de-infância, uma agência de emprego, oficinas, campos de recreação, biblioteca, escola de música e de aulas de artesanato, clubes, entre outras coisas. Desenvolveu ainda uma frutuosa acção no campo das leis, tendo auxiliado à promulgação da lei de protecção ao trabalho de menores e de mulheres, assim como procurando leis que promovessem maior segurança no local de trabalho, como por exemplo as fábricas.
Defensora do sufrágio feminino, Jane revelou-se uma pacifista e uma mulher desapegada dos bens materiais. Apenas ocupou um lugar remunerado, o de inspectora municipal de limpeza urbana. Todos os demais não eram remunerados. Fundou a Associação para o Avanço dos Povos de Cor, e tomou parte na Conferência Feminina Internacional da Paz. Foi escritora e conferencista, sempre em temas humanitários. Em 1931 foi-lhe conferido o Nobel da Paz. Morreu a 21 de Maio de 1935, em Chicago.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: FERDINAND TÖNNIES (n. 26 Jul.1855; m. 09 Abr.1936)


Sociólogo alemão, Ferdinand Julius Tönnies nasceu a 26 de Julho de 1855, em Oldenswort, e faleceu a 9 de Abril de 1936, em Kiel. As suas influências encontram-se na filosofia de Arthur Schopenhauer e de Friedrich Nietzsche. Foi um dos fundadores da Associação Alemã de Sociologia. Tönnies distinguia três ramos de sociologia: a pura, a aplicada e a empírica. Na sua obra principal, Gemeinschaft und Gesellschaft (1887), apresentou os conceitos de "comunidade" (Gemeinschaft) e de "associação" (Gesellschaft), guias fundamentais da sociologia empírica e aplicada no estudo das transformações das relações na sociedade. Nas sociedades rurais, camponesas, as pessoas estabelecem relações directas umas com as outras e são reguladas por regras sociais tradicionais. Predomina a Wesenwille (a vontade natural), ditada pelas necessidades e convicções instintivas, pela expressão de sentimentos e pela emoção espontânea. Nas sociedades modernas, cosmopolitas, o interesse próprio e a conduta calculista enfraqueceu os contornos tradicionais das relações. Predomina a Kurwille (a vontade racional), inspirada pela racionalidade instrumental na escolha dos meios para atingir os fins. As relações são mais impessoais e indirectas e correspondem a uma sociedade de governo burocrático e de organizações industriais de larga escala. A Wesenwille é orgânica e real enquanto a Kurwille é conceptual e artificial. Gemeinschaft e Gesellschaft são tipos ideais e não categorias de classificação, o que nem sempre foi entendido pelos críticos de Tönnies.
As suas obras principais são: Gemeinschaft und Gesellschaft (1887); Thomas Hobbes Leben und Lehre (1896); Die Sitte (1909); Kritik der öffentlischen Meinung (1922).

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: THEODOR ADORNO (n. 11 Dez.1903; m. 06 Ago.1969)



Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno nasceu em Frankfurt, a 11 de Dezembro de 1903, filho de Oscar Alexander Wiesengrund (1870 - 1941) – próspero negociante alemão de vinhos, de origem judaica e convertido ao protestantismo – e de Maria Barbara Calvelli-Adorno – uma cantora lírica católica italiana. Posteriormente, Theodor passou a abreviar seu último nome, utilizando o nome de solteira de sua mãe como sobrenome (Theodor W. Adorno, ou simplesmente Theodor Adorno).
Estudou música com sua meia-irmã (por parte de mãe), Agathe, uma talentosa pianista. Frequentou o Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, onde se destacou como estudante brilhante. Além disso, ainda durante a adolescência, teve aulas particulares de composição com Bernhard Sekles, e leu, nas tardes de sábado, Immanuel Kant com seu amigo Siegfried Kracauer – 14 anos mais velho e especialista em Sociologia do Conhecimento. Mais tarde, Adorno diria que deve mais a estas leituras do que a qualquer de seus professores universitários.
Na Universidade de Frankfurt (actual Universidade Johann Wolfgang Goethe), estudou Filosofia, Musicologia, Psicologia e Sociologia. Completou rapidamente os seus estudos, defendendo em 1924 a sua tese sobre Edmund Husserl (A transcendência do objecto e do neumático na fenomenologia de Husserl), orientado pelo professor Hans Cornelius. Segundo Adorno, essa tese teria sido demasiadamente influenciada pelo seu orientador. Antes do final da sua graduação, conhece já dois de seus principais parceiros intelectuais – Max Horkheimer e Walter Benjamin.
Entre 1921 e 1932, publicou cerca de cem artigos sobre a crítica e estética musical e conheceria Vilma, com quem se casaria pouco tempo depois. A sua carreira filosófica começa em 1933 com a publicação da sua tese sobre Kierkegaard. Em 1925, conhece pessoalmente um dos filósofos que mais o influenciaram até então – o jovem Lukács. Crítico de Kierkegaard, Lukács decepcionará o jovem Adorno ao renegar sua obra de juventude (A Teoria do Romance por completo, e a História e Consciência de Classe na sua maior parte). Essas obras são pilares do pensamento de Adorno que travará inúmeras polémicas com Lukács pelos seus "desvios" de pensamento em prol do partido. Outro filósofo que influenciará Adorno de forma crucial é Walter Benjamin, a ponto de Adorno afirmar que, em determinado momento das suas produções filosóficas, sua intenção era apenas de traduzir Benjamin em termos académicos.
Com o fim da Segunda Guerra, Adorno é um dos que mais desejam o retorno do Instituto de Pesquisa Social a Frankfurt, tornando-se seu director-adjunto e seu co-director em 1955. Com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno torna-se o novo director.
Próximo de sua morte, em 1969, Theodor Adorno envolve-se numa polémica com o seu companheiro e amigo da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de Janeiro daquele ano, interromperam a sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os protestos que tomavam as ruas das capitais da Europa. Adorno chamou a polícia. Marcuse posicionou-se a favor dos estudantes e, numa série de cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são actos legítimos de protesto político (...) Na medida em que a democracia burguesa (em virtude de suas antinomias imanentes) se fecha à transformação qualitativa, e isso através do próprio processo democrático-parlamentar, a oposição extraparlamentar torna-se a única forma de contestação: desobediência civil, acção directa".
Adorno faleceu meses depois, por problemas cardíacos, no dia 6 de Agosto de 1969.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORG SIMMEL (n. 01 Mar.1858; m. 28 Set.1918)



Georg Simmel, nasceu em 01 de Março de 1858, em Berlim. Foi um sociólogo alemão. Professor universitário admirado pelos seus alunos, sempre teve dificuldade em encontrar um lugar no seio da rígida academia do seu tempo.
Filho de Edward Simmel e Flora Bodstein, Georg Simmel foi o último dos sete filhos do casal com ascendência judia tanto pelo lado do pai como da mãe.
Em 1874 Edward Simmel morre e Julius Friedländer, amigo da família, torna-se tutor de Georg tendo-lhe, mais tarde, deixado uma herança expressiva a qual lhe permitiu seguir a vida académica.
Diplomou-se na Universidade de Berlim passando pelos cursos de filosofia. Sua tese de doutorado, também em filosofia, levou o título de A natureza da matéria segundo a monadologia física de Kant e rendeu-lhe o título no ano de 1881.
Em 1885 foi designado como Privatdozent na mesma Universidade de Berlim e ganhava apenas o que vinha das taxas pagas pelos estudantes que se inscreviam em seus cursos. Em 1901, tornou-se ainda "professor extraordinário", mas jamais foi incorporado de modo formal e definitivo na academia berlinense.
Em 1890 casou-se com Gertrud Kinel, diplomada também em Berlim, de família católica. Os dois não tiveram filhos.
Em 1912, ele foi nomeado professor em Estrasburgo, então uma cidade que pertencia ao Império Germânico. No entanto, o autor faleceu em 1917, aos 60 anos de idade.
Muito antes do grande tratado sociológico de Max Weber – Economia e Sociedade –, a Alemanha já conhecia o desenvolvimento consistente de uma discussão epistemológica voltada para a determinação do objecto, métodos e temas da ciência sociológica: reunindo diversos escritos produzidos em momentos anteriores, Georg Simmel apresentou sua "Soziologie" em 10 capítulos (e diversos outros excursos) no ano de 1908 e contribuiu decisivamente para a consolidação desta ciência na Alemanha.
Nesta obra, ele trata especificamente da sociologia (Capítulo 01 - O problema da sociologia) e aprofunda a análise das formas de sociação (objecto da sociologia), como a dominação (capítulo 03), o conflito (capítulo 04), o segredo (capítulo 05), os círculos sociais (capítulo 06) e a pobreza (capítulo 07). Ao mesmo tempo, reflecte sobre os determinantes quantitativos da vida social (capítulo 02), bem como sobre a relação entre a vida grupal e a individualidade (capítulo 10).
Simmel desenvolveu a sociologia formal, ou das formas sociais, influenciado pela filosofia kantiana (o neo-kantismo era uma corrente muito forte na Alemanha da época) que distinguia a forma do conteúdo dos objectos de estudo do conhecimento humano. Tal distinção pretendia tornar possível o entendimento da vida social já que no processo de sociação (Vergesellschaftung, termo que cunhou para o estudo da sociologia) o invariante eram as formas em que os indivíduos se agregavam e não os indivíduos em si.
Os processos qualitativos, no entanto, que assumiam tais formas também deveriam ser estudados pela sociologia geral, subproduto da formal, como a concebia Simmel. O autor não conferia aos grupos sociais unidades hipostasiadas, super-valorizadas com relação ao indivíduo (um distanciamento seu com relação a Durkheim, por exemplo). Antes via neste o fundamento dos grupos, daí que as formas para Simmel constituem-se em um processo de interacção entre tais indivíduos, seja por aproximação, seja pelo distanciamento, competição, subordinação, etc.
As principais formas de sociação estudadas por Simmel em sua obra são:

  • A determinação quantitativa do grupo: investigação entre o número de indivíduos no seio das formas de vida colectiva, ou seja, o modo como o aspecto quantitativo afecta o tipo de relação social existente. Neste tópico, Simmel mostrou que estar isolado, em numa relação exclusiva entre duas pessoas e, por fim, entre três, produz diferentes tipos de interacção entre as pessoas.
  • Dominação e subordinação: as relações de poder não são unilaterais e é preciso explicar como as formas de comando e obediência estão relacionadas. Dentre os tipos de relação de poder, Simmel destacou a obediência do grupo a um indivíduo, a dominação do grupo ou a dominação de regras impessoais.
  • O conflito: os indivíduos vivem em relações de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. Seriam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos, portanto, numa função positiva de superação das divergências. Influenciou assim as concepções do conflito presentes na obra de Lewys Coser e Ralf Dahrendorf.
  • Pobreza: constitui um tipo de relação na qual o indivíduo acha-se na dependência de outros, provocando, ao mesmo tempo, a necessidade de assegurar o socorro social.
  • A individualidade: ela pode ser de dois tipos. Sua forma quantitativa significa que todo indivíduo possui a mesma dignidade formal, ou seja, são iguais entre si. Mas, do ponto de vista qualitativo, todos procuram afirmar sua singularidade, sua personalidade, diferenciando-se dos demais.
Assim, apesar do seu carácter fragmentado, o livro "Sociologia" apresentou lançou as bases da orientação hermenêutica de sociologia (depois retomada e aprofundada por Max Weber), bem como explorou importantes temáticas da análise sociológica, como a questão do indivíduo e dos grupos sociais. Muitos entendem que sua abordagem foi vital para o desenvolvimento do que ficou conhecido como microssociologia, uma análise dos fenómenos no nível das interacções directas entre as pessoas.
Morreu a 28 de Setembro de 1918, em Estrasburgo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: GEORGE HERBERT MEAD (n. 27 Fev.1863; m. 26 Abr.1931)


Sociólogo, psicólogo social e filósofo norte-americano, George Herbert Mead nasceu em South Hadley, Massachusetts em 27 de Fevereiro de 1863 e morreu em Chicago em 26 de Abril de 1931. Filósofo americano de importância capital para a sociologia, pertencente à Escola de Chicago. Juntamente com William James, Pierce e Dewey, Mead faz parte de uma corrente teórica da filosofia americana denominada de pragmatismo. Herbert Blumer, em 1937 classifica o pensamento de Mead, juntamente com o de vários filósofos e sociólogos, como pertencente a uma linha de pensamento mais geral denominado de interacionismo simbólico.
Entre os teóricos relevantes para sua formação está Wilhelm Wundt (foi o revisor dos primeiros quatro volumes da Völkerpsychologie) através dos seus estudos em Berlim (pós graduação em filosofia e psicologia). Opôs-se ao reducionismo proposto pelos behaviorismo de Watson, posteriormente reapresentado por B. F. Skiner (que consideravam como metafísicos os conceitos de mente, self, consciência).
Compartilhava com Wundt a importância das pesquisas sobre a linguagem no comportamento para conseguir o entendimento do que é a mente, só que para ele a mente era um produto da linguagem ao contrário de Wundt que considerava a linguagem com um produto da mente; Piaget retoma esse problema pesquisando aspectos da relação entre linguagem (aquisição e desempenho) e inteligência, postulando que apesar da relativa independência destas e existência da inteligência pré-verbal. Para ele, é através da função simbólica que o indivíduo atinge (aos 12 anos caracterizando o período das operações formais) a capacidade de raciocinar sobre hipótese e enunciados e não mais sobre objectos postos sobre a mesa ou imediatamente representados.
Considerando os modernos estudiosos da linguagem como o linguista Noam Chomsky e o psicólogo B. F. Skiner (autor de comportamento verbal) podemos afirmar que esse debate ainda perdura caracterizando a Posição Nativista que privilegia o sistema inato para aquisição da linguagem e a Posição Ambientalista que considera que o comportamento verbal é primeiramente aprendido.
Graduou-se em Oberlin, 1883 e não seguiu a carreira esperada no ministério eclesiástico leccionou primeiro numa escola primária. Trabalhou durante três anos no grupo de investigação da Estrada de Ferro Central de Wisconsin. Inscreveu-se para mestrado em filosofia e psicologia em Harvard, 1888 foi tutor de um dos filhos de William James. Estudou com Wilhelm Wundt em Leipzig 1888-89. Teve como supervisor nos seus estudos de doutorado Dilthey (filosofia) com a tese sobre percepção do espaço estudando a relação entre visão e tacto (filósofo dos sentidos).
Foi professor de Filosofia e Psicologia da Universidade de Michigan em 1891 onde conheceu Dewey, da Universidade de Chicago e em 1894, junto com Dewey que era o chefe do departamento de filosofia iniciou o curso de Psicologia Social.
Apesar de ter escrito pouco (todas as suas obras são póstumas e resultam de compilações das suas aulas), deixou marcas influentes para o desenvolvimento do interacionismo simbólico na sociologia norte-americana. Caracterizando a sua sociologia como social behaviourismo (foi Herbert Blumer quem a apelidou de interacionismo simbólico), descreveu o processo pelo qual os atores sociais interagem: o recurso à assunção de papéis sociais, o relevo da comunicação simbólica (com a linguagem e os gestos) e das "conversações internas" com o self onde antecipam as respostas dos outros atores sociais e ensaiam imaginariamente alternativas de conduta.
O self emerge da interacção social. Mead encarou os seres humanos como atores sociais em que o "eu" como eu sou está em contínua interacção com o "eu" como os outros me vêem de tal modo que, segundo este autor, a vida social é um processo de adaptação e ajustamento aos padrões sociais existentes. A conceptualização de Mead acerca da interacção e da organização serviu de base a formulações das ciências sociais bem mais recentes e de correntes tão diversas como a etnometodologia, a sociologia cognitiva ou a fenomenologia.

PRINCIPAIS OBRAS:

1932  The Philosophy of the Present
1934  Mind, Self and Society
1938  The Philosophy of the Act

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: HERBERT MARCUSE (n. 19 Jul.1898; m. 29 Jul.1979)



Herbert Marcuse nasceu a 19 de Julho de 1898, em Berlim, capital da Alemanha, filho de pais judeus. Estudou literatura e filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu filósofos como Martin Heidegger, um dos maiores pensadores alemães na época. Aos 24 anos, voltou à cidade natal, onde trabalhou na venda de livros. Retornou a Freiburg para ser orientado por Heidegger no seu doutoramento sobre o filósofo Hegel.
Quatro anos depois, em 1933, por causa do governo nazista, Marcuse não foi autorizado a completar o seu projecto. Assim, foi trabalhar em Frankfurt, no Instituto de Pesquisa Social. Ainda no mesmo ano, imigra da Alemanha para a Suíça, indo em seguida para os Estados Unidos, onde obteve a cidadania em 1940.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Marcuse trabalhou para o governo norte-americano, analisando relatórios do serviço de espionagem sobre a Alemanha, actividade que durou até 1951.
No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política, primeiro na Colúmbia e em Harvard, depois em Brandeis, onde ficou de 1954 até 1965. Já perto de se aposentar, foi leccionar na Universidade da Califórnia, em San Diego.
As suas críticas à sociedade capitalista, em especial na obra "Eros e Civilização", de 1955, e em "O homem unidimensional", de 1964, fizeram eco nos movimentos estudantis de esquerda dos anos sessenta.
"O homem unidimensional" pode ser visto como uma análise das sociedades altamente industrializadas. Marcuse critica tanto os países comunistas quanto os capitalistas, pelas suas falhas no processo democrático: nenhum dos dois tipos de sociedade foi capaz de dar igualdade de condições para os seus cidadãos.
Ele argumentava que a sociedade industrial avançada criava falsas necessidades que integravam o indivíduo ao sistema de produção e de consumo. A comunicação de massas, cultura, publicidade, administração de empresas e modos de pensamento contemporâneos, apenas reproduziriam o sistema existente e cuidariam para eliminar negatividade, críticas e oposição. O resultado, dizia, era um universo unidimensional de ideias e comportamentos, no qual as verdadeiras aptidões para o pensamento crítico eram anuladas.
Marcuse viveu para assistir e sentir os efeitos do que teorizou: tinha 70 anos quando eclodiu a grande revolta estudantil de 1968, praticamente em todos os países do mundo.
Por sua capacidade de se seduzir seriamente e apoiar os estudantes que protestavam contra a guerra do Vietname (1961-1974) e queriam mudar a sociedade e a política, Marcuse logo ficou conhecido como o "pai da nova esquerda", apelido que ele rejeitava. Fez vários discursos aliciantes nos Estados Unidos e na Europa no fim da década e durante os anos 70. Morreu de enfarto durante uma visita à Alemanha, dez dias depois de completar 81 anos, em 29 de Julho de 1979.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ALBION SMALL (n. 11 Mai.1854; m. 24 Mar.1926)



Albion Woodbury Small, nasceu em 11 Maio, 1854 em Buckfield, no condado de Oxford, Maine filho do Reverendo Parris Keith Albion Small e Lincoln Thankful Woodbury. A sua família mudou-se para Bangor, no Maine e em seguida para Portland e Small frequentou as escolas públicas em cada uma dessas cidades. Small cresceu numa família religiosa rígida, com altos padrões morais que teve uma forte influência sobre os seus ideais e, sobre a sua visão da sociologia, como uma ciência da ética.
Após graduar-se em Colby College, em 1876, Small prosseguiu o trabalho no ministério Batista, na Instituição Teológica Newton (1876-1879). Formou-se, mas nunca foi ordenado. Na sequência do seu interesse pelo pensamento alemão, Small passou a estudar história, economia social e políticas sociais nas universidades de Berlim (1879-1880) e Leipzig (1880-1881). Também passou algum tempo em Weimar e no Museu Britânico em Londres. As suas experiências na Europa foram posteriormente relatadas como escritos sociológicos. Small casou-se com Valeria von Massow, na Alemanha, em 1881 e tiveram um filho.
Small foi então para o Colby College, em 1881, e leccionou cursos sobre história e economia política. Nessa época, ele apenas era professor convidado e nunca integrou os quadros do Colby College, tendo por isso um horário restrito. Com o tempo que tinha livre, Small começou a ler livros na área da sociologia e continuou os Estudos Avançados em Economia e História na Johns Hopkins University, onde recebeu seu Doutoramento. em 1889. O título da sua dissertação, que hoje pode ser encontrada nas colecções especiais da Universidade, foi "The Beginnings of American Nationality: The Constitutional Relations between the Continental Congress and the Colonies and States from 1774 to 1789". Small foi nomeado presidente da Colby College, em 1889, e substituiu o curso de filosofia moral tradicional, por um de Sociologia, um dos três primeiros cursos de Sociologia nos Estados Unidos. Publica o livro “Introduction to a Science of Society” (1890), constituído por extractos de pensadores sociais e filósofos alemães.
Small deixou Colby em 1892, para se tornar o primeiro professor de Sociologia na Universidade Nova de Chicago, situação única nos Estados Unidos, pois até então não existia professores unicamente de sociologia. Na Universidade, fundou o primeiro departamento de Sociologia acreditado numa universidade americana, e o primeiro no mundo, a oferecer a graduação e pós-graduação em Sociologia. Sob a sua liderança, como chefe do departamento, tornou-se o grande centro da sociologia, durante os primeiros 30 anos do século XX. Também foi Decano do Colégio de Artes Liberais. Nessa época, Small ajudou a criar o American Sociological Society, criou o American Journal of Sociology em 1895, a primeira revista do tipo nos Estados Unidos, sendo editor e autor de inúmeros textos. Em 1905 foi nomeado Decano da Escola Superior de Artes e Literatura da Universidade onde esteve no cargo até 1925. Small foi uma figura fundamental na fundação, desenvolvimento e profissionalização da sociologia no ensino Académico nos Estados Unidos.
Small estava particularmente interessado na disciplina de sociologia em si, bem como as inter-relações entre as várias ciências sociais. Ele escreveu uma introdução para o Estudo da Sociedade com George E. Vincent, em 1894, o primeiro livro do mundo sociológico. Na sua primeira grande obra “General Sociology” (1905), explicou o enfoque da sociologia como o processo pelo qual os grupos entram em conflito e, posteriormente, resolvem as divergências por meio do ajuste e inovação social. Em "Adam Smith and modern sociology" (1907), Small procurou interpretar o sentido moral e filosófica da Riqueza das Nações de Smith. O seu “The Meaning of Social Science” (1910) tornou-se uma extensão do anterior “General Sociology”, esclarecendo as suas ideias e valores da sociedade e da sua organização. Small aprofundou a teoria social em "The Cameralists" (1909), uma análise detalhada da teoria das políticas económicas do séc. XVI ao séc. XIX, na Alemanha. “Origins of Sociology” (1924) analisou novamente a Alemanha através da sua série de controvérsias académicas que forneceu a base para a moderna metodologia nas ciências sociais.
Small tornou-se o quarto presidente da American Sociological Society, entre os anos de 1912 e 1913. Seu panfleto presidencial em 1912, intitulado "O panorama actual das Ciências Sociais", foi entregue na sede da organização Reunião Anual, em Boston, e o seu discurso presidencial em 1913, intitulado "Uma visão de Eficiência Social", foi entregue na sede da organização na Reunião Anual, em Minneapolis.
Small, aposentou-se da Universidade de Chicago em 1925. Embora tivesse leccionado vários meses com uma saúde debilitada, o seu fervor académico nunca diminuiu. Small faleceu em Chicago a 24 de Março de 1926.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ROBERT MERTON (n. 05 Jul.1910; m. 23 Fev.2003)


Robert King Merton, nascido Meyer R. Schkolnick, nasceu a 5 de Julho de 1910, em Filadélfia. Meyer R. Schkolnick usou esse nome durante os primeiros 14 anos de vida. Era filho de imigrantes da Europa Oriental e morou num apartamento em cima da loja de ovos e lacticínios do pai, até o prédio pegar fogo. Na adolescência, fazia truques de mágica em festinhas de aniversário e adoptou Robert Merlin como nome artístico, mas quando um amigo o convenceu de que sua escolha do nome do antigo mago era um lugar-comum, ele adoptou Merton com o apoio de sua mãe, de tendências americanizantes, depois de ter ganho uma bolsa de estudos para a Temple University.
Em palestra para o American Council of Learned Societies (Conselho Americano de Associações Eruditas) em 1994, Merton declarou que, graças às bibliotecas, escolas e orquestras a que tinha tido acesso, e até mesmo ao gang de jovens a que havia aderido, a sua juventude tinha-o preparado bem para o que denominava uma vida de estudo: "Os meus colegas sociólogos devem ter notado" – disse – "como aquele cortiço aparentemente carente em South Philadelphia proporcionou a um jovem todo o tipo de capital – capital social, cultural, humano e, acima de tudo, o que podemos chamar de capital público – isto é, todo o tipo de capital excepto o financeiro pessoal.
Um intelectual alto, fumante de cachimbo, Merton usou muitas vezes a trajectória de sua vida - do cortiço à realização académica - como material para ilustrar o funcionamento da serendipidade, do acaso e da coincidência, que há muito o fascinavam.
A sua carreira correu paralela ao crescimento e aceitação da sociologia como disciplina académica genuína. Em 1939, havia menos de mil sociólogos nos Estados Unidos, mas logo após Merton ser eleito presidente da Associação Americana de Sociólogos, em 1957, o grupo já contava com 4.500 membros.
Passou grande parte de sua vida profissional na Universidade de Columbia onde, juntamente com seu colaborador durante 35 anos Paul F. Lazarsfeld, falecido em 1976, desenvolveu o Departamento de Pesquisa Social Aplicada, onde tiveram origem os primeiros grupos focais.
Merton era às vezes chamado de "Sr. Sociologia", e Jonathan R. Cole, antigo aluno e director da Universidade de Columbia, disse uma vez: "Se houvesse Prémio Nobel de sociologia, não há dúvida alguma de que ele o teria ganho." Mas o seu filho, Robert Carhart Merton, ganhou o Prémio Nobel de Economia, em 1997.
Num perfil escrito por Morton Hunt em 1961 para a revista New Yorker, Merton foi descrito como demonstrando "surpreendente universalidade de interesses e talento para uma boa conversa, somente prejudicada pelo fato de ele estar incrivelmente bem informado sobre tudo, de beisebol a Kant, e estar sempre pronto, sem hesitar, a falar sobre parte do assunto ou todo ele".
De fato, no seu livro mais conhecido, On the Shoulders of Giants, Merton aventurou-se muito além dos limites da sociologia. Mencionado por ele como seu "filho pródigo intelectual", o livro revela a profundidade de sua curiosidade, a amplitude de sua prodigiosa pesquisa e a extraordinária paciência que também caracterizam sua obra académica. O trabalho começou em 1942 quando, num ensaio intitulado A Note on Science and Democracy, Merton menciona uma observação de Isaac Newton: "Se me foi possível enxergar mais longe, foi por estar nos ombros de gigantes." Acrescentou uma nota de rodapé esclarecendo que "o aforismo de Newton é uma frase padronizada que encontrou repetida expressão a partir do século XII".
Porém Merton não parou por aí. A intervalos, durante os 23 anos seguintes, seguiu a pista do aforismo de Newton através do tempo, enveredando tanto por becos sem saída como por avenidas frutíferas e por fim, terminou o livro em 1965, escrevendo-o em estilo discursivo que o autor atribuiu às suas primeiras leituras e subsequentes releituras do Tristam Shandy, de Laurence Sterne. Denis Donoghue, crítico e estudioso literário, descreveu o livro, com admiração, como "uma obra de arte excêntrica e contudo concêntrica, uma obra com suficiente flexibilidade para permitir uma digressão mais ou menos a cada dez páginas". E admitiu: "Eu gostaria de ter escrito On the Shoulders of Giants."
Nos últimos 35 anos, Merton vinha reunindo informações sobre a ideia e funcionamento da serendipidade e raciocinando sobre ela com a mesma atitude com que tinha escrito o livro anterior, que gostava de mencionar pelas iniciais OTSOG. Do mesmo modo empregado em todas as suas investigações, cotejou e considerou dados que havia lançado em fichas. Quase todo dia, começava a trabalhar às quatro e meia da manhã, em companhia de alguns de seus 15 gatos. Durante os últimos anos da sua vida, enquanto batalhava e vencia seis diferentes carcinomas, a sua editora italiana, Il Mulino, convenceu-o a autorizá-la a publicar os seus escritos sobre a serendipidade como livro. E quatro dias antes de sua morte, a sua esposa, a socióloga Harriet Zuckerman, recebeu a notícia de que a Princeton University Press havia aprovado a publicação da versão inglesa, com o título The Travels and Adventures of Serendipity.
Além da viúva, Harriet Zuckerman e de seu filho, Merton deixou duas filhas, Stephanie Tombrello e Vanessa Merton de Hastings-on-Hudson, nove netos e nove bisnetos. Morreu a 23 de Fevereiro de 2003, em Nova Iorque.

Principais contribuições para a Sociologia:

É considerado um teórico fundamental da burocracia, da sociologia da ciência e da comunicação de massa. Passou a maior parte de sua vida académica ensinando na Universidade Columbia. É pai do economista Robert C. Merton.
Robert K. Merton é talvez mais conhecido por ter cunhado a expressão "profecia auto-realizável". Também criou o conceito de grupo de referência.
Na sociologia da ciência, ficou famoso ao fazer uma análise weberiana do nascimento da ciência na Inglaterra do século XVII, destacando o papel da ética protestante na criação da Royal Society.
Merton desenvolveu também os quatro imperativos institucionais, conhecidos pelo acrónimo CUDOS. Trata-se de um conjunto de ideais que, segundo Merton, devem fundamentar os objectivos e métodos da ciência e que compõem o ethos científico:
  • Comunalismo – a propriedade comum das descobertas científicas Merton, de fato, usou o termo "comunismo", todavia, sem ligação com o marxismo;
  • Universalismo – critérios universais de verdade (não baseados raça, classe, género, religião ou nacionalidade).
  • Desinteresse – a acção do cientista não deve ser movida por interesse próprio
  • Cepticismo organizado – todas a ideias devem ser testadas e submetidas ao rigoroso escrutínio da comunidade

quarta-feira, 2 de março de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: TALCOTT PARSONS (n. 13 Dez.1902; m. 08 Mai.1979)



Talcott Edgar Frederick Parsons, nasceu em 13 de Dezembro de 1902, no Colorado. O Seu pai foi um pastor Congregacionalista e depois reitor da Faculdade Marietta em Ohio. Como universitário, Parsons estudou Biologia e Filosofia na Faculdade Amherst e recebeu o título de bacharel em 1924. Depois de Amherst, estudou na London School of Economics por um ano, onde se familiarizou com a obra e o pensamento de Harold Laski, R. H. Tawney, Bronislaw Malinowski, Leonard Trelawny Hobhouse. Depois, na Universidade de Heidelberg, recebeu o título de Ph. D. em Sociologia e Economia. Foi em Heidelberg que ele se familiarizou com as ideias de Max Weber, então relativamente desconhecido entre os sociólogos americanos. Parsons traduziu diversos textos de Weber para o Inglês. Depois de um ano leccionando em Amherst (1923-1924), conseguiu um cargo em Harvard, primeiro em Economia e depois em Sociologia. Obteve seu primeiro reconhecimento significativo com a publicação de “A Estrutura da Acção Social” em 1937, sua primeira grande síntese, combinando as ideias de Durkheim, Weber, Pareto, entre outros. Em Harvard, formou o Departamento de Relações Sociais, um projecto interdisciplinar de Sociologia, Antropologia e Psicologia. Na América, foi um grande defensor da profissionalização da Sociologia e de sua expansão na academia americana. Foi eleito presidente da Sociedade Americana de Sociologia em 1949 e serviu como secretário entre 1960 e 1965.
Parsons trabalhou na Universidade de Harvard entre 1927 e 1973. Inicialmente, foi uma figura central no Departamento de Sociologia de Harvard, e posteriormente no Departamento de Relações Sociais (criado por Parsons para reflectir a sua visão de uma ciência social integrada). Desenvolveu um sistema teorético geral para a análise da sociedade que veio a ser chamado de Funcionalismo Estrutural.
A análise de Parsons foi largamente desenvolvida nas suas principais obras publicadas. Assim como outros sociólogos, ele buscou combinar actividade humana e estrutura numa teoria e não se limitou ao Funcionalismo.
Foi por muitos anos um dos Sociólogos mais conhecidos nos Estados Unidos e no mundo. O seu trabalho teve grande influência nas décadas de 1950 e 1960, particularmente na América, mas decaiu gradualmente a partir de então. A mais proeminente tentativa de reviver o pensamento parsoniano, sob o título de "Neofuncionalismo", pertence ao sociólogo Jeffrey Alexander, da Universidade de Yale.
Parsons saiu de Harvard em 1973, mas continuou ensinando (noutras universidades, como professor visitante) e escrevendo até a sua morte em 1979, no dia 8 de Maio, durante uma viagem à Alemanha.


Obra:

  • 1937  A Estrutura da Acção Social
  • 1951  O Sistema Social
  • 1956  Economia e Sociedade - com N. Smelser
  • 1960  Estrutura e Processo nas Sociedades Modernas
  • 1961  Teorias da Sociedade - com Edward Shils, Kaspar D. Naegele e Jesse R. Pitts
  • 1966  Sociedades: Perspectivas Evolucionárias e Comparativas
  • 1968  Teoria Sociológica e Sociedade Moderna
  • 1969  Política e Estrutura Social
  • 1973  A Universidade Americana - com G. Platt
  • 1977  Sistemas Sociais e a Evolução da Teoria da Acção
  • 1978  Teoria da Acção e a Condição Humana

terça-feira, 1 de março de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: PIERRE BOURDIEU (n. 01 Ago.1930; m. 23 Jan.2002)


Pierre Félix Bourdieu, nasceu em 01 de Agosto de 1930, em Denguin, França. Nascido numa família campesina, ingressa em 1951 na Faculdade de Letras, em Paris, na Escola Normal Superior e em 1954 gradua-se em Filosofia, assumindo a função de professor em Moulins. Após prestar serviço militar na Argélia, assume, em 1958 o cargo de professor assistente na Faculdade de Letras em Argel, quando inicia sua pesquisa acerca da sociedade cabila.
Em 1960 torna-se assistente de Raymond Aron, na Faculdade de Letras de Paris e principia seus estudos acerca do celibato na região de Béarn. Ainda em 1960 integra-se ao Centro de Sociologia Europeia, do qual torna-se secretário-geral em 1962.
Desenvolve ao longo das décadas de 1960 a 1980 farta obra, contribuindo significativamente para a formação do pensamento sociológico do século XX. Na década de 1970 estende sua actividade docente a importantes instituições estrangeiras, como as universidades de Harvard e Chicago e o Instituto Max Planck de Berlim. Em 1982 ministra sua aula inaugural (Lições de Aula) no Collège de France (instituição que três anos mais tarde se associa ao Centro de Sociologia Europeia), propondo uma "Sociologia da Sociologia", constituída de um olhar crítico sobre a formação do sociólogo como censor e detentor de um discurso de verdade sobre o mundo social. Neste sentindo, esta aula inaugural encontra-se com a ministrada por Barthes (A aula) e Foucault (A Ordem do Discurso), privilegiando a discussão acerca do saber académico. É consagrado Doutor 'honoris causa' das universidades Livre de Berlim (1989), Johann-Wolfgang-Goethe de Frankfurt (1996) e Atenas (1996). Desenvolveu, ao longo de sua vida, mais de 300 trabalhos abordando a questão da dominação e é, sem dúvida, um dos autores mais lidos, em todo o mundo, nos campos da Antropologia e Sociologia, cuja contribuição alcança as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo em sua obra temas como educação, cultura, literatura, arte, media, linguística e política. Também escreveu muito analisando a própria Sociologia enquanto disciplina e prática. A sociedade cabila, na Argélia, foi o palco de suas primeiras pesquisas. Seu primeiro livro, Sociologia da Argélia (1958), discute a organização social da sociedade cabila, e em particular, como o sistema colonial interferiu na sociedade cabila, em suas estruturas e desculturação. Dirigiu, por muitos anos, a revista "Actes de la recherche en sciences sociales" e presidiu o CISIA (Comité Internacional de Apoio aos Intelectuais Argelinos), sempre se posicionado clara e lucidamente contra o liberalismo e a globalização.
Túmulo de Pierre Bourdieu

A sua discussão sociológica centralizou-se, ao longo de sua obra, na tarefa de desvendar os mecanismos da reprodução social que legitimam as diversas formas de dominação. Para empreender esta tarefa, Bourdieu desenvolve conceitos específicos, retirando os factores económicos do epicentro das análises da sociedade, a partir de um conceito concebido por ele como violência simbólica, no qual Bourdieu advoga acerca da não arbitrariedade da produção simbólica na vida social, advertindo para seu carácter efectivamente legitimador das forças dominantes, que expressam por meio delas seus gostos de classe e estilos de vida, gerando o que ele pretende ser uma distinção social.
O mundo social, para Bourdieu, deve ser compreendido à luz de três conceitos fundamentais: campo, habitus e capital.
Morreu em Paris, em 23 de Janeiro de 2002, depois de finalizar um curso acerca de sua própria produção académica, que servirá de fundamento ao seu último livro, Esboço para uma auto análise.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Os "Pais" da SOCIOLOGIA: ERVING GOFFMAN (n. 11 Jun.1922; m. 19 Nov.1982)


Erving Goffman nasceu em Manville, Alberta, no Canadá em 11 de Junho de 1922 e faleceu em Filadélfia no Estado da Pensilvânia nos Estados Unidos da América no dia 19 de Novembro de 1982. Obteve o grau de bacharel pela Universidade de Toronto em 1945, tendo feito o mestrado e doutoramento na Universidade de Chicago, onde estudou tanto Sociologia como Antropologia Social. Em 1958 passou a integrar o corpo docente da Universidade da Califórnia em Berkeley, tendo sido promovido a Professor Titular em 1962. Ingressou na Universidade da Pensilvânia em 1968, onde foi professor de Antropologia e Sociologia.
Em 1977 obteve o prémio Guggenheim. Foi presidente da Sociedade Americana de Sociologia, em 1981-1982. Efectuou pesquisas na linha da sociologia interpretativa e cultural, iniciada por Max Weber. Em “La mise en scène de la vie quotidienne”, Goffman desenvolve a ideia que mais identifica a sua obra: o mundo é um teatro e cada um de nós, individualmente ou em grupo, teatraliza ou é actor consoante as circunstâncias em que nos encontremos, marcados por rituais posições distintivas relativamente a outros indivíduos ou grupos.
Goffman aplicou ao estudo da civilização moderna os mesmos métodos de observação da antropologia cultural: assim como, nas sociedades indígenas, há ritualizações que permitem distinguir indivíduos e grupos, também, nas sociedades contemporâneas, a origem regional, a pertença a uma classe social ou quaisquer outras categorias se marcam por ritualizações que distinguem indivíduos e grupos, tomando por exemplo pequenos aspectos, como as formas de vestir ou de se apresentar publicamente. No contexto descrito, Goffman considera a interacção como um processo fundamental de identificação e de diferenciação dos indivíduos e grupos; de resto, os mesmos, isoladamente, não existem; só existem e procuram uma posição de diferença pela afirmação, na medida em que, justamente, são "valorizados" por outros.
Estudou a interacção social no dia-a-da, especialmente em lugares públicos, principalmente no seu livro “A Representação do Eu na Vida Quotidiana”. Além disso, em seu livro intitulado “Estigma, Notas Sobre a Manipulaçao da Identidade Deteriorada”, aborda aspectos interessantes a respeito das marcas vistas negativamente em relaçao aos aspectos corporais, raciais, ou mesmo de paixões tirânicas. Para Goffman, o desempenho dos papeis sociais tem a ver com o modo como cada indivíduo concebe a sua imagem e a pretende manter. Estudou também com especial atenção o que chamava de "instituições totais", lugares onde o indivíduo era isolado da sociedade, tendo todas as suas actividades concentradas e normalizadas. Pode-se citar com exemplo as prisões, os manicómios, os conventos e algumas escolas internas. No campo da linguagem Erving Goffman contribui com o estudo da interação humana, introduzindo o conceito de "footing". Footing representa o "alinhamento, a postura, a posição, a projecção do 'eu' de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção." (GOFFMAN, 1998 In: RIBEIRO, Branca Telles & GARCEZ, PEDRO M.)
Esse autor tem um importante papel na Antipsiquiatria e Luta Antimanicomial no Brasil, graças à suas colocações sobre a função social da Psiquiatria na nossa sociedade.