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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: RUI FILIPE (n. 8 Mar. 1968; m. 28 Ago. 1994)



Rui Filipe Tavares de Bastos, nasceu a 8 de Março de 1968, em Vale de Cambra (Distrito de Aveiro). Começou a sua carreira profissional no Sporting de Espinho, por empréstimo do Futebol Clube do Porto, na época 1989/90 e ao Gil Vicente na época de 1990/91, depois de fazer o seu percurso de Juvenil nas Escolas do F.C.Porto.
Este antigo médio-centro do FC Porto era um jogador altruísta e que ao excelente porte físico aliava uma grande certeza no passe e um bom remate de meia-distância. No entanto, a sua maior virtude era a generosidade que colocava em campo.
No seu primeiro ano no Futebol Clube do Porto, marcou quatro golos em vinte e cinco jogos e tornou-se nesse ano campeão nacional pela equipa portista.
Na época de 1993/94 na Champions League ajudou a equipa a chegar às meias-finais, fazendo no jogo com o Werder Bremen, em o Porto ficou em primeiro lugar no seu grupo.
Na época de 1994/95 foi um importante jogador no meio-campo, marcando no jogo inaugural, e ajudou a sua equipa a conquistar a Supertaça frente ao SL Benfica.
Morre a 28 de Agosto de 1994, apenas com 26 anos, vítima de um acidente de viação.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: HÉCTOR YAZALDE (n. 29 Mai. 1946; m. 18 Jun. 1997)


Héctor Casimiro Yazalde, nasceu em 29 de Maio de 1946, num bairro pobre de Buenos Aires.
Devido à sua condição social desfavorecida, quando entrou para a escola aos sete anos, não tinha livros. Horácio Aguirre, um bom amigo, era quem lhe emprestava os livros para que pudesse estudar.
Aos 13 anos começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Começou por vender jornais, depois bananas e por último a partir gelo.
Em 1965, quando Yazalde foi assistir ao treino do seu amigo Horácio Aguirre, no Piraña, clube de Buenos Aires, pediu que alguém lhe emprestasse um equipamento para treinar. Na mesma tarde assinou o contrato e recebeu 2.000 pesos argentinos, que era o equivalente ao que recebia num mês, como vendedor ambulante de bananas.
Dois anos passados e transferiu-se para o Independiente de Buenos Aires. Aos 20 anos, sagrou-se pela primeira vez campeão e recebeu o troféu de artilheiro. Não foi preciso muito tempo para que fosse chamado à selecção Argentina.
Em 1967/1968 revalidou o título de Campeão Nacional da Argentina e com o dinheiro que recebeu comprou um apartamento no centro de Buenos Aires.
Em 1970, surgiram convites do Santos, do Palmeiras, do Valência, do Lyon, do Nacional de Montevidéu e do Boca Juniors, mas quem o convenceu foi o dirigente do Sporting, Abraão Sorin.
Com o dinheiro que recebeu construiu uma vivenda em zona chique, para os pais viverem à sua volta. Na primeira temporada que jogou pelo Sporting, Yazalde não apareceu, mas na temporada de 1973/1974, o popular "Chirola" marcou 46 golos em 30 jogos e conquistou a Bota de Ouro europeia.
Yazalde estabeleceu um novo recorde europeu de golos em 19 de Maio de 1974, batendo o recorde do húngaro Skoblar. Como prémio recebeu um carro, que vendeu e dividiu o dinheiro com os companheiros de equipa.
Em 1975, transferiu-se para o Marselha, mas não foi feliz. Voltou para a Argentina, onde se tornou empresário de futebol.
Faleceu com 51 anos, a 18 de Junho de 1997, em Buenos Aires, vítima de uma cirrose hepática e paragem cardíaca.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: MANUEL BENTO (n. 25 Jun. 1948; m. 01 Mar. 2007)



Manuel Galrinho Bento, nasceu na Golegã, a 25 de Junho de 1948, foi guarda-redes de futebol português, e considerado por muitos, o melhor guarda-redes de sempre do Benfica e de Portugal.
Bento iniciou a sua carreira futebolística no Clube Atlético Riachense de onde foi transferido para o FC Barreirense e depois para o Sport Lisboa e Benfica, no ano de 1972. Inicialmente foi o substituto de José Henriques. Entre 1973 e 1976, Bento e José Henriques alternaram na baliza, passando Bento a indiscutível titular em 1976, quando tinha 28 anos. Nesse mesmo ano, passou a defender as cores nacionais, nas qualificações para o Campeonato do Mundo de 1978. No primeiro jogo de Bento, Portugal perdeu no Porto, 0-2 contra a Polónia. Bento foi o guarda-redes nacional até 1986.
Bento é recordado pelas suas defesas acrobáticas, sangue-frio e temeridade. Possivelmente o seu melhor jogo, foi nas meias-finais do Campeonato Europeu de Futebol de 1984, contra a França, que Portugal perdeu por 2-3. Bento jogou também no Campeonato do Mundo de 1986, no México, e foi mesmo o porta-voz dos jogadores amotinados aquando do Caso Saltillo. Bento jogaria apenas o primeiro jogo no México, a vitória por 1-0 sobre a Inglaterra. Num treino, partiu uma perna e esteve sem jogar quase toda a época seguinte. A partir de então passou a ser guarda-redes suplente ou terceiro guarda-redes do Benfica, até ao fim da sua carreira, em 1991/92.
Bento tem o impressionante registo de 611 jogos pelo Benfica, nos quais sofreu 447 golos.
Depois de terminar a carreira de jogador, foi treinador de guarda-redes do SL Benfica. Tentou ainda a carreira de treinador principal no Leça, na União de Coimbra e no Amora, mas regressou à Luz onde trabalhava na formação das camadas jovens do clube. Numa entrevista a um jornal local do Barreiro, onde vivia, Bento confessou um dos seus segredos: Dentro das balizas que defendia colocava um par de luvas suplentes onde guardava o seu amuleto: um pedaço do corno esquerdo de uma vaca.
Morreu no dia 1 de Março de 2007, o dia seguinte à comemoração, no Casino Estoril, do 103º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, no qual esteve presente. Tinha 58 anos, e foi vítima de um enfarte fulminante.
A Golegã, localidade ribatejana onde nasceu, deu o seu nome ao estádio municipal.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: SOPHIA DE MELLO BREYNER (n. 06 Nov. 1919; m. 02 Jul. 2004)



Sophia de Mello Breyner, nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919, tem origem dinamarquesa pelo lado paterno. O seu bisavô, Jan Heinrich Andresen, desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região, tendo o seu filho João Henrique comprado, em 1895, a Quinta do Campo Alegre, hoje Jardim Botânico do Porto. Como afirmou em entrevista, em 1993, essa quinta "foi um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa". Pelo seu lado materno, é prima afastada de Nicolau Breyner.
Frequenta o Colégio do Sagrado Coração de Maria, no Porto, até aos dezassete anos, primeiro como semi-interna, depois como externa. Tem professores marcantes e apesar da pouca estima pela Matemática e Química, nunca chumbou. Aos doze anos escreve os primeiros poemas e entre os dezasseis e os vinte e três anos tem uma fase excepcionalmente fértil na sua produção poética.
Criada na velha aristocracia portuense, educada nos valores tradicionais da moral cristã, foi dirigente de movimentos universitários católicos quando frequentava Filologia Clássica na Universidade de Lisboa (1936-39). Colaborou na revista “Cadernos de Poesia”, onde fez amizades com autores influentes e reconhecidos: Rui Cinatti e Jorge de Sena. Veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime salazarista e os seus seguidores. Ficou célebre como canção de intervenção dos Católicos Progressistas a sua "Cantata da Paz", também conhecida e chamada pelo seu refrão: "Vemos, Ouvimos e Lemos. Não podemos ignorar!"
Estuda Filologia Clássica, na Faculdade de Letras de Lisboa, mas não leva a licenciatura até ao fim, pois três anos depois regressa ao Porto.
Casou-se, em 1946, com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares e foi mãe de cinco filhos: uma professora universitária de Letras, um jornalista e escritor de renome (Miguel Sousa Tavares), um pintor e ceramista e mais uma filha que é terapeuta ocupacional e herdou o nome da mãe. Os filhos motivaram-na a escrever contos infantis.
Em 1964 recebeu o Grande Prémio de Poesia pela Sociedade Portuguesa de Escritores pelo seu livro Livro sexto. Já depois do Revolução dos Cravos (25 de Abril), foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido navegava rumo ao Partido Social Democrata.
Distinguiu-se também como contista (Contos Exemplares) e autora de livros infantis (A Menina do Mar, O Cavaleiro da Dinamarca, A Floresta, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc.). Foi também tradutora de Dante Alighieri e de Shakespeare e membro da Academia das Ciências de Lisboa. Para além do Prémio Camões, foi também distinguida com o Prémio Rainha Sofia, em 2003.
Sophia de Melo Breyner faleceu, aos 84 anos, no dia 2 de Julho de 2004 no Hospital da Cruz Vermelha.
Desde 2005, no Oceanário de Lisboa, os seus poemas com ligação forte ao Mar foram colocados para leitura permanente nas zonas de descanso da exposição, permitindo aos visitantes absorverem a força da sua escrita enquanto estão imersos numa visão de fundo do mar.

Obra

1944  Poesia
1947  O Dia do Mar
1950  Coral
1954  No Tempo Dividido
1956  O Rapaz de Bronze
1958  Mar Novo
1958  A Menina do Mar
1958  A Fada Oriana
1958  Ensaio sobre Cecília Meireles na «Cidade Nova»
1960  Noite de Natal
1960  Ensaio Poesia e Realidade
1961  O Cristo Cigano
1962  Livro Sexto
1962  Contos Exemplares
1964  O Cavaleiro da Dinamarca
1967  Geografia
1968  A Floresta
1968  Antologia
1970  Grades
1972  Dual
1975  O Nu na Antiguidade Clássica
1977  O Nome das Coisas
1983  Navegações
1984  Histórias da Terra e do Mar
1985  Árvore
1989  Ilhas
1990  Obra Poética (Toda a sua obra em 3 Volumes)
1994  Musa
1994  Signo
1997  Era Uma Vez uma Praia Lusitana
1998  O Búzio de Cós

Prémios

Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores
Prémio Teixeira de Pascoães
Prémio da Crítica do Centro Português da Associação de Críticos Literários
Prémio D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus e Inasset-INAPA
Grande Prémio de Poesia Pen Clube
Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças
Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores
Placa de Honra do Prémio Petrarca, atribuído em Itália
Prémio Fundação Luís Miguel Nava
Prémio Camões
Prémio Rosália de Castro, do Pen Club Galego
Prémio Max Jacob Étranger
Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO (n. 19 Mai. 1890; m. 26 Abr. 1916)


Nasceu, em Lisboa, no dia 19 de Maio de 1890, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.
Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.
Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Em 1912 veio a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor amigo – Fernando Pessoa.
Desiludido com a «cidade dos estudantes», segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores, com o auxílio financeiro do pai. Cedo, porém, deixou de frequentar as aulas na Sorbonne, dedicando-se a uma vida boémia, deambulando pelos cafés e salas de espectáculo, chegando a passar fome e debatendo-se com os seus desesperos, situação que culminou na ligação emocional a uma prostituta, a fim de combater as suas frustrações e desesperos.
Na capital francesa viria a conhecer Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor). Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa; é, pois, entre 1912 e 1916 (o ano da sua morte), que se inscreve a sua fugaz – e no entanto assaz profícua – carreira literária.
Entre 1913 e 1914 vem a Lisboa com certa regularidade, regressando à capital devido à deflagração do conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria, o qual a breve trecho se tornou uma conflagração à escala europeia – a I Guerra Mundial. Com Pessoa e ainda Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal.
Em Julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio», mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Sá-Carneiro.
Uma vez que a vida que trazia não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hôtel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina, em 26 de Abril de 1916.
Contava tão-só vinte e cinco anos. Extravagante tanto na morte como em vida (de que o poema Fim é um dos mais belos exemplos), convidou para presenciar a sua agonia o seu amigo José de Araújo. E apesar de o grupo modernista português ter perdido um dos seus mais significativos colaboradores, nem por isso o entusiasmo dos restantes membros esmoreceu – no segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um belo texto, apelidando-o de «génio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele, retomando um aforismo das Báquides (IV, 7, 18), de Plauto, que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).
Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.
Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina élite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. Embora não tenha a mesma repercussão de Fernando Pessoa, a sua genialidade é tão grande (senão mesmo maior) que a de Pessoa, mas porém muito mais próxima da loucura que a do seu amigo.
A terra que o acolheu na infância – Camarate –, e a quem ele dedicou também algumas das suas poesias, homenageou-o, conferindo o seu nome a uma escola local. O seu poema Fim foi musicado por um grupo português no final dos anos 1980, os Trovante. Mais tarde, o seu poema O Outro foi também musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiódor Dostoievski, Cesário Verde e António Nobre. Este escritor influenciou vários escritores, entre eles Eugénio de Andrade.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: ACÁCIO BARREIROS (n. 24 Mar. 1948; m. 18 Fev. 2004)


Político e governante português, Acácio Manuel de Frias Barreiros nasceu a 24 de Março de 1948, em Cabinda, em Angola, filho de um funcionário da administração colonial e de uma professora primária.
Acácio Barreiros estudou em Nova Lisboa, actualmente chamada Huambo, e depois de se mudar para Portugal frequentou até ao quarto ano o Instituto Superior Técnico de Lisboa. Durante esta época envolveu-se em lutas estudantis e ingressou na UDP (União Democrática Popular), partido da extrema-esquerda. Entretanto, abandonou os estudos e começou a trabalhar como bancário.
Em 1976 foi pela primeira vez eleito deputado à Assembleia da República, onde esteve até 1979, tendo protagonizado emocionados discursos, principalmente contra os ricos e os fascistas.
Em 1979 entrou em ruptura com a UDP e abandonou o partido. Pouco tempo depois, no início da década de 80, associou-se à Nova Esquerda, para logo de seguida ingressar no Partido Socialista (PS). Em 1983, depois de ter sido convidado por Mário Soares para integrar as listas de candidatos a deputados ao Parlamento, voltou à Assembleia da República. Nessa época dedicou-se a causas como a defesa do ambiente e a habitação para jovens. Quatro anos depois, em 1987, saiu do Parlamento.
Em 1989 foi o candidato do PS à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, mas perdeu as eleições.
Dois anos depois voltou como deputado à Assembleia da República, onde se manteve até morrer em 2004. No entanto, fez alguns interregnos no desempenho das funções de deputado, nomeadamente em 1999 quando foi empossado como secretário de Estado da Defesa do Consumidor do governo socialista liderado por António Guterres. Acácio Barreiros esteve no Governo até este cair em finais de 2001.
Entre 1993 e Janeiro de 2002 foi presidente da Assembleia Municipal de Sintra. Ganhou de novo este posto nas eleições autárquicas de Dezembro 2001, mas uma coligação dos restantes partidos impediu-o de ocupar o cargo.
Morreu a 18 de Fevereiro de 2004, vitimado por um cancro, numa altura em que era vice-presidente da bancada parlamentar do PS.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Às Voltas com a Memória: FERNANDO PESSOA (n. 13 Jun. 1888; m. 30 Nov. 1935)


Fernando Pessoa, um dos expoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Viveu primeiro com uma tia, na rua de S. Bento e depois com a avó paterna, na Rua da Bela Vista à Lapa. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sendo que as suas participações literárias se espalhavam por inúmeras publicações, das quais se destacam: Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
Teve uma paixão confessa – Ophélia Queirós – com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspectivo e melancólico.
O seu percurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas. É sobretudo o relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura efectuou-a Pessoa com recurso a todas as armas - metafísicas, religiosas, racionalistas - mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, enfim exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).
Os últimos anos são vividos em angústia. Os seus projectos intelectuais não se realizam plenamente, nem sequer parcialmente. Talvez os seus objectivos fossem à partida demasiado elevados... Certo é que esta falta de resultados concretos o deita a um desespero cada vez mais profundo. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o princípio da sua realização.
Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Uma pequena procissão funerária levou o corpo a enterrar no Cemitério dos Prazeres. Em 1985, por ocasião do cinquentenário da sua morte, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.

NOTA: Esta é uma breve biografia do grande poeta, porque irei desenvolver uma biografia mais profunda e ampla no espaço "O POETA É UM FINGIDOR", nomeadamente em relação também aos seus heterónimos e a toda a sua vida e obra.