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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Às Voltas com a Memória... JOÃO ROCHA (n. 09 jul.1930; m. 08 mar. 2013)



João António dos Anjos Rocha, nasceu em Setúbal, a 9 de julho de 1930 e morreu em Lisboa, a 8 de março de 2013. Foi um empresário e dirigente desportivo português.

Foi presidente do Sporting Clube de Portugal entre 7 de setembro de 1973 e 3 de outubro de 1986.

Durante a sua presidência foram realizados numerosos projetos empresariais, incluindo o primeiro projeto de clube-empresa em Portugal, aprovado pelos sócios em novembro de 1973, designado "Sociedade de Construções e Planeamento".

Durante o seu mandato o clube ganhou mais de 1200 títulos nacionais e internacionais em todas as modalidades, todos os níveis etários, com destaques para o atletismo, futebol e hóquei em patins. Venceu 52 Taças de Portugal, no atletismo 8 Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, no hóquei em patins uma Taça dos Campeões Europeus, duas Taças das Taças e uma Taça CERS.

Também o basquetebol, o andebol e o ciclismo do SCP tiveram grandes momentos durante a sua presidência.

Em assembleia geral de sócios do clube realizada em setembro de 2012, foi aprovada, por unanimidade e aclamação, a atribuição do nome de João Rocha ao futuro pavilhão do clube, a ser erguido junto ao Estádio José Alvalade.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Às Voltas com a Memória...LEONARD COHEN (n. 21 Set.1924; m. 7 Nov. 2016)



Leonard Norman Cohen, nasceu em Westmount, 21 de setembro de 1934, e morreu em Los Angeles, a 7 de novembro de 2016, foi um cantor, compositor, poeta e escritor canadense.

Embora seja mais conhecido por suas canções, como "Hallelujah", que alcançaram notoriedade tanto em sua voz quanto na de outros intérpretes, Cohen passou a se dedicar à música apenas depois dos 30 anos, já consagrado como autor de romances e livros de poesia.

Leonard Cohen nasceu em 21 de setembro de 1934 em Westmount, na província do Quebec, Canadá, no seio de uma família judaica de origem polaca. A sua infância foi marcada pela morte de seu pai quando Cohen tinha apenas nove anos, fato que seria determinante para o desenvolvimento de uma depressão que o acompanharia durante boa parte da vida.

Aos dezassete anos, ingressa na Universidade McGill e forma um trio de música country. Paralelamente, passa a escrever seus primeiros poemas, inspirado por autores como García Lorca.

Já estabelecido como escritor, Cohen decide se tornar compositor. Para isso, muda-se para os Estados Unidos, onde conhece a cantora Judy Collins, que grava duas de suas composições ("Suzanne" e "Dress Rehearsal Rag") em seu disco In My Life, de 1966.

No ano seguinte, Cohen participa do Newport Folk Festival, onde chama a atenção do produtor John Hammond, o mesmo que antes havia descoberto, dentre outros, Billie Holiday e Bob Dylan. Songs of Leonard Cohen, seu primeiro disco, é lançado no final do ano, sendo bem-recebido por público e crítica.

Seu próximo disco, Songs from a Room, seria produzido por Bob Johnston, produtor dos principais trabalhos de Dylan nos anos 60. Embora não tão bem-recebido quanto o anterior, contém a canção "Bird on the Wire", que o próprio Cohen disse ser a sua favorita dentre as suas composições. Em 1971, lança Songs of Love and Hate, um disco mais sombrio que os anteriores. No mesmo ano, o diretor Robert Altman, em seu filme McCabe & Mrs. Miller, utiliza três canções de Cohen: "Sisters of Mercy", "Winter Lady" e "The Stranger Song", todas do primeiro disco do cantor.

Um novo livro de poemas, The Energy of Slaves, é lançado em 1972 e, no ano seguinte, o disco ao vivo Live Songs.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Às Voltas com a Memória...JOÃO AGUIAR (n.28 out.1943; m.03 jun. 2010)


João Casimiro de Aguiar (Lisboa, 28 de Outubro de 1943 - Lisboa, 3 de Junho de 2010), conhecido profissionalmente como João Aguiar, foi um jornalista e escritor português.
João Aguiar nasceu em Lisboa, tendo passado grande parte da sua infância na Beira, Moçambique. Licenciou-se em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, tendo trabalhado nos centros de turismo de Portugal em Bruxelas e Amesterdão. Regressou a Portugal em 1976, para se dedicar numa primeira fase ao jornalismo. Trabalhou para a RTP (onde iniciou a sua carreira em 1963) e para diversos diários e semanários como: Diário de Notícias, A Luta, Diário Popular, O País e Sábado. Em 1981, foi nomeado assessor de imprensa do então Ministro da Qualidade de Vida. Colaborou regularmente na revista mensal Superinteressante, sendo membro do seu Conselho Consultivo. Foi ainda colaborador da revista Tempo Livre. Morreu aos 67 anos, vítima de doença prolongada. 

Entre as suas obras contam-se títulos como:

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Às Voltas com a Memória...





Marlon Brando, Jr., nasceu em Omaha, a 3 de abril de 1924 e morreu em Los Angeles, a 1 de julho de 2004. Foi um ator de cinema e teatro e diretor norte-americano. É saudado por trazer um estilo realista e emocionante na atuação nos seus filmes, e é amplamente considerado o maior e um dos mais influentes atores de todos os tempos. É considerado um dos mais importantes atores do cinema dos Estados Unidos.

Brando foi um dos três únicos atores profissionais, juntamente com Charlie Chaplin e Marilyn Monroe, a fazer parte da lista de 100 pessoas mais importantes do século compilada pela revista Time, em 1999. Brando foi, também, um ativista, apoiando diversas causas, como o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e diversos movimentos em defesa dos índios norte-americanos.

Marlon Brando era filho de Marlon Brando Sr. (1895-1965) e Dorothy Pennebaker Brando. Os seus pais separaram-se quando tinha apenas 11 anos de idade - em 1935. A sua mãe levou os filhos (Marlon, Jocelyn Brando e Frances Brando) para viver com a avó em Santa Ana, Califórnia, até 1937, quando decidiu reconciliar-se com o marido e viver com ele e com os rebentos numa vila chamada Libertyville, Illinois.

Dorothy era uma mulher talentosa, embora fosse viciada em bebidas alcoólicas e mãe ausente. Ela envolveu-se com o teatro local, ajudou o jovem Henry Fonda a começar a carreira de ator e incutiu em Brando o interesse pela mesma. Sua irmã mais velha, Jocelyn, também foi atriz.

Brando teve uma infância tumultuada. Foi expulso da escola Libertyville High School e, aos 16 anos de idade, mandado para a academia militar Shattuck, em Fairbault, Minnesota. Lá, sobressaiu-se nas aulas de teatro. Mas por tentar escapar às regras da escola, sofreu, mais uma vez, e foi expulso. Foi aceite de volta um ano mais tarde, mas decidiu não dar prosseguimento aos estudos.

Brando foi para Nova York atrás de suas irmãs. Uma tentava ser pintora enquanto a outra estava na Broadway. Em Nova York, Brando estudou em várias escolas de teatro com destaque para o tempo em que estudou com Stella Adler no seu estúdio que hoje ainda funciona como escola, a Stella Adler Actors Studio. Foi com Stella, a única professora nos Estados Unidos que realmente teve contato com Stanislavski que Brando definiu a sua técnica.

Brando começou a chamar a atenção atuando na peça de Tennessee Williams, A Streetcar Named Desire (Um Elétrico Chamado Desejo). A peça foi filmada, mas acabou por atrasar o seu lançamento, o que levou que figurasse como seu primeiro trabalho em cinema o filme, de 1950, The Men (Espíritos Indómitos). Esta produção contava a história de um veterano da Segunda Guerra Mundial ferido em combate angustiado por estar preso a uma cadeira de rodas.

Ganharia o primeiro Óscar com o filme On the Waterfront (Há Lodo no Cais), dirigido por Elia Kazan. Nos anos 1960 faria alguns filmes polémicos, como The Chase (Caçada Humana), no qual é a vítima numa longa cena de espancamento. E Queimada! sua personagem favorita, usado para mostrar uma visão histórica do que teria sido a política de colonização europeia na América, com os portugueses e espanhóis agindo com violência e ganância, enquanto os ingleses ficavam para si com as colónias, atuando nos bastidores com mentiras e falso apoio aos nativos colonizados.

Nos anos 1980 interrompe a sua carreira e retira-se para a ilha de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, da qual era o dono desde 1966. Ganha peso e é fotografado várias vezes usando um largo sarongue polinésio. Com problemas financeiros, retomou a sua carreira cinematográfica em 1989. Chegou a fazer uma paródia de si mesmo no filme The Freshman (Um Novato na Máfia), no qual praticamente repetiu a caracterização de Don Vito Corleone. Passa a ter sérios problemas pessoais, com o julgamento do filho Christian por assassinato do namorado da irmã Cheyenne e que, deprimida, se suicidou poucos anos depois (1995).

Em 1 de julho de 2004, Brando morreu de insuficiência respiratória. Segundo o advogado, David J. Seeley, Marlon faleceu num hospital de Los Angeles, e o seu corpo foi cremado e, suas cinzas foram colocadas juntas a de seu amigo de infância Wally Cox e outro amigo de longa data, Sam Gilman. Em seguida, foram espalhadas uma parte no Taiti e outra parte no Vale da Morte, Deserto de Mojave nos Estados Unidos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Às Voltas com a Memória: PAUL NEWMAN (n. 26 Jan.1925; m. 26 Set. 2008)


Paul Leonard Newman, nasceu em Shaker Heights, a 26 de Janeiro de 1925, e morreu em Westport, a 26 de Setembro de 2008.
Filho de um bem-sucedido comerciante de artigos desportivos, Newman começou a carreira em peças do colégio e, após obter a dispensa da marinha americana em 1946, foi estudar no Kenyon College. Após a formatura, ele passou um ano na Yale Drama School indo depois para Nova Iorque, onde entrou para a renomada escola de formação de atores Actors Studio, dirigida por Lee Strasberg.
Foi soldado do exército Aliado durante a Segunda Guerra Mundial, tendo servido na área de transmissões no Pacífico. De regresso ao seu país, matriculou-se no curso de Economia da Universidade de Yale, mas desde cedo demonstrou interesse em seguir uma carreira artística. Inscreveu-se no prestigiado Actors Studio, tendo participado paralelamente em duas novelas televisivas: Tales of Tomorrow (1951) e The Aldrich Family (1952-1953). Chegou à Broadway, onde deixou boa impressão na sua peça de estreia: Picnic(1953). Os produtores de Hollywood acharam que estavam na presença de um galã com potencialidades e ofereceram-lhe um contrato cinematográfico de cinco anos. O seu filme de estreia teve resultados comerciais desastrosos: The Silver Chalice (O Cálice de Prata, 1954) abordava a história de um Grego que terá sido responsável pela conceção do cálice utilizado por Cristo na Última Ceia. Dois anos depois deste revés, Newman encontrou por fim o sucesso, encarnando o pugilista Rocky Graziano em Somebody Up There Likes Me (Marcado Pelo Ódio, 1956). Gradualmente Newman provou a todos os críticos que aliava o talento à sua boa aparência. A sua primeira nomeação para Óscar surgiu com Cat on a Hot Tin Roof (Gata em Telhado de Zinco Quente, 1958), baseado na peça de Tennessee Williams. No mesmo ano, conheceu a atriz Joanne Woodward durante as rodagens de The Long Hot Summer (Paixões que Escaldam, 1958), filme que lhe valeu o Prémio para Melhor Ator no Festival de Cannes. Em 1961, casou-se com Woodward e interpretou aquele que veio a ser o personagem mais célebre da sua carreira: a de Eddie Felson, um apaixonado pelo bilhar em The Hustler (A Vida é um Jogo, 1961) que lhe valeria nova nomeação para o Óscar de Melhor Ator. Na década de 60, ainda teve mais duas nomeações: pelo seu retrato de arrogante rancheiro do Texas em Hud (O Mais Selvagem Entre Mil, 1963) e pelo penitenciário Luke Jackson em Cool Hand Luke (O Presidiário, 1967). Em 1968, aventurou-se pela primeira vez na realização, dirigindo a sua mulher no melodrama Rachel Rachel (Raquel, Raquel). A fita foi alvo de críticas favoráveis e chegou mesmo a ser uma das candidatas ao Óscar de Melhor Filme. Em 1969, dando azo à sua paixão pela velocidade, adquiriu uma equipa de corridas e iniciou uma esporádica carreira como piloto de automóveis. Fez uma das duplas mais célebres da História do cinema ao lado de Robert Redford em dois filmes marcantes: Butch Cassidy and the Sundance Kid (Dois Homens e um Destino, 1969) e The Sting (A Golpada, 1973). Em 1972, ao lado de Steve McQueen e Barbra Streisand, fundou a First Artists, uma produtora destinada a auxiliar jovens realizadores. Marcou presença em dois «filmes-catástrofe», género muito em voga nos anos 70: The Towering Inferno (A Torre do Inferno, 1974) e When Time Ran Out... (O Dia em Que o Mundo Acabou, 1979). Apesar do aparecimento dos cabelos brancos, Newman continuou a demonstrar todo o seu talento com duas nomeações sucessivas para o Óscar de Melhor Ator em 1981 e 1982: pelo papel de executivo de Miami em Absence of Malice (A Calúnia, 1981) e por um advogado alcoólico e decadente que tenta regressar ao trabalho defendendo uma família vítima de negligência médica em The Verdict (O Veredito, 1982). Vinte e cinco anos depois de ter interpretado a personagem Eddie Felson, o realizador Martin Scorsese convenceu-o a retomar a personagem em The Color of Money (A Cor do Dinheiro, 1986). Rendidos à sua prestação, os membros da Academia outorgaram-lhe o Óscar de Melhor Ator. Newman ainda veio a receber mais duas nomeações em categorias diferentes: na categoria de Melhor Ator Principal pelo seu eterno inconformado Sully em Nobody's Fool (Vidas Simples, 1994) e na categoria de Melhor Ator Secundário pelo velho gangster John Rooney no belo Road to Perdition (Caminho Para Perdição, 2002) de Sam Mendes.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Às Voltas com a Memória: JOÃO VILLARET (n. 10 Mai.1913; m. 21 Jan. 1961)


CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE JOÃO VILLARET

João Henrique Pereira Villaret, nasceu em Lisboa, a 10 de Maio de 1913 e morreu nesta mesma cidade a 21 de Janeiro de 1961, actor, encenador e declamador.
Depois de frequentar o Conservatório Nacional de Teatro, começou por integrar o elenco da companhia de teatro lisboeta Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro.
Mais tarde, fez parte da companhia teatral Os Comediantes de Lisboa, fundada em 1944 por António Lopes Ribeiro e o seu irmão Francisco, mais conhecido por Ribeirinho.
Teve uma interpretação considerada antológica na peça Esta Noite Choveu Prata, de Pedro Bloch, em 1954, no extinto Teatro Avenida, em Lisboa.
Nos anos 1950, com o aparecimento da televisão, transpõe para este meio de comunicação a experiência que adquirira no palco e em cinema, assim como em programas radiofónicos. Aos domingos declamava na RTP,  com graça e paixão, poemas dos maiores autores nacionais.
Ficaram célebres, entre outras, as suas interpretações de:
  • Procissão, de António Lopes Ribeiro (1955);
  • Cântico negro, de José Régio;
  • O menino de sua mãe, de Fernando Pessoa.
João Villaret morreu em Janeiro de 1961, vítima de doença prolongada.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Às Voltas com a Memória: ANTÓNIO JESUS CORREIA (n. 04 Abr.1924; m. 30 Nov. 2003)



António Jesus Correia, nasceu a 3 de Abril de 1924, em Paço de Arcos, foi um desportista de eleição, como houve poucos na história de Portugal. Versátil, jogou em simultâneo futebol e hóquei em patins. Era sem dúvida um desportista de dois amores, praticando ambas as modalidades ao mais alto nível.

No futebol, onde jogava a extremo-direito, fez parte dos famosos Cinco Violinos, conquistando para o Sporting Clube de Portugal cinco campeonatos nacionais e três taças de Portugal. No início de 1947 alcançou a estreia na Selecção Portuguesa de Futebol, onde jogou até 1952, com um total de 13 internacionalizações.

No hóquei, jogou no Paço de Arcos, onde foi oito vezes campeão nacional, entre 1942 e 1955. Para além de ser campeão nacional, somou ainda seis títulos mundiais.

Na época de 1952/53, quando tinha 28 anos, o Sporting quis ter o seu passe em exclusivo, pelo que Jesus Correia foi obrigado a optar entre o futebol e o hóquei em patins. Optou pelo hóquei, o seu primeiro amor, dizendo então adeus ao futebol de alta competição.

Foi um marco no desporto nacional, que ainda hoje inspira gerações. Morreu a 30 de Novembro de 2003, quando era o último dos Cinco Violinos ainda com vida.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Às Voltas com a Memória: BETO (n. 28 Dez.1967; m. 23 Mai. 2010)



Albertino João Santos Pereira, mais conhecido como Beto, nasceu em Peniche, a 28 de Dezembro de 1967.

Aos 5 anos começou a cantar. Aos 17 anos foi para Torres Vedras e passa por vários grupos de música portuguesa.

Em 1992, fundou os Tanimara, que eram uma das melhores bandas de covers da altura. Actuavam no bar Xafarix em Lisboa.

Em 1998 é convidado pelo Maestro José Marinho para representar Portugal no Festival da OTI, na Costa Rica, com o tema "Quem Espera (Desespera)", ficando em 3º lugar.

A partir daqui vários colegas de profissão reconheceram-lhe o enorme talento e convidaram-no para participar nos seus álbuns, no caso de Rita Guerra e Paulo de Carvalho, em duetos, e ainda em centenas de concertos, no caso de Luís Represas e Paulo Gonzo, por todo o país e em salas de prestígio como os Coliseus e o Centro Cultural de Belém.

Destaca-se "Brincando com o Fogo", com Rita Guerra, que até hoje é um tema muito do agrado do público.

Em 2000 é convidado a gravar um disco a duo com Rita Guerra. O álbum "Desencontros" deu origem a uma turné com dezenas de espectáculos em todo o país.

Entre 2000 e 2003 grava 8 temas para bandas sonoras de telenovelas.

No dia 14 de Julho de 2003 lança o seu álbum de estreia a solo, "Olhar em frente", com temas como "Memórias Esquecidas" (tema da novela "Coração Malandro"), «Dois Corações Unidos» (da novela «Nunca Digas Adeus») e «Tudo Por Amor» (da novela «Tudo Por Amor»).

O disco vendeu em quatro meses mais de 13.000 cópias e foi certificado Disco de Prata pela Associação Fonográfica Portuguesa.

Passado pouco mais de um ano deste álbum estar à venda entrou para os lugares cimeiros do Top de vendas nacional permanecendo mais de 57 semanas consecutivas no Top e atingindo o disco de Platina (dupla platina segundo as novas regras da AFP) e sendo o disco português mais vendido no ano de 2004 (cerca de 50 mil exemplares).

Faz entretanto algumas participações em álbuns de outros artistas como Gonçalo Pereira e Ménito Ramos.

No dia 2 de Maio de 2005 lança o álbum "Influências". Em apenas 6 meses é Platina com quase 30.000 cópias vendidas. E para marcar o início da sua turné, apresentou-se ao vivo no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Em Outubro de 2005, a convite de Maria João Abreu e José Raposo, estreia-se no teatro: 'A Revista é Liiinda', espectáculo que o empresário Hélder Freire Costa apresenta no Teatro Maria Vitória. Interpreta "Estrela Da Manhã" e "Podia Ter Sido Amor" em dueto com Paula Sá.

Muda de editora e edita "Porto de Abrigo", um disco com uma sonoridade mais acústica e pura, tentando consolidar os laços já criados com o seu público.

No dia 4 de Maio de 2010 realizou a sua última actuação no Evento Solidariedade - DESMISTIFICA SIMPLIFICA. Este evento foi organizado entre os alunos do Núcleo de Curso de Gestão de Lazer e Turismo de Negócios da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche e a CERPIC PENICHE.

Faleceu na manhã do dia 23 de Maio de 2010, num hotel de Caldas da Rainha, vítima de acidente vascular cerebral. Tinha 42 anos de idade.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Às Voltas com a Memória: JOSÉ SARAMAGO (n. 16 Nov.1922; m. 18 Jun.2010)



José de Sousa Saramago nasceu na vila de Azinhaga, a 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento, no concelho da Golegã, de uma família de pais e avós agricultores. A sua vida é passada em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924 – era um menino de apenas dois anos de idade. Dificuldades económicas impedem-no de entrar na universidade. Demonstra desde cedo interesse pelos estudos e pela cultura, sendo que esta curiosidade perante o Mundo o acompanhou até à morte. Formou-se numa escola técnica. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Fascinado pelos livros, visitava, à noite, com grande frequência, a Biblioteca Municipal Central — Palácio Galveias. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem.

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.

Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público. Viveu, entre 1970 e 1986 com a escritora Isabel da Nóbrega. Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstói e Baudelaire, entre outros.

Depois de Terra do Pecado, Saramago apresentou ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permaneceu inédito até 2011. Persiste, contudo, nos esforços literários e, dezanove anos depois, funcionário, então, da Editorial Estudos Cor, troca a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis. Num espaço de cinco anos, publica, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). É quando troca também de emprego, abandonando a Estudos Cor para trabalhar no Diário de Notícias (DN) e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao DN como Director-Adjunto, onde permanece por dez meses, até 25 de Novembro do mesmo ano, quando os militares portugueses intervêm na publicação (reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos) demitindo vários funcionários. Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista: "(…) Estava à espera de que as pedras do puzzle do destino – supondo-se que haja destino, não creio que haja – se organizassem. É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra, e a que eu pus foi esta: "Não vou procurar trabalho", disse Saramago em entrevista à revista Playboy, em 1995.

Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro o responsável por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque – esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977.

Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago retornou ao mundo da prosa ficcional com Manual de Pintura e Caligrafia. Mas ainda não foi aí que o autor definiu o seu estilo. As marcas características do estilo "saramaguiano" só apareceriam com Levantado do Chão (1980), livro no qual o autor retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.

Dois anos depois de Levantado do Chão (1982), surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e construtor da história servem de metáfora à medida da luta de classes marxista. A crítica brutal a uma Igreja ao serviço dos opressores inicia a exposição de uma tentativa de destruição do fenómeno religioso como devaneio humano construtor de guerras.

De 1980 a 1991, o autor trouxe a lume mais quatro romances que remetem a factos da realidade material, problematizando a interpretação da "história" oficial: O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A Jangada de Pedra (1986), em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; História do Cerco de Lisboa (1989), onde um revisor é tentado a introduzir um "não" no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino e onde, a fundo, questiona o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte.

Nos anos seguintes, entre 1995 e 2005, Saramago publicou mais seis romances, dando início a uma nova fase em que os enredos não se desenrolam mais em locais ou épocas determinados e personagens dos anais da história se ausentam: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Nessa fase, Saramago penetrou de maneira mais investigadora os caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte.

A ida para Lanzarote conta mais sobre o escritor do que deixa transparecer a justificativa corrente (a medida censória portuguesa). Com o gesto de afastamento rumo à ilha mais oriental das Canárias, Saramago não apenas protesta ante o cerceamento, como finca raízes num local de geografia inóspita (trata-se de uma ilha vulcânica, com pouca vegetação e nenhuma fonte de água potável). A decisão tem um carácter revelador, tanto mais se se levar em conta que, neste caso, "mais oriental" significa dizer mais próximo de Portugal e do continente europeu.

Mesmo em dias de hegemonia do pensamento pró-mercado, Saramago guardava um olhar abrigado numa ilha europeia mais próxima da África que do velho centro da civilização capitalista. Sempre atento às injustiças da era moderna, vigilante das mais diversas causas sociais, Saramago não se cansava de investir, usando a arma que lhe coube usar, a palavra. "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome.", diz o eu lírico do poema saramaguiano "Fala do Velho do Restelo ao Astronauta" (do livro Os Poemas Possíveis, editado em 1966).

Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio, vítima de leucemia crónica. O escritor estava doente havia algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida. O seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas do escritor foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa em 18 de Junho de 2011.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Às Voltas com a Memória: MIKLÓS FEHÉR (n. 20 Jul. 1979; m. 25 Jan. 2004)


Miklós “Miki” Fehér, nasceu a 20 de Julho de 1979, em Tatabánya e foi um atacante da selecção nacional húngara. A carreira de Fehér começou no Győri ETO FC, tendo representado em Portugal o FC Porto, o Salgueiros e o Sporting Braga, antes de se mudar para o Benfica. Fez a sua estreia na selecção em Outubro de 1998 contra o Azerbaijão, tendo marcado sete golos em 25 partidas.
No dia 25 de Janeiro de 2004, o Benfica viajou até Guimarães. O jogo estava a ser transmitido em directo na televisão e o Benfica ganhava por 1-0. Após uma jogada mais dura (o cartão amarelo foi mostrado porque Miki tentou impedir um lançamento lateral ao jogador adversário) Fehér recebeu um cartão amarelo, tendo de seguida sentindo-se mal acabando por cair inanimado no relvado. Os médicos e colegas de imediato aperceberam-se que tinha sofrido uma paragem cardíaca, e o seu colega Sokota tirou-lhe a língua da garganta com as suas próprias mãos para que Miki não sufocasse imediatamente, tendo de seguida sido submetido a manobras de reanimação, nesta altura todo o estádio já se tinha apercebido da gravidade da situação. Uma ambulância entrou dentro do campo para transportar o jogador para o hospital. A sua condição física foi acompanhada ao longo do dia pelos media portugueses, e antes da meia-noite a morte de Fehér foi confirmada. O médico legista mais tarde anunciou que Fehér morreu devido a uma fibrilhação ventricular devido a uma cardiomiopatia hipertrófica. Tinha 24 anos.
Em memória dele, o Benfica retirou o número 29 que era usado por ele, sendo que este número nunca mais irá ser utilizado por um jogador do Benfica. Ele será sempre lembrado e a sua morte causou um grande choque no desporto português. Apesar de Fehér ter deixado o FC Porto para os rivais de Lisboa, após a sua morte, Reinaldo Telles o director do FC Porto e José Mourinho treinador na época, prestaram a sua homenagem no Estádio da Luz, onde o seu corpo esteve.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Às Voltas com a Memória: ZÉ BETO (n. 21 Fev. 1960; m. 10 Ago. 1990)


José Alberto Teixeira Ferreirinha – ZÉ BETO, o guarda-redes que veio do mar.
Nasceu em Matosinhos, a 21 de Fevereiro de 1960, no ceio de uma família de pescadores. Foi nas ruas da Vila que deu os primeiros pontapés na bola, por vezes uma simples bola de trapos, pois o dinheiro não dava para mais. Aos 5 anos a família Ferreirinha mudou-se para Leça, mas Zé Beto nunca perdeu o contacto com os antigos amigos de rua com quem deu os primeiros toques na redondinha. Mais tarde foram viver para a cidade do Porto. Foi aqui que a vida de Zé Beto entrou numa fase mais instável, não gostava da escola, chegando até a reprovar por faltas. Logo que terminou a Escola Preparatória inscreveu-se num curso de electromecânica e mais tarde de serralheiro. Tudo isto em vão, o puto continuava a não gostar de estudar, acabando por ir trabalhar para as obras.
O futebol surgiu na sua vida por esta altura. A convite de um amigo foi treinar para um pequeno clube chamado Pasteleira. O mais difícil foi convencer o pai, mas depois de muita insistência lá conseguiu o seu apoio, mas ficando acordado que só haveria aprovação total após a observação de um dos seus treinos. Assim aconteceu, no final do treino disse-lhe mais ou menos isto: - Tu não gostas da escola, mudas de emprego como quem muda de camisa, portanto tens o meu aval, vai tentar o futebol. Zé Beto ficou louco de contente, o pai tinha concluído que afinal o puto tinha jeito para a bola. Tornou-se o seu principal apoiante e o seu treinador particular a tempo inteiro.
Os dirigentes do Pasteleira ficaram radiantes com o aval do pai, pois tinham reparado que o miúdo tinha garra e habilidade para defender as redes do clube. Contudo, ainda faltava resolver um pormenor. O miúdo ainda não tinha idade para jogar pelos juvenis, sendo necessário pedir autorização para que ele pudesse vestir a camisola número um como era desejo de todos em especial do treinador. O pedido foi aceite e o rapaz pode assim envergar a camisola número um e tomar conta da baliza da equipa de juvenis. Desde logo, começou a dar nas vistas e não tardou em despertar a atenção dos responsáveis de outros clubes, entre os quais o Futebol Clube Do Porto.
Após disputa entre Porto e Leixões, o jovem guardião ingressa nos quadros do FCP e de lá só saiu um ano por empréstimo para representar o Beira-Mar. Na época de 1975/76 conseguiu o seu primeiro título, jogava na altura nos juvenis. Foi então que teve também a sua primeira internacionalização, actuando no campeonato europeu e no mundial de juvenis. Até chegar a sénior foi sempre o titular indiscutível das redes portistas. No primeiro ano de sénior, com Fonseca e Tibi pela frente, dois guarda-redes com muita experiência, o jovem Zé Beto foi emprestado ao Beira-Mar por uma temporada, onde rapidamente conquistou a titularidade.
Depois de uma época no clube de Aveiro, regressou ás Antas de onde, entretanto tinha saído o seu amigo Pedroto devido a diferendos entre este e então presidente portista.
Pedroto foi substituído por um Austríaco de nome Stessl, que entre Zé Beto e Fonseca, optou sempre pelo segundo. Foram dois anos de travessia no deserto, no entanto o jovem guarda-redes nunca desistiu nem perdeu o ânimo, entregando-se de corpo e alma nos treinos, confiante de que o seu dia iria chegar. Duas épocas mais tarde, Pinto da Costa assume a presidência do clube e com ele regressa às Antas o Senhor Pedroto. Zé Beto foi titular em todos os jogos da pré-época, até que num jogo com o Boavista se lesiona, adiando assim a sua estreia como titular em jogos oficiais. Triste com o azar que lhe batera à porta, não perdeu o entusiasmo e a garra que o caracterizavam e logo que recuperou da lesão entregou-se ao trabalho procurando recuperar a forma perdida.
Finalmente surge a tão merecida titularidade. Foi num jogo com o Guimarães na época 83/84.
Zé Beto tornou-se no titular indiscutível das redes portistas, as suas exibições enchiam o olho a todos os que assistiam aos jogos do FCP, rapidamente se tornou num ídolo para os adeptos que reclamavam a sua presença na selecção principal. Contudo os seleccionadores sempre preferiram o então guarda-redes do Benfica, Manuel Bento.
Mais tarde surge o castigo da UEFA. Pela primeira vez na sua história, o FCP chega a uma final europeia. Foi uma alegria imensa para todos, que encaravam aquele jogo como uma enorme festa. Mal sabiam o que estava para acontecer. A final foi com a poderosa equipa da Juventus que, desde o início do jogo até final, foi contando com as benesses do árbitro. Essa foi uma noite triste para Zé Beto. Segundo o relatório do arbitro o guarda-redes ter-lhe-á batido com a bandeirola de um dos auxiliares na cabeça. Zé Beto sempre negou esta acusação, no entanto a UEFA não teve contemplações e impediu-o de jogar nas competições europeias durante a época seguinte.
Os anos que se seguiram não se revelaram muito positivos para a carreira do guarda-redes de quem José Maria Pedroto tanto gostava. Perdeu a titularidade para o polaco Mlinarzich.
O pior ainda estava para acontecer. Quando se previa a sua saída das Antas rumo a outro clube, Zé Beto foi vítima de um brutal acidente, a 10 de Agosto de 1990, que lhe roubou a vida e o impediu de finalmente mostrar ao mundo todo o seu talento.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Às Voltas com a Memória: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA (n. 09 Abr. 1942; m. 16 Out. 1982)


ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira, nasceu em Avintes, 9 de Abril de 1942. Foi um dos mais importantes intérpretes do fado de Coimbra. As baladas “Trova do Vento que Passa” ou “Canção com Lágrimas” são marcos da canção de intervenção. Cantou poemas de Manuel Alegre e António Gedeão. As suas músicas provam que, na arte, não basta agradar: é preciso tocar um nervo público. As suas canções de intervenção foram das mais criativas de sempre. Adriano Correia de Oliveira pertenceu ao grupo dos transgressores. Quebrou todas as regras e arriscou o próprio físico. Para ele, a música tinha uma função social: devia denunciar injustiças ou ser um repositório de emoções. Intérprete do Fado de Coimbra e músico de intervenção, foi criado no seio de uma família tradicionalista e católica, na margem esquerda do Douro, num ambiente que descreveria como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Durante o período académico foi republico, na Real República Ras-Teparta, solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 1962, contra o Salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de símbolo da resistência dos estudantes à ditadura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Matilde Leite, com quem teria dois filhos, Isabel, em 1967 e José Manuel, em 1971. Em 1967 é chamado a cumprir o Serviço Militar, ficando a uma disciplina de se formar em Direito. Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FILFeira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 sai O Canto e as Armas, onde canta de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Nesse ano recebe o Prémio Pozal Domingues. Lança, em 1970, Cantaremos. Em 1971 é editado o disco Gente d'Aqui e de Agora, com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a editora Edicta, com Carlos Vargas. Em 1974 torna-se produtor na Editora Orfeu. Em 1975 lançou Que Nunca Mais, com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca, com o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Após o 25 de Abril de 1974, é um dos fundadores da Cooperativa Cantabril. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, para no ano seguinte, em ruptura com a Cantabril, ingressar na Cooperativa Era Nova.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, a 16 de Outubro de 1982  (40 anos), nos braços da mãe.